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Oliver!!:3

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 18/09/2026

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Aroma de Lavanda e Tiras de Couro

Os corredores monocromáticos da Paper School estavam mergulhados em um silêncio raro e suspeito. As paredes de papel grosso pareciam absorver os ecos habituais de gritos, passos apressados e o riso cruel dos valentões que dominavam aquele lugar. Entre todos eles, Oliver sempre fora o mais temido e imprevisível. Dono de um carisma perigoso e de uma crueldade infantil, ele costumava vagar pelas salas de aula impondo sua própria ordem caótica.

No entanto, naquela tarde em particular, o garoto de longos cabelos brancos que desciam até os tornozelos, presos em um rabo de cavalo baixo com um laço de fita preta, tinha outras prioridades. Ele havia escapado para uma sala abandonada nos fundos do terceiro andar, longe dos olhares vigilantes dos professores e dos passos pesados de Miss Circle.

Oliver sentou-se sobre uma carteira velha de madeira prensada. Apoiou as botas pretas no assento à sua frente, ajeitando as bermudas brancas e alisando a camisa preta de gola adornada com listras alvas nas mangas e na barra. O losango com uma barra transversal estampado no centro de seu peito subia e descia suavemente com sua respiração tranquila. Com a mão direita, ele retirou do bolso um pacote cuidadosamente embrulhado.

Dentro, reluzia uma barra sólida, lisa e perfumada: um sabonete de lavanda com notas de menta fresca.

Aquilo era o seu maior vício, sua refeição predileta. Enquanto os outros alunos devoravam sanduíches insossos ou temiam virar a refeição dos próprios mestres, Oliver simplesmente adorava morder sabonetes. Para ele, a textura macia que se desfazia em uma espuma densa e amarga na língua era uma iguaria sem igual.

Ele ergueu a barra até os lábios. A grande mecha arrepiada no topo de sua cabeça balançou suavemente, enquanto a marca vermelha em forma de "A+" desenhada no lado direito de suas mechas alvas contrastava com o tom pálido de sua pele. Ele deu a primeira mordida, saboreando o estalo crocante e o sabor alcalino característico.

— Hmmm... nada mal — murmurou Oliver para si mesmo, piscando preguiçosamente com um sorriso satisfeito.

Ele estava prestes a cravar os dentes em uma segunda porção quando o silêncio do cômodo foi quebrado por um rangido estridente na porta de correr.

Oliver mal teve tempo de virar a cabeça com seus chifres negros pontiagudos. Uma sombra ágil avançou sobre ele com uma velocidade impressionante.

Antes que o valentão pudesse erguer seu braço esquerdo — aquele membro bizarro e perigoso que havia sido substituído inteiramente por um lápis afiado —, duas mãos firmes o agarraram pelos ombros com violência calculada. O peso do invasor desequilibrou a carteira, e Oliver foi arremessado contra o chão de linóleo com um baque seco e doloroso.

A barra de sabonete escapou de seus dedos, deslizando para debaixo de um armário empoeirado.

— Mas que diabos...?! — rosnou Oliver, tossindo enquanto sentia o impacto reverberar pelas costas.

Ele tentou apoiar o lápis no chão para se levantar, tomado por uma fúria imediata. Contudo, ao erguer os olhos avermelhados de irritação, deparou-se com o rosto familiar e zombeteiro de Edward.

Edward estava agachado sobre ele, prendendo suas pernas com o próprio corpo. O sorriso nos lábios do garoto era pura malícia, uma expressão travessa e perversa que Oliver conhecia muito bem, mas que nunca esperava ver direcionada contra si mesmo.

— Olha só o que temos aqui — disse Edward, inclinando-se para a frente com uma voz arrastada e cheia de sarcasmo. — O temível Oliver, o terror dos corredores, escondido feito um ratinho no escuro... mastigando sabonete como se fosse doce.

Oliver sentiu uma pontada desconhecida de aflição no peito. O susto inicial ainda acelerava seu coração, mas seu orgulho ferido falou mais alto. Ele cerrou os dentes e tentou empurrar Edward para longe com a mão direita, ajustando o relógio no pulso esquerdo que havia girado com a queda.

— Sai de cima de mim, Edward! — esbravejou Oliver, a voz oscilando entre a raiva e um sobressalto genuíno. — Ficou maluco? Qual é a sua graça agora?! Devolve a minha comida antes que eu perfure a sua cara com o meu braço!

— Sua comida? — Edward soltou uma risada baixa, debochada, ignorando solenemente a ameaça do lápis afiado. Ele segurou com força o pulso esquerdo de Oliver, prensando o braço de grafite contra o chão frio. — Você chama isso de comida, Oliver? É patético. Além de esquisito, você não passa de uma criança gulosa que não sabe se comportar quando ninguém está olhando.

— Cala essa boca! — rebateu Oliver, debatendo-se e tentando desferir um chute com as pernas cobertas pelas meias brancas até os joelhos. — Me solta agora mesmo!

— Você manda muito, sabia? — Edward aproximou o rosto perigosamente, os olhos brilhando com um divertimento cruel. — Grita demais, ameaça demais. Acho que a Paper School precisa de um pouco de paz... e acho que você precisa aprender a ficar quietinho de vez em quando.

Antes que Oliver pudesse processar o sentido daquelas palavras ou articular outro insulto mordaz, Edward enfiou a mão livre no bolso de sua jaqueta. Com um movimento teatral, ele puxou um objeto que fez os olhos de Oliver se arregalarem em puro choque.

Era uma mordaça. Uma esfera de borracha preta e densa, sustentada por grossas tiras de couro escuro providas de fivelas metálicas reluzentes.

— O que... o que é isso?! — gaguejou Oliver, seu tom de valentão desmoronando por uma fração de segundo, dando lugar a um pânico evidente. — Ficou louco de vez, seu idiota?! Tira isso de perto de mim!

— Vamos ver se essa sua boca serve para outra coisa além de falar besteira e comer espuma — provocou Edward, exibindo um sorriso felino.

Com agilidade impressionante, Edward usou os joelhos para prender o tronco de Oliver, imobilizando-o quase por completo. Com uma mão, ele apertou com força as bochechas pálidas de Oliver, forçando os maxilares do garoto a se abrirem contra sua vontade.

— Não! Sai... mmph! — Oliver tentou protestar, balançando desesperadamente a cabeça de um lado para o outro. Seus longos cabelos brancos se espalharam desordenadamente pelo piso, e o rabo de cavalo desmanchou-se parcialmente, soltando mechas que caíram sobre seus chifres negros.

Edward não hesitou. Com um empurrão firme e decisivo, ele pressionou a bola da mordaça para dentro dos lábios abertos de Oliver.

A esfera de borracha ocupou instantaneamente a cavidade oral do garoto, empurrando sua língua para trás e impedindo qualquer tentativa de fechar a boca. Um resquício do gosto de lavanda misturou-se ao sabor artificial e emborrachado do acessório, provocando uma sensação estranha e avassaladora na garganta de Oliver.

— Mmrrph! Hnff! — Oliver soltou um gemido abafado e sufocado, os olhos marejando ligeiramente pelo reflexo involuntário.

— Quieto, Oliver. Não lute tanto, só vai piorar — sussurrou Edward, com um tom de voz que beirava a zombaria afetuosa, embora seus atos fossem implacáveis.

Sem perder tempo, Edward puxou as tiras de couro ao redor da cabeça do amigo. Ele passou as correias firmes rente à mandíbula e pela nuca de Oliver, logo abaixo do laço preto frouxo de seu cabelo. Puxou a fivela com força deliberada, ajustando o pino no furo mais apertado possível para garantir que a esfera permanecesse profundamente alojada entre os dentes do garoto. O couro rangeu ao ser tensionado contra a pele clara.

— Pronto. Bem melhor assim — comentou Edward, recuando apenas o suficiente para admirar sua obra com um ar triunfante.

Oliver estava imóvel por um segundo, atordoado pela humilhação repentina. Gotículas de saliva escorriam pelo canto de sua boca aberta, deslizando pela tira de couro que cortava suas bochechas. Ele tentou articular uma maldição terrível, tentou xingar Edward de todas as formas que conhecia, mas o que saiu de sua garganta foi apenas um som desesperadamente abafado:

— Mmmph... nggh... uhhh-mmm!

— Como é que é? Não deu para entender nada — caçoou Edward, cutucando com a ponta do dedo a mecha arrepiada no topo da cabeça de Oliver. — Você parecia tão feroz alguns minutos atrás. Onde foi parar aquele valentão todo?

A humilhação atingiu Oliver com a força de uma maré violenta. Uma onda de calor abrasador subiu por seu pescoço, tingindo suas orelhas e bochechas com um rubor escarlate e intenso que não combinava em nada com sua habitual postura intimidadora. O contraste daquele vermelho vivo com sua pele branca e a marca vermelha em seu cabelo tornava sua vergonha ainda mais evidente aos olhos de Edward.

Mas Edward não havia terminado.

Ele retirou do chão um rolo de corda fina e resistente que havia trazido consigo. Com habilidade metódica, puxou o braço direito de Oliver e o colocou sobre o peito, juntando-o com cuidado redobrado ao braço de lápis para evitar que a ponta grafite o machucasse. Ele começou a enrolar a corda ao redor do torso de Oliver, cruzando-a sobre o losango branco de sua camisa e prendendo firmemente seus braços contra as costelas.

— Uhn! Mph-mmrph! — protestou Oliver, debatendo os ombros em uma tentativa fútil de afrouxar os nós, mas o aperto só parecia se tornar mais seguro a cada volta que Edward dava.

— Fica paradinho, Oliver. Se você quebrar essa ponta de lápis, como vai fazer as lições da Miss Circle mais tarde? — ironizou Edward, dando um nó cego e apertado nas costas dele, antes de descer as amarras em direção às pernas, prendendo os joelhos e os tornozelos com voltas precisas que neutralizavam qualquer chance de fuga.

Quando terminou, Edward deu dois tapinhas leves na coxa de Oliver, satisfeito com o resultado. O temido líder dos valentões estava completamente subjugado, deitado de lado no chão sujo, incapaz de mover os membros ou emitir qualquer palavra compreensível.

Oliver arfava com dificuldade pelo nariz. Seu peito subia e descia em um ritmo descompassado, pressionado pelas cordas. Ele fitava Edward com um olhar furioso, carregado de ressentimento e desejo de vingança, mas a cor vermelha em suas bochechas continuava a queimar, traindo sua verdadeira vulnerabilidade diante daquela situação. Nunca ninguém o havia colocado em uma posição tão desmoralizante — e o pior de tudo era que se tratava de Edward, seu próprio cúmplice de travessuras.

Edward se abaixou, apoiando os cotovelos nos próprios joelhos para ficar bem diante do rosto ruborizado de Oliver.

— Olha para você... — murmurou Edward em um tom malicioso e provocativo, quase íntimo, enquanto deslizava um dedo pelo queixo preso de Oliver, sentindo a tensão das correias de couro. — Nem parece o garoto que aterroriza todo mundo nas aulas de matemática. Você fica muito mais interessante assim, sabia? Menos barulhento. Mais obediente.

Oliver fechou os olhos com força, incapaz de sustentar o olhar penetrante e zombeteiro do outro. Sentir-se tão exposto, tão derrotado e amarrado feito um pacote frágil diante de seu colega era uma tortura muito pior do que qualquer castigo corporal da escola.

Ele soltou um som abafado, extremamente baixo, um lamento fraco e envergonhado que vibrou através da borracha da mordaça:

— ...Mmm-hnn...

— O que foi isso? Um pedido de desculpas? — Edward riu baixo, uma risada rouca e genuinamente entretida com o estado miserável do amigo. Ele se levantou calmamente, ajeitando as próprias roupas com a maior naturalidade do mundo. — Acho que você pode ficar aí refletindo um pouco sobre seus péssimos hábitos alimentares. O sinal para a próxima aula toca em dez minutos. Se ninguém te encontrar antes... bom, espero que Miss Circle não sinta sua falta.

Oliver abriu os olhos rapidamente, o desespero reluzindo por trás da máscara de raiva. Ele se contorceu no chão, balançando os ombros e a cauda do rabo de cavalo branco, emitindo uma série de murmúrios indignados e sôfregos:

— Mmph! Hnn-ggh! Mmm-rrr-mph!

Edward caminhou lentamente até a porta, parando por um breve instante para olhar por cima do ombro. Ele piscou para Oliver, com aquele mesmo sorriso de canto provocativo e perigoso estampado no rosto.

— Até mais tarde, Oliver. Tenta não roer a mordaça... ela tem gosto de borracha, não de lavanda.

Com isso, a porta de correr se fechou, mergulhando a sala novamente na penumbra. Oliver permaneceu no chão, sentindo o calor em seu rosto pulsar no mesmo ritmo acelerado de seu coração, enquanto mordia a esfera rígida em silêncio absoluto, completamente rendido à mercê de sua própria vergonha.

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