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PULGAR×CARRASCAL

Fandom: Jogadores de Futebol

Criado: 16/09/2026

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RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoHistória DomésticaCiúmesLinguagem Explícita
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Marcas de Pele e Cicatrizes de Alma

A música eletrônica pulsava nas paredes da cobertura luxuosa, um ritmo contagiante que normalmente faria Jorge Carrascal ser o primeiro a invadir a pista improvisada. O colombiano, com seu topete impecável e reflexos loiros brilhando sob as luzes neon, costumava ser a alma de qualquer "social". Sua ginga era natural, seus braços fechados em tatuagens moviam-se com uma fluidez que atraía olhares, e seu sorriso arteiro era capaz de desarmar até o mais sisudo dos seguranças.

Mas, naquela noite, o sorriso de Jorge estava congelado, uma máscara de cortesia que escondia um vulcão prestes a entrar em erupção.

Erick Pulgar, o chileno de olhar penetrante e postura autoritária, estava a poucos metros dali. Com 90% do corpo tatuado, Erick emanava uma aura de "pitbull". Ele era o homem dos negócios, o protetor da família, o pilar de seriedade que só se derretia quando Santino, o filho pequeno de Jorge, pulava em seu pescoço, ou quando Jorge sussurrava bobagens em seu ouvido antes de dormir.

O problema tinha nome, sobrenome e um tom de loiro excessivamente planejado: Gabriela.

Jorge a observava de longe. Ela se movia pelo ambiente com uma familiaridade irritante, tocando o braço de Erick com uma intimidade que fazia o sangue do colombiano ferver. Em dois anos de namoro, Jorge sabia apenas que "Gabriela" era a ex-mulher. Erick nunca fora de dar detalhes sobre o passado; para o chileno, o que passou era terra queimada. Jorge respeitava isso... até aquele momento.

— Você viu a nova tatuagem do Nacho? — perguntou um dos amigos do círculo onde Jorge estava, tentando puxar assunto.

— Ficou incrível — respondeu Gabriela, surgindo do nada e se infiltrando na conversa com um sorriso predatório. Ela olhou diretamente para Jorge, seus olhos claros brilhando com uma malícia que ele captou instantaneamente. — Tatuagens são marcas de posse, não acham? Ou de memória.

Jorge arqueou uma sobrancelha, cruzando os braços tatuados sobre o peito.

— Eu acho que são histórias — disse Jorge, o sotaque colombiano arrastado, tentando manter a classe.

— Concordo — Gabriela deu um gole em seu drink, aproximando-se mais. — Algumas histórias a gente nunca apaga. Eu, por exemplo, ainda tenho a tatuagem que fiz com o Erick. E, pelo que vi hoje cedo quando ele ajeitou a camisa... ele também mantém a dele intacta.

O mundo ao redor de Jorge pareceu silenciar, exceto pelo zumbido em seus ouvidos.

— É mesmo? — Jorge perguntou, a voz perigosamente baixa.

— Sim. — Ela soltou uma risadinha, inclinando-se para o lado de Jorge como se contasse um segredo. — Sabe como é... se ele ainda não cobriu depois de tanto tempo, é porque ainda resta algum sentimento, não acha? O Erick é um homem de significados. Ele não carrega na pele algo que não signifique nada.

Jorge sentiu o estômago dar um nó. Ele olhou para Erick, que estava do outro lado da sala. O chileno parecia desconfortável, cortando as tentativas de conversa de Gabriela sempre que ela se aproximava, mas o dano já estava feito. Jorge percebeu que todos ali a chamavam por apelidos carinhosos, "Gabi" ou apenas "ela", e ele, como um tolo, não tinha ligado os pontos até ser tarde demais.

O resto da festa foi um borrão. Jorge, geralmente o centro das atenções, tornou-se uma sombra silenciosa. Quando Erick se aproximou para convidá-lo para dançar, Jorge apenas alegou cansaço.

— O trabalho hoje foi pesado, Erick. Só quero ir para casa — mentiu, sem conseguir olhar nos olhos do namorado.

O trajeto de carro foi um campo minado. Erick, sentindo a tensão palpável, tentou o gesto de sempre: deslizou a mão grande e tatuada pela coxa de Jorge, apertando levemente enquanto mantinha os olhos na estrada. Era o seu jeito silencioso de dizer "estou aqui".

Bruscamente, Jorge empurrou a mão dele.

— Não me toca.

Erick franziu o cenho, o maxilar travando. O "pitbull" estava começando a perder a paciência.

— Que porra aconteceu, Jorge? Você ficou mudo a festa inteira. Se for por causa da Gabriela, eu já te disse que...

— Você não me disse nada! — Jorge explodiu assim que o carro entrou na garagem da casa deles. — Você nunca diz nada sobre ela!

Eles saltaram do carro, e a discussão continuou aos gritos pelos corredores da casa luxuosa.

— O que você queria que eu dissesse? Que ela é uma louca que não aceita o fim? — Erick gritou de volta, jogando as chaves sobre a mesa da entrada.

— Eu queria saber que você ainda carrega o nome dela, ou a marca dela, ou a porra que for no seu ombro! — Jorge gesticulava freneticamente, a ginga colombiana agora transformada em agressividade pura. — Ela esfregou na minha cara, Erick! Disse que se você não cobriu, é porque ainda sente algo por aquela piranha!

— Ela está mentindo para te provocar, caralho! — Erick deu um passo à frente, sua estatura imponente tentando dominar o espaço. — Aquela tatuagem é velha, Jorge. Eu tenho o corpo fechado, é só mais um desenho no meio de cem outros. Eu nem lembro que aquela merda existe!

— Ah, não lembra? Mas ela lembra! E todo mundo naquela festa sabia quem ela era, menos o palhaço aqui! — Jorge riu, uma risada amarga, os olhos marejados de raiva. — Você é um hipócrita. Diz que é focado, que é sério, mas guarda a lembrança da ex na pele. Se é tão importante assim, fica com ela. Fica com a tatuagem e com a memória dela!

— Não fala merda, Jorge! — Erick rosnou, a voz rouca de fúria. — Você sabe que eu amo você. Sabe que o Santino é como se fosse meu filho. Não deixa essa mulher entrar na sua cabeça.

— Ela já entrou! E você deixou a porta aberta! — Jorge apontou para o próprio peito. — Eu não sou o tipo de namorado que controla o que você faz com o seu corpo. Se você quer manter a marca dela, mantém. Mas não espera que eu fique aqui assistindo.

— Jorge, volta aqui!

— Vai se foder, Erick! Faz o que você quiser da sua vida!

Jorge bateu a porta do quarto de hóspedes com tanta força que os quadros no corredor tremeram. Naquela noite, o silêncio na casa foi mais ensurdecedor do que a música da festa.

Na manhã seguinte, Jorge acordou com a cabeça latejando. O lado vazio da cama (ou melhor, a ausência de Erick no quarto de hóspedes) confirmava que o chileno saíra cedo. Provavelmente para o CT ou para alguma reunião. Jorge passou o dia trancado no escritório, tentando se concentrar nos relatórios, mas a imagem da loira sorrindo e as palavras "ainda resta sentimento" não saíam de sua mente.

Ao entardecer, Jorge foi para a cozinha. Cozinhar costumava acalmá-lo. Ele cortava legumes com uma precisão feroz quando ouviu a porta da frente abrir. Erick entrou, o semblante cansado, mas o olhar ainda carregado.

Erick não disse nada de imediato. Ele caminhou até a cozinha e encostou-se no batente da porta, observando Jorge de costas. O colombiano estava de regata, exibindo as costas fechadas, mas seus movimentos eram rígidos.

— O cheiro está bom — disse Erick, a voz baixa.

— Hum — foi tudo o que Jorge respondeu, sem se virar.

Ele caminhou até a geladeira para pegar a água. Quando se virou, seus olhos bateram no ombro direito de Erick. O chileno estava de camiseta de manga curta, mas a manga estava dobrada, e sobre o ombro, havia um quadrado perfeito de papel insulfilm, protegendo uma tatuagem recém-feita.

Jorge sentiu o coração dar um solavanco, mas o orgulho falou mais alto. Ele desviou o olhar e voltou para o fogão.

— Não vai dizer nada? — perguntou Erick, dando um passo para dentro da cozinha.

— Não vi nada que me interesse — Jorge rebateu, embora suas mãos estivessem tremendo levemente.

Erick soltou um suspiro pesado e caminhou até ficar logo atrás de Jorge. Ele não o tocou de imediato, mas o calor de seu corpo era inegável.

— Vira para mim, Jorge. Por favor.

Relutante, o colombiano desligou o fogo e se virou, mantendo uma expressão neutra, embora seus olhos estivessem grudados no curativo.

Erick levou a mão ao ombro e, com cuidado, removeu o plástico. A pele ao redor estava avermelhada, o brilho da pomada refletindo a luz da cozinha. Jorge piscou, inclinando a cabeça para frente.

Não era apenas uma cobertura.

No lugar onde antes (supostamente) havia algo relacionado à ex, agora brilhava um pequeno Naruto, o personagem de anime favorito de Jorge, desenhado com uma precisão incrível. E logo abaixo da figura do ninja loiro, em uma caligrafia elegante e firme, estava escrito: Jorge.

Jorge soltou o ar que nem sabia que estava prendendo. Ele olhou para a tatuagem. Depois para o rosto sério de Erick. Depois para a tatuagem de novo.

— Você... você tatuou o meu nome? — A voz de Jorge saiu fina, a pose de durão desmoronando em segundos.

Erick soltou uma risada curta, achando graça da expressão de choque do namorado.

— Eu já ia fazer uma homenagem para você, mi amor. Já estava nos planos. A briga de ontem só me deu o empurrão para fazer hoje mesmo e apagar qualquer dúvida que essa sua cabeça oca pudesse ter.

Jorge sentiu os olhos marejarem instantaneamente. O biquinho involuntário surgiu em seus lábios, e ele soltou um fungado audível.

— Você é um idiota, Erick Pulgar — Jorge resmungou, mas já estava se jogando nos braços do chileno. — Você tatuou o meu nome... e o Naruto!

— Eu sei o quanto você gosta desse desenho idiota — Erick o abraçou apertado, escondendo o rosto no pescoço cheiroso do colombiano. — E eu sei que nada do que eu tive antes chega perto do que eu tenho com você. Aquela tatuagem velha não significava nada. Esta aqui... esta é uma das mais importantes.

Jorge se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos negros de Erick.

— Eu te amo tanto, seu chileno marrento.

— O quê? Não ouvi — Erick provocou, um sorriso raro e genuíno iluminando seu rosto.

— Eu te amo! — Jorge repetiu, manhoso, selando seus lábios nos dele.

O beijo começou doce, uma reconciliação carregada de alívio, mas rapidamente a temperatura subiu. A língua de Erick invadiu a boca de Jorge com uma fome possessiva, enquanto suas mãos grandes desceram para apertar a bunda do colombiano com força, trazendo-o para mais perto, para que sentisse o quanto ele o desejava.

Jorge soltou um gemido baixo, suas mãos subindo para o pescoço de Erick, evitando a área sensível da tatuagem nova, mas puxando o namorado para mais perto.

— Aqui? — Jorge arfou entre os beijos, sentindo a ereção de Erick pressionando contra sua coxa.

— Aqui mesmo — Erick rosnou contra seu ouvido, a voz carregada de segundas intenções. — Quero que você esqueça cada palavra que aquela mulher disse. Quero que você lembre apenas de quem é o dono dessa porra toda.

— Então me mostra, caralho — Jorge desafiou, a malandragem voltando aos seus olhos. — Me mostra que eu sou o único.

Erick não precisou de um segundo convite. Ele ergueu Jorge, sentando-o na bancada de mármore frio da cozinha, espalhando os talheres para o lado sem o menor cuidado.

— Você é meu, Jorge. Só meu. E eu vou foder você até você esquecer como se fala qualquer outro nome que não seja o meu.

— Fala sujo para mim, Erick... — Jorge implorou, as pernas envolvendo a cintura do chileno, enquanto as mãos de Pulgar já trabalhavam para abrir o cinto do colombiano.

O som da carne batendo contra a carne e os sussurros obscenos em espanhol e português preencheram a cozinha, substituindo qualquer resquício de briga por uma paixão avassaladora. Naquela noite, as marcas na pele de Erick não eram mais fantasmas do passado, mas sim promessas de um presente onde Jorge Carrascal era o único rei.

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