
ERC×JOR
Fandom: Jogadores de Futebol
Criado: 22/09/2026
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Tatuagens, Sangue e Café da Manhã
A luz do sol carioca filtrava-se pelas cortinas pesadas de veludo da mansão na Barra da Tijuca, iluminando as partículas de poeira que dançavam no ar. Sobre a cama king-size, o contraste era absoluto. De um lado, Jorge Carrascal, com seus reflexos loiros bagunçados no topete e o abdômen tatuado subindo e descendo em uma respiração leve, quase rítmica. Do outro, Erick Pulgar, uma muralha de músculos cobertos por tinta escura, a palavra perseverance acima da sobrancelha parecendo um lembrete constante mesmo durante o sono.
Erick foi o primeiro a abrir os olhos. O olhar penetrante, que fazia homens feitos tremerem em reuniões da Cúpula, suavizou-se instantaneamente ao focar no homem ao seu lado. Ele estendeu a mão, os dedos longos e tatuados traçando levemente o contorno do beijo tatuado no pescoço de Jorge.
Jorge resmungou, um sorriso arteiro começando a brincar em seus lábios antes mesmo de abrir os olhos.
— Bom dia, papacito — murmurou Jorge, a voz rouca de sono, esticando-se como um gato, exibindo a vasta coleção de arte que cobria sua pele bronzeada.
— Já passamos da hora, Jorge — Erick respondeu, a voz grave e contida, embora o leve carinho no rosto do marido o traísse. — Santino já deve estar destruindo a cozinha.
Jorge soltou uma risada contagiante, sentando-se na cama e deixando que os lençóis caíssem, revelando o "98" na nuca enquanto se espreguiçava.
— Ele tem a quem puxar. A minha beleza e o seu temperamento de cão de guarda. É uma mistura perigosa, Erick.
Pulgar soltou um suspiro nasalado, levantando-se. Ele vestiu apenas uma calça de moletom preta, deixando o peitoral e as costas completamente fechados por tatuagens à mostra. O crucifixo de prata balançou em seu peito.
— Ele é teimoso como você, isso sim — retrucou Erick, caminhando em direção à porta. — E se ele quebrar aquela cafeteira nova que a minha mãe deu, eu não vou intervir quando você começar a gritar.
— Ah, você vai sim. Você sempre amansa a fera — Jorge provocou, saltando da cama e dando um tapa leve no ombro do marido ao passar por ele, a ginga colombiana presente até no caminhar matinal.
Ao descerem as escadas, o som de discussão já ecoava pelo corredor de mármore. Santino, aos 18 anos, era a imagem esculpida de Jorge: o mesmo porte atlético, o mesmo bronzeado e os traços latinos marcantes. No entanto, ele estava parado no meio da cozinha com os braços cruzados, uma expressão fechada e autoritária que era puramente Erick Pulgar.
— Eu já disse que não vou com esses seguranças novos, Carrascal! — Santino exclamou, a voz subindo de tom ao ver o pai entrar na cozinha. — Eles parecem sombras incompetentes. Eu sei me cuidar.
Jorge revirou os olhos, indo direto para a fruteira, pegando uma maçã e dando uma mordida sonora.
— Primeiro, bom dia para você também, pedaço de estresse — Jorge disse com a boca meio cheia, arrancando um olhar de reprovação de Erick. — Segundo, você é filho de dois dos homens mais procurados e respeitados do continente. Não é sobre você saber se cuidar, é sobre eu não querer ter que buscar seus pedaços em um beco qualquer.
— Você fala como se eu fosse uma criança! — Santino rebateu, batendo a mão na bancada. — Eu faço parte dos negócios agora. Se você não confia em mim...
— Santino. — A voz de Erick não foi alta, mas o tom de comando fez o jovem se calar instantaneamente.
Erick caminhou até o balcão, servindo-se de um café preto. Ele olhou para o filho adotivo, o olhar de "pitbull" que usava nos negócios suavizado apenas por um milímetro.
— Não é falta de confiança — disse Erick, calmamente. — É protocolo. E você sabe que sua avó Karina ligaria para o meu celular a cada cinco minutos se soubesse que você está circulando desprotegido. Você quer lidar com a dona Karina brava?
Santino murchou visivelmente. Ninguém na família Pulgar, nem mesmo o patriarca Pablo, ousava enfrentar a fúria silenciosa e o olhar decepcionado de dona Karina.
— Não — resmungou o rapaz, sentando-se em uma das banquetas. — Mas o Carrascal não precisa ser tão dramático.
— Dramático? Eu? — Jorge levou a mão ao peito, fazendo uma careta de choque fingido. — Eu sou a alegria desta casa, Santino! Sem a minha ginga e meu estilo, você e o Pulgar aqui seriam apenas dois blocos de gelo tatuados.
Erick soltou uma risada curta, a primeira do dia, e Jorge brilhou ao som dela. Era o seu triunfo diário: desarmar o mafioso chileno.
— Coma seu café, Jorge — Erick disse, aproximando-se e deixando um beijo rápido no topo da cabeça do marido, um gesto de afeto silencioso que valia mais que mil declarações.
— Vai sair hoje para o galpão? — Jorge perguntou, mudando o tom para algo mais sério, o olhar de mafioso profissional assumindo o lugar do brincalhão.
— Sim. Temos uma carga vindo de Antofagasta. Preciso que tudo esteja impecável. O pessoal da Cúpula está de olho — Erick respondeu, ajustando a pulseira vermelha no pulso.
— Eu vou com você — Jorge afirmou. Não era um pedido. — Santino, você fica com o tio Pablo hoje. Ele vai te mostrar a contabilidade da zona portuária. Sem discussões.
Santino abriu a boca para protestar, olhou para Jorge, depois para Erick, e percebeu que a frente unida dos pais era inquebrável naquele momento.
— Tá bom. Mas eu quero o carro novo — o jovem tentou uma última cartada.
— Nem pensar — disseram os dois, em uníssono.
Mais tarde, no escritório particular da mansão, o clima era diferente. Jorge estava sentado na beirada da mesa de mogno, brincando com um de seus anéis caros, enquanto observava Erick conferir alguns documentos no tablet. A luz incidia sobre o pescoço de Erick, destacando as tatuagens que contavam sua história, a perseverança de quem nasceu em berço de ouro, mas teve que lutar para manter cada centímetro daquele império.
Jorge sentiu aquela velha pontada de insegurança, algo que raramente admitia. Ele se lembrava de onde viera: das ruas de Cartagena, do suor do pai pedreiro, das mãos calejadas de dona Olga. Às vezes, o peso do sobrenome Pulgar ainda parecia grande demais para o menino que entregava marmitas.
— O que foi? — Erick perguntou, sem tirar os olhos da tela, mas percebendo a mudança na energia do marido.
— Nada, Erick. Só pensando... — Jorge deu de ombros, tentando recuperar o sorriso fácil. — Às vezes ainda acho engraçado como a gente acabou aqui. O chefe da máfia chilena e o malandro colombiano.
Erick largou o tablet e se levantou. Ele caminhou até Jorge, ficando entre as pernas dele. Suas mãos, marcadas por cicatrizes e tinta, pousaram na cintura de Jorge, apertando com firmeza.
— Não tem nada de engraçado — Erick disse, a voz num tom baixo e intenso. — Tem lealdade. Tem sangue. E tem o fato de que eu não conseguiria gerir metade disso aqui se você não estivesse fazendo piadas idiotas para me impedir de matar todo mundo.
Jorge riu, passando os braços pelo pescoço de Erick, sentindo a corrente fina e o crucifixo entre seus dedos.
— Você é muito possessivo, sabia? — Jorge provocou, aproximando o rosto.
— Sou. O que é meu, eu cuido. E você e o Santino são meus — Erick declarou, com aquela arrogância marrenta que Jorge tanto amava.
— Ah, é? E o que o senhor Pulgar pretende fazer a respeito? — Jorge sussurrou, usando o sobrenome apenas para ver o brilho de desejo nos olhos do marido.
Erick estreitou os olhos. Ele odiava o sobrenome em momentos íntimos, mas Jorge sabia exatamente como usá-lo para provocá-lo.
— Eu já disse para não me chamar assim em casa, Carrascal — Erick rosnou, embora seus lábios estivessem a milímetros dos de Jorge.
— Me obrigue, papacito.
O beijo que se seguiu foi uma explosão de tudo o que eles eram: intenso, faminto e carregado de uma história que começou em uma emboscada no México e se transformou em uma vida inteira. A mão de Erick subiu para a nuca de Jorge, os dedos traçando o "98", enquanto Jorge puxava Erick para mais perto, querendo sentir cada tatuagem, cada músculo, cada grama de proteção que aquele homem emanava.
Eles foram interrompidos pelo som de um motor roncando alto do lado de fora.
— Esse é o Santino saindo com o seu carro, não é? — Jorge perguntou, separando o beijo a contragosto.
Erick fechou os olhos por um segundo, respirando fundo.
— É. É o som do motor da minha Ferrari.
— Eu vou matar aquele garoto! — Jorge saltou da mesa, já correndo em direção à janela.
— Carrascal! — Erick chamou, mas já era tarde.
— Santino! Volta aqui com esse carro agora, seu moleque! — Jorge gritava da varanda, a ginga colombiana substituída por uma indignação cômica.
Erick ficou no escritório, observando a cena com um sorriso raro e genuíno nos lábios. Ele ajeitou o fio vermelho no pulso, sentindo o peito cheio. Para o mundo, ele era o temido Pulgar, o homem de ferro. Mas ali, entre os gritos de Jorge e a rebeldia de Santino, ele era apenas Erick. E ele não trocaria aquela confusão tatuada por nenhum império no mundo.
Ele caminhou até a varanda, parando ao lado de Jorge e passando o braço pelos ombros do marido.
— Deixa ele ir, Jorge — Erick disse suavemente.
— Deixar? Erick, ele vai bater aquele carro! — Jorge estava genuinamente preocupado, as mãos gesticulando freneticamente.
— Ele não vai. Ele dirige como eu — Erick lembrou, com um brilho de orgulho nos olhos. — E se bater, a gente compra outro. O que importa é que ele volte inteiro para o jantar. Minha mãe vai fazer empanadas.
Jorge parou de gritar instantaneamente, olhando para o marido com os olhos brilhando.
— Empanadas da dona Karina? Por que você não disse antes?
— Porque eu gosto de ver você estressado. Fica mais bonito quando está bravo — Erick deu um selinho rápido no marido e voltou para o escritório, deixando um Jorge Carrascal sorridente e resmungando sobre como o marido era um manipulador de marca maior.
A vida na máfia era perigosa, incerta e muitas vezes violenta. Mas dentro daquelas paredes, cobertas de arte, cicatrizes e histórias gravadas na pele, o amor era a única lei que realmente importava. E enquanto tivessem um ao outro — e as empanadas de dona Karina —, o resto do mundo podia esperar.
