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Jealous

Fandom: Bad Omens

Criado: 21/09/2026

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RomanceDramaFatias de VidaHumorCiúmesLinguagem ExplícitaEstudo de Personagem
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Acordes e Egos

O corredor que levava aos camarins da arena parecia um labirinto infinito de concreto pintado de cinza, repleto de cabos pretos grossos presos com fita adesiva no chão e caixas de som empilhadas. A energia pós-show da turnê Everyone’s a Star da banda 5 Seconds of Summer ainda reverberava pelas paredes. O som ensurdecedor da plateia aos poucos dava lugar ao burburinho abafado da equipe técnica desmontando a estrutura.

Nina caminhava com passos rápidos, os saltos das suas botas pretas ecoando com firmeza. Com seus 1,55m de pura presença, as curvas bem delineadas na calça de couro e os cabelos ruivos curtos emoldurando o rosto expressivo, ela praticamente puxava Noah Sebastian pela mão. Logo atrás vinham Jolly, Nick Rufilo com a noiva, e Nick Folio, todos admirando a grandiosidade da produção pop-rock que tinham acabado de assistir.

— Eu disse que o Luke tinha melhorado ainda mais nos vocais — comentou Nina, virando-se para trás com os olhos castanhos brilhando de entusiasmo. — Não disse, amor?

Noah, imponente em seus 1,92m de altura, com os ombros largos preenchendo a jaqueta preta e a franja repartida ao meio caindo de forma charmosa sobre os traços nipo-indígenas, sorriu de canto. O vocalista do Bad Omens era um homem de poucas palavras em ambientes cheios, reservado e observador, mas o brilho no olhar dele entregava a adoração pura pela namorada.

— O controle dele de diafragma na ponte da última música foi impecável — admitiu Noah, a voz grave e aveludada soando calma. — Mas você estava cantando mais alto do que o retorno de palco, garota.

— Ei, eu sou fã de carteirinha! — ela riu, batendo levemente o ombro no peito tatuado dele.

Quando viraram a esquina do lounge principal reservado aos artistas, a porta dupla se abriu repentinamente. De dentro surgiu Michael Clifford, rindo alto enquanto segurava uma garrafa de água. No segundo em que seus olhos bateram em Nina, o guitarrista arregalou os olhos e abriu um sorriso enorme.

— Minha ruiva favorita do jornalismo que virou rockstar! — gritou Michael, praticamente correndo para puxá-la em um abraço de urso desajeitado e carinhoso.

— Mikey! — Nina gargalhou, retribuindo o aperto enquanto ele a balançava de um lado para o outro.

Mas a recepção calorosa estava apenas começando. Logo atrás de Michael, saindo do lounge com uma toalha pendurada no pescoço e a regata preta úmida de suor, veio Calum Hood. O baixista australiano de 1,90m, com a pele bronzeada, traços maori marcantes e tatuagens espalhadas pelos braços musculosos, parou estático por um segundo antes de quebrar em um sorriso radiante.

— Nina?! Não acredito que você veio mesmo! — exclamou Calum, aproximando-se com passos largos.

Antes que Nina pudesse responder, Calum a puxou para si com uma familiaridade assustadora. Ele não apenas a abraçou: ele a ergueu do chão, girando o corpo dela no ar em um círculo completo enquanto ela soltava um gritinho surpreso seguido de uma risada genuína.

Dois passos atrás, o semblante sereno de Noah Sebastian congelou.

Os olhos escuros de Noah se estreitaram quase imperceptivelmente. Sua postura relaxada se transformou em uma rigidez marcial, o queixo quadrado se erguendo alguns milímetros enquanto seus olhos mediam a mão de Calum repousando firme na cintura fina de Nina, muito além do tempo socialmente aceitável para um mero "olá".

Quando Calum finalmente a colocou no chão, ele manteve uma das mãos no ombro dela, o olhar descendo e subindo por ela com um brilho nostrófico e descarado.

— Você está incrível, baixinha. Faz o quê, quase dois anos? — disse o baixista, a voz rouca e o sotaque australiano carregado.

— Por aí! — Nina recuperou o fôlego, limpando a garganta e notando a atmosfera subitamente gélida ao lado. Rapidamente, ela deu um passo lateral, entrelaçando seus dedos nos de Noah e puxando o namorado para o centro da conversa. — Meninos, quero apresentar alguém. Este é o Noah. Noah, este é o Michael, o Luke e o Ashton que estão ali dentro... e o Calum.

Luke Hemmings e Ashton Irwin acenaram da mesa de bebidas com sorrisos simpáticos, enquanto Michael apertou a mão de Noah com entusiasmo, já emendando elogios sobre a mixagem do último álbum do Bad Omens.

Calum, no entanto, encarou a mão de Nina entrelaçada na de Noah. Seus olhos subiram devagar, medindo a envergadura de Noah, as tatuagens no pescoço e a mandíbula travada do homem que conseguia ser ligeiramente mais alto que ele próprio.

— Ah... — Calum soltou uma risada nasalada, meio debochada, meio surpresa. — Puxa vida, você ainda gosta de caras de banda, Nina? Pensei que você tinha superado essa fase depois de mim.

O ar no corredor pareceu rarefeito.

Noah não piscou. Uma sobrancelha escura se arqueou devagar sobre os olhos castanhos. Em sua mente, as peças do quebra-cabeça se encaixaram em uma fração de segundo: a história do ex-namorado da época em que ela cobria música como jornalista, o término amigável de um ano de namoro por causa de agendas, os reencontros casuais e aquela ponta de saudosismo velado.

Calum Hood era o ex.

Nina engoliu em seco, sentindo a tensão vibrar na mão de Noah.

— Calum, por favor... — advertiu ela em um tom baixo, repreensivo.

Antes que uma resposta pudesse ser formulada, uma voz feminina animada cortou o clima pesado.

— Nina!

Crystal Leigh e Sierra Deaton surgiram de uma porta lateral. Crystal, esposa de Michael e amiga de longa data de Nina, praticamente correu para abraçá-la, ignorando solenemente os olhares de confronto masculino que se desenrolavam no centro do tapete.

— Meu Deus, você conseguiu vir! — Crystal a soltou, olhando-a de cima a baixo antes de desviar os olhos azuis diretamente para Noah, que ainda encarava Calum. Crystal sorriu abertamente, dando uma cotovelada cúmplice na costela de Nina. — E esse é o cara de quem você não para de falar nas nossas ligações? Garota... mandou bem demais. Parabéns pelo upgrade.

Sierra soltou uma risadinha discreta, concordando com um aceno elegante de cabeça ao cumprimentar o vocalista:

— Muito prazer, Noah. Sou uma grande admiradora do seu alcance vocal.

— O prazer é todo meu, Sierra. Crystal — Noah respondeu, sua voz recuperando a compostura impecável e o tom cavalheiro, embora seus olhos tenham voltado para Calum por uma fração de segundo para garantir que o australiano tinha ouvido a palavra "upgrade".

Calum apenas cruzou os braços tatuados sobre o peito, um sorriso desafiador brincando nos cantos de sua boca.

O grupo acabou migrando para o lounge privativo, onde sofás de couro, uma mesa de sinuca e um frigobar recheado tentavam acomodar a comitiva inteira. Nick Folio e Ashton rapidamente se enfiaram em uma conversa técnica sobre afinação de caixas de bateria, enquanto Jolly e Luke debatiam pedais de distorção no canto da sala.

Foi então que a disputa silenciosa e infantil começou.

Tudo começou na mesa de sinuca. Calum pegou um taco com a naturalidade de quem era dono do lugar, gizou a ponta com um floreio dramático e olhou diretamente para Noah.

— Joga, Sebastian? Ou seu negócio é só gritar em microfones caros?

Noah soltou uma risada baixa, quase inaudível, largando sua garrafa de água em uma mesinha lateral.

— Eu me viro bem com as mãos — respondeu ele com tranquilidade fria.

O que se seguiu foi uma das partidas mais tensas e ridículas que aquele camarim já presenciou. Calum tentava jogadas de efeito, inclinando o corpo de forma teatral sobre a mesa para exibir as costas largas e o bíceps torneado, acertando bolas improváveis e lançando olhares de soslaio para Nina, que estava sentada no sofá conversando com Crystal.

Noah, por sua vez, jogava com a frieza de um mestre de xadrez. Seus movimentos eram calculados, as costas largas desenhando uma linha reta perfeita sob a jaqueta quando ele se debruçava sobre o feltro verde. Em três tacadas cirúrgicas, ele limpou metade da mesa sem sequer alterar a respiração.

No meio de uma comemoração provocativa após encaçapar uma bola difícil, Noah pegou uma garrafa de cerveja para dar um gole. No movimento, calculou mal o ângulo ao se virar e um jato de espuma gelada espirrou diretamente no peito de sua camiseta de algodão preta, ensopando o tecido colado.

— Merda — murmurou Noah, com um suspiro calmo.

Sem a menor cerimônia, ele segurou a barra da camiseta e a puxou pela cabeça com um movimento fluido.

O lounge pareceu perder o oxigênio por um instante.

Com 1,92m de puro músculo esculpido por anos de treinos pesados de academia e jiu-jitsu, o tronco de Noah era um monumento à anatomia. O peitoral definido, o abdômen trincado cortado em linhas perfeitas e as tatuagens intrincadas que cobriam seus braços, clavículas e subiam pelo pescoço ficaram totalmente expostos.

No sofá, Crystal parou a frase no meio, arregalando os olhos em choque antes de sussurrar para Nina:

— Pelo amor de Deus, amiga, você está alimentando esse homem com o quê? Concreto e arte pura?

Até Sierra desviou o olhar com um sorriso contido de apreciação estética. Nina sentiu o rosto queimar em um tom vibrante de vermelho, entre o orgulho e o desespero puro ao ver as bochechas coradas das amigas.

Calum observou a cena, engoliu em seco e sentiu o orgulho masculino ser mortalmente ferido.

— Cara, esse ar-condicionado está no máximo e ainda assim parece uma sauna aqui dentro — Calum disparou de repente, puxando a própria toalha do pescoço. — Vocês não acham? Ridículo como esses lugares economizam em ventilação.

Em menos de três segundos, Calum puxou sua regata preta pela cabeça com um floreio exagerado, jogando-a displicentemente sobre uma cadeira para exibir seu próprio físico bronzeado, esguio e tatuado.

Noah olhou para o teto, balançando a cabeça com um sorriso sarcástico que não escondia o desprezo divertido pela manobra desesperada do baixista.

Michael Clifford, encostado na parede com uma lata de refrigerante, assistia a tudo com os olhos semicerrados e a cabeça balançando em incredulidade.

— Vocês dois são inacreditáveis — zombou Michael. — Parece um concurso de fisiculturismo dos anos 90, só que com tatuagens ruins e problemas emocionais não resolvidos.

Mas a trégua forçada durou pouco.

Meia hora depois, com os ânimos supostamente mais brandos, o grupo se reuniu ao redor da mesa de centro cheia de petiscos. O assunto da recente campanha de fotos que Nina havia feito surgiu na roda quando Nick Rufilo comentou sobre o sucesso da marca de Elena, a melhor amiga estilista de Nina.

— As fotos ficaram profissionais demais, Nina — elogiou Rufilo. — Elena disse que o estoque da loja esgotou em duas horas no lançamento da linha de lingerie.

Calum, recostado no encosto do sofá com os braços abertos, soltou um estalo com a língua e sorriu de lado, fitando Nina com intimidade excessiva.

— Ah, eu vi as fotos no Instagram — disse Calum, o tom perigosamente aveludado. — O tecido de renda vermelha caiu perfeitamente em você, Nina. Mas convenhamos, seu corpo sempre foi impecável. Não é surpresa nenhuma. Eu lembro muito bem da época em que a gente viajava em turnê juntos... a gente não perdia um segundo sequer nos bastidores.

Um silêncio constrangedor pairou sobre a mesa. Jolly congelou com uma azeitona a meio caminho da boca.

Calum inclinou-se para a frente, apoiando os cotovelos nos joelhos e lançando um olhar provocador diretamente nos olhos de Noah:

— Tinha dias que eu a levava ao delírio nos camarins antes mesmo da passagem de som. Duas vezes seguidas até ela quase não conseguir ficar de pé no palco para trabalhar. Bons tempos, né, baixinha?

Nina sentiu o sangue sumir do rosto, substituído por uma onda avassaladora de fúria e humilhação. Ela abriu a boca para estraçalhar Calum verbalmente, mas Noah foi mais rápido.

Noah nem sequer se inclinou. Ele apenas deu um gole lento em sua bebida, apoiou o copo de vidro na mesa com um clique limpo e encarou Calum com os olhos castanhos transbordando um sarcasmo cortante.

— Duas vezes, Hood? — Noah soltou uma risada nasalada e condescendente. — Puxa, que desempenho comovente. Mas você só conseguiu fazê-la ver estrelas duas vezes em uma tarde? Da última vez que estivemos no meu apartamento em Los Angeles, eu fiz isso quatro vezes antes de o sol se pôr.

— Noah! — o grito de Nina ecoou pela sala como um trovão.

A ruiva levantou-se num salto tão violento que derrubou uma tigela de amendoins no chão de madeira. O impacto seco quebrou a tensão de testosterona acumulada.

— Chega! — berrou Nina, os punhos cerrados ao lado do corpo, os olhos faiscando enquanto ela apontava o dedo indicador furiosamente primeiro para o ex e depois para o namorado. — As duas crianças de trinta anos já terminaram de medir os próprios paus na frente de todo mundo, ou vocês querem que eu traga uma fita métrica do camarim de costura?!

Calum recuou as costas contra o sofá, subitamente parecendo um garoto de quinze anos sendo repreendido pela diretora da escola.

Noah fechou a boca imediatamente, a postura altiva murchando enquanto seus olhos encontravam o olhar chamejante da mulher que ele amava.

— Calum, você cale essa boca sobre o meu trabalho e sobre coisas que aconteceram há quase cinco anos! — ela esbravejou, a voz trêmula de irritação. — E você, Noah Sebastian, pare de agir como um troglodita territorial que acabou de sair de uma caverna! Eu não sou um troféu de campeonato de vocês!

Ninguém ousava respirar. Michael Clifford cobriu a boca com a mão para disfarçar um riso nervoso, enquanto Crystal puxava a manga do marido para não fazer barulho.

Sem esperar por uma resposta, Nina deu meia-volta com passos duros, atravessou a porta do lounge e bateu-a com força suficiente para estremecer a moldura.

O silêncio que sobrou no recinto era ensurdecedor.

Noah passou a mão tatuada pelo rosto, puxando a franja para trás. O calor da vergonha subiu pelo seu pescoço. Ele olhou para os próprios pés descalços de camisa, sentindo o peso ridículo da situação. Ele era um homem crescido, vocalista respeitado, praticante de artes marciais focado em disciplina mental, e havia acabado de se rebaixar a uma disputa de ego digna de um reality show barato de televisão.

Ele soltou uma respiração longa e pesada, virando-se para a porta por onde Nina havia saído.

— Mandou mal, cara — comentou Jolly em um sussurro solidário do outro lado da sala.

— Eu sei — respondeu Noah, a voz carregada de arrependimento genuíno.

Noah pegou sua camiseta limpa que estava na mochila, vestiu-a rapidamente e caminhou até o sofá onde Calum ainda estava sentado, com uma expressão atordoada no rosto.

Noah parou diante do baixista. Não havia mais postura de confronto, nem músculos retesados, apenas o cansaço maduro de quem percebeu o erro.

— Ei, Hood — chamou Noah, a voz baixa.

Calum ergueu os olhos, defensivo a princípio.

— Olha... — Noah coçou a nuca, estendendo a mão direita de forma aberta e sincera. — Me desculpe por isso. Foi uma atitude idiota, imatura e completamente desnecessária da minha parte. Você fez parte da vida dela, respeito a história de vocês e o trabalho que vocês fazem aqui. Eu deixei o ciúme falar mais alto do que a minha razão, e isso foi injusto com você e, principalmente, com a Nina.

Calum piscou, surpreso com a franqueza desarmada do outro músico. O baixista australiano olhou para a mão estendida de Noah e depois para o rosto calmo do vocalista. A arrogância brincalhona de Calum desmoronou, dando lugar ao homem gente boa que seus amigos conheciam.

Calum soltou uma risada fraca, esticou o braço e apertou a mão de Noah com firmeza.

— Eu que tenho que pedir desculpas, Sebastian — admitiu Calum, balançando a cabeça. — Eu passei do ponto feio. Quis dar uma de engraçadinho porque... bem, ela é incrível, e vê-la com um cara que é claramente foda ativou meu lado babaca. Fui um idiota sobre o ensaio dela. Ela trabalhou duro pra caramba nisso.

Noah soltou um sorriso breve, balançando a cabeça em concordância.

— Ela é incrível mesmo — concordou Noah, suspirando. — E agora nós dois provavelmente vamos ter que implorar de joelhos pelo resto da noite para ela não quebrar nossos instrumentos.

Michael Clifford soltou uma gargalhada alta do canto da sala.

— Amigo, você não sabe o que é a fúria daquela ruiva brava. Se eu fosse você, levava um café caro e pedia perdão antes que ela decida voltar para Los Angeles de carona com os caminhões de som!

— É um bom conselho — disse Noah, dando um tapinha no ombro de Calum, selando a paz entre os dois gigantes. — Vou atrás dela.

— Boa sorte, cara — desejou Calum, genuinamente solidário. — Você vai precisar.

Noah assentiu com a cabeça, despediu-se rapidamente do restante dos rapazes com um aceno respeitoso e saiu em passos rápidos pelo corredor cinzento, pronto para fazer a única coisa que realmente importava: consertar as coisas com a mulher dona de todo o seu coração.

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