
Baby
Fandom: Bad Omens
Criado: 21/09/2026
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Eco de Silêncios e Primeiros Passos
O ar do festival estava saturado com o cheiro de grama pisoteada, protetor solar e a eletricidade estática que precede um grande show de metal. Nina sentia a adrenalina pulsar em suas veias, um resquício da performance visceral que acabara de entregar no palco secundário. O público ainda gritava seu nome quando ela desceu os degraus de metal, o suor fazendo seu cabelo ruivo e curto grudar na nuca.
A transição entre o palco e o backstage foi um borrão. O sol de verão parecia ter dobrado de intensidade em questão de segundos.
— Você foi incrível, Nina! — um dos técnicos gritou, mas a voz dele parecia vir de dentro de um túnel.
Nina tentou sorrir, mas sua visão começou a fragmentar-se em pontos brancos e pretos. O calor, que antes era apenas um incômodo, tornou-se uma manta pesada e sufocante. Ela sentiu seus joelhos cederem, a gravidade puxando-a com uma força implacável. O último som que ouviu antes da escuridão total foi o baque seco de sua cabeça contra o case de um equipamento e o grito abafado de sua assistente.
Quando abriu os olhos, o teto branco e o cheiro de antisséptico denunciaram o local: um hospital. A dor latejante na têmpora era um lembrete físico da queda.
— Finalmente acordou — disse a médica, aproximando-se com um prontuário. — Você teve uma síncope por calor e exaustão, agravada por uma leve concussão. Mas, Nina... os exames de sangue revelaram algo a mais.
Nina piscou, a mente ainda lenta. — Algo a mais?
— Você está grávida. Aproximadamente oito semanas.
O mundo parou. O som do monitor cardíaco parecia ecoar o ritmo frenético de seus próprios pensamentos. Grávida. Dela e de Noah. O fruto daquela transição intensa de amizade para algo tão profundo que nem mesmo o ciúme de Calum Hood ou a pressão da indústria puderam abalar.
A porta do quarto foi aberta com uma força quase violenta. Noah Sebastian entrou, ainda vestindo as roupas pretas do show, o rosto marcado pela maquiagem borrada e pelo desespero puro. Seus olhos castanhos, geralmente tão controlados e profundos, estavam arregalados.
— Nina! Pelo amor de Deus, eu saí do palco e me disseram que você tinha desmaiado... — Ele atravessou o quarto em dois passos largos, os ombros largos projetando uma sombra protetora sobre a cama. Ele pegou a mão dela, os dedos tatuados tremendo levemente. — Você está bem? O que os médicos disseram?
Nina olhou para ele, para o homem que era seu porto seguro, o gigante gentil que amava mangás e jiu-jitsu com a mesma intensidade que amava a música. Ela apertou a mão dele.
— Noah... eu estou bem. Mas aconteceu uma coisa.
— O quê? É grave? — O pânico na voz dele era palpável.
— Eu estou grávida — sussurrou ela.
O silêncio que se seguiu foi denso. Noah congelou. Ele parecia processar a informação como se estivesse tentando decifrar um código complexo. Lentamente, ele se sentou na beirada da cama, a respiração pesada.
— Grávida? — ele repetiu, a voz falhando. — Um bebê? Nosso?
— Sim.
De repente, a expressão de terror deu lugar a uma luz que Nina nunca tinha visto antes. Noah sorriu, um sorriso que iluminou todo o seu rosto, suavizando os traços asiáticos e a dureza de sua mandíbula. Ele levou a mão de Nina aos lábios, beijando-a com reverência, antes de esconder o rosto na curvatura do pescoço dela.
— Eu estou feliz... meu Deus, eu estou tão feliz — ele murmurou contra a pele dela. — Mas Nina... como vamos fazer isso? A banda, a turnê, a sua carreira...
— Nós vamos dar um jeito — ela afirmou, acariciando o cabelo castanho dele. — Nós sempre damos.
Os meses seguintes foram um exercício de discrição e amor compartilhado em segredo. Apenas o círculo mais íntimo sabia. Calum Hood, agora um amigo próximo, foi um dos primeiros a enviar um presente: um par de sapatinhos de bebê com o logo de uma banda de punk rock japonesa.
A barriga de Nina cresceu, escondida sob roupas largas e moletons oversized durante os ensaios. Eles descobriram que seria uma menina. Amelia. O nome soava como uma canção suave no meio do caos do metal.
O momento da revelação foi planejado para o último show da turnê do Bad Omens, em Los Angeles. O local estava lotado. A energia era elétrica. Noah estava no auge de sua performance, sua voz alternando entre guturais poderosos e melodias angelicais.
— Esta noite é especial por muitos motivos — disse Noah ao microfone, recuperando o fôlego enquanto o público rugia. — Mas, acima de tudo, porque quero trazer ao palco a pessoa que mudou minha vida. Por favor, recebam Nina.
Ela entrou sob uma luz âmbar, vestindo um vestido de seda preto justo que não deixava margem para dúvidas. A barriga de seis meses estava ali, orgulhosa e evidente. O público soltou um suspiro coletivo, seguido por um aplauso ensurdecedor.
Eles começaram a cantar "Impose". As vozes se entrelaçavam perfeitamente, uma harmonia de fogo e gelo. No final da música, Noah caminhou até ela. Ele ignorou as câmeras, os milhares de fãs e as luzes. Ele simplesmente colocou a mão grande e tatuada sobre o ventre de Nina, curvando-se para beijar a pele através do tecido.
— Para as duas pessoas mais importantes da minha vida — ele disse, com a voz embargada, audível apenas para ela e para os microfones que capturavam o momento histórico.
A pausa na carreira veio logo depois. O nascimento de Amelia foi um evento calmo, longe dos holofotes. Ela nasceu com os olhos do pai e o espírito vibrante da mãe.
Seis meses depois, a vida pública começou a retomar seu curso. Noah estava em uma live global, respondendo perguntas dos fãs sobre o futuro do Bad Omens e o novo álbum. Ele estava sentado em um sofá no backstage de um estúdio, tentando manter sua postura reservada e profissional.
— Sim, o hiato foi necessário para focarmos na família, mas a música nunca parou — Noah explicava, olhando para a câmera.
Nina estava atrás das câmeras, segurando Amelia. A bebê, porém, tinha outros planos. Ao ouvir a voz do pai, ela começou a se agitar, esticando os braços gordinhos e soltando gritinhos de empolgação.
— Pa-pa! — Amelia exclamou, sua voz aguda cortando o silêncio do estúdio.
Noah parou de falar instantaneamente. O sorriso que ele tentava conter floresceu em seu rosto. Ele olhou para o lado, onde Nina tentava, sem sucesso, acalmar a pequena.
— Acho que temos uma convidada especial — disse Noah, rindo. — Vem cá, meu amor.
Nina caminhou até ele e entregou a bebê. No momento em que Amelia sentou no colo de Noah, ela agarrou a gola da camiseta preta dele e se aconchegou em seu peito largo, olhando para a câmera com curiosidade.
— Desculpem, pessoal — Noah disse aos milhares de espectadores, sua timidez usual dando lugar a um orgulho paternal indisfarçável. — Mas ela manda aqui agora.
— Ela é a cara do pai quando quer atenção — Nina comentou, aparecendo rapidamente no enquadramento para beijar a têmpora de Noah.
A seção de comentários da live explodiu. Corações, mensagens de apoio e surpresa inundaram a tela. Aquele homem de 1,92 de altura, o vocalista temido e respeitado do metal moderno, estava completamente derretido por uma criaturinha de laço na cabeça.
Algumas semanas depois, o casamento aconteceu em uma cerimônia íntima em uma propriedade rural. Não houve grandes anúncios na imprensa, apenas amigos e familiares. Calum estava lá, sorrindo sinceramente enquanto via o casal trocar votos sob um arco de flores silvestres.
— Prometo ser seu porto seguro, sua melodia e o pai que Amelia merece — Noah disse, a voz firme, segurando as mãos de Nina.
— E eu prometo ser sua parceira de composição, sua força e o amor que te traz de volta para casa — Nina respondeu.
Quando se beijaram, não havia mais insegurança, nem fantasmas do passado, nem o peso da fama. Havia apenas o presente, sólido e vibrante como um acorde final que ressoa muito depois da música parar. Eles tinham rompido todas as barreiras, e o que restava era uma sinfonia perfeita escrita a três mãos.
