
Quando o silencio encontra você
Fandom: Kpop
Criado: 21/09/2026
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Além das Nuvens Cinzentas
— Estamos passando por uma turbulência, coloquem os cintos! — avisou a comissária de bordo, correndo pelo corredor estreito antes de se jogar em um dos assentos vagos e afivelar a fivela metálica com dedos trêmulos.
Em questão de segundos, o mundo se transformou em puro caos. O avião chacoalhou como nunca antes, um solavanco violento que fez o estômago de Park Jimin despencar. O barulho da fuselagem rangendo contra a força do vento parecia o gemido de uma fera ferida.
No mesmo instante, o garoto de cabelos claros virou o rosto para a mãe. Ela tentava, com um esforço quase sobre-humano, transmitir tranquilidade através do olhar, mas o suor frio que brilhava em sua testa e a rigidez de seus lábios denunciavam o pavor absoluto.
— Vai ficar tudo bem, filho — disse ela, com a voz embargada. — É só uma turbulência boba.
— Onde está o papai? — Jimin perguntou, a respiração entrecortada pelo desespero súbito. Nunca vira a mãe daquele jeito, desprovida de sua costumeira altivez elegante. — Mãe, cadê ele?
— Ele já está vindo, filho. Só foi ao banheiro antes do aviso.
— Eu vou atrás dele então.
Jimin levou as mãos à trava do cinto, mas foi prontamente contido pelos dedos firmes e gelados da mulher.
— Fique aqui, príncipe. O seu pai vai voltar logo, logo.
Assim que a frase terminou de ecoar, a gravidade pareceu desaparecer. O nariz da aeronave apontou para baixo, despencando em uma velocidade aterradora. Gritos ensurdecedores rasgaram o ar, máscaras de oxigênio caíram dos compartimentos superiores como serpentes amarelas, e preces em diferentes idiomas se misturaram ao som alarmante dos avisos eletrônicos da cabine.
Não podia ser. Era para ser apenas uma turbulência.
— Sente-se, Jimin, por favor... — implorou a mãe, tentando forçar um sorriso no meio das lágrimas que já lavavam suas bochechas.
Ele obedeceu, paralisado. Sentiu a mão macia dela cobrir a sua, apertando-a com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. Reunindo a pouca coragem que lhe restava, encarou as íris castanhas que tanto amava.
— Nós vamos morrer, mamãe?
Os olhos azuis de Jimin, raros e brilhantes, transbordaram.
— Não importa o que aconteça... continue vivendo — sussurrou ela, inclinando-se um pouco mais perto.
— Mas eu não sei viver sem vocês.
Ela sorriu. Um sorriso pequeno, dolorosamente trêmulo, mas carregado de uma ternura infinita.
— Você é o meu anjo, Jimin...
Foi a última frase que ele escutou.
Segundos depois, uma explosão de som tomou conta de tudo, o impacto esmagador do metal se retorcendo contra o nada, e o universo de Park Jimin se apagou em uma escuridão absoluta.
Três anos depois.
O relógio digital marcava exatamente seis horas da manhã em Seul quando Jimin colocou os pés descalços no piso de madeira escura de seu apartamento. Não havia novidade: mais uma noite em claro, povoada por ecos de turbinas em chamas e pelo toque fantasma de mãos que não existiam mais.
Apoiado na bancada de mármore da cozinha, ele segurava a xícara com uma mão enquanto mantinha o celular colado ao ouvido com a outra.
— Tio Park, eu já deixei claro que não sinto mais vontade de administrar as empresas — disse Jimin, com a voz rouca pelo cansaço crônico. — Eu não me sinto feliz nem motivado para fazer isso.
— Jimin, eu entendo a sua dor — respondeu a voz madura do outro lado da linha, carregada de uma insistência cansativa. — Mas os seus pais dedicaram a vida inteira a esse império. Eles sempre sonharam com você assumindo a presidência e dando continuidade ao legado da família.
— Você já falou isso dezenas de vezes, tio Park. Eu estou esgotado! — O loiro passou a mão pelos fios platinados, fechando os olhos com força. — Eu nunca quis trabalhar nessa área. Todos sabem disso!
O suspiro pesado do homem mais velho atravessou o sinal. Aquela discussão já havia se repetido incontáveis vezes nos últimos meses, um ciclo interminável de cobranças e culpa que sufocava Jimin aos poucos.
— O que acha de tirar férias? — sugeriu o tio, adotando um tom mais brando. — Você viaja, relaxa, respira novos ares e volta com a cabeça no lugar. Depois nós sentamos e decidimos o que fazer.
Jimin franziu a testa, observando a névoa fria que cobria os arranha-céus da capital sul-coreana.
— Eu... não sei se consigo voar novamente, tio. O senhor sabe disso.
— Jimin, já se passaram três anos. — A firmeza voltou à voz do tio, agora tingida de uma preocupação genuína. — Você ficou todo esse tempo vivendo como um zumbi trancado nessa cobertura. Eu sei que é difícil, mas você conhece os seus pais. Sabe muito bem que eles odiariam ver você definhando desse jeito.
O silêncio do jovem serviu como resposta. Não havia argumentos contra a verdade nua e crua.
— Procure um lugar para viajar e me avise — concluiu o mais velho. — Eu assumirei as empresas temporariamente para que você possa descansar sem esse peso. Fique em casa hoje e resolva tudo sobre essa viagem. Preciso desligar.
A chamada terminou em um estalo seco.
Jimin permaneceu imóvel por longos minutos, encarando o reflexo distorcido de seu rosto na tela escura do aparelho. A casa era grande demais, luxuosa demais e fria como um sepulcro. Caminhou até o armário superior da despensa, abriu a portinhola e retirou um pequeno frasco translúcido.
Restavam apenas três comprimidos calmantes.
Sem hesitar, engoliu um deles com um gole generoso do café já frio e amargo. Ao baixar os olhos, deparou-se com o porta-retratos de prata sobre o balcão. Três anos. Três anos desde que o mundo perdera todas as cores.
— Será que eu deveria mesmo tirar férias? — murmurou para si mesmo, acariciando com a ponta dos dedos o vidro que protegia a imagem sorridente dos pais.
Determinado a afastar a angústia que teimava em se instalar em sua garganta, tentou preencher as horas. Ligou a televisão moderna da sala, mas os comerciais barulhentos o irritaram em menos de cinco minutos. Abriu um livro de poesias que costumava amar, mas as palavras pareciam desconexas, vazias de significado. Passou quase uma hora apenas observando os pássaros cortarem a bruma cinzenta do lado de fora da janela.
Quando a inércia se tornou insuportável, ligou o notebook.
Pesquisou os destinos turísticos habituais: praias paradisíacas no sudeste asiático, chalés silenciosos nos Alpes suíços, vilarejos históricos na França. Nada despertava o menor lampejo de interesse. Tudo parecia artificial, feito para pessoas que ainda tinham vontade de viver.
Já estava quase desistindo e fechando a tela quando um banner discreto no canto inferior de um portal internacional chamou sua atenção.
Programa de Voluntariado para Profissionais da Saúde — Sucre, Bolívia.
Jimin inclinou-se para a frente, intrigado. Clicou no link sem pensar muito. A página carregou imagens de uma cidade com casarões brancos coloniais sob um céu de azul profundo e crianças sorridentes em um pátio arborizado.
Centro para Crianças e Adolescentes com Deficiência.
Ele leu cada palavra com uma atenção quase febril. O projeto oferecia uma estadia de três meses para apoiar comunidades locais, integrando uma equipe multidisciplinar formada por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e fonoaudiólogos.
Fonoaudiologia.
O termo ressoou no peito de Jimin com a força de um sino antigo. Aquela tinha sido a sua paixão mais pura. Graduara-se com honras máximas, imaginando com orgulho o dia em que ajudaria crianças a encontrar suas próprias vozes, sonhando com o abraço caloroso dos pais após a cerimônia. Mas a tragédia havia soterrado tudo. Ele nunca tivera forças para dar uma única sessão; a culpa de ter sobrevivido o fizera acreditar que não tinha o direito de curar ninguém.
Contudo, ao olhar para aquelas fotos singelas de uma cidade distante nos Andes, algo adormecido se agitou em suas entranhas. Três meses em outro continente não apagariam o passado, mas talvez fossem o suficiente para lembrá-lo de que ele existia antes da dor.
Preencheu os formulários com meticulosidade, anexou seu diploma e suas cartas de recomendação acadêmicas e, respirando fundo, clicou em enviar.
A espera, no entanto, foi uma prova de fogo para sua mente inquieta. Nos três dias seguintes, Jimin mal colocou os pés fora de casa. Vagueava pelo apartamento vestindo moletons largos, atualizando a caixa de entrada a cada dez minutos, mordendo as unhas e lutando contra a ansiedade que fazia seu peito arfar.
Foi às 15h30 de uma quinta-feira, enquanto comia um sanduíche qualquer sem apetite, que a notificação apareceu.
Candidatura Aprovada — Bem-vindo a Sucre.
A coordenação destacava que sua formação sólida e o histórico familiar em doações humanitárias tornavam seu perfil perfeito para o projeto, que começaria em meros cinco dias.
O choque inicial logo deu lugar à pressa. Levaria quase quarenta horas entre escalas e conexões para cruzar o globo. Um único telefonema ao assistente da família resolveria passagens de primeira classe, hotéis luxuosos e transporte particular, mas Jimin recusou o conforto fácil. Queria que cada detalhe daquela jornada fosse dele, e apenas dele.
Pesquisou até encontrar um apartamento modesto em um bairro calmo de Sucre, a pouco mais de dez minutos a pé do centro comunitário. Alugou-o pela internet, comprou as passagens na classe econômica e passou a sexta-feira inteira em lojas simples, escolhendo roupas práticas, sapatos confortáveis e malas resistentes. Queria deixar para trás os ternos sob medida e os jantares corporativos sufocantes. Queria ser apenas Jimin.
A única concessão ao seu passado foi a visita de urgência ao psiquiatra. Ele sabia que suas pernas fraquejariam assim que pisasse na ponte de embarque. Precisava apagar.
No aeroporto internacional de Incheon, despediu-se do tio com um abraço rápido. O homem parecia genuinamente aliviado ao ver um brilho de determinação nos olhos azuis do sobrinho.
— Cuide-se, meu rapaz. Encontre o que você perdeu — disse o tio antes de Jimin entrar na fila de segurança.
Ao sentar-se na poltrona do avião, Jimin sentiu as mãos suarem frio e o coração martelar nas têmporas como um aviso de perigo. Não esperou a decolagem. Tirou o pequeno frasco do bolso, engoliu a dosagem máxima prescrita e fechou os olhos, rezando para que o sono o levasse antes que as lembranças do fogo e do metal retorcido pudessem alcançá-lo.
O medicamento fez efeito com precisão cirúrgica. A escuridão o acolheu sem pesadelos.
— Senhor... por favor, acorde.
A voz feminina, doce e suave, parecia emergir através de uma camada espessa de água. Jimin sentiu um toque delicado em seu ombro e pestanejou lentamente, incomodado pela claridade amarelada que entrava pelas pequenas janelas ovais.
— Senhor, precisamos que desembarque. Já chegamos ao destino final.
A aeromoça boliviana sorriu com alívio visível ao vê-lo erguer o tronco, ainda desorientado pelo efeito residual da medicação pesada.
— Ah... oi... o que houve? — perguntou ele em inglês, esfregando os olhos com as costas das mãos.
— Desculpe incomodá-lo, senhor. Já fazem alguns minutos que pousamos em Sucre e todos os passageiros já saíram.
— Sério? — O loiro arregalou os olhos azuis, assustado. — Mil perdões! Eu tomei remédio para dormir e apaguei completamente. Vou pegar minhas coisas agora mesmo.
Ele tentou levantar-se com pressa, mas a aeromoça ergueu as mãos em um gesto tranquilizador.
— Espere, por favor. O senhor não tocou em nenhuma das bandejas durante as escalas. Foram quase trinta horas sem comer nada e sem beber água. Deixe-me trazer uma refeição rápida antes de descer.
— Mas a aeronave não precisa ser liberada para a limpeza? — indagou ele, constrangido, enquanto seu estômago emitia um ronco audível que denunciou sua fraqueza.
A mulher soltou uma risada discreta.
— Ainda temos meia hora até a inspeção final. Se o senhor comer em dez minutos, não teremos problemas.
— Eu prometo comer em cinco — respondeu ele com um sorriso tímido, o primeiro em muitos meses.
Após devorar o sanduíche e tomar uma garrafa inteira de suco natural, Jimin pegou sua mochila, recolheu a bagagem na esteira simples do aeroporto de Alcantarí e embarcou em um táxi local.
A viagem até a cidade revelou montanhas avermelhadas sob uma luz poente dourada e límpida. Quando o carro entrou no perímetro urbano de Sucre, a chamada Cidade Branca, Jimin ficou hipnotizado. As paredes imaculadas dos edifícios coloniais, os telhados de cerâmica envelhecida e as ladeiras calçadas com pedras antigas conferiam ao lugar uma atmosfera de paz atemporal.
Quarenta minutos mais tarde, Jimin subia as escadas estreitas do prédio onde viveria. O apartamento era pequeno, mas aconchegante: uma sala com móveis de madeira rústica, uma cozinha compacta e um quarto com varanda.
Deixou as malas no chão e caminhou diretamente até a sacada.
O ar era fresco, um pouco mais редo pela altitude, mas incrivelmente puro. A brisa suave bagunçou seus cabelos loiros enquanto ele apoiava as mãos no parapeito de ferro fundido. O sol mergulhava atrás das montanhas, tingindo o céu de tons lilases e laranjas intensos, e os sinos de uma igreja distante repicavam com solenidade.
Jimin fechou os olhos e respirou fundo, enchendo os pulmões como se estivesse provando a vida pela primeira vez em três anos. Não havia o peso dos conselhos de administração, não havia o cheiro de cinzas de suas memórias, não havia olhares de pena.
Abriu os olhos, observando as ruas silenciosas lá embaixo.
— Então... é aqui que vou recomeçar — sussurrou para o vento andino, sentindo os cantos dos lábios se curvarem de verdade.
Ele não tinha a menor ideia de que, a poucas quadras dali, o destino já havia começado a traçar as linhas de um encontro inevitável.
Na manhã seguinte, o sol inundava a praça central de Sucre com uma luz quase ofuscante. Jimin vestia uma calça jeans escura simples e uma camisa de linho azul-claro, combinando com seus olhos. Carregava uma pasta de couro com seus documentos e caminhava consultando o mapa no celular, sentindo o ar rarefeito pesar um pouco nos pulmões a cada subida íngreme.
Sua aparência causava olhares curiosos dos moradores locais. O contraste da pele pálida, dos fios dourados e dos olhos claros chamava a atenção das vendedoras de flores e dos idosos sentados nos bancos da praça, mas todos retribuíam com sorrisos acolhedores quando ele acenava timidamente com a cabeça.
Ao virar uma esquina ladeada por buganvílias roxas, avistou a placa de madeira talhada: Centro Comunitário San Gabriel — Apoio ao Desenvolvimento Infantil.
O portão de ferro trabalhado estava aberto. No pátio interno, cercado por arcadas brancas e vasos de barro, crianças corriam e riam, enquanto voluntários organizavam mesas com materiais de pintura e brinquedos educativos.
Jimin parou na entrada, de repente tomado por uma ponta de nervosismo. Havia esquecido como o barulho da vida podia ser vívido.
— Ei, cuidado com a caixa! — gritou uma voz jovem e potente vinda do corredor lateral.
Antes que Jimin pudesse dar um passo para o lado, um rapaz alto saiu apressado de uma das salas carregando três grandes caixas de papelão empilhadas, bloqueando quase totalmente sua visão frontal. Ele tropeçou levemente no desnível da calçada de pedras e perdeu o equilíbrio.
— Cuidado! — avisou Jimin instintivamente, estendendo os braços para tentar segurar a pilha.
O impacto foi inevitável, mas suave. As caixas deslizaram para o chão de terra batida, espalhando dezenas de instrumentos musicais infantis — pequenos tambores, chocalhos coloridos e flautas de madeira.
— ¡Mierda, lo siento mucho! — exclamou o rapaz, agachando-se rapidamente para recolher as coisas. — Eu não te vi aí parado, desculpa mesmo...
— Não se preocupe, a culpa foi minha. Eu fiquei no meio do caminho — respondeu Jimin em espanhol, agachando-se também para ajudar a juntar os chocalhos.
Quando os dois ergueram os rostos ao mesmo tempo para devolver os objetos à caixa, o tempo pareceu desacelerar.
O rapaz à sua frente não tinha mais de vinte e um anos. Seus traços eram uma mistura fascinante e única: tinha a mandíbula bem definida e os olhos escuros, amendoados e expressivos de ascendência coreana, mas a pele era quente e beijada pelo sol andino, e os cabelos castanho-escuros caíam em ondas rebeldes sobre a testa suada. Ele vestia uma camiseta preta desbotada que deixava à mostra os braços fortes e uma tatuagem sutil no antebraço.
O jovem franziu o cenho por uma fração de segundo, encarando o rosto de Jimin com uma surpresa indisfarçável. Seus olhos desceram dos fios platinados até as íris azuis do loiro.
— Você fala espanhol muito bem — comentou o moreno, soltando um riso baixo que revelou dentes dianteiros levemente salientes, conferindo-lhe um ar jovial e encantador. — Mas seu sotaque... espera. Você é coreano?
Jimin piscou, surpreso pela dedução rápida.
— Sim, sou. Cheguei ontem de Seul.
O rapaz abriu um sorriso largo, genuinamente brilhante, estendendo a mão grande e firme na direção do loiro.
— Que loucura. Eu sou meio coreano também, meu pai era de Busan. Meu nome é Juan Jungkook.
Jimin sentiu um calor inesperado percorrer sua palma quando suas mãos se encontraram em um aperto firme. O toque de Jungkook era quente, seguro, sem qualquer vestígio do frio que o acompanhara nos últimos três anos.
— Prazer, Jungkook. Eu sou Park Jimin.
— Então você é o novo fonoaudiólogo que a diretora estava esperando? — Jungkook inclinou a cabeça para o lado, sem soltar a mão de Jimin de imediato, os olhos brilhando com uma curiosidade viva. — Ela me disse que vinha um especialista de fora, mas não imaginava que seria alguém que parece ter saído direto de um conto de fadas.
O comentário direto fez as bochechas pálidas de Jimin arderem em um tom rosado. Ele puxou a mão com delicadeza, limpando a garganta para disfarçar o embaraço súbito.
— Sou apenas um voluntário querendo ajudar.
— Bom, nós estávamos precisando muito de alguém como você por aqui — disse Juan Jungkook, pegando a caixa agora cheia e levantando-se com facilidade. Ele permaneceu ali em pé, olhando para o recém-chegado com uma intensidade calorosa que fez o estômago de Jimin dar um salto estranho. — Vem, Jimin. Deixa eu te apresentar ao pessoal. Você vai adorar este lugar.
Ao seguir os passos firmes do rapaz moreno sob as arcadas ensolaradas daquele casarão boliviano, Jimin sentiu o vento bater suavemente em seu rosto mais uma vez.
Pela primeira vez em muito tempo, a tempestade dentro de seu peito pareceu recuar, dando lugar ao eco distante, mas claro, de um recomeço.
