Fanfy
.studio
Imagem de fundo

Loki

Fandom: Thor

Criado: 19/09/2026

Tags

RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoFantasiaEstudo de PersonagemDivergênciaRecontarCenário Canônico
Índice

O Reflexo no Gelo Negro

Asgard nunca pareceu tão fria. O brilho dourado das torres de ouro, que outrora parecia eterno, agora estava manchado por uma névoa cinzenta de incerteza e guerra iminente. Nos corredores do palácio, o silêncio era interrompido apenas pelo som metálico das armaduras dos soldados que se preparavam para o pior.

Clara caminhava apressada, seus passos ecoando no mármore. Ela ajeitou a túnica de seda azul que abraçava suas curvas, sentindo o coração martelar contra as costelas. Para muitos em Asgard, ela era apenas a mortal — ou a "quase mortal" de linhagem menor — que de alguma forma conquistara um lugar no círculo íntimo dos príncipes. Para outros, ela era a única mulher capaz de amansar o lobo.

Loki sempre fora uma criatura de espinhos. Ele era cáustico, arrogante e frequentemente cruel com qualquer um que cruzasse seu caminho com uma pergunta idiota ou um olhar de julgamento. Mas com Clara, os espinhos se retraíam.

Ela o encontrou na varanda dos aposentos reais, observando o horizonte com um olhar que ela não conseguia decifrar.

— Loki? — chamou ela, a voz suave, um contraste gritante com o caos que fervilhava lá fora.

Ele se virou instantaneamente. A expressão gélida e superior que ele ostentava para o mundo derreteu-se em algo que beirava a vulnerabilidade.

— Clara. — Ele caminhou até ela, envolvendo o rosto dela com as mãos longas e pálidas. — Você não deveria estar aqui. O palácio não é seguro agora.

— Nada é seguro agora — respondeu ela, cobrindo as mãos dele com as suas. — Disseram que Thor foi banido. Que ele foi enviado para Midgard sem poderes. Loki, o que está acontecendo? O Rei Odin caiu no sono e agora...

— O Rei está incapacitado e Thor provou ser um tolo indigno — interrompeu Loki, a voz subitamente dura, embora o polegar acariciasse a bochecha dela com ternura. — Eu estou fazendo o que é necessário para proteger este reino. Para nos proteger.

Clara suspirou, encostando a testa no peito dele. Ela sentia o cheiro de couro e magia gelada que sempre o acompanhava.

— Eles dizem coisas terríveis sobre você lá embaixo — sussurrou ela. — Dizem que você está aproveitando a ausência do seu irmão para usurpar o trono.

Loki soltou uma risada curta e sem humor, beijando o topo da cabeça dela.

— Deixe que falem. Eles nunca entenderam nada, nem mesmo Thor. Mas você... você é a única que vê quem eu realmente sou. Não dê ouvidos aos tolos, Clara. Fique ao meu lado e nada lhe faltará.

Ela queria acreditar. Ela sempre acreditava.

No entanto, a bolha de proteção que Loki construíra em volta dela começou a rachar na manhã seguinte. Clara estava na biblioteca, tentando encontrar algum registro sobre o "Sono de Odin", quando a porta foi subitamente trancada e três figuras familiares surgiram das sombras: Sif e os Três Guerreiros.

Sif parecia exausta, sua armadura manchada de fuligem. Fandral e Volstagg tinham expressões de pura urgência.

— Clara, precisamos falar com você — disse Sif, a voz baixa e tensa. — Agora.

— O que houve? — Clara levantou-se, sentindo um nó no estômago. — Loki disse que a situação estava sob controle.

— Loki mentiu para você — rosnou Hogun, cruzando os braços.

— Ele não mentiu — defendeu Clara, embora a dúvida começasse a formigar em sua mente. — Ele está tentando manter a ordem enquanto Thor está fora.

— Thor não está apenas "fora", Clara — disse Fandral, aproximando-se. — Loki armou para ele. Ele manipulou a entrada dos Gigantes de Gelo em Asgard no dia da coroação. Ele enganou o pai, exilou o irmão e agora está planejando algo muito pior.

Clara balançou a cabeça, dando um passo para trás.

— Não... ele não faria isso. Ele é difícil, sim, ele é ignorante com todos vocês, eu sei! Mas ele ama o irmão. Ele ama Asgard.

— Ele ama o poder, Clara — Sif disse, colocando a mão no ombro da amiga. — E ele está usando o seu afeto por ele como um escudo. Enquanto você o defende nos corredores, ele está enviando o Destruidor para Midgard para matar Thor.

O mundo de Clara pareceu girar. O Destruidor? A arma definitiva de Asgard?

— Ele não mataria o próprio irmão — murmurou ela, a voz falhando.

— Ele já o fez em seu coração — respondeu Volstagg solenemente. — Precisamos ir até Midgard. Precisamos trazer Thor de volta. É a única chance de impedir que Loki destrua tudo, inclusive a si mesmo. Mas Heimdall foi afastado. Loki controla a Bifrost.

— Por que estão me contando isso? — perguntou Clara, as lágrimas começando a embaçar sua visão.

— Porque você é a única pessoa que ele deixa chegar perto — explicou Sif. — Você precisa pegar a chave da câmara de armas ou distraí-lo enquanto tentamos acessar o observatório. Clara, se você o ama, precisa impedi-lo de se tornar um monstro que não terá volta.

Clara sentiu o peso daquelas palavras. Ela amava Loki. Amava o homem que lia poesia para ela em voz baixa nas noites de insônia, o homem que a defendia com um olhar mortal quando algum nobre fazia comentários maldosos sobre o seu peso ou sua origem. Para ela, ele era o homem bom que o mundo se recusava a ver.

Mas e se o mundo estivesse certo? E se a "bondade" dele fosse apenas o reflexo do que ela mesma projetava nele?

— Eu vou falar com ele — disse ela, limpando as lágrimas com as costas da mão.

— Clara, é perigoso — alertou Fandral.

— Eu não vou roubar nada — disse ela com firmeza. — Eu vou olhar nos olhos dele. Eu vou saber a verdade.

Ela caminhou em direção à sala do trono. O ar parecia mais pesado a cada passo. Ao entrar, viu Loki sentado no Trono de Hugin, segurando o cetro de Odin, o Gungnir. Ele parecia majestoso, mas também terrivelmente sozinho.

— Clara? — Ele se levantou, a expressão suavizando-se instantaneamente, como sempre acontecia quando ela entrava no recinto. — O que faz aqui? Eu disse para ficar nos seus aposentos.

— Loki, me diga a verdade — começou ela, a voz tremendo, mas os olhos fixos nos dele. — Onde está o Destruidor?

O silêncio que se seguiu foi gélido. A expressão de Loki não mudou, mas seus olhos, aqueles olhos verdes que ela tanto amava, pareceram escurecer, tornando-se duas pedras de gelo.

— Quem falou com você? — perguntou ele, a voz agora desprovida de qualquer calor. — Sif? Aqueles idiotas que se chamam de guerreiros?

— Isso não importa! — exclamou Clara, aproximando-se do degrau do trono. — Diga-me que eles estão mentindo. Diga-me que você não enviou uma máquina de matar atrás do seu irmão.

Loki desceu os degraus lentamente. Ele parou diante dela, a diferença de altura fazendo com que ela tivesse que inclinar a cabeça para trás.

— Thor precisava de uma lição — disse ele, a voz baixa e perigosa. — Ele é um perigo para Asgard. Um bruto que nos levaria à ruína com sua arrogância.

— E matá-lo resolve isso? — Clara sentiu o coração quebrar. — Loki, você está agindo como um tirano. O povo está com medo. Seus amigos...

— Eu não tenho amigos! — gritou ele, e o som ecoou pelas paredes de ouro. — Eu tenho súditos. E eu tenho você.

Ele tentou tocar o rosto dela, mas, pela primeira vez, Clara recuou. O gesto o atingiu mais do que qualquer golpe de espada.

— Você está sendo ignorante com todos, Loki. Sempre foi. Eu sempre te defendi, dizendo que era apenas o seu jeito, que você era incompreendido... — As lágrimas agora corriam livremente pelo rosto dela. — Mas mandar matar o Thor? Onde isso termina?

— Termina com a paz! — rebateu ele, a face retorcida em uma máscara de dor e fúria. — Termina comigo sendo o rei que eu nasci para ser, e não a sombra de um irmão dourado que nunca teve que se esforçar por nada!

— Você não nasceu para ser um assassino — disse Clara, a voz agora apenas um sussurro quebrado. — Se você fizer isso, se você matar o Thor, não haverá mais nada do homem que eu amo em você. Só sobrará o gelo.

Loki ficou imóvel. Por um momento, Clara viu a dúvida em seus olhos. Viu o menino que queria apenas ser igual ao irmão, o homem que sentia que nunca seria bom o suficiente. Mas então, a sombra de um sorriso amargo cruzou seus lábios.

— Talvez o gelo seja tudo o que eu realmente sou, Clara.

— Não — disse ela, segurando a mão dele com força, apesar do frio que parecia emanar de sua pele. — Você é mais do que isso. Por favor, traga-o de volta. Prove que eles estão errados. Prove que você é o homem que eu sei que existe aí dentro.

Loki olhou para as mãos dela unidas às dele. Por um longo minuto, o destino de dois mundos oscilou na balança.

— Você é tão terrivelmente sentimental — murmurou ele, mas não havia escárnio em sua voz, apenas uma profunda tristeza. — Eles te usaram para chegar a mim. Eles sabiam que você era minha única fraqueza.

— Não sou sua fraqueza, Loki — disse Clara. — Sou sua consciência.

Loki soltou um suspiro longo e pesado. Ele se afastou, voltando-se para o trono, mas não se sentou. Ele olhou para o Gungnir em sua mão, a arma que simbolizava o poder absoluto.

— Vá embora, Clara — disse ele, sem olhar para trás.

— Loki...

— VÁ! — ordenou ele, mas o grito não tinha a intenção de ferir, era um apelo. — Antes que eu mude de ideia sobre deixar você ir.

Clara saiu da sala do trono com o coração pesado. Ela não sabia se o tinha convencido, ou se tinha acabado de perder o homem que amava para a escuridão. Ao encontrar Sif e os outros no corredor, ela apenas balançou a cabeça.

— Eu tentei — disse ela, a voz rouca. — Eu não sei o que ele vai fazer.

— Temos que ir para a Bifrost agora — disse Sif. — Se ele não parar o Destruidor, Thor morrerá hoje.

Enquanto eles corriam em direção à ponte do arco-íris, Clara olhou para trás uma última vez para as torres douradas. Ela percebeu que, independentemente do que acontecesse em Midgard, a Asgard que ela conhecia — e o Loki que ela acreditava conhecer — talvez nunca mais fossem os mesmos.

A guerra não estava apenas nos portões; a guerra estava dentro do coração do homem que ela chamava de seu. E, pela primeira vez, Clara temeu que o amor não fosse o suficiente para derreter o inverno que Loki estava trazendo sobre todos eles.

Ela seguiu os guerreiros, determinada. Se Loki não pudesse ser o herói da própria história, ela faria o que fosse necessário para garantir que ele não se tornasse o vilão definitivo. Mesmo que isso significasse lutar contra ele.

— Espere por mim, Thor — sussurrou ela para o vento. — E que os deuses ajudem o Loki, porque eu não sei se poderei salvá-lo de si mesmo outra vez.

Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic

Novidades do Fanfy

Um novo modelo para suas histórias

Atualizamos o modelo de geração para deixar suas histórias ainda melhores. O novo modelo já está ativado.

Se preferir a versão anterior, escolha «Anterior» no menu do perfil: clique no seu avatar no canto superior direito.

Seus capítulos já escritos serão mantidos. Sua escolha vale para as próximas gerações.