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Fandom: malachi barton

Criado: 17/09/2026

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Além do Costume

A casa da família Barton sempre foi barulhenta aos domingos, mas para Malachi, todo o som parecia diminuir de intensidade quando a porta da frente se abria e Rebeca passava por ela.

Eles se conheciam desde os tempos em que arranhavam os joelhos na calçada e disputavam quem conseguia correr mais rápido até a esquina. Suas mães eram amigas inseparáveis antes mesmo de os dois nascerem, o que significava que a infância inteira de Malachi tinha sido dividida com a menina de olhos curiosos e riso fácil. Rebeca sempre fora daquele jeito: extremamente tímida quando cercada por desconhecidos, encolhendo-se e respondendo com monossílabos educados, mas uma verdadeira explosão de carisma, inteligência e piadas ácidas quando estava apenas entre os mais próximos. Especialmente com ele.

O problema — se é que podia chamar aquilo de problema — era que, há exatamente um ano, tudo havia mudado para Malachi.

Não tinha acontecido nada grandioso. Não houve uma revelação cinematográfica com fogos de artifício no céu. Foi uma transição lenta, quase covarde, que começou com ele reparando no formato exato das covinhas que surgiam no rosto dela quando ela ria de uma idiotice qualquer que ele dizia. Depois, veio a mania de notar o perfume suave de baunilha que ela deixava em seus moletons emprestados. E, por fim, a necessidade física e incontrolável de estar por perto.

Antes, um abraço entre eles era rápido, o clássico cumprimento de amigos de longa data. Agora, Malachi se pegava segurando a cintura dela por dois, três, quatro segundos a mais. Ele apoiava o queixo no ombro dela, respirava fundo e, se pudesse, não a soltaria mais. Ele queria segurar a mão dela quando andavam juntos pela rua; queria puxá-la para o seu lado no sofá; queria cuidar de cada detalhe do dia dela.

E havia o ciúme. Um ciúme tolo, involuntário e que ele tentava esconder a todo custo, mas que queimava em seu peito sempre que qualquer garoto da escola ou do bairro tentava puxar assunto com ela.

Naquela tarde ensolarada, os pais conversavam alto na varanda dos fundos, enquanto o cheiro de carne grelhada tomava conta do jardim. Rebeca estava sentada no banco de madeira sob a sombra da grande árvore, segurando um copo de suco e rindo discretamente enquanto observava os irmãos mais novos de Malachi correndo pelo gramado.

Malachi desceu os degraus da varanda com as mãos nos bolsos da bermuda jeans, os olhos cravados nela. Ele vestia uma camiseta branca simples, mas seus cabelos escuros estavam levemente bagunçados pelo vento. Ao se aproximar, o coração dele deu aquele salto ridículo e costumeiro contra as costelas.

— O que tem de tão engraçado ali? — perguntou ele, parando bem na frente dela e projetando uma sombra suave sobre seu rosto.

Rebeca ergueu o olhar. Os olhos dela brilharam com aquela familiaridade reconfortante que sempre desarmava Malachi por completo.

— O seu irmão quase tropeçou no próprio pé três vezes tentando chutar a bola — respondeu ela, sorrindo e arrastando-se para o lado para dar espaço. — Ele puxou a sua incrível coordenação motora de quando tínhamos oito anos.

— Ei, eu sempre fui muito atlético, você sabe disso — rebateu Malachi, sentando-se tão perto que suas coxas se tocaram de leve, mesmo com o banco tendo espaço de sobra.

Ele não resistiu. Antes que pudesse pensar nas consequências, passou o braço direito por cima dos ombros de Rebeca, puxando-a para junto de seu corpo de um jeito protetor e carinhoso. Era algo que ele vinha fazendo com cada vez mais frequência nos últimos meses.

Rebeca não se afastou. Pelo contrário, ela apoiou a cabeça no peito dele por um instante, soltando um suspiro baixo que arrepiou a pele do pescoço de Malachi. Mas, logo em seguida, o celular dela vibrou no colo.

Ela desbloqueou a tela para olhar a mensagem, e um sorriso distraído surgiu em seus lábios enquanto digitava uma resposta rápida.

Malachi franziu o cenho quase que instantaneamente. Seus olhos desceram para a tela do aparelho, mas Rebeca, sem perceber, inclinou um pouco o celular, bloqueando a visão dele. O estômago de Malachi se contorceu em um nó incômodo. Aquele aperto quente e amargo subiu pela garganta.

— Quem é? — perguntou ele, tentando soar apenas casual, mas falhando miseravelmente no tom relaxado.

Rebeca guardou o telefone no bolso da calça jeans e virou o rosto para ele, piscando com uma expressão confusa.

— Ninguém demais. É só o Lucas, da minha sala. Ele estava perguntando sobre as anotações da aula de química.

— Hum — murmurou Malachi, sem conseguir conter um bico involuntário nos lábios. — E ele precisa mandar mensagem no meio do domingo para falar de química? Não podia esperar até amanhã?

Rebeca encarou-o por um segundo, os olhos castanhos analisando a feição fechada do garoto. De repente, um meio sorriso provocador começou a se desenhar no canto de sua boca.

— Malachi Barton... você está com ciúmes?

— Eu? — Ele ergueu as sobrancelhas, ajeitando a postura, embora seu braço continuasse firmemente ancorado ao redor dela. — Ciúmes de quê? Do Lucas de cabelo lambido que nem sabe balancear uma equação direito? Por favor. Eu só acho falta de consideração ele te incomodar no seu dia de folga. Só isso.

— Claro — zombou ela, rindo baixinho. — Totalmente compreensível. Mas, para sua informação, fui eu quem tirou a melhor nota no trabalho, então faz sentido ele me procurar.

— Ele devia procurar um professor particular — resmungou Malachi, puxando-a ainda mais para perto, como se precisasse demarcar território invisível.

Rebeca revirou os olhos, mas não havia irritação em seu gesto. Havia uma suavidade diferente. Nos últimos tempos, Malachi não era o único que estava agindo de forma estranha.

Rebeca percebia as mudanças. Percebia que os abraços dele não eram mais tapinhas nas costas, mas abraços cheios, envolventes, que pareciam querer fundir os dois em um só. Reparava em como os olhos escuros dele a seguiam pela sala durante os jantares de família, e em como ele sempre encontrava uma desculpa para tocar sua mão, ajeitar uma mecha do seu cabelo ou simplesmente sentar perto o suficiente para que seus ombros se encostassem.

E a verdade que mantinha Rebeca acordada à noite era que ela não queria que ele parasse. Longe das pessoas, onde ela não precisava lutar contra sua timidez natural, ela começava a ansiar por aqueles mesmos toques.

— Você está muito pegajoso hoje — murmurou ela, a voz saindo um pouco mais baixa, quase como um segredo entre os dois.

Malachi congelou por uma fração de segundo, temendo ter passado dos limites. O medo de arruinar os anos de amizade sempre o rondava como uma sombra fria.

— Se quiser que eu tire o braço... — começou ele, já ensaiando recuar com uma expressão ligeiramente culpada.

— Eu não disse para tirar — interrompeu ela rapidamente, virando-se para olhá-lo nos olhos. As bochechas dela ganharam um tom rosado adorável. — Eu só comentei.

O coração de Malachi deu outro solavanco, desta vez muito mais forte. Ele sorriu, aquele sorriso torto e encantador que costumava derreter qualquer resistência.

— Bom, porque eu não ia tirar de qualquer jeito — disse ele com firmeza, acariciando de leve o ombro dela com a ponta dos dedos por cima do tecido fino da blusa. — O vento está ficando gelado. Estou apenas prestando um serviço comunitário de aquecimento.

— Muito nobre da sua parte — ironizou ela, mas o tremor em sua voz a traiu.

O barulho dos adultos na varanda aumentou quando uma gargalhada coletiva ecoou pelo quintal. Uma música antiga começou a tocar na caixa de som portátil, e o cheiro da comida pronta anunciava que o almoço logo seria servido.

— Vamos subir um pouco? — sugeriu Malachi de repente, sentindo uma necessidade urgente de fugir de todos aqueles olhares e distrações. — O barulho aqui fora está alto e eu queria te mostrar uma música nova que aprendi a tocar no violão.

Rebeca hesitou por uma fração de segundo, os velhos hábitos da timidez fazendo-a engolir em seco, mas a curiosidade e o desejo de ficar sozinha com ele falaram mais alto.

— Tá bom. Só não vale errar a letra como da última vez.

— Aquilo foi uma releitura artística, você não entende nada de improviso — retrucou ele, levantando-se e, com naturalidade quase ensaiada, estendendo a mão para ajudá-la a ficar de pé.

Quando os dedos de Rebeca envolveram os dele, Malachi não soltou imediatamente. Ele apertou a mão dela suavemente, sentindo a maciez de sua pele, antes de começarem a caminhar lado a lado em direção à entrada lateral da casa. Eles subiram as escadas em silêncio, um silêncio que antes era confortável e despretensioso, mas que agora parecia carregado de uma eletricidade densa, que fazia o ar parecer mais rarefeito a cada degrau.

O quarto de Malachi estava relativamente arrumado. Pôsteres de filmes e bandas cobriam as paredes, e o violão acústico descansava em um suporte ao lado da cama desfeita. A janela estava entreaberta, deixando entrar a brisa suave do final da tarde.

Rebeca entrou e sentou-se na beirada do colchão, cruzando as pernas e apoiando as mãos nos joelhos, subitamente consciente de quão pequeno o espaço parecia quando estavam só os dois. Malachi pegou o violão, sentou-se na cadeira de sua escrivaninha de frente para ela e começou a dedilhar alguns acordes suaves, preenchendo o ambiente com uma melodia melancólica e doce.

Ela o observava com atenção. Reparou na concentração dele, nas sobrancelhas franzidas de leve enquanto trocava as notas e no modo como seus lábios se moviam em silêncio. Ele era bonito de um jeito fácil, sem esforço, e a cada dia parecia se tornar menos o garotinho das brincadeiras de infância e mais alguém que tirava o fôlego dela com um simples olhar.

Depois de alguns minutos, Malachi parou de tocar. Deixou as cordas vibrarem até o som desaparecer por completo e colocou o violão cuidadosamente no chão, encostado na mesa.

— E aí? — perguntou ele, os olhos escuros brilhando em expectativa. — O que achou?

— Ficou lindo, Malachi. De verdade — respondeu ela com sinceridade, as palavras saindo suaves.

Ele sorriu, mas em vez de permanecer na cadeira, levantou-se e deu os dois passos que os separavam. Sentou-se na cama ao lado dela, desta vez virando o corpo para encará-la de frente, tão próximo que Rebeca conseguia sentir o calor irradiando dele.

— Becs? — chamou ele em voz baixa.

— Oi?

— Por que você não me contou sobre o Lucas antes? — A pergunta escapou dos lábios dele antes que pudesse conter, o ciúme infantil dando lugar a uma vulnerabilidade genuína e crua.

Rebeca piscou, surpresa pela insistência naquele assunto.

— Porque não tem nada para contar — explicou ela calmamente, os olhos presos nos dele. — Ele só pediu ajuda com a matéria. Nós quase não nos falamos.

— Mas ele queria falar com você — insistiu Malachi, inclinando-se um pouco mais para a frente. Sua mão hesitou no ar por um instante antes de pousar suavemente sobre o joelho dela, subindo devagar até repousar na lateral de sua coxa. — E eu odeio pensar em outros caras vindo atrás de você.

O ar pareceu sumir dos pulmões de Rebeca. O toque dele queimava através do tecido da calça, enviando arrepios por toda a sua espinha. A timidez ameaçou fazê-la desviar o olhar, mas ela se forçou a encará-lo, notando a seriedade incomum no rosto do garoto que sempre costumava fazer piada de tudo.

— Por que você odeia isso, Malachi? — perguntou ela, a voz quase inaudível, o coração martelando com força contra as costelas.

Malachi engoliu em seco. Aquele era o momento. Ele sentia que vinha construindo aquele momento há doze meses inteiros, em cada abraço que se recusava a soltar, em cada mensagem de boa noite sem motivo aparente, em cada segundo que passava desejando ser mais do que apenas o melhor amigo de infância.

— Porque eu passei o último ano inteiro enlouquecendo por sua causa — confessou ele em um sussurro urgente, aproximando-se ainda mais. A outra mão dele subiu até o rosto de Rebeca, os dedos quentes tocando a bochecha corada dela com uma delicadeza quase reverente. — Eu passo a semana inteira esperando o domingo só para te ver. Eu reparo em tudo o que você faz. Na roupa que escolhe, no jeito que mexe no cabelo quando fica nervosa, nas coisas idiotas que você fala quando perde a vergonha... E eu não aguento mais fingir que quero ser só o cara que senta do seu lado para falar de lição de casa.

Rebeca arregalou ligeiramente os olhos, os lábios entreabertos em choque. A respiração dela bateu quente contra o queixo de Malachi. Por um segundo aterrorizante, ele temeu ter estragado tudo. O pânico começou a subir por sua garganta.

— Desculpa — começou ele apressadamente, tentando recuar a mão do rosto dela. — Se eu deixei as coisas estranhas, eu...

— Malachi, cala a boca — murmurou ela.

Antes que ele pudesse processar a ordem, Rebeca estendeu os dois braços e puxou a gola da camiseta dele, trazendo-o para um abraço apertado. Foi um gesto impulsivo, diferente de tudo o que sua timidez habitual permitia, mas absolutamente necessário.

O peito de Malachi colidiu contra o dela, e ele sentiu as mãos pequenas dela se cravando nas costas de sua camisa.

— Você acha mesmo que é o único que começou a reparar demais? — sussurrou ela contra o ombro dele, a voz abafada pelo tecido de algodão. — Você acha que eu não percebo como você me olha? Ou que meu coração não fica parecendo uma bateria toda vez que você me abraça por tempo demais?

O alívio inundou o corpo de Malachi como uma onda avassaladora. Ele soltou o ar que nem sabia que estava prendendo e fechou os braços com força ao redor da cintura dela, erguendo-a levemente e puxando-a para o seu colo, eliminando qualquer centímetro de distância que ainda restava entre eles.

— Você devia ter me dito antes — disse ele, a voz rouca rente ao ouvido dela, enquanto descansava a testa na curva do pescoço macio de Rebeca, inalando profundamente aquele aroma familiar e viciante.

— Eu sou tímida, seu idiota — respondeu ela com uma risadinha trêmula, afastando a cabeça apenas o suficiente para poder olhar para ele. O rosto dela estava completamente vermelho, mas o sorriso em seus lábios era o mais brilhante que Malachi já tinha visto. — Você é quem devia ter falado.

— Eu estava ocupado tentando ter certeza de que não estava imaginando coisas — confessou ele, com um sorriso aliviado e travesso nos lábios. Seus olhos desceram para a boca dela e subiram novamente. — Mas agora eu tenho certeza.

— Tem? — provocou ela, a antiga dinâmica brincalhona voltando à tona, embora agora vestida com um novo e palpável interesse romântico.

— Tenho — afirmou ele, deslizando o polegar pelos lábios macios dela. — E da próxima vez que aquele Lucas mandar mensagem, eu mesmo vou responder dizendo que você está muito ocupada sendo minha garota.

— Nem começamos a namorar e você já está desse jeito? — zombou ela, mas seus olhos brilhavam em aprovação enquanto suas mãos subiam para a nuca dele, acariciando os fios escuros e macios de seu cabelo.

— A gente pode começar agora, se você quiser — sugeriu ele, a voz baixando para um tom doce e carregado de carinho. — Para mim já começou há um ano.

Rebeca mordeu o lábio inferior, o rubor em suas bochechas tornando-se ainda mais vivo, mas não hesitou.

— Então para mim começa agora — disse ela.

Malachi não precisou de mais nenhum convite. Inclinando-se para a frente, ele finalmente encostou seus lábios nos dela. Foi um beijo suave no início, hesitante pelo peso de anos de convivência inocente que ficavam para trás, mas rapidamente se aprofundou com a intensidade acumulada de doze meses de espera silenciosa.

Quando se separaram, sem ar e com as testas coladas, Malachi a envolveu em mais um de seus abraços demorados, sabendo que, daquela vez em diante, nunca mais precisaria se preocupar em soltar cedo demais. Lá embaixo, as vozes de suas famílias continuavam misturadas à música do quintal, mas para eles dois, o mundo inteiro cabia perfeitamente dentro daquele quarto.

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