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Fandom: A lenda de Korra, a lenda de aang

Criado: 19/09/2026

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Centelhas e Algemas de Metal

A Cidade da República é um lugar barulhento, brilhante e, para alguém como eu, um parque de diversões gigante. O problema é que os guardas do parque usam uniformes de metal e não acham a menor graça nas minhas manobras.

Meu nome é Anne Miller. Tenho quatorze anos, sou a Avatar e, tecnicamente, a pessoa que deveria trazer equilíbrio ao mundo. Mas, honestamente? O equilíbrio que eu mais gosto é o que mantenho enquanto deslizo pelos cabos de aço dos bondes suspensos. Ser o Avatar soa como um emprego de tempo integral chato, cheio de meditação e chás com velhos sábios. Eu prefiro a adrenalina.

Minha vida nunca foi exatamente "normal". Minha mãe morreu quando eu era pequena e, desde então, moro com meus tios em uma mansão no setor mais caro da cidade. Eles são podres de rico, o que é ótimo para o meu estoque de equipamentos esportivos, mas péssimo para quem gosta de atenção, já que eles nunca estão em casa. Sou basicamente a dona daquela fortaleza de mármore, pelo menos até a governanta ameaçar contar para eles que eu faltei à escola de novo.

Minha história com a lei começou no meu primeiro dia na cidade. Eu estava empolgada, explorando as ruas, quando vi um cara correndo com a bolsa de uma senhora. Eu não pensei. Apenas agi. O problema é que, na minha pressa de cercar o ladrão, acabei usando uma dobra de terra um pouco... entusiasmada demais. Eu não apenas prendi o cara; eu mandei ele atravessar três vitrines de lojas de luxo.

O ladrão foi pego? Sim. As vitrines sobreviveram? Nem em sonhos.

Foi aí que conheci a Lin Beifong. A Chefe de Polícia. A mulher que parece ter sido esculpida em granito e alimentada com limões azedos. Ela me jogou naquela sala de interrogatório fria, com as mãos algemadas à mesa — o que foi irônico, já que eu já sabia dobrar metal, mas decidi não piorar as coisas. Fiquei horas encarando aquela lâmpada até meus tios aparecerem com um exército de advogados e um cheque gordo para pagar os prejuízos. Desde aquele dia, Beifong me olha como se eu fosse uma praga iminente.

— Anne, você está me ouvindo? — A voz de Leo, o Amigo 2, me trouxe de volta à realidade.

Estávamos no telhado de um dos prédios do nosso condomínio nobre. A vista era incrível: as luzes da cidade refletiam na água da baía, e a estátua do Avatar Aang vigiava tudo à distância. Ao meu lado, minha melhor amiga, a Amiga 1, ajeitava os óculos escuros, mesmo sendo quase noite. A Amiga 3 e a Amiga 5 estavam sentadas na beirada, balançando as pernas, enquanto o Amigo 4 tentava equilibrar uma bola de basquete no dedo.

— Estou ouvindo, Leo. Você quer invadir o antigo depósito das Indústrias Futuro. É perigoso, é proibido e é totalmente idiota — eu disse, abrindo um sorriso largo. — Quando começamos?

— Sabia que você ia topar — riu a Amiga 1. — Mas Anne, você sabe que se a Beifong te pegar de novo, nem o dinheiro dos seus tios vai te salvar de um reformatório.

— Ela tem que me pegar primeiro — respondi, sentindo a eletricidade formigar na ponta dos meus dedos. — E eu sou rápida.

O plano era simples: entrar, pegar algumas peças de tecnologia antiga que os colecionadores pagariam fortunas e sair sem sermos vistos. Mas, com a gente, nada é simples.

Chegamos ao depósito por volta da meia-noite. O prédio era uma estrutura massiva de metal e concreto. Para qualquer um, seria impossível entrar. Para mim? Era como abrir uma lata de sardinha.

— Fiquem de vigia — sussurrei para o grupo. — Eu vou abrir caminho.

Aproximei-me da enorme porta de aço. Fechei os olhos, sentindo as impurezas do metal sob a minha pele. Com um movimento fluido das mãos, a chapa de aço se retorceu e se abriu como se fosse feita de papel. Entramos em silêncio, as lanternas cortando a escuridão.

O lugar estava cheio de protótipos de tanques e peças de Satomóveis. Era o paraíso para quem gostava de mecânica.

— Olhem isso! — exclamou o Amigo 4, apontando para uma caixa cheia de bobinas elétricas. — Isso vale milhares de yuans no mercado negro.

— Peguem o que conseguirem carregar e vamos cair fora — eu disse, sentindo um arrepio na nuca. Algo estava errado. O silêncio era profundo demais.

De repente, as luzes do teto se acenderam com um estalo violento, cegando-nos momentaneamente.

— Parados! Polícia de Cidade da República! — Uma voz amplificada ecoou pelo galpão.

Olhei para cima e vi silhuetas descendo por cabos de aço. Eram os dobradores de metal da força de elite. E na frente deles, flutuando em um cabo com a graça de um falcão-caçador, estava ela.

— Miller — disse a Chefe Beifong, aterrissando pesadamente no chão à nossa frente. — Eu deveria saber que você estaria no meio disso.

— Chefe! Que coincidência maravilhosa — eu disse, tentando manter o tom casual enquanto meus amigos recuavam, aterrorizados. — Estávamos apenas... fazendo um tour histórico?

— Guarde o sarcasmo para o juiz — rosnou Beifong. — Desta vez, seus tios não vão conseguir te tirar da delegacia com um talão de cheques. Vocês estão invadindo propriedade federal.

— Corram! — gritei para meus amigos.

Eu bati no chão com os calcanhares, criando uma parede de pedra que nos separou dos policiais por alguns segundos.

— Anne, o que você está fazendo? — gritou a Amiga 5, em pânico.

— Vão pelos dutos de ventilação! Eu seguro eles! — ordenei.

Eu sabia que, como Avatar, eu era o alvo principal. Se eu ficasse, eles teriam uma chance. Meus amigos hesitaram por um segundo, mas a visão de mais dez policiais dobradores de metal cercando o local os fez obedecer. Eles subiram pelas prateleiras e desapareceram nas sombras das tubulações.

Agora era só eu e a força policial.

— Você acha que pode me vencer, garota? — Beifong deu um passo à frente, seus braços revestidos de metal brilhando sob as luzes.

— Vencer? Não sei — eu disse, assumindo uma postura de combate, as mãos estalando com faíscas azuis. — Mas vou dar um trabalho danado.

Eu disparei a primeira rajada de eletricidade. Beifong desviou com uma agilidade impressionante para a sua idade, usando um pilar de metal para se impulsionar. Ela lançou seus cabos em minha direção. Eu os desviei com uma dobra de metal rápida, sentindo a vibração do aço contra o meu poder.

A luta foi um borrão de metal voando e faíscas elétricas. Eu usei a terra para criar obstáculos e o ar para me esquivar, mas Beifong era implacável. Ela não era apenas uma dobradora; ela era uma estrategista.

Eu estava prestes a lançar um ataque de fogo para criar uma cortina de fumaça quando senti algo prender meus tornozelos. Olhei para baixo e vi cabos de metal enterrados no chão, subindo pelas minhas pernas.

— Xeque-mate, Avatar — disse Beifong, puxando os cabos com força.

Eu caí de cara no chão frio de concreto. Antes que eu pudesse reagir, mais cabos envolveram meus braços e meu tronco, prendendo-me como um casulo. Tentei dobrar o metal, mas Beifong aplicou uma pressão constante, desequilibrando meu foco.

— Você tem talento, Miller — disse ela, caminhando até mim enquanto eu lutava inutilmente contra as amarras. — Mas falta disciplina. E falta respeito.

— E você tem muita regra e pouco estilo — retruquei, embora meu coração estivesse martelando no peito.

Ela se inclinou sobre mim, o rosto severo a poucos centímetros do meu.

— Seus amigos escaparam. Por enquanto. Mas você? Você vai para um lugar onde o dinheiro dos seus tios não serve nem para comprar papel higiênico.

Fui levantada do chão pelos policiais como se fosse um fardo de mercadoria. Enquanto me levavam para o camburão blindado, vi meus amigos observando de longe, escondidos atrás de uma chaminé no telhado vizinho. Eu balancei a cabeça levemente, um sinal para que ficassem longe.

A porta do camburão se fechou com um estrondo metálico, deixando-me na escuridão.

Desta vez, a encrenca era grande de verdade. E, pela primeira vez, eu não tinha certeza se conseguiria sair dela com um sorriso e uma desculpa esfarrapada. A Avatar estava presa, e a Cidade da República parecia muito mais fria através das grades de metal.

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