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Fandom: Alien stage

Criado: 19/09/2026

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DramaAngústiaFatias de VidaRomanceEstudo de PersonagemCiúmesLinguagem ExplícitaCenário Canônico
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Corredores, Cafeína e Olhares Tortos

O barulho metálico dos armários batendo no corredor principal da Pine Academy era o mesmo de todas as manhãs, mas isso não tornava o som menos irritante. O sol entrava pelas janelas amplas de vidro, iluminando a poeira suspensa no ar e o fluxo constante de alunos do terceiro ano que arrastavam os pés até suas respectivas salas.

Mizi bocejou tão fundo que os olhos chegaram a lacrimejar. Com a mão direita, ela segurava uma lata gelada de Monster branco, já pela metade, enquanto usava a esquerda para fechar a porta do seu armário com um empurrão desleixado do quadril. O uniforme dela estava do jeito de sempre: a gravata preta frouxa no pescoço, o último botão da camisa social branca aberto e a saia visivelmente mais curta do que o regulamento da escola exigia. Blazer? Nem pensar. Ela preferia congelar a ter que usar aquela droga desconfortável.

Seus cabelos longos, em um degradê vibrante de rosa com as pontas tingidas de azul, caíam sobre os ombros chamando a atenção de qualquer um que passasse. Mizi sabia que olhavam. Sempre olhavam. Mas ela simplesmente não ligava.

— Cara, você tá com uma cara de enterro absurda — comentou Diana, encostada na fileira de armários ao lado. Os cabelos ondulados verde-azulados dela estavam presos de qualquer jeito, e ela mascava um chiclete com evidente tédio. — Dormiu que horas ontem, porra?

— Três da manhã — respondeu Mizi, dando mais um gole longo no energético cítrico. O líquido gelado desceu queimando a garganta e dando um sopro falso de vida ao seu cérebro. — Culpa daquela bolinha de pelos demoníaca.

— Não fala assim dele! — Anne protestou imediatamente, ajeitando a saia preta do uniforme com delicadeza. A garota trans tinha uma expressão doce no rosto pálido emoldurado pelos cabelos pretos ondulados. — Ele é um anjinho! O cachorrinho mais precioso do mundo.

— Um anjinho que resolveu latir para a parede do meu quarto durante quarenta minutos seguidos — retrucou Mizi, mas o canto de sua boca se curvou num sorrisinho genuíno. Era impossível ficar brava de verdade com o cachorro. Ele era pequeno, uma verdadeira nuvem branca de pelos macios e olhos pretos redondos feito duas contas brilhantes. — Quase joguei meu travesseiro nele, mas aí ele fez aquela cara de coitado e eu tive que botar ele em cima da cama comigo. Resultado: dormi toda torta.

— Ai, que fofo, meu Deus! Você tem que me mandar foto dele dormindo depois — pediu Nuxy, surgindo animada entre as três. Ao contrário do resto do grupo, Nuxy parecia ter energia de sobra para uma manhã de terça-feira. Usava o blazer preto por cima da saia curta, impecável, e gesticulava sem parar com as mãos. — Mas enfim! Mudando de assunto... vocês viram quem acabou de passar ali perto da secretaria? O Ivan. Sério, como é que aquele desgraçado consegue ser tão bonito logo às sete e meia da manhã? Não tem cabimento.

Diana revirou os olhos verdes, soltando um estalo com a língua.

— Lá vem você babar ovo de novo. Puta que pariu, Nuxy, supera.

— Ah, me deixa! Ele é um pedaço de mau caminho e você sabe disso. Só falta ter um pouco mais de bom senso e me notar — brincou Nuxy, rindo sozinha antes de cutucar o braço de Mizi. — Né, Mizi? Vai dizer que o irmão da Sua não é um gato?

O nome fez a postura de Mizi mudar no mesmo instante. O ar descontraído sumiu, dando lugar a uma frieza quase cortante nos olhos dourados. Ela ergueu a lata de Monster até os lábios, demorando um segundo a mais antes de responder.

— Ele tem cara de quem é insuportável — disse Mizi, a voz tingida de um sarcasmo seco. — E considerando de quem ele é parente, a maçã não deve cair muito longe da árvore.

Nuxy franziu a testa, ligeiramente surpresa com o tom.

— Ué... o que a Sua tem a ver com isso? Ela é super na dela, vive desenhando no pátio e todo mundo fala que ela é legal pra caralho.

— É, todo mundo fala muita coisa — rebateu Mizi, dando de ombros e encarando o corredor com desdém evidente. — Não suporto aquela garota. Só a cara de sonsa que ela tem já me dá nos nervos. Não sei como vocês aguentam ficar puxando saco dessa gente.

Diana soltou uma risada baixa, acostumada com a língua afiada da amiga.

— Caralho, Mizi, você não perdoa uma. Nem parece que a garota nunca nem dirigiu a palavra pra você.

— E nem quero que dirija — cortou a de cabelos rosas, jogando uma mecha para trás. — Vamos logo pra sala antes que fechem a porta.

Mizi não odiava Sua por um motivo nobre ou uma briga do passado; simplesmente não ia com a cara dela. O jeito quieto, a postura perfeita, a melancolia velada... tudo nela parecia irritante aos olhos dourados de Mizi. E ela não fazia o menor esforço para esconder a antipatia, mesmo que mantivesse isso guardado em comentários pontuais entre suas amigas mais próximas.


Do outro lado do corredor largo, perto dos bebedouros, o clima era completamente diferente.

— Me devolve essa merda, Ivan! — rosnou Till, tentando inutilmente alcançar o pacote de balas que o amigo mantinha erguido bem acima da cabeça.

Ivan sorria com aquela expressão clássica de deboche puro que fazia a veia na têmpora de Till pulsar de ódio. Ele era consideravelmente mais alto, de pele muito pálida e cabelos escuros, e parecia se alimentar exclusivamente do caos que causava nas pessoas ao redor.

— Qual foi, Tillzinho? Ficou bravinha? — provocou Ivan, a voz arrastada e cheia de sarcasmo enquanto abria o pacote com a outra mão e jogava uma bala vermelha na boca com total tranquilidade. — Açúcar demais faz mal pro seu temperamento. Já é estressado de fábrica, se comer bala vai explodir de vez.

— Vai se foder, seu babaca! Era a última de cereja, porra! — Till avançou para tentar empurrá-lo, os olhos verdes cuspindo fogo por trás da franja cinza completamente desgrenhada. Ele alternava entre vestir o blazer e jogá-lo de lado; hoje estava de camisa branca amarrotada, exalando aquela aura revoltada típica de quem odiava o ensino médio com todas as forças do seu ser.

— Vocês dois não cansam de passar vergonha, não? — disse Hyuna, apoiada de braços cruzados na parede ao lado. Ela usava a saia curta com botas pesadas, exalando aquela presença descolada e confiante que a tornava uma das garotas mais populares de todo o colégio. — Todo santo dia é a mesma palhaçada por causa de comida.

Ao lado dela, Luka ajeitou os óculos de armação fina no nariz, soltando uma risada discreta. Ele estava impecável em seu blazer preto bem ajustado, os cabelos loiros penteados para trás.

— O Till parece um pinscher raivoso tentando pular num poste — observou Luka com um tom calmo e neutro, bem-humorado. — É fascinante do ponto de vista anatômico.

— Cala a boca você também, quatro-olhos! — Till virou-se contra Luka, bufando de raiva enquanto cruzava os braços e chutava a base de metal de um dos armários. — Vocês são um bando de filhos da puta.

Hyuna deu uma gargalhada genuína, dando uma cotovelada amigável nas costelas de Luka.

— Mandou bem, loirinho.

Luka apenas sorriu de lado, os olhos amarelos brilhando atrás das lentes com o contato fácil e despretensioso dela. Ele gostava de Hyuna desde o oitavo ano, uma paixão antiga que todo mundo no grupo sabia que existia, incluindo a própria Hyuna. Mas nenhum dos dois forçava a barra; a amizade deles era valiosa demais para estragar com constrangimentos, e Luka sabia esperar seu momento sem pressionar.

Mais afastada da confusão dos quatro, Sua estava encostada no batente de uma janela, o olhar distante voltado para o caderno grosso apoiado em suas coxas. Ela usava o uniforme padrão de maneira impecável: saia preta no comprimento correto, gravata milimetricamente alinhada e o último botão da gola fechado até o pescoço. Seus cabelos pretos e curtos, batendo na linha do queixo, emolduravam um rosto pálido e sereno de traços delicados, com uma franja fina caindo sobre os olhos violetas.

Ela traçava linhas rápidas a grafite no papel, ignorando a briga barulhenta do próprio irmão com Till. Estava acostumada com Ivan enchendo o saco de todo mundo. Ele era insuportável por hobby.

— Ei, pirralha — chamou Ivan, jogando a embalagem vazia no lixo e se aproximando da irmã. — Sabia que você tá com cara de quem vai vomitar a qualquer momento? Melhora essa postura, parece uma assombração gótica.

— Vai cuidar da sua vida, Ivan — respondeu Sua sem nem sequer levantar os olhos do desenho, a voz suave, monótona e fria como o gelo.

Ivan soltou uma risadinha provocadora, esticando a mão para bagunçar a franja milimetricamente alinhada dela, apenas pelo prazer sádico de ver a irmã suspirar com paciência infinita. Ivan adorava atormentar os outros, mas era inegável que seu passatempo favorito continuava sendo ver o estopim curto de Till queimar. Disfarçadamente, seu olhar voltou a descer pelo corpo magro do garoto de cabelos cinzas, notando as mangas arregaçadas da camisa dele. Havia uma atração crua e silenciosa ali, algo que Ivan guardava sob sete chaves e afogava em piadas e doces artificiais. Ninguém podia desconfiar. Nem Till, nem Luka, e muito menos Sua.

De repente, o barulho ao redor do grupo diminuiu. Till, que ainda estava murmurando xingamentos baixinhos contra Ivan, travou no lugar.

O olhar verde dele se fixou no final do corredor.

Mizi estava vindo naquela direção, caminhando ao lado de Nuxy, Anne e Diana.

A respiração de Till falhou por um breve segundo. Ele sentiu o estômago despencar de uma forma idiota e vergonhosa. Mizi era absurdamente bonita. Tinha aquele porte alto, aquela caminhada despreocupada e os cabelos tingidos que pareciam queimar sob as lâmpadas fluorescentes do colégio. Till nunca tinha falado um "oi" com ela em três anos inteiros de Pine Academy, ela provavelmente nem sabia que ele existia, mas o garoto simplesmente não conseguia evitar o fascínio. Por baixo de toda a sua casca de rebelde revoltado com o mundo, Till era assustadoramente inseguro. E Mizi parecia estar em um patamar tão inalcançável que chegava a doer.

Ivan percebeu a mudança imediata no amigo. Viu os olhos verdes vidrados, o rubor sutil queimando as pontas das orelhas de Till e o modo como ele engoliu em seco. Uma pontada fria e amarga atingiu o peito de Ivan, transformando seu sorriso brincalhão em um esgar rígido.

— Se babar no chão, vai ter que limpar com a manga do uniforme, Till — Ivan soltou a frase com um veneno mal disfarçado, empurrando o ombro do cinzento de leve. — Nem disfarça, que patético.

— Vai se foder, Ivan! Eu não tava olhando pra porra nenhuma! — Till disparou de volta, corando violentamente de raiva e vergonha, desviando o rosto de imediato para a parede.

Mas ele não era o único ali que tinha ficado paralisado.

Encostada na janela, Sua havia parado a ponta do lápis contra o papel. O grafite quase quebrou sob a pressão sutil dos dedos dela.

Os olhos roxos de Sua se ergueram devagar, acompanhando a aproximação de Mizi pelo corredor. Havia uma intensidade silenciosa, quase melancólica, no jeito como Sua a observava. A beleza de Mizi a desarmava por completo. Desde o início daquele ano letivo, aquele sentimento secreto crescia no peito de Sua como uma raiz teimosa. Ela não queria gostar de uma garota com quem nunca tinha trocado uma única palavra, uma garota que pertencia a outro mundo, mas era inevitável. Sua achava Mizi magnética. Admirava o jeito livre com que ela andava, a ousadia de ignorar o blazer, a risada alta que ecoava quando Diana falava alguma besteira.

Ao lado dela, Hyuna notou o silêncio repentino da amiga. Ela conhecia aquele olhar. Hyuna era a única pessoa em todo o colégio — no mundo inteiro — que sabia do segredo de Sua. Com um movimento discreto, Hyuna deu um passo para o lado, cobrindo parcialmente a visão dos meninos e tocando de leve o ombro de Sua com a mão.

— Respira, Sua — murmurou Hyuna tão baixo que só a morena pôde ouvir, mantendo um sorriso cúmplice nos lábios. — Ela tá vindo.

Sua engoliu em seco, sentindo o coração bater descompassado contra a caixa torácica, mas forçou sua expressão a se manter neutra, indiferente, exatamente como sempre fazia.

O grupo de garotas finalmente cruzou a frente deles.

Mizi passou a menos de um metro de distância, segurando a lata de refrigerante em uma das mãos enquanto gesticulava com Anne. Seus olhos dourados correram pela fileira de alunos no corredor com seu habitual desinteresse.

Ela não olhou para Till; ele era apenas mais uma figura indistinta no meio do grupo, um rosto aleatório que ela não se dava ao trabalho de registrar. Passou por Ivan com a mesma indiferença fria, embora soubesse que ele era o garoto pelo qual Nuxy vivia suspirando feito idiota.

Mas então, por uma fração de segundo, os olhos de Mizi encontraram os de Sua.

O ar entre elas pareceu esfriar instantaneamente.

Sua sustentou o olhar, o peito apertado por uma expectativa dolorosa e silenciosa, os olhos roxos brilhando com algo que ela tentava desesperadamente esconder. Mas o que recebeu de volta foi o mais absoluto desprezo.

Mizi não hesitou. A expressão dela se fechou em uma carranca sutil, os lábios se repuxando em um esgar de desdém puro e ácido. Foi um olhar cortante, como se a simples presença de Sua ali manchasse o seu campo de visão. Sem dizer uma única palavra, Mizi desviou o rosto bruscamente, acelerando o passo e seguindo em frente com suas amigas em direção à sala de aula de biologia.

O corredor continuou barulhento, mas para Sua, o mundo pareceu ficar mudo por alguns instantes.

Ela abaixou os olhos de volta para o caderno de desenhos, engolindo o nó seco que se formou em sua garganta. A frieza de Mizi não era novidade — ela já tinha percebido aquela hostilidade gratuita outras vezes —, mas ainda assim ardia como uma queimadura na pele.

— Ela é um doce de pessoa, né? — ironizou Ivan, quebrando o silêncio e estalando os dedos na frente do rosto de Till, que ainda parecia atordoado. — Viu como ela nem olhou na sua cara, Romeu? Nem sabe que você respira.

— Cala a boca, desgraçado! — Till empurrou o braço de Ivan com força, virando as costas e marchando com passos pesados em direção à sala de aula. — Eu odeio vocês. Odeio todo mundo nessa porra de escola.

Luka soltou um riso baixo pelo nariz, acompanhando o amigo irritado.

— Espera aí, Till. Não desconta a sua rejeição na porta da sala, a maçaneta não tem culpa de nada.

Enquanto os meninos se afastavam discutindo, Hyuna permaneceu parada ao lado de Sua. Ela inclinou a cabeça, observando as linhas inacabadas no caderno da amiga: eram os traços tênues do perfil de uma garota de cabelos compridos.

— Ela é meio amarga, né? — comentou Hyuna com cuidado, a voz baixa e acolhedora.

Sua fechou o caderno devagar, escondendo o desenho entre as folhas, e ajustou a alça da mochila no ombro. Seu rosto voltou a exibir a costumeira máscara fria e distante de sempre.

— Ela só não me suporta — respondeu Sua, com um fio de melancolia na voz que ela tentou esconder com um dar de ombros fingido. — Vamos logo. O sinal já vai bater.

Caminhando sozinhas pelo corredor que começava a se esvaziar, as duas seguiram o fluxo. Mais à frente, entre risadas sarcásticas e mais um gole no energético gelado, Mizi continuava sem fazer ideia do labirinto caótico que seus passos acabavam de criar no peito de duas pessoas completamente diferentes.

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