
Oliver
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 20/09/2026
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Sob o Peso da Grafite e do Aço
A escuridão que envolvia a mente de Oliver começou a se dissipar em ondas lentas e dolorosas. O gosto acre de plástico sintético e couro impregnava sua boca, substituindo por completo o sabor suave e alcalino do sabonete que ele estava saboreando minutos antes pelos corredores da Paper School. Suas pálpebras brancas tremeram antes de se abrirem com dificuldade, revelando um ambiente cinzento, iluminado apenas pela luz fria de uma lâmpada fluorescente que zumbia irritantemente no teto.
Ele tentou abrir a boca para xingar, para esbravejar com toda a força dos seus pulmões contra quem quer que fosse o idiota responsável por aquilo, mas a única coisa que conseguiu produzir foi um gemido abafado e úmido.
— Mmph! Hnngh!
A percepção de sua real situação o atingiu como um balde de água gelada. Uma mordaça de bola de borracha preta preenchia quase todo o espaço da sua cavidade oral, pressionando sua língua contra a mandíbula inferior, mantida firmemente no lugar por tiras grossas de couro afiveladas com precisão cirúrgica na parte de trás de sua cabeça, entremeadas em seu longo cabelo branco. Oliver sempre odiara aquela sensação de sufocamento forçado; era uma das poucas coisas no mundo que genuinamente o apavorava, e agora estava preso àquele pesadelo.
Ele olhou para baixo. Seus pulsos estavam amarrados com nós firmes e industriais a uma cadeira pesada de metal. Suas botas pretas mal tocavam o chão de concreto sujo, e suas pernas também estavam fixadas às pernas da mobília. Ele estava completamente imobilizado.
Ao fundo daquela sala subterrânea, uma figura familiar de cabelos escuros e óculos protetores ajustados na testa mexia em uma bancada de ferramentas. Edward estava de costas, organizando alicates, chaves inglesas, bisturis de precisão e engrenagens soltas. O som metálico de ferramentas batendo contra a mesa de ferro ressoava no silêncio, ritmado e enervante.
— Só preciso de mais alguns ajustes — murmurou Edward para si mesmo, alheio ou fingindo indiferença ao despertar de Oliver. — A calibração precisa ser exata. Não podemos ter desvios milimétricos quando a estrutura de papel comprimido for alterada.
Edward deu as costas para o prisioneiro e caminhou calmamente em direção a uma pequena ante-sala ao lado, fechando uma porta de grade para calibrar alguns instrumentos mais pesados em uma prensa mecânica.
Oliver ficou sozinho.
O pânico misturou-se com uma fúria incandescente. A voz de Oliver ecoou violentamente dentro de sua própria mente, alta, desesperada e estridente, gritando palavras que sua boca amordaçada não podia projetar no ar.
“Mas que diabos você está fazendo, seu nerd desgraçado?! Me solta daqui agora! Isso não é engraçado! A gente faz pegadinhas com os outros, não entre nós! Quando eu me soltar, vou quebrar cada uma dessas suas invenções idiotas e fazer você engolir todas as suas engrenagens!”
Seus pensamentos zumbiam em sua cabeça como um enxame de vespas furiosas. Oliver trincou os dentes ao redor da borracha rígida, sentindo o suor frio escorrer por sua testa, passando por sua mecha arrepiada e manchando a franja que caía sobre o símbolo "A+" vermelho em seu cabelo. Ele começou a se debater loucamente. O metal da cadeira rangeu em protesto, batendo contra o chão de cimento com pancadas secas.
Ele moveu os braços com desespero. Seu braço direito, de carne e osso, puxava as cordas tentando afrouxar os nós, mas o tecido era resistente e áspero, cortando sua pele clara. Seu braço esquerdo, a prótese longa em formato de lápis de madeira e grafite bem afiado, raspava furiosamente contra as amarras de couro.
“Vamos... corta, quebra, desfaz essa porcaria!” — berrava a sua mente, enquanto ele tentava usar a ponta pontiaguda da grafite para desgastar a corda que prendia seu antebraço.
A grafite, no entanto, escorregava na superfície tratada das tiras, deixando apenas rabiscos escuros e inúteis sobre o material. A fricção causava calor, mas nenhuma liberdade. O pânico de Oliver cresceu em seu peito, um aperto sufocante que o fez respirar com pressa pelo nariz, as narinas dilatando a cada arquejo ruidoso. Ele não era uma vítima; ele era Oliver! O valentão temido, o garoto que pregava peças cruéis com Zip, que ria da desgraça alheia e comia lâminas de barbear sem piscar os olhos. Ele não pertencia a uma cadeira de tortura, preso e indefeso como um dos alunos fracos da escola.
Passos ecoaram pelo corredor externo. O ranger de dobradiças enferrujadas anunciou o retorno do inventor.
Oliver estancou os movimentos, a respiração pesada e ofegante escapando pelo nariz, os olhos fixos na porta enquanto Edward entrava novamente. O garoto inventor segurava nas mãos enluvadas uma ferramenta pesada, uma espécie de alicate cirúrgico modificado, com bordas afiadas e uma empunhadura reforçada. Ele tirou os óculos da testa, deixando-os pender sobre o colarinho de seu casaco, e caminhou em direção a Oliver com passos medidos e frios.
— Você faz barulho demais, Oliver — disse Edward, com um tom de voz que não continha raiva, mas sim uma tranquilidade perturbadora. — Pensei que o sedativo fosse mantê-lo mais cooperativo. Mas vejo que você já recuperou suas forças.
Oliver tentou fulminá-lo com o olhar. Seus olhos negros e vazios brilharam com uma raiva assassina, e ele soltou um rosnado abafado pela mordaça, balançando a cabeça de um lado para o outro.
Edward parou diante dele, cruzando os braços por um instante para observar sua criação e sua presa. O contraste da camisa preta de gola alta de Oliver, com seus losangos brancos impecáveis, parecia quase ridículo diante da postura curvada e amarrada do valentão. O rabo de cavalo longo, que descia até quase a altura dos tornozelos, estava espalhado pelo chão sujo, misturando-se à poeira e às lascas de metal do laboratório.
Lentamente, Edward deu mais um passo à frente e estendeu a mão esquerda. Com a ponta dos dedos enluvados, ele tocou o queixo de Oliver, erguendo o rosto do garoto para a luz direta da lâmpada.
O contato repentino e invasivo causou um choque visceral em Oliver. Uma onda inesperada de calor subiu direto pelas suas bochechas pálidas, colorindo-as de um vermelho vivo e evidente. O rubor de constrangimento e humilhação era impossível de esconder. Oliver arregalou os olhos, o coração disparando em um ritmo alucinante. Ele não queria corar; odiava que seu corpo reagisse daquela forma diante de alguém que considerava seu cúmplice e igual.
Edward arqueou uma sobrancelha, percebendo a mudança na tonalidade da pele do outro, e um sorriso irônico e presunçoso desenhou-se em seus lábios.
— Olha só para você — provocou Edward em um sussurro arrastado, inclinando-se um pouco mais perto, seus olhos examinando cada centímetro da expressão de Oliver. — O grande e terrível Oliver, o rei das pegadinhas de Paper School... agora tão dócil, tão avermelhado. É quase fofo ver você sem suas piadas estúpidas para se esconder. O que foi? O sabonete acabou e você não sabe como reagir quando alguém brinca de verdade?
A humilhação atingiu o ápice. Cego pelo ódio e pela quebra de sua dignidade, Oliver reagiu por puro instinto animal. Projetando a cabeça para a frente com toda a força de seu pescoço, ele tentou morder os dedos de Edward. Seus dentes bateram com violência contra a esfera de borracha da mordaça, as mandíbulas travando no vácuo enquanto as tiras estalaram.
Edward nem sequer recuou com pressa; ele apenas puxou a mão alguns centímetros para trás com uma agilidade calculada, observando o esforço inútil do amigo com um desdém quase entediado.
— Tsc, tsc. Cachorro que late não morde, especialmente quando está devidamente amordaçado — zombou o inventor, limpando a luva na própria calça como se Oliver a tivesse sujado.
— Mmmff-rrgh!! — urrou Oliver através da borracha, sacudindo a cabeça e fitando Edward com puro veneno. Suas cordas estalaram quando ele tentou usar o braço de lápis para atingir as costelas de Edward, mas o alcance era curto demais.
Edward deu um passo atrás e pegou a ferramenta pesada que havia deixado sobre a mesinha de metal ao lado. O aço polido brilhou sob a luz fria. Ele virou o instrumento nas mãos, testando a pressão das lâminas articuladas com um clique metálico assustador: clack-clack.
— Estive analisando a sua anatomia há muito tempo, Oliver — disse Edward, sua voz assumindo um tom acadêmico e gélido que fez a espinha de Oliver gelar instantaneamente. — Essa estrutura na sua cabeça sempre me fascinou. Não são chifres normais, não é? Eles são feitos de uma matéria muito densa, uma mistura bizarra de papelão reforçado, queratina e grafite fundida. Um peso desnecessário na sua silhueta. Eles te deixam muito arrogante.
Os olhos de Oliver se arregalaram a um ponto que parecia impossível. A raiva que antes queimava em seu peito começou a se evaporar em segundos, sendo substituída por um terror gélido e paralisante.
Ele não podia estar falando sério.
Edward aproximou a ferramenta do rosto de Oliver, apontando a ponta afiada das pinças diretamente para a base do chifre preto que brotava do lado esquerdo de sua cabeça.
— Eu decidi que vou removê-los — anunciou Edward casualmente, como se comentasse sobre a previsão do tempo. — Ambos. Quero ver como a sua estrutura de sustentação reage sem eles. E, sinceramente, acho que você vai aprender a ser mais humilde sem essas coroas pontudas.
“NÃO! NÃO, NÃO, NÃO!” — a voz interior de Oliver gritou em um tom histérico, rasgando seus próprios pensamentos com um desespero que ele nunca havia experimentado antes. “ISSO NÃO! VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO, EDWARD! PARA COM ISSO, SEU MALDITO!”
Os chifres eram parte de sua identidade, parte de seu próprio corpo. Arrancá-los não era apenas uma mutilação física horrível; era despojá-lo de quem ele era. O pavor tomou conta de seus membros, e Oliver começou a se debater com uma violência inaudita. Ele sacudia o tronco, jogava as pernas para os lados, batia a cadeira contra o chão de cimento repetidas vezes em estrondos ensurdecedores. A mecha de cabelo no topo de sua cabeça tremia desordenadamente, e suas unhas da mão direita cravavam-se na própria palma até sangrar.
Lágrimas de pura dor antecipada e humilhação começaram a brotar nos cantos de seus olhos negros, escorrendo por suas bochechas ainda ruborizadas.
— MMMMMPH!! HNNNN-NNGH!! NNN-OOO!! — gemia ele em pânico total, os sons saindo agudos e cortantes pela mordaça de borracha, implorando com cada vibração de sua garganta que aquilo parasse.
Edward franziu a testa, visivelmente impaciente com a balbúrdia.
Dando um passo largo, Edward usou o peso do próprio corpo para prensar o ombro direito de Oliver contra o encosto da cadeira, colocando uma das mãos com força bruta sobre a testa do garoto, imobilizando sua cabeça contra a madeira reforçada do apoio. A lâmina do alicate foi posicionada com precisão milimétrica na raiz do chifre preto esquerdo, bem onde a matéria escura encontrava a pele e o couro cabeludo branco.
Oliver sentiu o toque do aço gélido contra a sua pele sensível. O tremor que percorreu seu corpo foi tão forte que seus dentes bateram freneticamente contra a borracha.
— Fique quieto — ordenou Edward, inclinando-se sobre ele, sua respiração batendo quente e ameaçadora contra a orelha de Oliver. — Fique calado, Oliver. Cada vez que você se debate, a lâmina escorrega. E se ela escorregar, eu não vou cortar apenas o chifre; vou levar metade do seu couro cabeludo junto.
— Mmmph... phhh... — choramingou Oliver, os olhos transbordando em lágrimas que agora caíam em cascatas silenciosas.
O valentão da Paper School estava reduzido a uma massa trêmula de carne, papel e pavor. Ele parou de chacoalhar a cadeira não por obediência, mas porque o choque traumático paralisou seus músculos. Ele não podia fazer nada além de encarar o vazio à sua frente, a mordaça empurrando sua língua para trás enquanto o som da ferramenta de Edward começava a aplicar a primeira pressão esmagadora contra a base de seu chifre.
— Muito melhor — sussurrou Edward, seus dedos apertando o cabo de metal com força crescente. — Agora, vamos ver o que tem aí dentro.
