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Jinbe e Chopper

Fandom: One Piece

Criado: 20/09/2026

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O Peso de um Abraço

O Thousand Sunny parecia estranhamente imenso sob a luz dourada do início da tarde. Sem as correrias barulhentas de Luffy, as discussões acaloradas entre Zoro e Sanji ou as broncas enérgicas de Nami, a embarcação parecia repousar sobre as ondas em uma calma quase irreal. O resto da tripulação havia descido em terra firme logo pela manhã, adentrando uma ilha repleta de florestas densas, montanhas e feiras comerciais para reabastecer os estoques, pesquisar rotas e, inevitavelmente, se meter em confusões das quais só retornariam dali a cinco longos dias.

A bordo do navio, haviam ficado apenas dois guardiões.

Jinbe estava sentado no convés gramado, de pernas cruzadas, terminando de remendar uma das redes de pesca. Seus movimentos eram tranquilos e precisos, acompanhados apenas pelo murmúrio suave da brisa marinha e pelo ranger compassado da madeira do Sunny. Embora apreciasse o silêncio de tempos em tempos, o timoneiro não pôde deixar de notar um par de olhinhos brilhantes que o espiava de trás do mastro principal.

Chopper estava ali, escondido de forma tipicamente invertida: todo o seu pequeno corpo peludo à mostra, exceto por metade do rosto oculta atrás da madeira redonda.

O homem-peixe conteve um sorriso afetuoso. Desde que os outros partiram, o pequeno médico parecia dividido entre a empolgação de ter o navio inteiro à disposição e o ligeiro receio de encarar cinco dias inteiros de tranquilidade incomum. Para Jinbe, no entanto, aquela era uma oportunidade preciosa. Ele sempre tivera um carinho profundo e protetor por Chopper, enxergando naquela pequena rena não apenas o talentoso médico dos Chapéu de Palha, mas uma criança de coração puro que merecia todo o cuidado, atenção e amor paternal que o mundo tantas vezes lhe negara.

— Não precisa ficar aí espiando, Chopper — disse Jinbe com a voz grave, porém suave como as marés calmas. — O convés é grande demais para você ficar escondido a essa distância.

As orelhas de Chopper se agitaram sob o chapéu rosado. Ele deu um pulinho, desajeitado, e saiu de trás do mastro com as bochechas coradas.

— Eu não estava me escondendo, Jinbe! — protestou a pequena rena, caminhando com suas patinhas curtas sobre a relva macia. — Eu só... estava conferindo se as amarras do mastro estavam firmes. Como médico e tripulante responsável, é claro!

— Compreendo perfeitamente — concordou o timoneiro, pousando a rede de lado e abrindo um sorriso largo, mostrando suas presas imponentes que, longe de assustar, transmitiam uma segurança infinita. — E qual é o diagnóstico do navio, doutor?

— Tudo em ordem! — Chopper inflou o peito, visivelmente satisfeito com o reconhecimento. Mas logo sua postura confiante murchou um pouco, e ele olhou ao redor do convés deserto. — Mas... tá tão quieto, né? O Luffy não tá aqui gritando por carne, e o Usopp não tá inventando nenhuma mentira maluca. É esquisito ficar cinco dias inteiros sem eles.

— O silêncio pode ser desconfortável quando nos acostumamos à tempestade — comentou Jinbe, estendendo uma de suas mãos largas e com membranas em direção ao pequeno. — Mas também pode ser uma bênção. Significa que podemos descansar, conversar e aproveitar o tempo sem pressa.

Chopper olhou para a mão estendida de Jinbe e, sem pensar duas vezes, correu os últimos passos que os separavam. Em vez de apenas segurar a mão do timoneiro, a rena avançou direto para a frente do homem-peixe e atirou-se contra a sua barriga enorme e azul.

O impacto foi abafado pela maciez acolhedora do corpo imponente de Jinbe. Chopper envolveu seus bracinhos curtos o máximo que pôde ao redor daquela imensidão redonda, afundando o focinho azul e o rosto peludo contra a roupa folgada do timoneiro. Era morno, sólido e incrivelmente confortável, com um cheiro constante de maresia limpa e sal marinho que acalmava qualquer inquietação.

— Ah, Jinbe... sua barriga é tão boa de abraçar — murmurou Chopper, com a voz abafada pelo tecido. — Parece uma almofada gigante.

Uma risada profunda e retumbante vibrou no peito do timoneiro, sacudindo levemente o pequeno médico. Jinbe pousou uma de suas mãos enormes sobre as costas de Chopper, acariciando com uma delicadeza espantosa para alguém de seu tamanho.

— Fico feliz que aprecie, pequeno Chopper — respondeu o timoneiro, com um calor genuíno nos olhos dourados. — Sempre haverá espaço aqui para você descansar quando precisar.

Chopper apertou o abraço com ainda mais força, sentindo uma onda de afeto aquecer seu peito. Para ele, Jinbe não era apenas um guerreiro lendário dos mares ou o timoneiro formidável que guiava o Sunny através das piores tempestades. Jinbe era um refúgio. Alguém sábio, paciente e protetor, a figura de um pai que ele nunca soubera que desejava tanto ter por perto.

— Jinbe... — chamou Chopper baixinho, ainda com a bochecha colada à barriga do azulado.

— Sim?

— Você não vai me achar infantil se eu disser que quero brincar hoje? O navio tá todo nosso... e o Luffy disse que você era muito sério, mas eu acho que você sabe brincar sim!

Jinbe arqueou uma sobrancelha espessa, fingindo estar ofendido de forma teatral, embora seus lábios denunciassem o gracejo.

— O capitão disse isso de mim? — perguntou ele, soltando um suspiro fingido de decepção. — Ora, parece que nosso capitão ainda tem muito a aprender sobre os homens-peixe. Eu posso ser muito divertido quando quero, doutor.

Chopper se desvencilhou do abraço, recuando dois passos enquanto seus olhos brilhavam de empolgação pura.

— É mesmo?! Então duvido você me pegar! — gritou a rena, dando uma risadinha travessa antes de se virar e sair correndo pelo gramado com suas perninhas velozes.

— Ei! Isso é um desafio? — Jinbe riu alto, colocando-se de pé com agilidade surpreendente para sua estatura maciça. — Pois saiba que um bom timoneiro nunca perde o rumo da sua presa!

O que se seguiu foi uma tarde repleta de pura alegria pelo Thousand Sunny. O convés, antes silencioso, foi tomado pelos risinhos histéricos de Chopper e pelos passos pesados e compassados de Jinbe. O homem-peixe corria devagar de propósito, fingindo tropeçar nas escadas ou errar as curvas perto dos canteiros de tangerina de Nami, apenas para dar ao pequeno a ilusão de que estava em vantagem.

— Você é muito lento, Jinbe! — provocava Chopper do alto da amurada, pulando de um lado para o outro. — Eu sou um médico ágil! O vento do mar não me alcança!

— Ora, espere só até eu ativar a correnteza! — retrucou Jinbe com falsa bravura, avançando com passadas largas.

Em um instante de pura audácia, Chopper resolveu usar suas habilidades. Com um brilho travesso nos olhos, ele mudou de forma em um estalo de fumaça:

Kung Fu Point! — exclamou a rena, agora com o corpo mais robusto, o pescoço alargado e os braços fortes, assumindo uma postura clássica de artes marciais. — Watááá! Vamos ver se você consegue me segurar agora, Jinbe!

Jinbe parou diante dele, cruzando os braços e mantendo uma expressão solene, embora os cantos dos olhos estivessem enrugados pelo riso contido.

— Muito bem, mestre das artes marciais. Mostre-me sua melhor técnica.

Chopper avançou dando pulinhos rápidos, desferindo golpes rápidos no ar com gritinhos cômicos de "Hóóó-tcha!". Ele tentou acertar um empurrão na cintura de Jinbe, mas foi como empurrar uma montanha de pedra sólida. O homem-peixe nem sequer oscilou. Chopper tentou mais uma vez, forçando com as patinhas e resfolegando pelo nariz, as pernas curtas derrapando na grama.

— Vamos lá, doutor! Isso é tudo que a medicina tem a oferecer? — provocou Jinbe, soltando uma gargalhada suave.

Exausto pelo esforço inútil, Chopper desfez a transformação em uma nuvenzinha branca, voltando ao seu pequeno formato Brain Point. Ele caiu sentado na grama, arquejando com a linguinha para fora, completamente derrotado pelo cansaço e pela diversão.

— Você... você é duro demais, Jinbe... parece uma rocha... — resmungou ele, abanando o próprio rosto com o chapéu.

Jinbe olhou para a pequena criaturinha deitada aos seus pés, tão vulnerável, fofa e cheia de vida. Uma ideia travessa, completamente alheia à sua habitual postura de homem sério, surgiu em sua mente. Ele olhou para os lados, fingindo não ver a pequena rena caída bem atrás de si.

— Ah, que canseira dessa brincadeira — disse o timoneiro em tom dramático e alto o suficiente para Chopper ouvir. — Meus velhos ossos precisam de um descanso. Acho que vou me sentar bem aqui nesta grama fresca e macia.

Chopper arregalou os olhos.

— Espera... Jinbe?!

Antes que a rena pudesse rolar para o lado e escapar, Jinbe dobrou os joelhos e desceu com seu corpo monumental. Com todo o cuidado do mundo para não colocar o peso real de suas centenas de quilos, mas o suficiente para prender o pequeno completamente, Jinbe sentou sua enorme e redonda bunda azul diretamente em cima de Chopper.

— Ahhhh! — um guincho abafado escapou de debaixo do homem-peixe.

A relva serviu de amortecedor, e Jinbe sustentava a maior parte do próprio peso nas pernas firmemente apoiadas no chão, mas, para todos os efeitos visuais, Chopper havia desaparecido totalmente sob o traseiro colossal do timoneiro. Apenas dois pezinhos peludos com pequenos cascos pretos e a ponta do chapéu rosado podiam ser vistos se debatendo inutilmente do lado de fora.

— Ué? — Jinbe fingiu surpresa, olhando para a direita e para a esquerda no convés vazio. — Para onde foi o Chopper? Ele estava aqui agorinha mesmo. Será que foi levado pelo vento? Ou talvez tenha caído no aquário?

Debaixo dele, os casquinhos batiam no ar freneticamente.

— Jinbe! — a voz saiu espremida, aguda e incrivelmente engraçada. — Eu tô aqui embaixo! Você sentou em cima de mim! Socorro, virei um tapete!

— Que coisa estranha... — continuou Jinbe, acomodando-se um pouco mais e balançando levemente de um lado para o outro, fazendo cócegas involuntárias na rena presa. — Devo estar ouvindo vozes do além. O convés parecia tão macio hoje... como se tivesse uma almofada felpuda bem debaixo de mim. Uma almofada que fala.

— Eu não sou almofada! — Chopper se debateu, rindo histericamente entre os protestos abafados. A sensação era ridícula e divertida demais para ficar bravo. — É a sua bunda, Jinbe! Ela é gigante! Sai de cima de mim, seu gordo grandalhão!

— Gordo? — Jinbe fingiu indignação, soltando mais uma gargalhada retumbante que fez o peito do pequeno tremer debaixo dele. — Eu sou um homem de ossos largos e músculos de guerreiro! Mas já que esta almofada é tão mal-educada, acho que vou ficar sentado aqui até a hora do jantar.

— Nãoooo! Eu retiro o que disse! Você é forte e esbelto! — Chopper implorou entre acessos incontroláveis de riso, com as patinhas curtas empurrando as coxas imensas do homem-peixe sem nenhum sucesso. — Por favor, papai Jinbe, me solta!

A palavra escapou da boca de Chopper com tanta naturalidade que ele próprio mal percebeu no calor da brincadeira. Mas Jinbe percebeu.

O coração do timoneiro deu um salto suave contra as costelas. Aquele termo, dito com tanta inocência e afeto infantil, desarmou qualquer resquício de teatralidade que ele estivesse sustentando. Um calor imenso espalhou-se pelo peito do imponente homem-peixe.

Com um sorriso carinhoso iluminando suas feições rudes, Jinbe finalmente se levantou, aliviando o peso e revelando a pequena rena esparramada na grama. Chopper estava todo despenteado, o chapéu torto cobrindo um dos olhos e a língua levemente para fora, parecendo uma panqueca de pelos que aos poucos recuperava a forma tridimensional.

— Você quase me achatou de verdade! — Chopper sentou-se, ajeitando o chapéu com as patinhas trêmulas de tanto rir. — Seus ataques são mais perigosos que os dos marinheiros!

— Foi apenas uma manobra tática de imobilização — justificou Jinbe com os olhos brilhando de ternura.

Ele estendeu os dois braços enormes, inclinou-se e pegou Chopper com facilidade, erguendo-o no ar como se a pequena rena não pesasse absolutamente nada. Chopper soltou um pequeno guincho de surpresa antes de ser aconchegado contra o peito largo de Jinbe. Com a mão livre, o timoneiro espanou com todo o cuidado a grama presa nos pelos macios da cabeça e das bochechas do pequeno.

— Machuquei você, pequenino? — perguntou Jinbe, o tom agora desprovido de qualquer ironia, carregado apenas de uma preocupação doce e paternal.

— Nem um pouquinho! — respondeu Chopper, abrindo um sorriso largo de orelha a orelha e abraçando o pescoço grosso do homem-peixe com força. — Foi muito engraçado! Mas da próxima vez, eu vou usar o Heavy Point pra ver se você consegue sentar em cima de mim de novo!

— Estarei esperando por esse dia com grande expectativa — Jinbe riu, acomodando a rena no colo enquanto caminhava em direção aos bancos de madeira perto da amurada.

O sol já começava a tingir o céu com tons alaranjados, violetas e carmesins. O reflexo na água calma parecia uma pintura viva, e uma brisa suave soprava, trazendo o frescor do entardecer.

Jinbe sentou-se no banco, mantendo Chopper aninhado em seu colo protetor. O pequeno médico apoiava os bracinhos na amurada, observando o horizonte com um brilho tranquilo nos olhos, sentindo a respiração profunda e ritmada do homem-peixe logo atrás de si. A presença de Jinbe era como uma fortaleza que nenhuma tempestade ou monstro marinho poderia abalar.

— Sabe, Jinbe... — começou Chopper com a voz mais baixa, relaxando o corpo cansado contra o peito azul. — No começo eu achei que ia ser chato ficar cinco dias sem os outros. Mas agora... acho que vai ser muito legal.

— Eu também acho, Chopper — disse Jinbe, pousando a mão enorme sobre a cabecinha da rena, acariciando o espaço entre seus chifres com uma lentidão reconfortante. — Teremos bastante tempo para cuidar do navio, preparar boa comida e, quando você quiser, teremos outras lutas no convés.

Chopper bocejou, os olhinhos pesando enquanto a fadiga da tarde de brincadeiras começava a cobrar seu preço. Ele se encolheu ainda mais no colo do timoneiro, sentindo-se a criatura mais segura de toda a Grand Line.

— Você promete que vai brincar comigo de novo amanhã? — perguntou ele quase num sussurro, lutando contra o sono iminente.

— Prometo — respondeu Jinbe em voz baixa, puxando uma ponta de seu casaco largo para cobrir o corpinho do pequeno contra o vento frio da noite que se aproximava. — Quantas vezes você quiser, meu pequeno.

Chopper fechou os olhos, soltando um suspiro satisfeito e afundando o focinho contra o calor constante do peito de Jinbe. Ali, embalado pelo balanço suave das ondas e pelo bater ritmado do coração daquele que ele agora chamava de família, a pequena rena adormeceu com um sorriso tranquilo nos lábios.

E Jinbe permaneceu imóvel sob as primeiras estrelas da noite, vigiando o sono do filho que o mar lhe dera, com a certeza serena de que aqueles cinco dias seriam os mais preciosos que já vivera a bordo do Thousand Sunny.

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