Fanfy
.studio
Imagem de fundo

Hit me 2

Fandom: Alien stage

Criado: 22/09/2026

Tags

RomanceDramaAngústiaFatias de VidaPsicológicoEstudo de PersonagemCiúmesLinguagem Explícita
Índice

Ecos de um Passado em Cor-de-Rosa e Roxo

O barulho dos armários de metal batendo ecoava pelos corredores amplos da Pine Academy, um som que Mizi já estava acostumada a ignorar. Ela estava encostada em seu armário, a saia preta curta e a camisa branca com o último botão aberto dando a ela aquele ar de desleixo planejado que só quem é absurdamente bonita consegue sustentar. Em uma das mãos, ela segurava uma lata de Monster branco, o líquido gelado e doce sendo a única coisa que a mantinha funcional naquela manhã de terça-feira.

Ao seu lado, Marty e Mary ouviam atentamente. Marty, com seu jeito sempre impecável e moderno, ajustava a alça da mochila enquanto Mary, cujos cabelos castanhos pareciam ter vida própria de tão ondulados, mastigava um chiclete com uma expressão de choque que não conseguia dissimular.

— Peraí, deixa eu ver se eu entendi direito — Mary interrompeu, soltando um palavrão logo em seguida para enfatizar sua surpresa. — Você tá me dizendo que a Sua, aquela de cabelo preto e cara de quem morreu por dentro, já foi sua namorada? Tipo, namorada de verdade?

Mizi deu um gole longo no energético, sentindo o gás pinicar a garganta. Ela olhou para o nada por um momento, as pontas azuis de seu cabelo rosa balançando levemente.

— É, Mary. Namorada. Mas não começou... bem. Na verdade, começou do jeito mais escroto possível — Mizi deu um sorriso amargo, o sarcasmo pingando de sua voz. — Eu sabia que ela gostava de mim. A Sua sempre foi muito na dela, melancólica, desenhando nos cantos, mas eu descobri. E, na época, eu era uma babaca completa. Eu não gostava dela, ou achava que não gostava. Então pensei: "por que não brincar um pouco?".

Marty arqueou uma sobrancelha, cruzando os braços.

— Você tentou iludir a garota só por diversão? Caralho, Mizi, isso é pesado até para os seus padrões de frieza.

— Eu sei, Marty. Eu sei — Mizi suspirou, sentindo o peso do olhar dos dois. — Eu agia de um jeito ácido, sabe? Tratava ela mal, era fria, mas aceitei ficar com ela só pra ver até onde ia. Eu queria ver ela se desmanchar por mim enquanto eu não sentia nada. Ou era o que eu dizia para mim mesma.

— E como o resto do grupo dela entrou nisso? — perguntou Marty.

— A Hyuna descobriu — Mizi apertou a lata de alumínio. — Aquela garota tem um radar para merda. Ela me encurralou bem ali, naquele corredor que dá para o ginásio. Ela gritou comigo, jogou na minha cara o quanto eu estava sendo podre. E o pior é que ela tinha razão. Foi ali que a ficha caiu.

— E você contou a verdade para a Sua? — Mary perguntou, os olhos arregalados.

— Contei. Eu não conseguia mais sustentar a mentira. Eu expliquei para ela que eu não sabia o que sentia. Eu dizia que a odiava porque o sentimento era confuso demais para eu dar um nome. Eu usava a minha acidez como um escudo. Mas a verdade... a verdade é que, mesmo quando eu fingia odiar, eu admirava ela. O jeito que ela via o mundo, os desenhos dela.

Mizi fez uma pausa, o silêncio entre os três sendo preenchido apenas pelo burburinho distante de outros alunos.

— Depois daquela lavagem de roupa suja, a gente se aproximou de um jeito estranho. Viramos amigas, começamos a ficar e, eventualmente, namoramos. Foi real por um tempo.

— Mas então... o que rolou? — Mary se inclinou para frente, a curiosidade brilhando. — Porque hoje em dia, se a Sua te vê no corredor, parece que ela quer invocar um demônio pra te levar. E a Hyuna te olha como se você fosse lixo. Até o Till, que todo mundo sabe que tinha um penhasco por você, agora fala de você como se você tivesse matado o cachorro dele.

Mizi desviou o olhar, fixando-o em um cartaz de baile de formatura colado na parede oposta. O brilho sarcástico em seus olhos dourados desapareceu por um instante, dando lugar a uma sombra densa.

— A gente teve uma briga. Uma briga feia. Algo que quebrou tudo — a voz de Mizi baixou de tom, perdendo o rastro de deboche. — Eu fiz algo, ou ela fez, ou nós duas fizemos... não importa. O que importa é que depois daquele dia, o amor dela virou ódio puro. O Ivan ficou desapontado, o Luka nem me olha na cara e o Till... bem, o Till agora me detesta tanto quanto os outros.

— Mas o que exatamente aconteceu nessa briga? — Marty tentou sondar, a voz mais suave.

Mizi terminou o Monster em um último gole ruidoso e amassou a lata com uma força desnecessária.

— Isso eu não conto. Nem pra vocês. É uma merda que vai ficar enterrada.

Marty e Mary se entreolharam. O clima tinha mudado drasticamente. Eles sabiam que Mizi não era de esconder as coisas por drama; se ela não queria falar, é porque o buraco era muito mais embaixo. Respeitaram o silêncio, sentindo que tocar naquele assunto era como caminhar sobre vidro quebrado.


Enquanto isso, no pátio externo da Pine Academy, o cenário era completamente diferente. Sentados em uma das mesas de madeira sob a sombra de uma árvore frondosa, o grupo de amigos que Mizi acabara de mencionar estava reunido.

Sua estava sentada ao lado de Acorn. Ele era alto, forte, com cabelos marrons lisos que caiam sobre os olhos, e mantinha um braço protetor ao redor dos ombros dela. Sua, com seus olhos roxos profundos e a franja milimetricamente cortada, parecia distante, embora estivesse presente na conversa. Ela usava o uniforme perfeitamente — camisa fechada até o último botão e gravata impecável.

— Eu juro por Deus, se o professor de física passar mais um trabalho em grupo, eu vou chutar a canela dele — resmungou Till, bagunçando ainda mais os cabelos cinzas. Ele estava sentado de frente para os outros, balançando as pernas inquieto.

— Você reclama de tudo, Till — Hyuna riu, ajeitando a saia curta. Ela exalava uma aura de confiança que a tornava naturalmente popular. — É só o terceiro ano sendo o terceiro ano. Relaxa.

— Relaxar é o cacete — Till retrucou, mas havia um sorriso de canto nos lábios. — E você, Luka? Já terminou a lista de exercícios, né? Nem precisa perguntar.

Luka, de óculos e blazer preto, apenas deu de ombros com um meio sorriso.

— Terminei ontem à noite. Se quiserem, eu ajudo depois do treino.

— Você é um anjo, loirinho — Hyuna piscou para ele. Luka desviou o olhar, um pouco sem jeito, mas mantendo o bom humor.

Ivan, que estava encostado na mesa comendo um pacote de balas de goma, observava Till com uma intensidade que ninguém parecia notar. Ele adorava provocar o amigo de cabelos cinzas, mas naquele momento, estava apenas contente em vê-lo reclamar.

— O Till só está estressado porque não consegue focar em nada que não tenha distorção de guitarra — provocou Ivan, jogando uma bala para cima e pegando-a com a boca. — Quer um doce, revoltadinho?

— Vai se ferrar, Ivan! — Till bufou, mas aceitou a bala que o moreno lhe estendeu.

A conversa fluía de forma natural entre eles, mas o clima mudou ligeiramente quando Sua se mexeu, ajustando a alça da mochila. Acorn percebeu e apertou levemente o ombro dela.

— Tudo bem, Sua? — ele perguntou com a voz grossa, mas gentil.

— Sim — ela respondeu de forma curta, sua voz melancólica carregando aquela frieza característica que ela mantinha para o mundo exterior. — Só estou pensando no projeto de artes.

Hyuna olhou para a amiga com um olhar de cumplicidade. Ela era a única ali que realmente sabia a profundidade das cicatrizes que Sua carregava. Sabia que, por trás daquela fachada de namoro perfeito com Acorn e da popularidade silenciosa, havia um ressentimento que queimava toda vez que o nome "Mizi" era mencionado ou quando o cabelo rosa da outra garota brilhava ao longe nos corredores.

— A gente pode passar na livraria depois da aula se quiser buscar referências — sugeriu Hyuna.

— Pode ser — concordou Sua, embora seus olhos roxos parecessem fixos em um ponto invisível no horizonte.

Ivan, notando o silêncio repentino da irmã, resolveu quebrar o gelo do jeito que melhor sabia fazer: sendo irritante.

— Ei, Sua, o Acorn tá te tratando bem ou eu vou ter que bater nele? — Ivan sorriu, sabendo que o namorado da irmã era o dobro do seu tamanho.

— Cala a boca, Ivan — Sua respondeu, mas um pequeno e quase imperceptível sorriso surgiu em seus lábios. — Ele é muito melhor do que você.

— Ofensivo. Muito ofensivo — Ivan fingiu estar magoado, voltando sua atenção para Till. — Viu só? Minha própria família me ataca.

Till revirou os olhos verdes, mas não conseguiu evitar uma risada curta.

— Você merece, cara. Você é insuportável.

A dinâmica do grupo era sólida, forjada desde o oitavo ano. Eles eram a elite da Pine Academy, não por arrogância, mas por uma conexão que parecia inquebrável. No entanto, o fantasma de Mizi pairava sobre eles como uma nuvem de tempestade que todos fingiam não ver. Para Till, ela era a decepção de uma beleza que escondia um caráter duvidoso. Para Ivan, era a pessoa que machucou sua irmã. Para Luka, era apenas alguém que não merecia sua atenção. E para Hyuna e Sua... Mizi era a ferida que nunca cicatrizava totalmente.

De volta ao interior da escola, o sinal tocou, anunciando o início da próxima aula. Mizi se despediu de Marty e Mary com um aceno de mão, jogando a lata vazia no lixo com uma precisão cirúrgica.

— Vejo vocês no almoço — disse ela, a voz voltando ao tom sarcástico e descontraído de sempre.

Caminhando em direção à sala de aula, ela passou pelo corredor principal. Foi quando os viu. O grupo de cinco, atravessando a porta de vidro que vinha do pátio.

O tempo pareceu desacelerar por um microssegundo. Mizi manteve o passo firme, a expressão fria e indiferente. Ela viu Hyuna rindo de algo que Luka disse. Viu Ivan provocando Till. E, finalmente, viu Sua.

Sua estava de mãos dadas com Acorn. Quando seus olhos se cruzaram com os de Mizi, não houve saudade, não houve hesitação. Houve apenas um vácuo. Um ódio tão cristalizado que era quase palpável. Sua não desviou o olhar; ela simplesmente olhou através de Mizi, como se ela fosse um fantasma incômodo ou um pedaço de mobília velha.

Mizi sentiu um aperto no peito, mas seu rosto não vacilou. Ela apenas apertou a alça da mochila e continuou andando, o som de seus sapatos ecoando no piso polido.

— É — murmurou Mizi para si mesma, assim que entrou na sala de aula vazia e se jogou em uma das últimas carteiras. — Ódio verdadeiro. Pelo menos nisso a gente concorda.

Ela abriu o caderno, mas não escreveu nada. Apenas ficou olhando para a capa, onde um pequeno adesivo de uma flor roxa, desbotado pelo tempo e quase arrancado, ainda resistia. Ela pensou em arrancá-lo de vez, mas, como sempre, fechou o caderno e deitou a cabeça sobre os braços, fechando os olhos para tentar dormir antes que o professor chegasse.

A Pine Academy continuava vibrante lá fora, cheia de dramas adolescentes, planos para o futuro e romances de ensino médio. Mas ali, naquele silêncio tenso entre as trocas de olhares nos corredores, a história de Mizi e Sua estava longe de ser apenas uma fofoca de corredor. Era uma guerra silenciosa, onde as memórias eram as únicas armas e o perdão parecia uma palavra estrangeira que ninguém ali sabia traduzir.

Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic

Novidades do Fanfy

Um novo modelo para suas histórias

Atualizamos o modelo de geração para deixar suas histórias ainda melhores. O novo modelo já está ativado.

Se preferir a versão anterior, escolha «Anterior» no menu do perfil: clique no seu avatar no canto superior direito.

Seus capítulos já escritos serão mantidos. Sua escolha vale para as próximas gerações.