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Jealous part 2

Fandom: Bad Omens

Criado: 22/09/2026

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Jutsu de Sedução

O zumbido pós-show ainda vibrava nas paredes de concreto dos bastidores daquele anfiteatro em Los Angeles. Havia aquele cheiro característico de gelo seco evaporado, cerveja derramada, suor e adrenalina pura que sempre acompanhava o fim de uma apresentação do Bad Omens. Os amplificadores esfriavam, a equipe técnica corria com cabos e caixas pretas pesadas, e a área VIP improvisada no fundo do corredor estava cheia de risadas, copos plásticos e amigos da banda.

Nina atravessou a porta de segurança com a credencial laminada balançando sobre o peito. Ela tinha se atrasado devido ao trânsito insuportável na saída da rodovia, mas fez questão de vir exatamente como havia planejado. Se Noah Sebastian achava que uma conversa difícil sobre limites e maturidade significava que ela esqueceria o quanto ele ainda precisava compensar seus deslizes, ele estava muito enganado.

Ela vestia um vestido preto tão curto que parecia desafiar a gravidade a cada passo, com um decote vertiginoso que valorizava perfeitamente suas curvas fartas e a linha de tatuagens delicadas entre seus seios. Nos pés, botas de salto plataforma que a faziam subir de seus modestos um metro e cinquenta e cinco para uma presença absolutamente imponente. O cabelo ruivo, cortado curto e desfiado, emoldurava o rosto expressivo, e os lábios estavam pintados com um tom cereja escuro quase pecaminoso.

Ela vinha pronta para arrancar o fôlego do namorado e selar a paz com um beijo decente. Mas o plano evaporou no exato instante em que ela dobrou o corredor que dava acesso ao lounge privativo.

— Ah, não. Não é possível — murmurou Nina para si mesma, semicerrando os olhos castanhos.

A poucos metros dali, espalhados em um sofá de couro desgastado, estavam Jolly e Nick rindo com um copo de cerveja na mão. E, bem no centro de uma rodinha animada, estava Noah.

Com seu quase um metro e noventa e três de altura, ombros largos que pareciam ocupar metade do espaço e aquela aura tímida de vocalista misterioso que atraía olhares sem o menor esforço, ele estava irresistível. Os cabelos castanhos com franja dividida ao meio caíam levemente úmidos de suor sobre a testa, emoldurando os olhos amendoados de traços orientais e nativo-americanos. Ele ainda usava as roupas confortáveis de camarim: uma camiseta preta desbotada de anime e uma bermuda esportiva cinza, extremamente larga e confortável.

E, ajoelhada ao lado do braço do sofá onde ele estava sentado, havia uma garota loira. Alta, esguia, num vestido tubinho azul-claro colado e saltos finos, segurando o celular a centímetros do rosto do cantor.

— Ah, por favor, Noah! Todo mundo no TikTok precisa ver isso! — a garota implorava, rindo com uma afetação aguda que fez os dentes de Nina rangerem. — É sério, a internet vai surtar. Mostra a tatuagem do Naruto! Só um pedacinho!

Noah, com seu habitual jeito reservado e a completa falta de malícia de quem simplesmente ama falar sobre cultura pop com qualquer ser humano que puxe assunto, deu um meio-sorriso encabulado.

— Bem, eu… na verdade é o selo de oito trigramas, não é exatamente o rosto do personagem, sabe? — explicou ele, passando a mão tatuada pela nuca, genuinamente entusiasmado com a precisão nerd da informação. — Fica um pouco alto na coxa, não sei se vai dar pra pegar com a luz daqui…

— Ah, dá sim! Levanta só mais um pouquinho a bermuda, vai! — insistiu a loira, apontando a lente da câmera diretamente para as pernas dele.

E Noah, o homem que comandava dezenas de milhares de pessoas com guturais viscerais e presença de palco intimidadora, simplesmente obedeceu como um adolescente complacente em uma convenção de quadrinhos. Ele puxou a barra de tecido cinza da bermuda esportiva até quase a virilha, expondo a coxa grossa, definida pelo jiu-jitsu e salpicada de tinta preta.

Nina parou no meio do corredor. Uma veia pulsou em sua têmpora.

Aquele homem não fez isso.

Ela sabia que Noah era desligado. Sabia que ele não estava flertando, que sua mente funcionava puramente à base de café preto, acordes de guitarra e teorias sobre animes clássicos dos anos 2000. Mas uma coisa era ser um nerd adorável; outra, completamente diferente, era deixar uma garota de salto e decote filmar a coxa dele a menos de dez centímetros de distância nos bastidores do próprio show.

Um calor súbito subiu pelo pescoço de Nina, transformando a irritação em uma faísca perversa de pura provocação. Reclamar? Fazer uma cena infantil de ciúmes? Jamais. Ela já tinha superado essa fase. Se o grandalhão queria um espetáculo, ele teria um.

Com a postura ereta, empinando o queixo e balançando os quadris largos com um ritmo milimetricamente calculado, Nina avançou. Os saltos plataforma estalaram no piso de linóleo com a autoridade de um trovão iminente.

Nick Folio foi o primeiro a vê-la. O baterista quase engasgou com o gole de cerveja, dando uma cotovelada descarada na costela de Jolly.

— Cara… — sussurrou Nick, com um sorriso debochado de quem sabia que o circo estava prestes a pegar fogo. — Olha o tamanho do perigo vindo aí.

Noah nem teve tempo de registrar o aviso dos amigos. O perfume doce e encorpado de baunilha com âmbar invadiu o ar antes de qualquer som. Era o cheiro dela. O cheiro que ele conhecia melhor do que a própria voz.

Quando Noah ergueu os olhos escuros, sua fala congelou na garganta.

Nina não olhou para a loira. Não olhou para os outros músicos. Seus olhos focaram diretamente no homem gigante no sofá, e o olhar dela prometia coisas que fariam um monge pecar. O decote absurdo subia e descia conforme ela respirava devagar, as coxas grossas e torneadas expostas pela barra ousada do vestido, a cintura fina desenhada pelo corte da peça.

— Oi, lindo — disse Nina, a voz suave, aveludada, escorrendo como mel quente sobre o barulho do ambiente.

A loira congelou com o celular na mão. Noah, por sua vez, perdeu qualquer traço de cor no rosto, apenas para ser imediatamente inundado por uma onda de rubor escarlate que subiu do peito até as pontas das orelhas. A mão dele esqueceu completamente a barra da bermuda, deixando o tecido cair de volta sobre a tatuagem de Naruto.

— N-Nina… — a voz dele falhou miseravelmente, saindo uma oitava acima do normal. Ele engoliu em seco, os lábios grossos entreabertos. — Você… você chegou.

— Cheguei — murmurou ela, parando exatamente entre as pernas compridas dele.

Com a maior calma do mundo, Nina não esperou convite. Ela simplesmente deu meia-volta e sentou-se de lado sobre a coxa esquerda de Noah. A saia minúscula subiu perigosamente mais alguns centímetros no processo, a pele quente e macia da sua perna entrando em contato direto com a dele. Ela apoiou um dos braços tatuados nos ombros largos do cantor, passando as unhas compridas e afiadas pela nuca suada dele, brincando com as pontas do cabelo castanho repartido.

A garganta de Noah produziu um som quase inaudível, semelhante a um curto-circuito biológico. Seus olhos amendoados pareciam prontos para saltar das órbitas.

— Desculpe interromper a sessão de fotos — Nina disse, virando a cabeça com um sorriso radiante e mortalmente educado para a loira, que permanecia paralisada com a câmera ligada. — Estavam falando de Naruto? Eu adoro. Sabia que a tatuagem favorita dele nem é essa?

A garota piscou, desconcertada, abaixando lentamente o aparelho.

— Ah… não, a gente só estava…

— Pois é. Ele tem uma bem melhor — continuou Nina, inclinando-se para a frente de propósito. O movimento fez o decote avançar perigosamente no campo de visão periférico de Noah, que naquele momento parecia ter esquecido como o oxigênio funcionava. — Mas essa fica em um lugar que a câmera do seu celular infelizmente não tem resolução pra captar. Uma pena, né?

Jolly soltou uma gargalhada abafada atrás da mão, enquanto Nick virava a garrafa inteira de cerveja na boca para não cuspir de tanto rir.

— Eu… eu acho que vou ali pegar uma água — gaguejou a loira, recolhendo o que restava de sua dignidade antes de se afastar apressada pelos corredores.

No momento em que a garota sumiu de vista, o silêncio que se instalou entre Noah e Nina foi quase ensurdecedor.

Noah estava paralisado. Literalmente incapaz de se mexer. Uma de suas mãos grandes, coberta de tinta preta, repousava hesitante na cintura fina de Nina, os dedos queimando através do tecido fino do vestido preto. Mas o verdadeiro desastre estava acontecendo abaixo da linha de sua cintura.

O contato repentino, o aroma hipnótico de baunilha, a pele nua das pernas dela sobre a sua e aquele decote que parecia um convite explícito para o inferno haviam desencadeado uma resposta física imediata, violenta e absolutamente inegável. E ele estava usando uma bermuda esportiva de tecido cinza ultrafino.

— Nina… — sussurrou ele, a voz rouca, quase desesperada, o sotaque ligeiramente vacilante. — Nina, por favor…

— O que foi, amor? — ela perguntou, com a expressão mais angelical e fingida que conseguiu conjurar. Ela ajeitou o peso do corpo sobre o colo dele, rebolando imperceptivelmente ao se acomodar melhor. — Você parecia tão solto agora há pouco. Mostrando a perninha pra todo mundo… achei que estivesse com calor.

Noah fechou os olhos com força, a mandíbula travada, uma gota de suor frio escorrendo pela têmpora. O atrito sutil fez um arrepio violento percorrer sua espinha dorsal de quase dois metros de comprimento.

— Puta que pariu… — ele praguejou baixinho, os nós dos dedos ficando brancos onde segurava o encosto do sofá. — Você… você fez isso de propósito.

— Eu? — Nina tocou o próprio peito com a mão livre, piscando os cílios longos com falsa inocência. — Eu só vim prestigiar meu namorado talentoso e nerd depois do show. É errado querer ficar pertinho de você?

— Não… quer dizer, sim! Digo, agora não! — Noah abriu os olhos, encarando-a com uma mistura cômica de pânico puro e adoração absoluta. Ele tentou tossir para disfarçar o tremor nas mãos. — Nick e Jolly estão olhando. A equipe toda tá passando por aqui. E eu… eu tenho um… um problema sério acontecendo aqui embaixo agora.

Nina deslizou a mão do pescoço dele para o peitoral largo, sentindo o coração de Noah martelando contra a caixa torácica como a bateria de um blast beat de metalcore. Ela sorriu de lado, sentindo com perfeição exata a saliência rígida que pressionava a lateral de seu quadril sob o tecido fino.

— Um problema? — zombou ela em um sussurro rente ao lóbulo da orelha dele, mordiscando a pele sensível logo abaixo do maxilar. — Que tipo de problema, Sebastian?

— Nina, se você não levantar agora, eu vou ter que passar o resto da noite colado nessa parede — ele gemeu, o rosto queimando em um tom vermelho-beterraba tão intenso que contrastava com as tatuagens escuras em seu pescoço. — Eu não posso ficar de pé. Literalmente. Não tem como disfarçar essa bermuda cinza, caramba!

Uma risada baixa e vitoriosa escapou dos lábios de Nina. Ela adorava o poder que tinha sobre aquele gigante. Fora do palco, onde ele costumava ser intimidador e misterioso para o resto do mundo, Noah era completamente dela: vulnerável, absurdamente apaixonado e deliciosamente fácil de desestabilizar.

— Ei, Noah! — Jolly gritou do outro lado do lounge, apontando com a garrafa de cerveja e um sorriso debochado de orelha a orelha. — A van de volta pro hotel sai em dez minutos! Vai precisar de ajuda pra carregar as suas coisas ou… tá meio pesado aí?

— Cala a boca, Jolly! — Noah respondeu, com a voz falhando novamente, puxando desajeitadamente uma almofada decorativa do sofá com uma das mãos compridas e tentando enfiá-la sobre o colo de forma nada sutil.

Nick começou a bater palmas ritmadas, incentivando a humilhação pública do vocalista.

Nina finalmente teve piedade — não muita, apenas o suficiente para não comprometer a dignidade da banda diante da equipe de produção. Ela se levantou da coxa dele com uma lentidão deliberadamente torturante, ajeitando a barra minúscula do vestido preto e conferindo os saltos.

Noah soltou um suspiro trêmulo de alívio que soou quase doloroso, mantendo a almofada firmemente pressionada contra a virilha, os joelhos juntos e os olhos grudados nas pernas dela como se tivesse acabado de ver um milagre.

— Você é má — murmurou ele, jogando a cabeça para trás no encosto do sofá, o peito ainda subindo e descendo descompassado. — Absolutamente perversa.

— Eu sou prevenida — corrigiu Nina, curvando-se para depositar um beijo rápido e estalado nos lábios cheios dele, garantindo que o decote ficasse novamente a centímetros de seu campo de visão. — Da próxima vez que alguém pedir pra ver o selo do Nove-Caudas, você lembra que essa coxa tem dona. Fui clara?

Noah engoliu o restante de saliva que ainda tinha, olhando para ela de baixo com aquela mistura irresistível de submissão apaixonada e devoção total.

— Cristalina — respondeu ele, rouco. — Cem por cento clara. Agora… por favor, me diz que a chave do seu quarto de hotel tá com você.

Nina piscou um dos olhos castanhos, virando-se nos saltos plataforma e começando a caminhar lentamente em direção à saída privativa, rebolando a cada passo.

— Tá na minha bolsa. Mas você vai ter que levantar daí e vir buscar, grandão.

Noah olhou para a almofada em seu colo, olhou para a silhueta curvilínea da namorada se afastando pelo corredor, e depois para Nick e Jolly, que continuavam rindo sem parar.

— Que se foda a dignidade — resmungou o vocalista, levantando-se de um salto, segurando a almofada na frente do corpo com as duas mãos como se fosse um escudo medieval, e disparou atrás dela aos tropeços pelo concreto frio.

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