
Eco de Vidro e Pele Quente
O ar noturno de Barcelona estava impregnado com o cheiro de maresia e a promessa de uma ressaca monumental, mas nem Lívia, nem Seonghyeon pareciam se importar. Eles subiram os degraus do prédio histórico no Eixample tropeçando nos próprios pés e em risadas abafadas que ecoavam pelo corredor silencioso. O jantar com os outros membros do CORTIS tinha sido regado a muito vinho tinto e soju contrabandeado, uma mistura perigosa que agora corria fervendo pelas veias do casal.
— Eu juro... — Lívia começou, rindo enquanto tentava acertar a chave na fechadura — ...que o Minho tentou flertar com o garçom em três línguas diferentes e falhou em todas.
Seonghyeon, que estava encostado no batente da porta observando-a com olhos semicerrados e um sorriso predatório, soltou uma risada rouca. Ele era alto, uma silhueta imponente de elegância coreana que, mesmo levemente desgrenhada pelo álcool, ainda parecia saída de um editorial de moda.
— Ele estava desesperado, Lívia. Mas eu também estou — murmurou ele, a voz vibrando num tom baixo que fez os pelos da nuca dela se arrepiarem.
Assim que a porta se abriu, a atmosfera mudou. O álcool, que antes trazia leveza, agora pesava nos corpos como um ímã. Lívia não esperou. Ela chutou os saltos altos para direções opostas e começou a caminhar em direção ao quarto, mas seus dedos já trabalhavam nos botões da blusa de seda.
— Onde você vai com tanta pressa? — Seonghyeon perguntou, a voz arrastada, fechando a porta com o pé enquanto começava a tirar o próprio paletó, jogando-o sem cuidado sobre o sofá de couro.
— Banho! — ela gritou de volta, já desabotoando a calça jeans enquanto atravessava o corredor. — Eu sinto que estou cheirando a álcool e marisco, Seong.
Ele a seguiu com o olhar, o desejo subindo como uma maré violenta. Lívia era alta, uma brasileira de curvas decididas e pernas longas que pareciam não ter fim. Ele viu quando ela deixou a blusa cair no meio do corredor. Depois, o sutiã de renda preta foi abandonado sobre uma poltrona. A visão daquelas costas nuas, da pele dourada sob a luz suave do apartamento, fez o sangue de Seonghyeon pulsar dolorosamente em seu baixo ventre. Ele já estava completamente duro, a pressão no tecido da calça social tornando-se insuportável.
Quando ele entrou no banheiro, o vapor já começava a embaçar o espelho. Lívia estava sob o jato de água, de costas para ele, deixando a água quente relaxar seus ombros. Seonghyeon não disse nada. Ele apenas terminou de se despir com movimentos bruscos, movido por uma urgência que beirava o desespero, e entrou no box.
O choque da água quente na pele dele foi imediato, mas o calor que vinha do corpo de Lívia era maior. Ele a envolveu por trás, as mãos grandes e firmes agarrando a cintura dela com uma força que não pedia licença.
— Você é muito impaciente — ele sussurrou no ouvido dela, mordendo o lóbulo da orelha com força suficiente para tirar um gemido agudo dela.
— E você demora demais — Lívia rebateu, virando-se nos braços dele.
Os olhos dela estavam nublados, uma mistura de embriaguez e luxúria pura. Ela enroscou os dedos nos cabelos negros e úmidos dele, puxando a cabeça de Seonghyeon para baixo para um beijo que não tinha nada de gentil. Era uma colisão de línguas, dentes e desejo acumulado. Eles se beijavam como se estivessem em guerra, o gosto do vinho ainda presente em suas bocas.
As mãos de Seonghyeon desceram para as nádegas de Lívia, apertando a carne com força, deixando marcas vermelhas que a água quente tentava apagar. Ele a suspendeu, e ela instantaneamente cruzou as pernas longas em volta da cintura dele, prendendo-o. O contato da pele molhada, o atrito entre eles, era eletrizante.
— Agora, Seong. Por favor — ela implorou, a voz quebrada, enquanto enterrava as unhas nas costas dele, arranhando a pele clara em protesto pela demora.
Ele não a fez esperar. Com um movimento brusco, ele se posicionou e entrou nela de uma vez. O grito de Lívia foi abafado pelo som da água batendo no chão do box. Era apertado, quente e frenético. Seonghyeon começou a estocar com uma força bruta, o som da carne batendo contra a carne misturando-se ao eco do chuveiro. Ele a segurava contra a parede de azulejos frios, o contraste entre o frio da parede e o calor dos corpos deles levando-os ao limite.
— Mais forte... — ela arfou, jogando a cabeça para trás, os cabelos molhados chicoteando o rosto dele. — Me fode com força, Seonghyeon!
Ele rosnou, um som animal que raramente saía do ídolo polido que o mundo conhecia. Ali, entrequelas quatro paredes de vidro, ele era apenas um homem possuído pela mulher que amava. Ele a apertou ainda mais, os dedos deixando hematomas arroxeados em seus quadris, e aumentou o ritmo até que ambos estivessem tremendo, o prazer beirando a dor.
Sem chegarem ao ápice ainda, Seonghyeon a colocou no chão, a respiração pesada. Ele desligou o chuveiro com um movimento impaciente.
— Para o quarto — ele ordenou, a voz rouca de comando. — Agora.
Eles nem se secaram. A trilha de água que deixaram pelo chão do apartamento era o mapa de sua urgência. Lívia se jogou na cama de casal, os lençóis de linho branco absorvendo instantaneamente a umidade de sua pele. Antes que ela pudesse se acomodar, Seonghyeon a virou de bruços, puxando-a pelos quadris para que ela ficasse de quatro.
— Eu adoro quando você fica assim — ele murmurou, dando um tapa estalado na nádega dela, que ecoou pelo quarto silencioso.
Lívia soltou um gemido que era metade dor, metade puro deleite. Ela adorava a possessividade dele, a forma como ele perdia o controle quando estavam sozinhos. Ela cravou as mãos no travesseiro, preparando-se para o impacto. Quando ele entrou nela novamente, por trás, o impacto foi tão forte que ela foi empurrada para frente.
— Você é minha, Lívia. Só minha — ele dizia entre dentes, cada palavra pontuada por uma estocada profunda e violenta.
— Sim... sou sua... — ela gritava, sentindo cada centímetro dele dentro dela.
Ela alcançou para trás, tentando tocá-lo, e suas mãos encontraram os braços fortes dele. Ela o beliscou, puxou sua pele, querendo marcá-lo tanto quanto ele a marcava. O sexo entre eles era uma conversa física, um intercâmbio de paixão que ultrapassava o carinho habitual. Eram namorados apaixonados, sim, mas na cama, agiam como amantes que tinham fome um do outro há séculos.
Seonghyeon a virou novamente, desta vez ficando por cima na posição missionária, mas ele queria mais. Ele pegou as pernas longas de Lívia e as jogou sobre os próprios ombros. Essa era a posição favorita dele; a forma como o corpo dela se abria completamente para ele, permitindo que ele visse cada expressão de prazer no rosto dela, o levava à loucura.
— Olha para mim — ele exigiu, as mãos prendendo os pulsos dela acima da cabeça.
Lívia abriu os olhos, encarando as orbes escuras e intensas dele. A conexão era profunda, um fio invisível que os mantinha unidos mesmo em meio ao caos sensorial.
— Eu te amo — ela sussurrou, a voz falhando enquanto ele recomeçava o movimento, agora mais lento, mas muito mais profundo, atingindo lugares que a faziam ver estrelas.
— Eu também te amo — ele respondeu, antes de selar seus lábios em um beijo desesperado.
O ritmo voltou a acelerar. O som da cama rangendo contra a parede, os gemidos altos de Lívia e os rosnados de Seonghyeon preenchiam o quarto. Ele soltou os pulsos dela, e ela imediatamente levou as mãos ao rosto dele, puxando-o para mais perto, enquanto suas pernas se apertavam ainda mais em volta do pescoço dele.
Eles estavam chegando ao limite. O suor misturava-se às gotas de água que ainda restavam em seus corpos. Lívia sentiu a primeira onda do orgasmo atingi-la, um espasmo violento que a fez arquear as costas e enterrar as unhas nos ombros de Seonghyeon, deixando longos sulcos vermelhos ali.
— Seong! Agora! — ela gritou.
Ao ver o rosto dela se contorcer em puro prazer, Seonghyeon perdeu o resto de seu autocontrole. Ele deu as últimas estocadas, as mais fortes de todas, sentindo o calor dela envolvê-lo completamente enquanto ele se derramava dentro dela. Ele desabou sobre o corpo de Lívia, a respiração de ambos soando como uma maratona terminada em silêncio.
O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som de seus corações batendo em uníssono. Seonghyeon rolou para o lado, puxando Lívia para o seu peito, os corpos ainda úmidos e marcados pelo combate amoroso. Ele beijou o topo da cabeça dela, sentindo o cheiro do shampoo dela misturado ao cheiro de sexo e pele.
— Você está bem? — ele perguntou, a voz voltando ao tom suave de sempre.
Lívia riu baixinho, passando os dedos pelos arranhões que ela mesma tinha feito nos ombros dele.
— Vou precisar de muita maquiagem para esconder as marcas amanhã no trabalho — ela brincou, embora não houvesse arrependimento em sua voz.
— E eu vou ter que usar gola alta no ensaio do CORTIS — Seonghyeon retribuiu o sorriso, apertando-a mais forte contra si. — Mas valeu cada segundo.
Eles ficaram ali, entrelaçados nos lençóis bagunçados de Barcelona, dois amantes que sabiam que, por mais que o mundo lá fora exigisse perfeição e compostura, entre eles, a única regra era a entrega absoluta. O álcool ainda nublava um pouco as mentes, mas o sentimento que os unia nunca esteve tão claro.
