
o meu amor e meu ex marido
Fandom: ex marido gostoso e bilionario
Criado: 19/09/2026
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Entre Papéis e Notificações
O sol da manhã em Nova York filtrava-se pelas enormes janelas de vidro da Pearson Hardman, mas Lily Zneimer mal tinha tempo de apreciar a vista. O escritório estava um verdadeiro caos. Pilhas de processos, prazos apertados e o som constante de telefones tocando criavam uma sinfonia de estresse que apenas Donna Paulsen parecia reger com perfeição. Lily, em sua mesa estrategicamente posicionada, tentava organizar uma montanha de documentos para Harvey, enquanto lidava com a energia caótica dos novos associados.
A Pearson Hardman havia contratado recentemente uma leva de jovens talentos de Harvard, todos ambiciosos, competitivos e, infelizmente para Lily, extremamente persistentes. Para aqueles rapazes de vinte e poucos anos em ternos caros, Lily Zneimer era o enigma mais fascinante do 50º andar. Ela era doce, eficiente e possuía uma beleza que parecia brilhar sob as luzes fluorescentes do escritório, mas mantinha uma barreira invisível que ninguém conseguia transpor.
— Lily, me diga que você tem o arquivo do caso Midtown pronto, ou o Louis vai ter um colapso nervoso e eu vou ter que limpar a bagunça — disse Tyler, um associado loiro e excessivamente confiante, debruçando-se sobre a mesa dela com um sorriso que ele claramente achava irresistível.
Lily levantou os olhos, soltando um suspiro paciente enquanto entregava a pasta azul.
— Aqui está, Tyler. E, por favor, tente não derrubar café nele dessa vez.
— Você é um anjo, sabia? — Tyler não se moveu. Ele continuou ali, diminuindo a distância. — Sabe, ouvi dizer que abriu um bistrô novo na 5ª Avenida. Eles têm um vinho que é quase tão doce quanto você. O que acha de irmos lá depois do expediente?
Lily deu um sorriso educado, aquele que ela usava para desarmar pessoas sem ser rude.
— É uma oferta tentadora, Tyler, mas tenho planos. Muitos planos. Envolvendo meu sofá e um livro de Direito Civil.
— Um dia eu vou conseguir um "sim" — ele piscou, finalmente se afastando.
Lily voltou a se concentrar na tela do computador, mas não demorou dois minutos para que outro associado, Marcus, passasse por ela e deixasse um post-it com seu número de telefone sobre o teclado. Ela apenas riu baixinho, amassando o papel e jogando-o no lixo. Nenhum deles tinha a menor ideia de que a "doce estagiária" já havia sido casada com um dos homens mais poderosos e temidos do sistema judiciário americano. Para o escritório, ela era apenas Lily. Para o mundo jurídico lá fora, ela era a mulher que havia quebrado o coração de Oscar Piastri — ou tido o seu próprio quebrado por ele.
Foi nesse momento que o seu celular, escondido sob alguns memorandos, vibrou.
Lily sentiu um frio na barriga antes mesmo de olhar para a tela. Havia um toque específico, uma vibração que ela reconheceria em qualquer lugar. Ela hesitou, olhou ao redor para garantir que Donna não a estava observando com aquele olhar de "eu sei de tudo", e deslizou o aparelho para fora.
Oscar: Você está franzindo a testa novamente. Eu consigo sentir daqui, Lily. Beba um pouco de água e relaxe os ombros.
Lily sentiu o sangue subir pelo pescoço. Ela olhou para os lados, quase esperando ver a figura imponente de Oscar escondida atrás de uma pilastra de mármore.
Lily: Como você sabe o que eu estou fazendo? E eu não estou franzindo a testa. Estou trabalhando. Algo que você deveria estar fazendo em vez de me vigiar por telepatia.
A resposta veio quase instantaneamente.
Oscar: Eu conheço o seu ritmo. Terça-feira é dia de fechamento de prazos na Pearson Hardman. E eu não preciso de telepatia para saber que você se esquece de respirar quando está focada demais. Além disso, vi uma foto sua no feed interno do escritório hoje de manhã. Você estava linda, mas parecia cansada.
Lily mordeu o lábio inferior, lutando contra um sorriso que teimava em aparecer.
Lily: Pare de me stalkear, Oscar. É inapropriado. E eu não estou cansada, estou apenas cercada de associados que acham que o escritório é um aplicativo de namoro.
Houve uma pausa um pouco mais longa na resposta dele. Lily quase podia imaginar Oscar em seu gabinete, ajustando o nó da gravata, os olhos azuis-esverdeados escurecendo com a menção de outros homens.
Oscar: Eles estão incomodando você? Porque eu posso garantir que nenhum deles tem intelecto — ou paciência — suficiente para lidar com uma mulher como você. Se algum deles passar dos limites, me avise. Eu adoraria ter uma conversa sobre ética profissional com o RH da Jessica.
Lily: Ah, claro. O grande Juiz Piastri vindo ao meu resgate. Não preciso de guarda-costas, Oscar. Eu sei lidar com garotos de Harvard. Volte para os seus processos e me deixe em paz.
Oscar: Você é tão brava quando quer... Mas eu sei que, no fundo, você gosta que eu me preocupe. Lembra daquela noite em Connecticut? Quando você ficou brava porque eu insisti em levar um guarda-chuva e, no fim, caiu o maior temporal da década?
Lily fechou os olhos por um segundo. A lembrança a atingiu como uma onda. O cheiro de chuva, o riso de Oscar enquanto ele a puxava para baixo do guarda-chuva enorme, o calor do corpo dele contra o seu.
Lily: Isso foi há muito tempo. As coisas mudaram.
Oscar: Algumas coisas nunca mudam, Lily. Como o fato de que eu ainda sei exatamente como você gosta do seu café. E como eu ainda sinto o cheiro do seu perfume no meu travesseiro, mesmo depois de meses.
Lily sentiu o coração acelerar. Ele sempre fazia aquilo. Alternava entre a proteção possessiva e uma vulnerabilidade que a desarmava completamente. Ela tentou manter a postura firme, mas seus dedos tremiam levemente ao digitar.
Lily: Você é impossível. Vá trabalhar, Oscar. Sério.
Oscar: Vou. Mas antes... use aquele batom mais escuro hoje. O que você usou no nosso aniversário de dois anos. Ele realça a curva do seu lábio inferior de um jeito que me faz perder o juízo. Pense nisso enquanto atura esses associados medíocres.
Ela desligou a tela do celular abruptamente, o rosto ardendo.
— Lily? — A voz de Mike Ross a trouxe de volta à realidade. — Você está bem? Está vermelha.
— O quê? Ah, sim, Mike. Está apenas um pouco quente aqui, não acha? O ar-condicionado deve estar com problemas — ela disse, abanando-se com uma pasta.
Mike a olhou com desconfiança, mas deu de ombros.
— Harvey quer esses contratos assinados em dez minutos. Ele está de mau humor.
— Quando é que ele não está? — Lily respondeu, tentando recuperar a compostura.
O restante da tarde foi uma sucessão de tarefas intermináveis. Lily sentia-se como se estivesse vivendo em dois mundos: o mundo real, onde ela era a estagiária prestativa que todos queriam convidar para sair, e o mundo secreto das mensagens, onde ela ainda pertencia, de alguma forma, ao homem que todos temiam.
Por volta das cinco da tarde, o movimento começou a diminuir, mas a tensão na mente de Lily só aumentava. Cada vez que o celular vibrava, era um pequeno choque elétrico.
Oscar: Estou saindo do tribunal agora. O julgamento foi exaustivo. Só consigo pensar em você.
Lily: Não comece, Oscar. Tive um dia longo e não estou com paciência para seus jogos.
Oscar: Não é um jogo, Lily. É a verdade. Sinto falta da sua voz. Sinto falta de como você ficava brava comigo e depois me perdoava com aquele olhar suave. Eu sei que você ainda está chateada com o que aconteceu, mas por favor, não me afaste completamente hoje.
Lily suspirou, encostando a cabeça na cadeira. A dor da suposta traição ainda latejava, uma ferida que não fechava porque ela nunca parou de amar o "culpado".
Lily: Você quebrou minha confiança, Oscar. Palavras bonitas não consertam isso.
Oscar: Eu sei. E eu vou passar o resto da minha vida provando que o que você viu não foi a realidade. Mas, por enquanto... apenas saiba que eu estou do lado de fora.
Lily congelou. Ela olhou para a janela, embora soubesse que não veria nada daquela altura.
Lily: Do lado de fora de onde?
Oscar: Do seu prédio. Não vou subir, não quero causar cena. Só queria que você soubesse que eu estou aqui. Se precisar de uma carona, ou se apenas quiser me ver por cinco minutos... eu estarei no carro preto de sempre.
Lily sentiu uma mistura de raiva e desejo. Ele era tão arrogante, tão seguro de si, e ao mesmo tempo tão desesperado por ela. Ela pegou sua bolsa, organizou a mesa com movimentos mecânicos e caminhou em direção ao elevador.
No trajeto até o térreo, ela se olhou no espelho do elevador. Seus cabelos estavam um pouco bagunçados, mas seus olhos brilhavam. Ela resistiu à tentação de retocar o batom — especialmente o batom que ele mencionara.
Ao sair pelas portas giratórias do imponente edifício, o ar frio de Nova York a atingiu. E lá estava ele. O sedã preto estacionado discretamente, mas com uma presença que comandava a rua. O motorista não estava lá; era o próprio Oscar ao volante.
Lily caminhou até o carro, a saia lápis marcando seus passos decididos. Ela parou ao lado da janela do motorista, que se abaixou lentamente, revelando o rosto esculpido de Oscar Piastri. Ele estava sem o paletó, com as mangas da camisa branca dobradas até os cotovelos e a gravata frouxa. Ele parecia exausto, mas seus olhos se iluminaram ao vê-la.
— Você veio — disse ele, a voz rouca, carregada de uma satisfação contida.
— Vim apenas para dizer que você é louco por estacionar aqui — Lily disse, cruzando os braços, tentando manter a expressão severa. — Alguém do escritório pode ver.
Oscar deu um meio sorriso, aquele que sempre desarmava as defesas dela.
— Deixe que vejam. Deixe que saibam que a mulher mais incrível deste prédio tem alguém que não desiste dela.
— Oscar... — ela começou, mas a voz falhou.
— Entre, Lily. Só por dez minutos. Prometo que te levo direto para casa e não tento te convencer de nada. Só quero respirar o mesmo ar que você por um momento.
Lily olhou para trás, para as luzes do escritório onde Tyler, Marcus e tantos outros ainda tentavam decifrar quem ela era. Depois, olhou para Oscar, o homem que a conhecia em cada detalhe, cada cicatriz e cada sonho.
Sem dizer uma palavra, ela contornou o carro e entrou no banco do passageiro. O cheiro de Oscar — uma mistura de sândalo, papel antigo e poder — a envolveu imediatamente.
— Você não usou o batom — ele observou, enquanto ligava o carro e se afastava da calçada.
— Eu não sigo suas ordens, Excelência — Lily respondeu, mas não conseguiu evitar o pequeno sorriso que surgiu no canto de sua boca.
Oscar estendeu a mão e, por um breve segundo, tocou a mão de Lily sobre o console. O toque foi leve, mas carregado de uma eletricidade que fez o mundo lá fora desaparecer.
— Ainda não — ele murmurou, os olhos fixos na estrada, mas um sorriso vitorioso brincando em seus lábios. — Mas eu sou um homem paciente, Lily. E eu sempre ganho meus casos no final.
Lily desviou o olhar para a janela, vendo as luzes de Manhattan passarem como borrões. Ela sabia que deveria estar brava, sabia que deveria manter a distância, mas ali, naquele carro, com a presença de Oscar preenchendo cada espaço, ela se sentia, pela primeira vez no dia, exatamente onde deveria estar. A doce Lily Zneimer podia rejeitar todos os associados de Nova York, mas ela sempre teria um ponto fraco para o juiz que se recusava a deixá-la ir.
