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Broken orders

Fandom: FayeYoko

Criado: 21/09/2026

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Cinzas e Controle

O som estridente dos pneus cantando contra o asfalto da avenida principal era a única melodia que Faye Malisorn precisava para se sentir viva. O ponteiro do velocímetro de sua Ferrari vermelha beirava o limite da sanidade, mas ela não se importava. Com uma mão no volante e a outra segurando um cigarro aceso, ela soltou a fumaça lentamente, observando pelo retrovisor as luzes azuis e vermelhas que tentavam, inutilmente, alcançá-la.

Ela havia furado três sinais vermelhos nos últimos dez minutos. Por quê? Porque Yoko havia dito, por telefone, que ela deveria estar em casa às oito em ponto para o jantar. E nada dava mais prazer a Faye do que desafiar as ordens da mulher que governava sua vida com punhos de ferro e luvas de seda.

Faye estacionou o carro de qualquer jeito em frente à mansão, deixando a marca dos pneus gravada no concreto impecável. Ela desceu, jogando a bituca do cigarro no chão e esmagando-a com a ponta da bota de couro. Ao entrar, o silêncio da casa era quase ensurdecedor, interrompido apenas pelo som rítmico de páginas sendo viradas.

Yoko Apasra estava sentada na poltrona de veludo da biblioteca, um livro de capa dura em mãos e uma taça de vinho intocada na mesa lateral. Ela nem sequer levantou os olhos quando Faye entrou, exalando o cheiro de adrenalina e tabaco.

— Você está trinta e dois minutos atrasada — disse Yoko, sua voz era um fio gelado que cortava o ar. — E o capitão da polícia me ligou. De novo.

Faye soltou uma risada anasalada, jogando a jaqueta no chão e caminhando até Yoko com passos predatórios. Ela se inclinou sobre a poltrona, cercando o espaço da namorada.

— E o que você disse a ele, meu amor? — Faye provocou, soprando o resto do cheiro de cigarro propositalmente perto do rosto de Yoko. — Que a sua namorada é indomável?

Yoko finalmente fechou o livro com um estalo seco. Seus olhos escuros encontraram os de Faye, desprovidos de qualquer calor imediato, mas carregados de uma possessividade que faria qualquer outra pessoa tremer.

— Eu disse a ele que a minha namorada é uma criança mimada que não sabe seguir regras — Yoko respondeu, levantando-se lentamente. Mesmo sendo dez centímetros mais baixa, sua presença parecia ocupar todo o cômodo. — E que eu cuidaria pessoalmente da punição dela.

Faye sorriu, um sorriso sarcástico e cheio de dentes. Ela adorava quando Yoko assumia aquele tom de superioridade.

— Punição? — Faye deu um passo à frente, colando seus corpos. — Você adora brincar de ser a chefe, não é? Mas aqui dentro, Yoko, você sabe que eu só faço o que eu quero.

Yoko levou a mão ao pescoço de Faye, apertando levemente, o suficiente para sentir a pulsação acelerada da outra.

— Você faz o que eu permito que você faça — corrigiu Yoko, a voz agora mais baixa, quase um sussurro perigoso. — Você cheira a cigarro. Eu já disse que detesto esse hábito.

— E eu já disse que adoro quando você tenta me proibir — Faye rebateu, a teimosia brilhando em seus olhos. — Por que não me faz parar?

O desafio pairou no ar como eletricidade antes de uma tempestade. Yoko não respondeu com palavras. Em vez disso, ela empurrou Faye contra a estante de livros. O impacto fez alguns volumes caírem no chão, mas nenhuma das duas se importou. Yoko segurou o rosto de Faye com força, seus dedos cravando-se na pele clara.

— Você é um desastre, Faye Malisorn — murmurou Yoko, antes de atacar os lábios de Faye com um beijo que era mais uma batalha do que um carinho.

Havia gosto de vinho, tabaco e uma necessidade desesperada de domínio. Faye gemeu contra a boca de Yoko, suas mãos descendo para a cintura da menor, puxando-a para mais perto, querendo fundir seus corpos. O beijo era agressivo, uma troca de mordidas e puxões de lábio que deixariam marcas no dia seguinte.

Faye separou-se por um segundo, a respiração errática, a arrogância ainda presente em seu olhar.

— O seu controle está escapando, Yoko? — provocou ela, arqueando uma sobrancelha. — Você parece um pouco... desesperada.

Yoko soltou um riso frio, seus olhos brilhando com uma mistura de narcisismo e desejo.

— Desesperada? Não. Eu só estou decidindo qual parte de você eu vou quebrar primeiro hoje.

Ela empurrou Faye novamente, desta vez em direção à mesa de centro de vidro. Faye, em sua impulsividade, puxou o caminho de mesa, derrubando a taça de vinho que se estilhaçou no chão. O líquido tinto espalhou-se como sangue pelo tapete claro.

— Olha o que você fez — disse Yoko, observando a bagunça com um brilho de satisfação cruel. — Mais um erro para a sua conta.

— Eu não me importo com a conta — Faye rosnou, avançando sobre Yoko e derrubando-a no sofá. — Eu só me importo com o fato de que você é minha. Só minha.

Faye enterrou o rosto no pescoço de Yoko, mordendo a pele macia logo acima da clavícula. Ela sentiu Yoko arfar sob ela, as unhas da namorada cravando-se em suas costas, atravessando o tecido da camisa fina. Era uma marca de posse, um ferimento que Faye exibia com orgulho.

— Você é tão possessiva que chega a ser patético — Yoko sussurrou no ouvido de Faye, embora suas mãos estivessem puxando o cabelo da mais velha para trás, forçando-a a olhar em seus olhos.

— E você é tão controladora que esquece de viver — Faye retribuiu o insulto, mas seus olhos traíam a obsessão que sentia. — Admita, Yoko. Você precisa do meu caos. Sem mim, sua vida seria apenas um relatório de escritório chato e sem cor.

Yoko sorriu, um sorriso raro e genuinamente carinhoso, embora tingido pela toxicidade que as unia. Ela acariciou a bochecha de Faye, o polegar passando pelo lábio inferior inchado da namorada.

— Talvez. Mas mesmo o caos precisa de um mestre. E eu sou o seu.

— Tente me domar, então — Faye desafiou, a voz rouca.

O clima na sala mudou de agressivo para algo mais profundo e pesado. Yoko puxou Faye para outro beijo, este mais lento, mas não menos intenso. Suas mãos exploravam uma à outra com uma familiaridade perigosa. Faye era o fogo que consumia tudo, e Yoko era a mão que tentava conter as chamas, queimando-se no processo e adorando cada segundo da dor.

Minutos depois, entre suspiros e o som de roupas sendo descartadas, Faye parou, olhando para o rosto de Yoko. A luz da lua entrava pela janela, destacando os traços frios e perfeitos da mulher sob ela.

— Eu odeio o quanto eu te amo — Faye confessou, a sinceridade quebrando sua máscara de sarcasmo por um breve momento.

Yoko puxou a cabeça de Faye para baixo, encostando suas testas.

— E eu odeio o quanto você me dá trabalho. Mas eu nunca deixaria ninguém mais cuidar de você.

Faye sorriu, a possessividade brilhando novamente.

— Ninguém mais ousaria. Eles têm medo de você.

— Eles deveriam ter medo é de você — Yoko corrigiu, dando um beijo casto na ponta do nariz de Faye. — Agora, apague esse cigarro que eu sei que você escondeu no bolso de trás antes de subirmos. Se você fumar mais um hoje, eu tranco as chaves da Ferrari no cofre por uma semana.

Faye revirou os olhos, mas obedeceu, jogando o maço amassado longe.

— Você é uma ditadora.

— E você é minha súdita mais rebelde — Yoko finalizou, puxando-a para o quarto.

A noite continuaria assim, entre marcas de dentes, palavras ácidas e um amor que ninguém de fora conseguiria entender. Para o resto do mundo, Faye e Yoko eram um desastre iminente. Para elas, eram o único encaixe possível em um mundo que não aceitava nada menos do que a perfeição ou o caos absoluto. E elas tinham os dois.

Naquela noite, a Ferrari permaneceu fria na garagem, mas dentro da casa, o incêndio estava longe de ser controlado. Yoko tinha o controle, ou pelo menos a ilusão dele, e Faye tinha a adrenalina de ser a única pessoa capaz de desestabilizar a inabalável Yoko Apasra.

— Faye — chamou Yoko, quando já estavam entre os lençóis.

— O quê?

— Amanhã você vai pedir desculpas ao capitão. E vai pagar a multa sem reclamar.

Faye soltou um suspiro dramático, virando-se para o lado.

— Só se você usar aquele vestido preto no jantar de amanhã. O que eu gosto.

Yoko sorriu na escuridão, sentindo o peso do corpo de Faye contra o seu, as marcas em sua pele começando a arder de um jeito bom.

— Negócio fechado, encrenqueira.

— Eu te amo, controladora narcisista.

— Eu também te amo, sua idiota impulsiva.

E no silêncio que se seguiu, a única coisa que importava era o som das respirações sincronizadas, um breve momento de paz antes que o sol nascesse e a guerra recomeçasse. Porque para Faye e Yoko, o amor não era um porto seguro; era um campo de batalha, e nenhuma das duas pretendia se render.

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