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Bloom e Jim

Fandom: World of Winx

Criado: 21/09/2026

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Chamas Sob o Gelo da Traição

O ar da Terra do Nunca ainda carregava o cheiro de ozônio e magia residual, um lembrete constante da batalha que quase fragmentara aquele mundo. Bloom caminhava sozinha pelas bordas da Floresta Branca, onde a neve eterna começava a ceder lugar ao musgo vibrante. Ela precisava de silêncio. Suas irmãs Winx estavam ocupadas ajudando na reconstrução da ordem, mas a mente da fada ruiva era um turbilhão de chamas inquietas.

Ela acreditava que ele estava morto. Quando o navio carregado com a magia instável da Terra do Nunca desapareceu em um clarão ofuscante, Bloom sentiu um aperto estranho no peito, uma mistura de alívio e uma melancolia que ela se recusava a nomear. Mas Jim — ou Jones, como ele preferia ser chamado antes da máscara cair — era como uma tempestade: você nunca sabe realmente quando ela se dissipou ou se está apenas ganhando força no horizonte.

Um estalo de galho seco ecoou atrás dela. Bloom girou nos calcanhares, as mãos já brilhando com o calor do fogo do dragão, os olhos azuis faiscando em prontidão.

— Quem está aí? — A voz dela saiu firme, embora seu coração desse um solavanco involuntário.

Das sombras projetadas pelas árvores retorcidas, uma figura emergiu com uma elegância que Bloom reconheceria em qualquer dimensão. O cabelo azul, profundo como o oceano à meia-noite, caía desalinhado sobre a testa. Os olhos, aquele tom hipnótico entre o azul e o violeta, fixaram-se nela com uma intensidade que a fez recuar um passo.

— Você sempre foi rápida, Bloom — disse ele, a voz aveludada carregando aquele tom de autoridade que tanto a irritara no passado. — Mas abaixe as mãos. Não vim para lutar.

Bloom não cedeu. As chamas em suas palmas cresceram, iluminando o rosto jovem e saudável de Jim, o homem que Sininho transformara, mas que a ambição corrompera.

— Você... você deveria estar morto — sibilou ela, sentindo a raiva borbulhar. — Eu vi o navio sumir. Eu vi você nos trair, Jim! Você usou cada uma de nós. Usou a mim!

Jim deu um passo à frente, ignorando o calor que emanava da fada. Ele parecia diferente do homem frio que tentara tomar o poder absoluto. Havia algo de predatório, mas também de profundamente faminto em seu olhar.

— O destino tem o hábito de me manter por perto quando ainda tenho assuntos pendentes — ele respondeu, parando a poucos metros dela. — E o meu maior assunto pendente é você.

Bloom soltou uma risada seca, carregada de escárnio.

— Assunto pendente? Você tentou nos manipular para consertar aquele relógio, mentiu sobre o relojoeiro, mentiu sobre quem você era! E agora aparece aqui, como se nada tivesse acontecido?

— Eu nunca menti sobre o que senti quando estávamos naquelas montanhas, Bloom — disse ele, a voz baixando um oitavo, tornando-se perigosamente íntima.

A memória atingiu Bloom como um golpe físico. O frio cortante da neve, o vento uivando enquanto eles buscavam o caminho para o relojoeiro. Ela se lembrou da sensação das mãos dele, firmes e possessivas, segurando-a pela cintura para evitar que ela caísse no abismo. Naquele momento, sob o céu gélido, ela sentira uma conexão que a assustara. Ele era o oposto de Sky. Onde o príncipe de Eraklyon era luz, perfeição e dever, Jim era sombra, perigo e uma liberdade selvagem que a desafiava. Por um breve e terrível instante, ela achara que ele poderia ser o seu novo começo.

— Você me segurou para não cair porque precisava de mim viva para o seu plano — cuspiu ela, embora a voz tivesse vacilado levemente.

— Eu te segurei porque não suportaria ver você se apagar — rebateu ele, aproximando-se mais, forçando-a a olhar para cima para manter o contato visual. — Eu disse que você era cheia de surpresas quando te vi transformar. Aquele brilho... o Dreamix... foi a coisa mais magnífica que já vi. E eu já vi muita coisa em séculos de existência.

Bloom sentiu o calor do próprio corpo aumentar, mas não era apenas o fogo do dragão. Era a audácia dele. Jim estendeu a mão, não para atacá-la, mas em um gesto quase suplicante, interrompido no ar.

— O que você quer, Jim? — perguntou ela, tentando recuperar a compostura. — A Terra do Nunca está em paz. Peter Pan e o filho dele não são mais seus alvos. Por que voltar?

Jim soltou um suspiro curto, um sorriso de canto surgindo em seus lábios, o que o tornava irritantemente atraente.

— A Terra do Nunca é pequena demais para o que eu desejo agora — confessou ele, os olhos violetas brilhando com uma obsessão renovada. — Eu vi você lutar. Eu vi você liderar. E eu vi como aquele príncipe do seu mundo não soube te segurar. Ele te perdeu, Bloom. Ele deixou a fada mais poderosa do universo escapar por entre os dedos porque ele queria uma boneca, não uma rainha de fogo.

Bloom sentiu o sangue subir ao rosto.

— Você não sabe nada sobre o Sky ou sobre mim!

— Eu sei o suficiente — interrompeu ele, a voz agora como um sussurro magnético. — Eu sei que você gosta de ser desafiada. Sei que você odeia receber ordens, mas adora quando alguém tem a coragem de te enfrentar de igual para igual. Eu não sou um príncipe perfeito, Bloom. Eu sou um pirata, um traidor, um homem que caiu e se levantou. E eu sou o único que pode realmente entender a escuridão que você esconde sob essa luz toda.

Ele deu o passo final, entrando no espaço pessoal dela. Bloom deveria ter conjurado uma explosão, deveria ter voado para longe, mas seus pés pareciam presos ao chão. O cheiro dele — sal marinho e algo cítrico, como tempestade iminente — a envolveu.

— Eu quero você, Bloom — declarou ele, sem um pingo de hesitação. — Não como uma aliada, não como uma ferramenta. Eu quero você para mim. Quero ouvir você chamar meu nome quando não houver mais ninguém por perto. Quero que você esqueça que qualquer outro homem já tocou sua mão.

— Você é louco — sussurrou ela, embora o coração estivesse martelando contra as costelas.

— Sou louco por não ter te levado comigo quando tive a chance — ele respondeu, a mão finalmente encontrando o rosto dela, o polegar acariciando a maçã da face com uma delicadeza que contrastava com suas palavras possessivas. — Aquele príncipe... ele teve a chance dele e falhou. Eu não vou dar essa oportunidade a ele novamente. Nem a ele, nem a ninguém do seu Universo Mágico.

Bloom sentiu a respiração falhar. A traição ainda doía, uma ferida aberta e latejante em sua confiança. Ela se lembrou de como ele a olhara no navio, com frieza, antes de revelar suas verdadeiras intenções.

— Você me traiu, Jim. Você quebrou a pouca confiança que eu tinha depositado em você. Como espera que eu acredite em uma única palavra que sai da sua boca?

— Não acredite nas minhas palavras — disse ele, aproximando o rosto do dela, até que suas testas se encostassem. — Acredite no que você sente agora. Acredite no fogo que está tentando me queimar, mas que só me faz querer chegar mais perto.

A mão dele desceu do rosto para o pescoço dela, os dedos se enroscando nos fios ruivos. Bloom soltou um suspiro trêmulo, uma luta interna travada entre a fada que protegia o mundo e a mulher que ansiava por algo que não fosse tão... correto.

— Eu te odeio — disse ela, embora a convicção estivesse se esvaindo.

— Ótimo — murmurou Jim, o rosto a centímetros do dela. — O ódio é um sentimento muito mais honesto que a gratidão. Começaremos por aí.

Antes que ela pudesse formular qualquer contra-argumento, ele a beijou. Não foi um beijo de contos de fadas, suave e respeitoso. Foi um beijo de pirata: urgente, exigente e carregado de uma fome que dizia que ele nunca a deixaria ir. Bloom, por um segundo, tentou empurrá-lo, mas suas mãos, em vez de criarem chamas, agarraram a jaqueta dele, puxando-o para mais perto.

O calor do fogo do dragão encontrou a frieza calculista do capitão, e por aquele momento, a Terra do Nunca desapareceu. Havia apenas a ruiva e o homem de olhos violetas, em uma dança perigosa de perdão e desejo. Jim sorriu contra os lábios dela, sabendo que a primeira batalha para conquistá-la estava ganha. Ele não queria apenas o reino; ele queria a alma da fada que o fizera sentir-se vivo novamente. E ele estava disposto a queimar o mundo inteiro para garantir que ela fosse dele, e de mais ninguém.

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