
Jinbe e Chopper
Fandom: One Piece
Criado: 20/09/2026
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O Abraço Mais Quente do Oceano
O silêncio que pairava sobre o Thousand Sunny era quase sobrenatural. Sem o som característico de Luffy correndo pelos conveses aos berros por comida, sem as lâminas de Zoro colidindo com a ponta dos sapatos de Sanji, e sem as explosões acidentais da oficina de Franky e Usopp, o navio parecia ter entrado em um transe tranquilo. Nami havia organizado uma expedição detalhada para explorar o interior da ilha montanhosa em que haviam aportado, prometendo reunir provisões raras e mapear o terreno. Robin, Brook e os demais a acompanharam. O plano previa que retornariam apenas em quatro dias.
Para trás, encarregados de cuidar do navio e garantir que a âncora permanecesse firme em uma enseada calma e cristalina, ficaram apenas dois tripulantes: o timoneiro e o médico.
Na enfermaria, Chopper andava de um lado para o outro com seu chapeuzinho azul e rosa ligeiramente torto. Ele segurava uma prancheta de madeira que era quase do tamanho do seu pequeno tronco, ajustando frascos nas prateleiras e fingindo uma seriedade digna de um grande chefe de hospital.
— Tudo em ordem por aqui — murmurou a pequena rena para si mesma, ajeitando a mochila nas costas. — Os estoques de pomada estão no limite correto, as ataduras foram esterilizadas... Eu sou o homem encarregado da saúde do Sunny! Não posso amolecer!
Uma risada profunda, que ressoou como o trovão distante sobre o mar calmo, ecoou da porta entreaberta.
— Wahahaha! É impressionante ver um guerreiro tão imponente patrulhando a enfermaria com tamanha bravura.
Chopper deu um sobressalto, derrubando a caneta de madeira no chão. Ele olhou para trás com os grandes olhos castanhos brilhando e a boquinha aberta, apenas para encontrar Jinbe apoiado suavemente no batente da porta. O homem-peixe tubarão-baleia parecia ocupar metade do corredor com seus ombros largos e sua presença imensa, vestindo um quimono leve com estampas de folhas, perfeito para a brisa branda daquela manhã.
— J-Jinbe! — Chopper exclamou, com as bochechas peludas imediatamente esquentando. — Não chegue assim sem fazer barulho! Você é enorme, como consegue andar como um fantasma?!
— O mar ensina a deslizar sem perturbar a superfície da água, pequeno — respondeu Jinbe, com um sorriso caloroso curvando suas presas proeminentes. Ele deu alguns passos lentos para dentro da enfermaria, fazendo as tábuas do assoalho rangerem de leve sob seu peso maciço. — E também, eu não queria interromper o trabalho do médico mais temido de todos os mares. Disseram-me que há um monstro terrível a bordo cuidando dos nossos curativos.
O focinho azul de Chopper estremeceu. As bochechas se acenderam em um vermelho vivo que quase se destacava através da pelugem castanha. Ele começou a balançar o corpo todo em sua clássica dança desajeitada, com os bracinhos ondulando e um sorriso bobo rasgando seu focinho.
— Seu bobo! Dizer coisas assim não vai me deixar feliz, seu peixão idiota! Não ache que elogios vão me conquistar! — gritava a rena, enquanto fazia exatamente o oposto e transbordava alegria por cada poro.
Jinbe soltou mais um estrondo divertido da garganta, cruzando os braços grossos sobre o peito espaçoso.
— Ah, vejo que fui descoberto. Minha intenção era amedrontar o doutor, mas ele é esperto demais para cair nas minhas armadilhas. Que tragédia para este velho timoneiro.
— É claro que sou esperto! Eu sou Tony Tony Chopper! — Ele colocou os cascos na cintura, empinando o peito com orgulho.
— Sem dúvida alguma — concordou Jinbe, curvando-se um pouco até que seus olhos ficassem quase na mesma altura da rena. — Um jovem tão maduro, tão independente... Certamente não precisa de um lanche matinal e nem de ajuda para alcançar a prateleira mais alta da cozinha, não é? Ouvi dizer que médicos adultos dispensam suco de maçã e biscoitos amanteigados.
A postura altiva de Chopper desmoronou em menos de um segundo. Suas orelhas caíram ligeiramente e ele olhou para Jinbe com uma expressão dividida entre a dignidade profissional e o desespero por doces.
— Biscoitos? O Sanji deixou biscoitos prontos?
— Talvez — respondeu Jinbe, mantendo uma expressão falsamente séria. — Mas como você acabou de me dizer que é um adulto temível e muito ocupado, pensei em comer todos sozinho. Seria um pecado incomodar sua grandiosa rotina médica com trivialidades açucaradas.
— Jinbe! Não seja maldoso! — Chopper correu até a perna gigantesca do timoneiro, agarrando-se ao tecido do quimono como se sua vida dependesse disso, fazendo um biquinho indignado. — Você sabe muito bem que eu quero biscoitos! Você fez isso de propósito!
— Eu? Jamais — Jinbe fingiu surpresa, colocando uma das mãos gigantescas com membranas sobre o próprio coração. — Apenas pensei que o nosso feroz protetor não se rebaixaria a comer guloseimas comigo.
— Eu não sou feroz quando estou com fome! Vamos logo para a cozinha!
Chopper tentou empurrar a perna de Jinbe, mas era como tentar empurrar uma falésia de granito. Jinbe riu baixo, uma vibração que viajou pelo ar e aqueceu o ambiente. Sem qualquer esforço, o homem-peixe inclinou-se e passou a mão grande sob os bracinhos de Chopper, erguendo o pequeno médico do chão como se ele pesasse menos que uma pena marinha.
— Uou! — Chopper exclamou quando seus pés perderam o contato com o chão.
Em vez de colocá-lo no ombro, Jinbe aninhou a rena contra seu próprio peito largo, apoiando o corpinho peludo com segurança incomparável.
— Seus desejos são ordens, meu filhote de rena — murmurou Jinbe, a voz descendo para um tom incrivelmente terno e paternal. — Vamos buscar seus doces antes que você decida me receitar um remédio amargo como punição.
— Eu nunca faria isso... a não ser que você coma o último biscoito — resmungou Chopper, mas a verdade é que ele já havia encostado a bochecha no ombro azul de Jinbe, sentindo o cheiro familiar de água salgada, brisa fresca e sabão que sempre acompanhava o timoneiro.
Caminharam juntos até a cozinha. O sol lá fora já começava a tingir o gramado do convés com uma cor dourada vibrante. Na cozinha, tudo estava impecavelmente limpo, cortesia de Sanji antes de partir. Sobre o balcão, havia um pote de vidro lacrado com uma etiqueta de letra elegante: Biscoitos para o Chopper (e chá verde para o Jinbe).
Jinbe acomodou Chopper sobre a mesa de madeira e começou a preparar a chaleira. Chopper observava cada movimento com olhos atentos e curiosos. Jinbe era grande, tinha cicatrizes de centenas de batalhas no Novo Mundo e carregava o peso da história de seu povo nas costas largas, mas ao redor de Chopper, seus gestos eram de uma delicadeza quase inacreditável. Ele pegava as xícaras de porcelana com a ponta dos dedos grossos, tomando cuidado para não trincá-las, e servia o chá com a paciência de quem compreendia perfeitamente a calmaria do oceano.
— Aqui está — disse Jinbe, colocando um pratinho transbordando de biscoitos em formato de flores e estrelas diante de Chopper, além de um copo de leite fresco com uma pitada de canela. — O
