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Fandom: Harry Potter e as relíquias da morte

Criado: 19/09/2026

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O Segredo Entre as Sombras e o Juramento

O ar em Hogwarts estava saturado com o cheiro de ozônio e o presságio da morte. As pedras ancestrais do castelo pareciam pulsar com um terror silencioso, enquanto o céu noturno era rasgado por lampejos de luzes verdes e vermelhas. Clara Riddle, conhecida pelos corredores apenas como Professora Clara, apertava sua varinha com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos.

Ela ajustou as vestes, sentindo o tecido apertado em suas curvas. Clara nunca fora a imagem da bruxa esguia e austera que muitos esperavam de uma mestra de Defesa Contra as Artes das Trevas. Ela era gordinha, com bochechas rosadas que costumavam transmitir calor, mas que agora estavam pálidas sob a luz fria da lua. Ninguém no castelo, exceto Severo Snape, sabia que o nome "Riddle" que ela carregava não era um pseudônimo de solteira, mas o sobrenome de seu marido.

O homem que agora cercava o castelo para destruí-lo.

Clara caminhava apressada pelo Grande Salão, o coração martelando contra as costelas. Ela se lembrava de Tom na escola — não do monstro sem nariz e de olhos ofídicos que o mundo temia, mas do jovem brilhante e possessivo que a escolhera. Ele mantivera sua aparência humana apenas para ela, um privilégio que ninguém mais possuía. O tempo não os havia tocado da mesma forma que aos outros; a magia negra dele e o amor devoto dela haviam criado um hiato na natureza. Ela continuava a mesma jovem de décadas atrás, a nascida-trouxa que conquistara o coração de gelo do herdeiro de Slytherin.

— Professora Clara! — gritou Neville Longbottom, correndo por ela com o rosto sujo de fuligem. — Eles estão chegando! Os Comensais estão na barreira!

Clara assentiu, a voz embargada.

— Fique firme, Neville. Proteja os mais novos.

Ela sabia o que estava em jogo. Tom queria purificar o mundo bruxo. Ele queria eliminar os nascidos-trouxas. E, em sua mente distorcida, ele acreditava que Clara era a exceção, o tesouro que ele manteria em uma gaiola de ouro enquanto o resto do seu povo ardia. Mas Clara não podia aceitar isso. Se o mundo dela morresse, ela morreria com ele. Ela não era apenas a esposa dele; ela era uma bruxa, e era humana.

No topo da escadaria, ela viu a confusão começar. Severo Snape estava cercado. Minerva McGonagall, com sua postura de aço, confrontava o diretor traidor. Clara se aproximou, o medo gelando suas entranhas. Snape a viu pelo canto do olho e, por um breve segundo, o terror cruzou a face habitualmente impassível do Mestre de Poções. Snape sabia que, se um único fio de cabelo de Clara fosse tocado, Voldemort não apenas o mataria, mas o torturaria por toda a eternidade.

— Severo! — gritou Minerva, lançando uma labareda de fogo.

Snape se defendeu com agilidade, mas seus olhos estavam fixos em Clara, que se posicionava atrás de Minerva, pronta para ajudar na defesa.

— Afaste-se, Clara! — rosnou Snape, a voz carregada de um desespero que ninguém mais entendeu.

— Eu não vou a lugar nenhum, Severo! — retrucou ela, erguendo a varinha. — Eu protejo Hogwarts!

O duelo foi rápido e violento. Minerva atacava com a fúria de uma leoa protegendo seus filhotes. Snape, acuado pelo dever e pelo segredo que carregava, tentava apenas repelir os ataques. No entanto, em um momento de caos, quando Flitwick e Sprout se juntaram à briga, um feitiço de Snape ricocheteou em uma armadura de metal. O lampejo de luz azul atingiu Clara em cheio no ombro, lançando-a contra a parede de pedra.

O grito que escapou da garganta de Snape foi animal.

— Não!

Ele não esperou para ver o resultado. Sabendo que o Lorde das Trevas sentiria a angústia de sua conexão ou que a notícia chegaria a ele, Snape pulou pela janela, transformando-se em uma nuvem de fumaça negra, fugindo não de Minerva, mas da fúria do homem que amava a mulher que ele acabara de ferir.

Clara caiu no chão, a respiração falha. Minerva correu até ela, preocupada.

— Clara! Você está bem? Aquele covarde... ele...

— Estou bem, Minerva — mentiu Clara, sentindo a queimação no ombro. — Vá. Harry precisa de tempo. Eu vou ajudar a erguer os escudos no pátio.

Clara se levantou com dificuldade. Ela sabia que Tom estava perto. Ela sentia a presença dele como um formigamento constante na base de seu crânio. Ele não sabia que ela estava lutando contra ele. Ele achava que ela estava segura em um esconderijo que ele criara, mas Clara fugira para Hogwarts meses atrás, decidida a enfrentar o destino.

Ela caminhou até o pátio externo, onde a barreira mágica cintilava como uma bolha de sabão prestes a estourar. O exército de Comensais da Morte estava posicionado na orla da Floresta Proibida. E lá, no centro de tudo, estava ele.

Para os outros, ele era uma silhueta alta e aterrorizante. Para Clara, que usava o pingente que ele lhe dera — um objeto encantado que alterava sua percepção —, ele era o Tom de sempre. Cabelos escuros perfeitamente alinhados, olhos que brilhavam com uma inteligência cruel, mas que suavizavam apenas ao olhar para ela.

Ele não a vira ainda.

— Pelo amor que sinto por você, Tom... — sussurrou ela para o vento — ... eu não vou deixar você destruir tudo o que resta de bom em mim.

As explosões começaram. A barreira cedeu com um som de vidro quebrado que ecoou por todo o vale. O caos se instalou. Clara lançava feitiços de proteção, bloqueando maldições direcionadas a alunos do quinto ano. Ela era uma força da natureza, sua figura robusta movendo-se com uma graça que desafiava seu tamanho, a varinha traçando arcos de luz branca.

Então, o silêncio caiu sobre o campo de batalha por um breve momento quando as vozes cessaram. Lord Voldemort caminhava entre seus seguidores, aproximando-se das ruínas do castelo.

Ele parou. O cheiro dela estava no ar. Aquele perfume suave de baunilha e pergaminho velho que ele reconheceria em qualquer lugar do mundo. Seus olhos vermelhos — que para ela eram castanhos e profundos — percorreram a linha de defensores de Hogwarts.

Ele a encontrou.

Clara estava parada à frente de um grupo de alunos feridos. Suas vestes estavam rasgadas, o ombro manchado de sangue onde o feitiço de Snape a atingira.

O rosto de Voldemort se transformou. A fúria que emanou dele fez até os Comensais da Morte recuarem.

— Clara? — A voz dele não foi um grito, mas um sussurro amplificado pela magia que fez a terra tremer.

Ela deu um passo à frente, saindo da linha de defesa.

— Eu disse que não ficaria escondida, Tom.

— Você deveria estar segura! — Ele avançou, ignorando Harry Potter, ignorando a guerra. — O que você está fazendo entre eles? Entre esses... sangues-ruins e traidores?

— Eu sou um deles, Tom! — gritou ela, as lágrimas finalmente escorrendo. — Você se esquece disso toda vez que me beija? Eu sou nascida-trouxa. Se você matar todos eles, você terá que me matar também. Porque eu não vou viver em um mundo onde eu sou a única "exceção" à sua regra de ódio.

Os bruxos ao redor, de ambos os lados, assistiam à cena em choque absoluto. O Lorde das Trevas, o ser mais temido do século, estava parado diante de uma professora gordinha de Hogwarts, e sua expressão não era de desprezo, mas de uma agonia possessiva e distorcida.

— Você é minha — disse ele, a voz tremendo de raiva. — Eu a protegi do tempo. Eu a protegi da morte. Você não pertence a este lugar.

— Eu pertenço a quem eu escolho defender — respondeu Clara, erguendo a varinha para ele. — E hoje, eu defendo Hogwarts de você.

Voldemort rosnou, um som desumano. Ele olhou para o ferimento no ombro dela e seus olhos faiscaram.

— Quem fez isso com você? — perguntou ele, a voz carregada de uma promessa de dor lenta. — Foi o Potter? Foi a Longbottom?

— Foi a guerra que você começou, Tom! — Clara soluçou. — Não importa quem lançou o feitiço. O sangue está nas suas mãos.

Ele deu mais um passo, e por um momento, a ilusão humana oscilou. Por um segundo, os alunos viram o monstro, mas Clara viu o homem que ela amou na biblioteca da escola, o órfão que queria provar seu valor ao mundo.

— Venha para mim, Clara — ordenou ele, estendendo a mão pálida. — Venha agora, e eu prometo que pouparei os que estão atrás de você. Por esta noite.

Clara olhou para trás, para os rostos aterrorizados de seus alunos. Olhou para Harry, que observava a cena com uma mistura de confusão e esperança. Ela sabia que Tom estava mentindo. Ele não pouparia ninguém. Ele apenas queria sua posse de volta.

— Não — disse ela firmemente.

Voldemort fechou o punho. A magia ao redor dele estalou como chicotes.

— Você me desafia por eles? Por esses trouxas e simpatizantes?

— Eu te desafio por você, Tom! — Clara deu um passo em direção a ele, a varinha ainda erguida, mas a mão livre estendida. — Porque o homem com quem eu me casei ainda está aí dentro, em algum lugar. E eu prefiro morrer pelas suas mãos do que ver você se tornar algo que eu não possa mais amar.

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Voldemort parecia paralisado. O conflito em seus olhos era visível — um duelo entre a sede de poder absoluto e a única âncora de humanidade que ele ainda possuía.

— Você não vai morrer — sussurrou ele, e havia uma promessa terrível em suas palavras. — Eu não permitirei.

Ele se virou para seus seguidores, a voz recuperando a frieza cortante.

— Parem o ataque! — rugiu ele.

Os Comensais da Morte hesitaram, confusos. Bellatrix Lestrange deu um passo à frente, o rosto contorcido de ciúmes e incredulidade.

— Meu Lorde... a vitória está próxima! A garota... a mulher... ela é apenas uma...

— Silêncio, Bellatrix! — A Maldição Cruciatus atingiu a bruxa antes mesmo que ela pudesse terminar a frase. Voldemort nem olhou para ela.

Ele voltou seus olhos para Clara.

— Nós vamos conversar, Clara. Mas não aqui. E não agora.

Com um movimento brusco de sua capa, ele conjurou uma barreira de sombras que o separou do resto do campo de batalha. Em um piscar de olhos, ele estava diante dela, a velocidade de sua magia sendo superior a qualquer reação dos outros professores.

Ele a agarrou pelo braço ferido, mas seu toque, embora firme, tinha uma delicadeza desesperada.

— Severo pagará por isso — sibilou ele no ouvido dela, tendo deduzido a verdade pela ausência do mestre de poções.

— Tom, pare... — implorou ela.

— Nunca mais fuja de mim — disse ele, a forma humana oscilando violentamente enquanto a raiva o consumia. — Eu destruirei cada pedra deste castelo se você tentar se esconder de mim novamente.

Antes que Harry ou Minerva pudessem intervir, um redemoinho de trevas envolveu os dois. Clara sentiu a sensação familiar e nauseante da Aparatação forçada.

Quando a visão dela clareou, eles estavam em uma mansão isolada, longe dos gritos e do fogo de Hogwarts. Tom a soltou, caminhando de um lado para o outro na sala luxuosa, sua respiração pesada.

— Você quase morreu! — ele explodiu, virando-se para ela. A forma humana havia voltado, o rosto belo e jovem distorcido pela fúria. — Por quê? Por que se arriscar por eles?

Clara sentou-se em uma poltrona, o ombro latejando. Ela o olhou nos olhos, sem medo.

— Porque eu sou uma nascida-trouxa, Tom. E enquanto você pregar o ódio contra o que eu sou, eu nunca estarei segura. Nem mesmo com você.

Ele parou, ajoelhando-se diante dela e segurando suas mãos. O toque dele era frio, mas ele a segurava como se ela fosse o único objeto sólido em um universo em colapso.

— Eu sou o Lorde das Trevas. Eu ditei as leis. Você é minha esposa. Você está acima de qualquer lei, de qualquer linhagem.

— Não, eu não estou — disse ela suavemente, acariciando o rosto dele. — Eu sou apenas Clara. E se você quiser me manter, terá que escolher. O seu império de sangue ou a mulher que você diz amar.

Tom Riddle encostou a testa nos joelhos dela, um gesto de submissão que ninguém no mundo bruxo jamais acreditaria ser possível.

— Eu não posso perder você — sussurrou ele. — Você é a única coisa que me lembra de que eu já tive um coração.

— Então prove — disse Clara, embora soubesse que a guerra ainda não havia acabado. — Prove que o homem que eu amo é mais forte que o monstro que o mundo vê.

Lá fora, a noite continuava, e a batalha por Hogwarts prosseguiria com ou sem eles. Mas naquela sala, entre o silêncio e as sombras, o destino do mundo bruxo estava pendurado por um fio — o fio frágil e inquebrável do amor de um monstro por uma mulher que se recusava a deixá-lo esquecer sua humanidade. Clara sabia que não o havia mudado completamente, mas por aquela noite, ela havia salvado Hogwarts de sua fúria total. E enquanto ele a segurava, ela rezava para que o amor fosse o feitiço mais forte de todos.

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