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Jinbe e Chopper

Fandom: One Piece

Criado: 19/09/2026

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Entre Tambores e Xícaras de Chá

A brisa que soprava sobre o convés do Thousand Sunny era extraordinariamente mansa. As velas estavam recolhidas, descansando sob a luz dourada de uma tarde perfeita, e o balanço suave do oceano parecia um convite irrecusável ao descanso. Não havia tempestades no horizonte, nenhum navio da Marinha à vista e, acima de tudo, não havia o caos costumeiro promovido pelo capitão do bando.

Horas antes, Luffy havia arrastado quase toda a tripulação para o interior daquela ilha misteriosa. Nami garantira que precisariam de pelo menos quatro dias inteiros para explorar o terreno, reabastecer as despensas com frutos exóticos e mapear as ruínas antigas que Zoro e Sanji, invariavelmente, transformariam em escombros com suas habituais brigas. Franky fora verificar os suprimentos de madeira com Usopp, enquanto Robin e Brook acompanhavam os demais em busca de relíquias e melodias locais.

Assim, o navio ficara sob os cuidados de seus dois guardiões mais afetuosos: Jinbe e Tony Tony Chopper.

Para o pequeno médico, aqueles quatro dias prometiam ser um refúgio acolhedor. Ele já havia passado a manhã inteira organizando seus frascos de remédios, macerando ervas medicinais e etiquetando novos unguentos na enfermaria. Sentindo as perninhas cansadas da rotina, decidiu subir até o convés superior para tomar um pouco de ar fresco. Suas patinhas faziam um som ritmado de cascos contra a madeira bem polida: cloc, cloc, cloc.

Ao alcançar a popa, os olhos redondos de Chopper brilharam imediatamente.

Lá estava ele.

Sentado confortavelmente perto do grande timão de madeira, com as pernas robustas cruzadas sobre o piso, repousava Jinbe. O imponente homem-peixe tubarão-baleia parecia uma montanha serena de calma e solidez. Ele vestia um quimono largo e florido, aberto no peito, e segurava uma xícara de cerâmica fumegante com as pontas de suas enormes mãos espalmadas. Jinbe bebericava seu chá verde com a serenidade de um mestre monge, fechando os olhos pequenos para apreciar o aroma tostado das folhas.

Para Chopper, aquela figura representava pura segurança. Desde que o timoneiro se juntara oficialmente aos Chapéus de Palha, um laço muito especial havia brotado entre os dois. Jinbe nunca perdia a paciência com a curiosidade infantil da pequena rena; pelo contrário, tratava o médico com o carinho vigilante, paciente e protetor de um verdadeiro pai. E Chopper, que perdera o bom doutor Hiluluk anos atrás, encontrara naquele guerreiro de águas profundas um porto seguro onde podia baixar a guarda e ser apenas uma criança.

No entanto, ser uma criança também significava outra coisa: o impulso irresistível de aprontar travessuras.

Ao notar a expressão de absoluta tranquilidade no rosto do timoneiro, um sorriso travesso e largo começou a se desenhar no focinho azul de Chopper. Ele inclinou a cabecinha redonda, ajustou o chapéu volumoso e diminuiu o passo, aproximando-se de mansinho pelas costas do grandalhão.

Jinbe, com seu domínio impecável do Haki da Observação, naturalmente já sabia que o pequeno estava ali desde o instante em que Chopper pisara o primeiro degrau da escada. Ainda assim, manteve a pose solene, abrindo um dos olhos e esboçando um meio sorriso acolhedor no canto das presas afiadas.

— Uma boa tarde para você, Chopper-kun — saudou Jinbe com sua voz grave e aveludada, que reverberava como o eco suave de uma caverna marinha. — O trabalho na enfermaria já terminou? O dia está agradável para um descanso. Posso servir um pouco de chá, se desejar.

Chopper parou bem diante dele, com as mãozinhas apoiadas nos quadris curtos, fingindo uma atitude pensativa.

— Terminei tudo, Jinbe! Mas eu não quero chá agora, não — respondeu a pequena rena, balançando a cabeça de um lado para o outro. Seus olhos desceram deliberadamente do rosto do homem-peixe para a região central de seu quimono.

Jinbe piscou lentamente, sem entender bem a inspeção minuciosa.

— Não quer? Bem, há água fresca na cozinha também...

— Sabe o que eu reparei, Jinbe? — interrompeu Chopper, dando um passo adiante com um olhar repleto de pura malícia infantil.

— O quê, pequeno?

— Que hoje o mar tá calmo demais... mas a sua barriga parece ainda mais cheia do que a maré alta!

Jinbe engasgou sutilmente com o gole de chá que acabara de colocar na boca. Ele tossiu de leve, cobrindo o rosto com a manga do quimono, surpreso com o comentário descarado.

— Chopper-kun, que tipo de observação é essa? — repreendeu ele, tentando manter a postura digna de um ex-Corsário da República, embora uma leve tonalidade arroxeada começasse a subir pelas suas bochechas azuis.

Mas Chopper já não podia ser contido. Com um pulinho alegre, ele encostou as patinhas dianteiras diretamente na imensa barriga de Jinbe. Era incrivelmente macia, resistente e quente, muito acolhedora. A rena soltou uma risadinha sapeca e, sem hesitar, começou a desferir pequenas batidinhas ritmadas.

Tum, tum, tum.

O som ecoou pelo convés silencioso, lembrando com precisão as batidas de um grande tambor tradicional taiko de Wano.

— Olha só, Jinbe! Parece um instrumento musical! — exclamou Chopper, desmanchando-se em gargalhadas enquanto acelerava o ritmo das batucadas. — Tum, tum, tá! Tum, tum, tá! Um tambor marinho!

— Ch-Chopper-kun! — protestou o homem-peixe, sentindo as vibrações das patinhas se espalharem por todo o seu abdômen. — Por favor, pare com isso. Eu sou o timoneiro deste navio, não um tambor de festival!

— Mas faz um som tão legal! — rebateu a rena, dando mais duas palmadas firmes que fizeram a barriga de Jinbe oscilar levemente. — E além do mais, ela é enorme! É a maior barriga de todos os mares! Você parece uma almofada gigante de escamas! Uma bola azul muito fofa!

Se havia algo que Jinbe sempre preservara em sua longa vida de batalhas, fora a dignidade. Enfrentara almirantes da Marinha, imperadores do mar e monstros das profundezas sem pestanejar. Mas estar ali, encurralado pela própria "cria", tendo sua silhueta comparada a uma almofada esférica enquanto recebia batuques diante do timão, fez o orgulhoso guerreiro entrar em curto-circuito.

O rubor roxo em seu rosto tornou-se evidente até mesmo sob a pele cerúlea. Ele apertou a alça da xícara com mais força, sentindo uma gota de suor constrangido escorrer pela têmpora.

— Almofada não... Eu tenho uma estrutura robusta! Isso é constituição natural de um homem-peixe tubarão-baleia! — tentou se defender, elevando o tom apenas para disfarçar o embaraço monumental que o consumia.

— Uma estrutura muito adorável! — Chopper continuou provocando, rindo alto ao ver as orelhas pontudas de Jinbe tremerem de vergonha. — Você é o tubarão mais fofinho do Novo Mundo! O grande e adorável papai homem-peixe! Olha como ele fica tímido!

— "A-Adorável"? — Jinbe franziu a testa, arregalando os olhos e sentindo a paciência paternal balançar perigosamente no fio da navalha. — Chopper, eu já lutei nas guerras mais cruéis da Grand Line! Meu nome impõe respeito no fundo dos oceanos! Não sou "fofinho", muito menos um brinquedo de pelúcia!

— É sim! É o tubarãozinho azul mais gordinho e bonzinho que existe! — cantarolou a rena, dando um tapinha final bem no centro da barriga do timoneiro e pulando para trás, convencido de que sua vitória na arte da provocação estava selada.

Jinbe respirou fundo. Muito fundo. O ar marítimo encheu seus pulmões vigorosos enquanto ele colocava a xícara de chá, milimetricamente intacta, sobre uma mesinha lateral de apoio. Ele estalou os dedos de uma das mãos e virou o rosto para encarar o pequeno traquino.

Havia um brilho perigoso, porém caloroso, naqueles olhos dourados.

— Muito bem, meu jovem médico... — murmurou Jinbe, com a voz baixando para um tom solene que fez os pelos dos bracinhos de Chopper se arrepiarem de repente. — Vejo que você tem muita energia acumulada hoje. E parece que está precisando aprender uma lição sobre a gravidade da minha "estrutura robusta".

Chopper deu um passo em falso para trás, o sorriso travesso congelando em seus lábios.

— Hã... Jinbe? Você tá me olhando de um jeito esquisito...

— Você disse que eu sou grande e pesado, não disse? — Jinbe começou a se mover com uma agilidade surpreendente para alguém de seu porte, apoiando as mãos no tablado do convés.

— E-Eu só tava brincando! Era só uma piadinha carinhosa! — gaguejou Chopper, as orelhas caindo para trás em sinal de alarme iminente.

— Pois agora nós vamos testar a resistência do médico de bordo contra o peso desse "adorável homem-peixe".

— Aaaah! Não! Socorro! — Chopper virou as costas imediatamente, disparando em direção à cozinha em suas quatro patas de rena bebê. — Ele vai atacar! O papai tubarão enlouqueceu!

— Volte aqui, seu pequeno provocador!

Com uma risada gutural que finalmente rompeu sua postura séria, Jinbe esticou um dos braços imensos e, com a precisão milimétrica de quem agarra correntes marinhas, segurou Chopper com delicadeza pelo suspensório de sua bermudinha. O pequeno médico ficou suspenso no ar, debatendo as patinhas curtas em vão enquanto soltava guinchos estridentes de riso e pânico fingido.

— Me larga, Jinbe! Foi sem querer! Sua barriga é maravilhosa, eu juro! — gritava a rena, tentando a todo custo alcançar o chão com os cascos.

— Tarde demais para bajulações, Chopper-kun! — declarou o homem-peixe em tom triunfante.

Jinbe puxou a rena para perto e a depositou suavemente no gramado macio do convés inferior. Antes que Chopper pudesse rolar para o lado e escapar, o grandalhão manobrou o próprio corpo e, com um movimento lento e calculado para não machucar nem um único pelo do pequeno, sentou-se.

Mais especificamente, Jinbe desceu seu enorme e rechonchudo traseiro de homem-peixe bem em cima da pequena rena, prendendo-a contra a relva fofa.

— Uuuuuf! — Chopper soltou todo o ar dos pulmões no instante em que a montanha azul aterrissou sobre ele.

Não havia perigo real, pois Jinbe sabia controlar perfeitamente seu peso extraordinário, apoiando a maior parte de sua massa nas próprias coxas e pernas cruzadas. Mas a sensação para Chopper era exatamente a de ter sido soterrado por uma colossal colcha de penas vivas e pesadas. Apenas as duas patinhas traseiras e as pontas das orelhinhas peludas da rena ficaram visíveis, saindo por baixo da vasta barra do quimono de Jinbe.

— E então? — perguntou Jinbe, esticando o braço com a maior calma do mundo para resgatar sua xícara de chá, que deixara por perto. Ele tomou mais um gole demorado, fingindo não notar a agitação debaixo de si. — Onde foi parar aquele tamborilheiro tão barulhento? Parece que o convés ficou incrivelmente quieto de repente.

— J-JINBE! — a voz abafada de Chopper saiu de algum lugar abaixo do traseiro do timoneiro, esganiçada e cheia de indignação. — Tira essa bunda gigante de cima de mim! É muito pesado! Eu fui esmagado!

— Ora, que voz é essa que escuto vinda do assoalho? — zombou o gigante, ajeitando-se com um pequeno rebolado proposital que arrancou mais um protesto indignado lá de baixo. — Seria a brisa marinha murmurando entre as tábuas? Ou será algum fantasma deixado para trás pelas brincadeiras do Brook?

— Não é fantasma, sou eu! — as patinhas de Chopper batiam freneticamente contra o chão, num desespero cômico. — Eu não consigo me mexer! Minhas pernas sumiram! O seu bumbum engoliu o meu corpo inteiro! Socorrooo!

Jinbe não aguentou. A pose severa se desfez por completo e ele soltou uma gargalhada retumbante, que fez o peito largo tremer com força.

— Isso é para você aprender a não desafiar a dignidade de quem pilota este navio, seu pestinha! — disse ele, ainda segurando o riso. — Quem é que tem a barriga de tambor agora?

— É você, mas você não precisava revidar com o golpe mais pesado do caratê dos homens-peixe! — berrou Chopper, rindo descontroladamente por baixo daquela montanha azul. O calor do corpo de Jinbe e a sensação macia de seu quimono tornavam o castigo mais engraçado do que incômodo. — Eu me rendo! Eu me rendo, papai Jinbe! Você venceu!

Ao ouvir o apelido carinhoso escapar no meio das risadas do médico, o coração do timoneiro se derreteu por completo. Aquele tom infantil e genuíno desarmava qualquer tentativa de continuar a repreensão.

Com um suspiro afetuoso, Jinbe ergueu ligeiramente o corpo, aliviando toda a pressão, e passou a mão por baixo dos bracinhos de Chopper, puxando-o para cima.

A rena surgiu toda descabelada, com o chapéu torto cobrindo um dos olhos e o pelo arrepiado de estática da grama. Ele sacudiu a cabeça várias vezes, resfolegando dramaticamente, como se tivesse acabado de emergir do fundo de um abismo marinho.

— Ufa! Por um segundo achei que ia virar um tapete decorativo pro quarto dos meninos! — exclamou Chopper, ajeitando o chapéu com as patinhas trêmulas de tanto gargalhar.

Jinbe sorriu calorosamente, os olhos pequeninos brilhando com pura ternura paternal. Ele estendeu o indicador azul e ajeitou a aba do chapéu da rena com extremo cuidado, afastando alguns fiapos de grama presos aos pelos castanhos do menino.

— Tapetes não sabem fazer remédios tão bons quanto os seus, Chopper-kun. O Sunny ficaria perdido sem o nosso doutor.

Chopper parou de rir no mesmo instante. Suas bochechas peludas ganharam uma cor avermelhada brilhante e ele começou a contorcer o corpinho em sua tradicional dança de embaraço, acenando as patas no ar com raiva fingida.

— Não pense que esses elogios vão me deixar feliz, seu idiota grandalhão! Falar essas coisas não vai me amolecer, sabia?! Seu bobo! — gritava ele, completamente derretido de felicidade por dentro.

Jinbe apenas riu baixinho, puxando o pequeno médico para acomodá-lo confortavelmente em seu colo espaçoso. Chopper, que há poucos minutos jurava vingança pela humilhação, não hesitou nem por um segundo: aninhou-se contra o peito robusto do homem-peixe, apoiando a bochecha exatamente sobre aquela mesma barriga macia que estivera zombando antes. O ritmo constante da respiração de Jinbe e as batidas profundas de seu coração eram o som mais relaxante que existia.

— Sabe de uma coisa, Jinbe? — murmurou Chopper, fechando os olhos enquanto a brisa fresca da tarde soprava suavemente sobre eles.

— O que foi, pequeno?

— Ainda acho que sua barriga parece uma almofada. Mas... é a melhor almofada do mundo pra tirar uma soneca.

Jinbe pousou sua mão imensa sobre as costas de Chopper, cobrindo o corpo miúdo quase por inteiro com seu toque protetor, e olhou para o horizonte aberto do mar calmo.

— Então durma, Chopper-kun — disse o timoneiro, num tom suave que embalava como as ondas mansas. — Eu fico de guarda. O navio e você estão seguros comigo.

E ali, sob o sol brando daquela tarde solitária e perfeita no Thousand Sunny, o pequeno médico adormeceu tranquilo no aconchego do homem-peixe, sabendo que nenhum perigo no vasto oceano seria capaz de quebrar a paz daquele abraço de pai.

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