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caos na praia

Fandom: demon slayer e naruto

Criado: 17/09/2026

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Marés de Sangue e Nuvens Vermelhas

O luar prateado refletia-se nas águas calmas do oceano, uma visão que raramente os Doze Kizuki tinham o luxo de apreciar. Muzan Kibutsuji, em um de seus raros momentos de capricho ou talvez por algum plano oculto, permitira que seus subordinados mais poderosos se reunissem naquela costa isolada. No entanto, o clima não era de férias.

Raika, a Lua Inferior Dois, mantinha-se vigilante. Seus longos cabelos pretos balançavam levemente com a brisa salgada, e seus olhos rosa escuro brilhavam na penumbra. Ela não confiava na calmaria. Ao seu lado, o pequeno Rui observava as ondas com sua habitual expressão gélida, mas Raika sentia a tensão nos fios invisíveis do garoto. Ela ajeitou o kimono preto, cujas flores roxas pareciam ganhar vida sob a lua, e tocou levemente o ombro de Rui.

— Fique perto, pequeno — sussurrou Raika, sua voz alternando entre a doçura de uma irmã mais velha e a autoridade de uma guerreira. — Sinto algo estranho no ar. O cheiro do mar está sendo sufocado por algo... metálico.

— Eu também sinto, Raika — respondeu Rui, sem desviar os olhos do horizonte. — Não são caçadores de onis. É algo diferente.

Ao redor deles, os outros Kizuki estavam dispersos. Akaza treinava seus socos contra o ar, criando ondas de choque que afastavam a água, enquanto Doma sorria de forma irritante, tentando puxar conversa com uma Kokushibo indiferente.

Subitamente, o espaço acima da areia pareceu distorcer-se. Um redemoinho de vácuo surgiu do nada, e dele emergiram figuras vestidas com longos mantos pretos adornados com nuvens vermelhas.

— Ora, ora... — disse uma voz grave e calma. — Parece que encontramos um grupo interessante antes do nosso objetivo principal.

Um homem com olhos que pareciam círculos concêntricos e cabelos alaranjados deu um passo à frente. Ao seu lado, um homem com uma máscara de porcelana, um espadachim com uma pele azulada que lembrava um tubarão, e outros indivíduos de aura igualmente sinistra.

— Quem são vocês? — rosnou Akaza, assumindo sua postura de combate instantaneamente. — Estão interrompendo nossa noite.

— Nós somos a Akatsuki — respondeu Pain, o líder dos Seis Caminhos, com uma frieza que rivalizava com a de Muzan. — E este mundo parece estar infestado de criaturas que não deveriam existir.

Raika sentiu o perigo emanando daqueles homens. Suas garras, banhadas em um veneno letal que ela mesma desenvolvera, cresceram instintivamente. Ela deu um passo à frente de Rui, protegendo-o.

— Akatsuki? Nunca ouvimos falar de vocês — disse Raika, sua voz agora ríspida, perdendo toda a doçura. — Mas se derem mais um passo, descobrirem por que somos as Luas de Muzan-sama.

O homem-tubarão, Kisame, deu uma risada rouca, apoiando a imensa Samehada no ombro.

— Olhe só, Itachi. Uma garotinha com garras. Ela acha que pode nos assustar.

— Não a subestime, Kisame — murmurou Itachi Uchiha, seus olhos mudando para o vermelho carmesim do Sharingan. — O fluxo de energia deles é diferente. Não é chakra, mas é poderoso.

Sem aviso, a luta explodiu. Akaza avançou contra Kisame, o impacto de seus punhos contra a grande espada criando uma explosão de areia e água. Doma abriu seus leques dourados, lançando rajadas de gelo cortante em direção a um homem que parecia ser feito de marionetes.

Raika viu um dos membros da Akatsuki, um homem com cabelos loiros e mãos estranhas, saltar no ar montado em um pássaro de argila branca.

— A arte é uma explosão! — gritou Deidara, lançando pequenas esculturas que caíam como chuva sobre eles.

— Rui, agora! — comandou Raika.

Rui lançou seus fios de aço, criando uma teia protetora que interceptou as criações de Deidara no ar, fazendo-as explodir longe do grupo. Raika, aproveitando a cobertura, disparou como um borrão preto e roxo. Sua velocidade era impressionante, resultado de séculos de treinamento focado em agilidade e força bruta nas pernas.

Ela surgiu atrás de um homem mascarado que se autodenominava Tobi.

— Peguei você! — exclamou Raika, desferindo um chute lateral com uma precisão cirúrgica, visando a têmpora do inimigo.

Para sua surpresa, seu pé simplesmente atravessou a cabeça do homem, como se ele fosse um fantasma. Ela perdeu o equilíbrio por um segundo, mas girou no ar, aterrissando com a graça de um felino.

— Uau! Que chute forte! — exclamou Tobi, fingindo medo com uma voz aguda. — Quase estragou minha máscara bonitinha!

— O que é você? — sibilou Raika, suas garras gotejando veneno roxo na areia. — Ninguém escapa dos meus ataques físicos.

— Eu sou apenas um bom rapaz — respondeu Tobi, antes de sua voz mudar para um tom sombrio e profundo. — Mas você... você é uma anomalia que precisa ser estudada.

Raika sentiu um arrepio na espinha. Ela não esperou. Avançou novamente, desta vez usando suas garras. Ela desferiu uma série de cortes rápidos, cada um carregado com toxinas que poderiam paralisar um elefante em segundos. Tobi esquivava-se com uma facilidade irritante, mas Raika era persistente. Ela combinava seus chutes potentes com botes de suas garras, forçando o inimigo a recuar para a beira da água.

Enquanto isso, a batalha ao redor era um caos de elementos. O fogo de Itachi colidia com o gelo de Doma, e a força gravitacional de Pain mantinha Kokushibo ocupado.

— Raika, cuidado! — gritou Rui.

Um rastro de papéis explosivos, controlados por uma mulher de cabelos azuis chamada Konan, circulou Raika. Ela percebeu que estava sendo cercada.

— Vocês são persistentes — disse Raika, limpando um traço de sangue negro do canto da boca. — Mas eu não cuido do Rui e mantenho meu posto de Lua Inferior sendo fraca.

Ela respirou fundo, concentrando sua Arte de Sangue Demoníaca.

— Estilo Venenoso: Dança das Flores de Lótus Mortais! — exclamou ela.

Raika começou a girar, transformando-se em um redemoinho de lâminas e veneno. As flores roxas em seu kimono pareceram brilhar intensamente, e o ar ao seu redor ficou saturado com uma névoa tóxica. Konan foi forçada a recuar, seus papéis sendo corroídos pelo veneno antes de chegarem perto.

— Impressionante — admitiu Pain, observando de longe. — Mas insuficiente.

Pain estendeu a mão na direção de Raika.

— Shinra Tensei.

Uma força invisível e esmagadora atingiu Raika de frente. Ela foi arremessada contra as rochas da encosta com tanta força que a pedra rachou.

— Raika! — Rui gritou, seus olhos brilhando em fúria. Ele lançou todos os seus fios contra Pain, mas o líder da Akatsuki simplesmente repeliu os ataques com um gesto.

Raika tossiu, sentindo seus ossos se regenerarem instantaneamente. Ela se levantou, o kimono rasgado em alguns pontos, revelando a pele pálida e marcada. Sua expressão doce desaparecera completamente, substituída por uma fúria selvagem.

— Ninguém... toca... no meu pequeno — rosnou ela.

Ela saltou das rochas, sua velocidade agora dobrada pela raiva. Ela não foi em direção a Pain, mas sim em direção a Hidan, que estava rindo enquanto tentava golpear Akaza com sua foice de três lâminas.

Com um chute descendente que carregava o peso de uma tonelada, Raika atingiu o ombro de Hidan, enterrando-o na areia úmida. Antes que ele pudesse reagir, ela cravou suas garras venenosas no pescoço dele.

— Sinta o veneno queimar suas veias, seu insolente — disse ela, os olhos rosa escuro brilhando com uma sede de sangue intensa.

— O quê? Veneno? — Hidan riu, mesmo com o rosto enterrado na areia. — Garota, eu sou imortal! Seu veneno é apenas um tempero para a minha dor!

Raika franziu a testa. Aqueles humanos — se é que eram humanos — desafiavam a lógica que ela conhecia.

A batalha continuou por horas sob a luz da lua, nenhum dos lados cedendo terreno. Os Doze Kizuki tinham a regeneração infinita, mas a Akatsuki possuía técnicas que pareciam dobrar a realidade.

— Chega — disse Itachi, intervindo quando Kisame estava prestes a liberar um jutsu de água em larga escala que inundaria toda a praia. — Não viemos aqui para uma guerra de exaustão. Nosso objetivo está em outro lugar.

Pain assentiu, olhando para o horizonte onde os primeiros raios de sol começavam a ameaçar o céu.

— Onis — disse Pain, sua voz ecoando por toda a praia. — Vocês são seres interessantes. Mas o sol é o seu mestre, não é?

Raika sentiu o pânico subir pela garganta. O sol. Se eles não saíssem dali em minutos, a regeneração não importaria.

— Recuar! — ordenou Kokushibo, sua voz carregada de autoridade.

Os Kizuki começaram a desaparecer nas sombras das cavernas próximas e na Fortaleza Dimensional Infinita que Nakime abrira apressadamente.

Raika pegou Rui pelo braço, preparando-se para entrar no portal. Ela olhou uma última vez para os homens de mantos pretos.

— Isso não acabou — disse ela para Itachi, que a observava com um olhar indecifrável. — Da próxima vez, eu não serei tão doce.

— Estaremos esperando — respondeu Itachi calmamente.

Com um último movimento de seu kimono preto, Raika desapareceu no portal, deixando para trás apenas o cheiro de flores roxas e o veneno que ainda corroía a areia da praia.

A Akatsuki permaneceu ali por um momento, observando o sol nascer sobre o oceano.

— Criaturas curiosas — comentou Sasori, saindo de dentro de sua marionete Hiruko. — Eu adoraria transformar aquela de garras em uma marionete. Ela tinha uma estrutura óssea fascinante.

— Esqueça isso — disse Pain, virando as costas para o mar. — Temos Jinchuurikis para caçar. Mas mantenham os olhos abertos. Este mundo é mais perigoso do que os mapas mostravam.

E assim, sob o sol nascente, os dois grupos mais temidos de seus respectivos mundos seguiram caminhos opostos, sabendo que o destino, ou talvez o azar, os uniria novamente em um campo de batalha banhado de sangue e sombras.

Raika, dentro da segurança da Fortaleza Infinita, abraçou Rui. Ela estava brava, seu orgulho ferido, mas estava viva. E enquanto tivesse suas garras e seus chutes, ela protegeria sua família demoníaca de qualquer nuvem vermelha que ousasse cruzar seu caminho.

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