
Jealous
Fandom: Bad Omens
Criado: 21/09/2026
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Ecos de um Acorde Passado
O ar de Los Angeles parecia mais denso naquela noite, carregado com a eletricidade típica de grandes eventos no The Forum. Para Nina, o show da turnê Everyone’s a Star do 5 Seconds of Summer não era apenas mais uma data na agenda social; era um reencontro com uma parte fundamental de sua trajetória. Para Noah Sebastian, no entanto, era um território desconhecido e, surpreendentemente, desconfortável.
Desde o beijo no estúdio fotográfico, a dinâmica entre os dois havia mudado drasticamente. O silêncio que antes era confortável agora era carregado de uma antecipação física constante. Noah, com seus 1,92m de altura, parecia ocupar ainda mais espaço ao redor de Nina, agindo com uma proteção silenciosa, mas possessiva. Seus olhos castanhos, de traços asiáticos marcantes, raramente se desviavam dela.
— Você está ansiosa — comentou Noah, a voz grave vibrando no banco traseiro do carro enquanto se aproximavam da arena. Ele ajeitou a franja curtain bangs no espelho, mas seu olhar logo voltou para Nina. Ela usava um vestido de couro justo e botas pesadas, um contraste perfeito com o cabelo ruivo curto.
— São anos de história com esses meninos, Noah — Nina sorriu, ajustando as diversas pulseiras no pulso. — Eles foram os primeiros que entrevistei quando ainda era jornalista. Ver o quanto cresceram... me faz sentir orgulhosa.
Noah assentiu, embora uma pequena ruga de dúvida tenha surgido entre suas sobrancelhas. Ele sabia sobre o "ex-namorado músico" de Nina. Sabia que o término fora amigável e que o carinho permanecia, mas Nina nunca tinha colocado um nome naquele rosto. Para Noah, era apenas um fantasma do passado.
Ao chegarem na área VIP dos bastidores, o caos organizado do rock n' roll envolveu o grupo. Amigos em comum da cena metal e alternativa circulavam, mas Nina tinha um destino certo.
— Nina! — O grito veio de um corredor lateral.
Antes que Noah pudesse processar, um homem de cabelos escuros e sorriso largo correu em direção a eles. Calum Hood não apenas abraçou Nina; ele a envolveu pela cintura e a girou no ar, tirando os pés da brasileira do chão. As risadas de Nina ecoaram pelo corredor, um som de pura alegria que fez o estômago de Noah dar um nó súbito.
Noah travou. Seus ombros largos, definidos por anos de jiu-jitsu, ficaram rígidos sob a jaqueta escura. Ele observou a cena com uma frieza calculada, a timidez habitual sendo substituída por um instinto territorial que ele raramente deixava transparecer.
— Calum, me coloca no chão! — Nina exclamou, rindo, enquanto era colocada de volta aos seus pés. Ela se virou para Noah, os olhos brilhando. — Noah, esse é o Calum. Cal, este é o Noah Sebastian. Meu namorado.
O silêncio que se seguiu durou apenas um segundo, mas pareceu uma eternidade. Calum estendeu a mão, o sorriso ainda presente, mas seus olhos avaliaram o vocalista do Bad Omens de cima a baixo.
— Noah Sebastian... o cara do Bad Omens — disse Calum, apertando a mão de Noah com uma firmeza desnecessária. — Nina falou muito de você. Mas ela esqueceu de mencionar que você era tão... grande.
— É o que costumam dizer — Noah respondeu, sua voz saindo mais baixa e rouca que o normal. Ele não soltou a mão de Calum imediatamente, mantendo um contato visual intenso.
Calum soltou uma risadinha e voltou sua atenção para Nina, ignorando a tensão que emanava do homem ao lado dela.
— Puxa, Nina... você ainda gosta de caras de banda, hein? Pelo visto, algumas coisas nunca mudam.
Noah sentiu o sangue subir pelo pescoço, aquecendo as tatuagens que cobriam sua pele. Ainda gosta? A frase ecoou em sua mente como um desafio. Então, aquele era o ex. O Calum Hood. O baixista que preenchia as histórias de saudosismo que Nina contava.
— A música é o que nos une, Calum — Nina interveio, percebendo a mudança na postura de Noah. Ela deslizou a mão pelo braço de Noah, sentindo os músculos tensos como cordas de guitarra. — Onde estão os outros?
— Luke e Michael estão terminando o aquecimento vocal. Mas a Crystal e a Sierra estão no lounge. Elas vão surtar quando te virem.
Enquanto caminhavam para o lounge VIP, a disputa silenciosa começou. Calum, agindo com a familiaridade de quem conhecia Nina há uma década, caminhava ao lado dela, tocando seu ombro ocasionalmente para indicar o caminho. Noah, por sua vez, posicionou-se do outro lado, sua mão descendo para a base das costas de Nina, uma posse silenciosa e absoluta.
— Lembra daquela vez em Sydney, Nina? — Calum perguntou, ignorando completamente a presença de Noah. — Aquele bar de jazz onde você quase foi expulsa por tentar entrevistar o pianista no meio do solo?
— Eu era jovem e ambiciosa! — Nina riu, olhando para Noah para incluí-lo na conversa. — Eu era uma jornalista terrível, Noah.
— Eu acho que você sempre soube o que queria — Noah disse, apertando levemente a cintura dela, os olhos fixos em Calum. — E você sempre consegue o que quer, não é?
O clima no lounge estava mais leve. Assim que entraram, Crystal Leigh, esposa de Michael Clifford, saltou do sofá.
— Nina! Finalmente! — As duas se abraçaram com força. Crystal, sempre perspicaz, desviou o olhar para o homem alto e tatuado que pairava atrás da amiga. Ela arqueou uma sobrancelha e deu um sorriso cúmplice para Nina. — Então esse é o famoso Noah? Uau, amiga... você mandou muito bem. As fotos do ensaio que você me mandou não fazem justiça ao material original.
Noah sentiu um leve rubor nas maçãs do rosto, a timidez lutando contra o ciúme.
— Prazer, Crystal — ele disse, tentando soar polido.
A noite avançou, e a "guerra fria" entre Noah e Calum atingiu níveis quase cômicos. Quando Calum trazia uma bebida para Nina, Noah já havia providenciado a água favorita dela. Quando Calum contava uma piada interna, Noah mencionava um detalhe sobre a produção musical do novo álbum de Nina que Calum desconhecia.
O ápice da infantilidade masculina ocorreu quando Calum desafiou Noah em uma máquina de fliperama vintage que havia no lounge.
— Vamos ver se o metal tem reflexos tão bons quanto o pop-punk — provocou Calum, entregando o controle para Noah.
— Eu passo muito tempo jogando, Calum — Noah respondeu, a expressão séria, quase sombria. — Você não quer fazer isso.
Nina assistia a tudo de longe, encostada no balcão com Sierra e Crystal.
— Eles parecem dois pavões — comentou Sierra, rindo enquanto observava Noah esmagar o recorde de Calum no jogo de luta.
— Noah é muito reservado — Nina explicou, observando o namorado. — Ele não é de confrontos, mas acho que o fato de ser o Calum... ele está se sentindo ameaçado.
— Ele não precisa — Crystal disse, tocando o braço de Nina. — Dá para ver o jeito que ele olha para você. Calum é passado, e Noah sabe disso. Ele só precisa que você mostre isso a ele.
Minutos antes da banda subir ao palco, Calum se aproximou de Nina para se despedir. Ele a puxou para um abraço rápido e sussurrou algo no ouvido dela que a fez rir e dar um tapinha em seu braço.
Noah, que estava a poucos metros, sentiu o autocontrole vacilar. Ele deu um passo à frente, mas parou quando viu Nina se afastar de Calum e caminhar diretamente em sua direção. Ela não hesitou; envolveu o pescoço de Noah com os braços, ignorando a plateia VIP ao redor, e o beijou com uma intensidade que deixou claro para qualquer espectador a quem ela pertencia.
— Você está sendo um bobo — ela sussurrou contra os lábios dele, a voz carregada de diversão e desejo.
Noah suspirou, a tensão deixando seus ombros. Ele a apertou contra si, escondendo o rosto na curva do pescoço dela por um segundo.
— Eu sei. É só que... eu não sabia que era ele.
— Ele é um amigo, Noah. Um capítulo que terminou há muito tempo para que eu pudesse escrever este aqui com você.
Noah olhou para Calum, que observava a cena de longe com um sorriso de conformidade, reconhecendo a derrota. O vocalista do Bad Omens sentiu uma pontada de culpa. Ele era um homem de trinta anos, um artista respeitado, e estava agindo como um adolescente em um baile de formatura.
Quando Calum passou por eles para ir ao palco, Noah estendeu a mão novamente. Desta vez, o aperto foi genuíno.
— Desculpe pela atitude, cara — disse Noah, com sinceridade. — O show de vocês é incrível. Eu realmente respeito o que vocês fazem.
Calum relaxou, retribuindo o aperto.
— Relaxa, Sebastian. Se eu tivesse a Nina do meu lado, eu também ficaria de guarda. Cuida dela, cara. Ela é única.
— Eu sei que é — Noah respondeu, olhando para Nina com uma devoção que não deixava margem para dúvidas.
O show começou, e o som das guitarras e a bateria reverberaram pelo estádio. Nina estava na grade da área VIP, pulando e cantando cada letra, a jornalista e a fã de música vivendo aquele momento intensamente. Noah estava logo atrás dela, seus braços rodeando a cintura da ruiva, o queixo apoiado em seu ombro.
Enquanto Calum cantava no palco, Noah se inclinou e mordeu levemente o lóbulo da orelha de Nina, fazendo-a estremecer.
— O que foi? — ela perguntou, virando o rosto para ele.
— Estava pensando no próximo ensaio — Noah sussurrou, a voz carregada de segundas intenções, lembrando-se das algemas de cetim mencionadas pela produção. — E no quanto eu vou gostar de ter você só para mim, sem ex-namorados por perto.
Nina sorriu, uma expressão provocativa cruzando seu rosto.
— Você acha que consegue lidar com isso, Sebastian? Porque na semana que vem, no meu show, eu sou quem vai estar no controle.
Noah sorriu, um sorriso raro e predatório que raramente mostrava em público.
— Eu mal posso esperar para ver você tentar.
A música alta abafava o resto do mundo, mas para os dois, o silêncio da compreensão mútua era a única coisa que importava. A barreira da amizade não tinha apenas sido rompida; ela tinha sido incinerada, deixando no lugar algo muito mais selvagem, profundo e, definitivamente, inesquecível.
