
Baby
Fandom: Bad Omens
Criado: 17/09/2026
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Sinfonia de Três Corações
O ar do backstage sempre teve um cheiro específico: uma mistura de ozônio vindo dos amplificadores, spray de cabelo, café forte e o suor frio da antecipação. Mas, naquela noite, o cheiro que Noah Sebastian mais sentia era o do perfume de baunilha de Nina, que parecia impregnado em sua própria pele.
A turnê conjunta que selara o destino deles diante de trinta mil pessoas havia ficado para trás, tornando-se uma lenda entre os fãs. O lançamento de "Impose", o feat que dominou as paradas, apenas solidificou o que todos já sabiam: eles eram a força da natureza mais potente do metal moderno. No entanto, o retorno aos palcos após um breve hiato trouxe um peso diferente.
Noah ajustava os in-ears, sentindo a vibração do baixo de Jolly reverberar no chão do palco principal do festival. Ele estava prestes a entrar, mas sua mente estava a quilômetros dali, ou melhor, a alguns metros, no posto médico do evento. A imagem de Nina desmaiando logo após o set dela, o impacto seco do corpo dela contra o tablado e o pânico que paralisou seus pulmões por um segundo ainda o assombravam.
— Ela está bem, cara. Falei com o paramédico — Nick Folio disse, colocando a mão no ombro largo de Noah. — Vai lá e faz o seu. Ela quer que você cante.
Noah assentiu, embora a preocupação nublasse seus olhos castanhos de traços asiáticos. Ele subiu ao palco, a estatura de 1,92m dominando o cenário sob as luzes estroboscópicas. Ele cantou com uma fúria renovada, mas seu coração só se acalmou quando, horas depois, ele entrou no quarto de hospital onde Nina repousava.
Ela estava pálida, com um curativo discreto na têmpora, mas seus olhos brilhavam com algo que Noah não conseguia decifrar de imediato.
— Oi, meu gigante — ela sussurrou, estendendo a mão tatuada para ele.
Noah se aproximou, ajoelhando-se ao lado da cama e escondendo o rosto na curvatura do pescoço dela. O alívio era palpável em seus ombros largos que finalmente relaxaram.
— Você me deu o maior susto da minha vida, Nina. O que os médicos disseram? Exaustão? Desidratação?
Nina respirou fundo, acariciando os cabelos castanhos curtos dele, sentindo a textura da franja "curtains bangs" que ele tanto cuidava.
— Noah... os exames mostraram algo a mais. A pressão baixou por um motivo específico.
Ele se afastou um pouco, o cenho franzido, a expressão de proteção típica de quem pratica jiu-jitsu e está sempre alerta.
— O que foi? É algo sério?
— Sim, é muito sério — ela sorriu, uma lágrima solitária escapando. — Vamos ter que comprar um ônibus de turnê com um berço, Noah. Eu estou grávida.
O silêncio que se seguiu foi quase ensurdecedor. Noah, o homem que comandava multidões com um grito gutural potente, ficou mudo. Seus olhos percorreram o rosto dela, buscando confirmação, até que um sorriso lento e trêmulo surgiu em seus lábios grossos.
— Um bebê? — A voz dele falhou. — Um pequeno humano... nosso?
— Nosso — ela confirmou.
Noah a abraçou com uma delicadeza que contrastava com sua força física. O desespero sobre como conciliariam a vida na estrada, a mídia invasiva e a saúde de ambos passou como um flash em sua mente, mas a alegria de saber que haveria uma extensão do amor deles superou tudo.
Os meses seguintes foram um exercício de discrição absoluta. Jolly e Nick, que antes faziam apostas sobre o namoro, agora eram os guardiões do segredo, ajudando a esconder as náuseas matinais de Nina e a obsessão de Noah em garantir que ela estivesse sempre alimentada e descansada. Descobriram que seria uma menina: Amelia. Um nome que soava como música para Noah.
O plano para a revelação foi traçado para o último show da turnê do Bad Omens. O mundo sabia que eles estavam juntos, mas ninguém desconfiava do "passageiro clandestino" que Nina carregava.
Naquela noite, sob as luzes de Chicago, o clima era elétrico. Noah terminou os versos finais de "Dethrone" e fez um sinal para a lateral do palco.
— Esta noite é especial por muitos motivos — disse Noah ao microfone, sua voz ressoando com uma vulnerabilidade que ele não escondia mais. — Eu quero chamar ao palco a mulher que mudou minha vida e a pessoa que, em breve, vai mudá-la ainda mais. Nina, vem aqui.
Nina entrou no palco sob um rugido ensurdecedor da plateia. Ela usava um vestido de seda preto, justo o suficiente para que, quando as luzes laterais a atingissem, a silhueta da barriga de seis meses ficasse perfeitamente evidente.
O público emudeceu por um milésimo de segundo antes de explodir em um som que Noah nunca esqueceria. Ele caminhou até ela, a diferença de altura tornando a cena ainda mais cinematográfica. Noah colocou a mão grande e tatuada sobre o ventre de Nina, fechando os olhos por um momento.
— Para Amelia — sussurrou ele, antes de começarem os primeiros acordes de "Impose".
Foi a performance mais emocionante de suas carreiras. A química, que antes era uma tensão sexual palpável, transformara-se em uma conexão transcendental. A banda entrou em hiato logo depois, e o mundo do metal parou para acompanhar, de longe e respeitosamente, a espera por Amelia.
Três meses depois, a pequena Amelia nasceu, com os olhos expressivos do pai e o espírito indomável da mãe.
Seis meses após o nascimento, o Bad Omens estava realizando uma live especial para os fãs, anunciando o retorno gradual às atividades e respondendo perguntas sobre o novo álbum. Noah estava sentado em um sofá no backstage de um estúdio, vestindo uma camiseta preta simples que destacava suas tatuagens nos braços, falando seriamente sobre o processo de composição.
— O novo material é muito mais introspectivo — explicava Noah, olhando para a câmera. — Ter a Amelia mudou a forma como eu percebo o tempo e a dor. Eu não escrevo mais só para mim, eu escrevo para...
Um som de choro baixinho começou ao fundo, seguido pelo barulho de passos rápidos. Nina estava tentando distrair a bebê atrás das câmeras, mas Amelia, já demonstrando a teimosia dos Sebastian, queria o pai.
— Mama! Pa! — A voz aguda da bebê ecoou na transmissão.
Noah parou de falar imediatamente. Um sorriso involuntário e "derretido" transformou seu rosto, desarmando completamente a postura de rockstar sério.
— Acho que temos uma convidada — disse Jolly, rindo ao fundo.
Amelia apareceu no enquadramento, engatinhando com uma velocidade impressionante em direção às pernas de Noah. Ela usava um macacãozinho com a logo da banda, o que fez os comentários da live dispararem em uma velocidade impossível de ler.
Noah não hesitou. Ele a pegou no colo, ajeitando a menina em seu braço musculoso. Amelia imediatamente agarrou o colar de Noah e tentou "cantar" no microfone dele, emitindo sons desconexos e alegres.
— Desculpem, pessoal — disse Noah, beijando o topo da cabeça da filha enquanto ela puxava sua franja. — Ela manda aqui agora. Eu sou apenas o vocalista de apoio.
Nina apareceu na beirada do vídeo, sorrindo com os braços cruzados, observando a cena.
— Você quer vir aqui, Nina? — perguntou Noah, estendendo a mão livre para ela.
Ela se sentou ao lado dele, e por alguns minutos, os milhares de fãs não viram apenas os ídolos do metal, mas uma família que havia sobrevivido ao caos da fama e encontrado seu porto seguro.
— Nós temos mais um anúncio — disse Nina, olhando para Noah com cumplicidade.
Noah respirou fundo, a timidez característica voltando por um instante antes de ele tomar coragem.
— Nós decidimos que a turnê não é o único compromisso vitalício que queremos assumir.
Ele tirou uma caixinha do bolso da calça e, mesmo sentados ali, no meio de uma entrevista técnica, ele abriu a joia para a câmera e para Nina.
— Nina, você foi minha melhor amiga, minha maior rival nos palcos e a mãe da minha filha. Você aceita tornar isso oficial?
— Eu já aceitei no momento em que te vi segurando ela pela primeira vez, Noah — respondeu ela, selando o pedido com um beijo que foi assistido pelo mundo inteiro.
O casamento aconteceu meses depois, em uma cerimônia privada nas montanhas, longe de fotógrafos e tabloides. Foi um evento para os amigos próximos: Jolly, Nick, as famílias e, claro, Amelia, que entrou carregando as alianças com a ajuda de uma dama de honra.
Noah Sebastian, o homem que um dia teve medo da vulnerabilidade, agora caminhava sob a luz do sol, de mãos dadas com sua esposa e com a certeza de que a música mais bonita que ele já compusera não estava em nenhum álbum, mas sim na risada da filha que agora dormia em seu peito enquanto eles dançavam a primeira música como marido e mulher.
A discrição ainda era importante, a privacidade era sagrada, mas o segredo? O segredo tinha dado lugar a uma verdade que brilhava mais do que qualquer holofote de festival. Eles eram um, eram três, e eram eternos.
