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Oliver x ∆lice

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 16/09/2026

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RomanceDor/ConfortoFofuraFantasiaSombrioAçãoHistória DomésticaCenário Canônico
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Sombras Amarradas e Fitas Negras

Os corredores monocromáticos da Paper School estavam surpreendentemente calmos naquela tarde, um contraste gritante com a habitual bagunça que costumava reinar sob o comando de Oliver e seus inseparáveis cúmplices, Zip e Edward. Horas antes, o trio havia pregado peças cruéis em alunos indefesos, espalhado aviõezinhos de papel com insultos pelas salas e quase feito a professora Thavel perder a pouca paciência que lhe restava. Mas agora, o garoto de longas mechas alvas caminhava sozinho por um corredor quase deserto, longe dos olhares assustados dos outros estudantes.

Oliver assobiava uma melodia despreocupada e desafinada. Em sua mão de carne e osso, ele segurava um retângulo cor-de-rosa com cheiro forte de lavanda. Sem a menor cerimônia, levou o objeto à boca e deu uma mordida generosa, mastigando o sabonete como se fosse a mais refinada barra de chocolate branco. A espuma suave e o gosto adstringente eram uma delícia inigualável para o seu paladar peculiar. Ele engoliu com um sorriso travesso estampado no rosto, ajustando distraidamente o relógio de pulso que ficava preso em seu antebraço esquerdo — logo acima de onde a carne dava lugar a um enorme lápis grafite apontado, que substituía completamente seu membro.

Com a outra mão, Oliver carregava com extremo cuidado uma gaiola de ferro forjado pintada de preto. Dentro dela, sobre uma forração de serragem e tiras de jornal picado, um pequeno coelho preto de pelo brilhante movia o focinho trêmulo, olhando para os lados com olhinhos vermelhos como duas pedras de rubi lapidadas.

— Fica quietinho aí, parceiro — murmurou Oliver em voz baixa, dando um leve tapinha na lateral da gaiola com a ponta afiada do seu braço de lápis. — Você vai conhecer a garota mais incrível, assustadora e bonita de todo esse colégio de papel. E se der sorte, ela não vai querer te devorar no primeiro encontro.

O coelho soltou um chiado baixo, encolhendo-se ainda mais no fundo do pequeno abrigo de metal.

Oliver ajeitou a gola da camisa preta listrada, puxando a barra que exibia com orgulho o símbolo de losango atravessado. Sacudiu a cabeça, fazendo com que sua gigantesca mecha arrepiada no topo balançasse junto com seu rabo de cavalo preso por um laço preto, que descia pelas suas costas e quase tocava seus tornozelos calçados com botas escuras e meias brancas. A marca vermelha em formato de "A+" desenhada no lado direito de suas mechas alvas parecia vibrar de expectativa. Ele tinha um objetivo muito claro: fazer uma surpresa para ∆lice.

Sua namorada não era uma garota comum. Longe disso. ∆lice era uma entidade temível, uma princesa demônio canibal cujo simples nome fazia os professores tremerem e os alunos correrem para debaixo das carteiras em prantos. Todos a viam como um pesadelo vivo, um monstro sanguinário que transformava intrusos em pedaços de papel rasgado e carne moída. Mas para Oliver, ela era simplesmente sua garota favorita no mundo inteiro. Ele adorava a intensidade dela, a escuridão que a cercava e a maneira como ela, no fundo de seu coração retorcido e aterrorizante, tolerava suas travessuras com um carinho que ninguém mais tinha a honra de receber.

Ele virou o corredor que levava à ala mais proibida da escola, onde a luz parecia morrer antes mesmo de tocar o chão de tábuas de papelão. As paredes exibiam rabiscos frenéticos, olhos desenhados que pareciam seguir cada passo e manchas escuras que ninguém se atrevia a limpar. No final do caminho, erguia-se uma porta pesada e entreaberta, cercada por uma névoa sombria que parecia pulsar como um coração dormente. Era o quarto de ∆lice.

Oliver engoliu o último pedaço de sabonete de lavanda, limpou o canto da boca com as costas da mão e respirou fundo.

— Amor? — chamou ele, adiantando o passo enquanto empurrava a porta devagar com a bota. — Sou eu! Trouxe um presente para você. Zip me disse que você ia odiar, mas eu sei que você tem uma quedinha por criaturas fofas... desde que sejam pretas como o abismo, é claro.

Ele deu um passo para dentro da escuridão densa do aposento. O ar ali era gélido, carregado de uma estática pesada que fazia seus chifres pretos formigarem. O chão parecia macio demais, coberto por uma camada de névoa escura. No entanto, não houve nenhuma resposta customary, nenhum rugido gutural brincalhão ou passos pesados de garras afiadas. Apenas um silêncio angustiante.

Oliver franziu a testa, semicerrando os olhos para tentar enxergar através das sombras.

— ∆lice? — repetiu, a voz perdendo um pouco do tom zombeteiro habitual.

Foi quando seu olhar recaiu sobre o centro do piso de papel envelhecido. Iluminada por uma nesga fraca de luz que entrava pela fresta da porta, jazia uma tiara cinza pontiaguda, o acessório inconfundível que ela jamais tirava da cabeça. Estava jogada, esquecida como se tivesse sido arrancada à força.

O coração de Oliver deu um salto violento dentro do peito. Um alarme silencioso disparou em sua mente.

— Mas o que...

Antes que ele pudesse terminar a frase ou dar outro passo em direção à tiara, uma força invisível e esmagadora atingiu suas costas como uma marreta. O ar foi violentamente expulso de seus pulmões quando ele foi lançado para frente, caindo de costas sobre o chão rangente. A gaiola do coelho escorregou de seus dedos, batendo contra uma cômoda de papelão e destravando a portinhola com um estalo metálico.

— Ai! Mas que droga foi...

Ele não teve tempo de se levantar. Um vulto escuro e pesado desabou do teto das sombras direto sobre ele, colidindo contra seu peito e caindo de lado, aninhando-se desajeitadamente em seu colo.

Oliver levou a mão ao peito para empurrar o invasor com a ponta afiada de seu lápis em riste, mas parou no exato milissegundo em que seus olhos focaram a figura sobre si.

Era ∆lice.

O garoto congelou, os olhos arregalados em choque absoluto. A princesa demônio estava caída sobre suas pernas, completamente indefesa. Grossas cordas escuras, tingidas com um material viscoso e pesado, envolviam todo o seu corpo. Suas pernas compridas estavam dobradas para trás e amarradas firmemente aos seus pulsos em um nó cruel e humilhante. Para piorar a cena surreal, uma tira larga de pano escuro estava amarrada em volta de sua boca, formando uma mordaça apertada que afundava em suas bochechas acinzentadas.

∆lice se debatia freneticamente, sacudindo os membros em vão enquanto tentava usar suas garras presas para rasgar os laços. Seus olhos demoníacos, que costumavam queimar com um brilho de predadora implacável, estavam arregalados de fúria e puro desespero. Ela emitia gemidos abafados e furiosos contra o tecido da mordaça, o peito subindo e descendo com uma respiração entrecortada e desesperada.

— Humf! Mmmf! Mmmmph! — gritava ela através do pano, contorcendo-se e cravando os olhos nos de Oliver, transmitindo uma mistura avassaladora de raiva assassina, vergonha e apelo por socorro.

— ∆lice?! — gritou Oliver, a voz falhando em um tom agudo de pânico que ele raramente demonstrava na frente de qualquer pessoa. — Meu Deus, amor! O que aconteceu com você?!

O garoto travesso e confiante da Paper School sumiu em uma fração de segundo. Em seu lugar, sobrou apenas um rapaz aterrorizado e infinitamente preocupado com a única garota que ele amava. Suas mãos começaram a tremer. Como aquilo era possível? Quem no colégio — ou até mesmo fora daquela dimensão — teria coragem ou poder suficiente para emboscar ∆lice, neutralizá-la e deixá-la amarrada daquele jeito dentro de seu próprio santuário?

— Fica calma, fica calma! Eu tô aqui, eu vou te soltar! — disparou Oliver em tom apressado, a respiração tão descompassada quanto a dela.

Ele tentou puxar o nó com os dedos de sua mão direita, mas as cordas estavam incrivelmente apertadas, quase cortando a pele pálida e demoníaca dela. Sentindo o corpo de ∆lice tremer em seu colo com uma frustração que beirava o colapso, Oliver agiu por puro instinto. Ele girou o braço esquerdo, posicionando a ponta afiada e dura de seu grande lápis grafite bem no ponto de tensão da corda que prendia as pernas aos pulsos.

— Não se mexe, não quero te machucar! — pediu ele, a voz carregada de uma urgência febril.

Com movimentos rápidos e precisos, Oliver usou a lateral da ponta de grafite como uma alavanca e começou a forçar as fibras ásperas do nó. Ele empurrou com toda a força do seu corpo, sentindo a madeira reforçada de seu braço protestar sob a pressão. ∆lice soltou outro gemido abafado, os olhos vidrados nele, o suor frio escorrendo por suas têmporas. A raiva em seu olhar começou a ceder lugar a um alívio urgente enquanto ela sentia a tensão diminuir.

Com um estalo seco, o primeiro nó cedeu. A corda escorregou e se afrouxou o bastante para que Oliver conseguisse desenrolar as voltas apertadas que prendiam suas mãos e tornozelos.

— Quase lá, quase lá... — balbuciava Oliver, o coração batendo no fundo da garganta enquanto desfazia os laços freneticamente com a mão livre e com o lápis.

No instante em que as pernas foram liberadas, as garras afiadas de ∆lice se esticaram, cortando o restante das amarras com um único golpe violento que fez tiras de corda voarem pelo quarto escuro. Ela levou as mãos trêmulas à nuca e rasgou o nó da mordaça com tanta força que o tecido se desfez em trapos.

— MALDIÇÃO! — rugiu ∆lice, o som gutural ecoando como um trovão pelas paredes de papel, fazendo a poeira dançar na névoa escura.

Ela puxou o ar com violência, tossindo e inspirando golfadas pesadas de oxigênio. As sombras em volta de seu corpo explodiram em espinhos pontiagudos de pura raiva, e seus olhos pareciam tochas acesas na penumbra.

— Se eu descobrir quem fez isso... eu juro pela minha coroa que vou arrancar a cabeça dessa criatura e devorar os ossos um por um! — gritou ela, a voz distorcida por ecos demoníacos que fariam qualquer outro ser vivo desmaiar de pavor.

Oliver, no entanto, não recuou. Em vez de fugir da criatura aterrorizante à sua frente, ele simplesmente se aproximou e a envolveu com seu braço de carne e o braço de lápis, puxando-a contra o seu peito com força.

— Ei... calma. Acabou, você tá livre — sussurrou ele, a voz ainda tremendo um pouco enquanto enterrava o rosto na curva do pescoço dela. — Você tá bem? Eles te machucaram? Por favor, me diz que você tá bem.

O calor do abraço de Oliver agiu como um bálsamo repentino sobre a fúria abrasadora da princesa demônio. Os espinhos de sombra que brotavam de suas costas começaram a encolher e se dissipar. Ela parou de tremer, sentindo o pulsar rápido do coração do rapaz contra suas costelas e percebendo a preocupação crua e genuína que transbordava de cada palavra dele. ∆lice soltou um longo suspiro cansado, descansando a testa no ombro dele, deixando suas mãos de garras afiadas repousarem nas costas da camisa listrada de Oliver com uma delicadeza quase inacreditável para alguém do seu calibre.

— Eu estou inteira, Oliver... — murmurou ela, a voz ainda rouca pela mordaça apertada, agora muito mais suave. — Só com um ódio que mal cabe no meu peito. Fui pega desprevenida pelas sombras do teto enquanto descansava. Não sei o que foi aquilo, mas não vai se repetir.

— Nunca mais — prometeu ele com firmeza, acariciando os cabelos dela. — Se alguém tentar encostar um dedo em você de novo, eu juro que furo os dois olhos do infeliz com esse meu lápis até não sobrar nada além de lascas.

Um esboço de sorriso quase imperceptível surgiu nos lábios de ∆lice diante da bravata exagerada do namorado. Ela sabia que ele faria exatamente isso se tivesse a chance.

Antes que pudessem dizer mais alguma coisa, um som miúdo e suave de passos quebrando papelão chamou a atenção dos dois.

Do canto do quarto, onde a gaiola havia tombado, uma pequena bola de pelos pretos avançava timidamente pela névoa. O coelhinho, com suas orelhas longas e caídas, farejava o chão com curiosidade desmedida, completamente alheio ao fato de estar no covil da entidade mais sanguinária da escola. Com um salto desajeitado e ágil, o animalzinho subiu no joelho de Oliver e, dali, pulou direto para o colo de ∆lice.

A princesa demônio congelou no mesmo instante. Seus olhos se arregalaram enquanto ela encarava a pequena criatura negra que acabara de se acomodar entre suas pernas cruzadas. O coelho levantou as patas dianteiras, apoiou-se na cintura de ∆lice e começou a mexer o nariz cor-de-rosa contra as garras afiadas de uma das mãos dela, farejando-a sem nenhum pingo de medo.

Oliver abriu um sorriso envergonhado, coçando a nuca com a mão livre e sentindo o rosto esquentar de leve.

— Ah... bem, esse era o motivo de eu ter vindo aqui antes de encontrar esse caos todo — explicou ele, apontando para o bichinho com a ponta de grafite. — É um presente. Um coelho de estimação. Preto como a meia-noite, para combinar com o seu quarto. E com você.

∆lice permaneceu imóvel por alguns segundos intermináveis, a respiração suspensa. Para quem não a conhecesse, pareceria que ela estava calculando a melhor forma de esmagar o bichinho. Mas Oliver conhecia cada nuance de sua namorada. Ele viu quando os ombros tensos dela finalmente relaxaram, e quando a expressão dura de sua face se desfez em algo incrivelmente terno.

Devagar, com um cuidado extremo para que suas garras compridas não machucassem a pele frágil do animal, ∆lice tocou a cabeça felpuda do coelho com a ponta do indicador. O bichinho fechou os olhos e inclinou a cabeça para receber o carinho, soltando um pequeno ronromar abafado.

— Ele é... adorável — confessou ela em um sussurro quase inaudível, deslizando a mão inteira pelo dorso macio do coelho.

— Eu sabia que você ia gostar — disse Oliver, soltando uma risadinha aliviada e se sentando mais perto dela, apoiando o ombro no dela. — Embora eu quase tenha tido um ataque cardíaco antes de conseguir te dar ele.

∆lice olhou para Oliver de soslaio, e pela primeira vez naquela tarde, seus lábios se curvaram em um sorriso genuíno e afetuoso, ainda que carregado de sua elegância sombria.

— Obrigada, Oliver. Pelo presente... e por ter me desamarrado antes que eu enlouquecesse de vez.

— Não precisa agradecer, princesa. Valentões de papel protegem as suas garotas — brincou ele, piscando o olho com a travessura habitual retornando ao seu semblante.

Com a mão livre, Oliver esticou-se até o chão e pegou a tiara cinza que havia caído antes. Com muito cuidado para não desalinhá-la, ele a colocou de volta sobre a cabeça de ∆lice, ajustando-a entre as mechas escuras dela com carinho.

— Prontinho. Agora sim você parece a governante deste lugar de novo.

O coelho preto bocejou no colo de ∆lice e enrolou-se como uma pequena bolinha escura, parecendo perfeitamente contente em ficar ali para sempre. ∆lice continuou acariciando os pelos macios com uma das mãos, enquanto a outra se estendeu para segurar a mão humana de Oliver, entrelaçando seus dedos afiados com os dele.

A escuridão do quarto não parecia mais tão sufocante ou perigosa. No centro daquele aposento temido por todos na Paper School, os dois permaneceram em silêncio por um longo tempo, unidos pelo estranho, caótico e inquebrável laço que só eles dois eram capazes de compreender.

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