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Roxy x Ogron

Fandom: Winx

Criado: 22/09/2026

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FantasiaRomanceAngústiaDor/ConfortoDramaEstudo de PersonagemNoirCenário Canônico
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O Eco do Lobo e a Sombra do Caçador

A chuva caía impiedosa sobre as ruas de Gardenia, transformando o asfalto em um espelho negro que refletia as luzes neon da cidade. O ar estava saturado com o cheiro de ozônio e magia antiga, uma mistura que Roxy aprendera a temer e a reconhecer em questão de segundos. Ela estava ofegante, as mechas de seu cabelo cor de marsala grudadas no rosto pálido, enquanto suas asas lilases vibravam com um brilho trêmulo, denunciando seu cansaço.

À sua frente, a silhueta alta e imponente de Ogron se destacava contra a penumbra de um beco sem saída. Ele não parecia afetado pela tempestade; a água escorria por seu longo sobretudo de couro e pelos fios ruivos vibrantes de seu cabelo como se ele fosse parte da própria noite. Seus olhos azul-cinzentos, frios como o gelo das montanhas, fixavam-se nela com uma mistura de desdém e uma curiosidade predatória que a fazia estremecer.

— Você está perdendo seu tempo, fadinha — disse ele, a voz aveludada carregada de uma arrogância secular. — Suas amigas Winx estão ocupadas demais com Anagan e Gantlos para virem ao seu resgate. Desta vez, não há ninguém para protegê-la.

Roxy apertou os punhos, sentindo a magia dos animais pulsar em suas veias. Ela era a última fada da Terra, e embora o peso dessa responsabilidade muitas vezes a esmagasse, sua coragem era inabalável.

— Eu não preciso que ninguém me proteja de você, Ogron! — exclamou ela, a voz firme apesar do tremor nas mãos. — Você é um monstro. Um ladrão de vidas. O que você faz com as fadas é imperdoável.

Ogron soltou uma risada curta e seca, dando um passo lento em direção a ela.

— O que eu faço é o que tem sido feito por séculos. Eu sou um colecionador de poder, e você... você é a peça que falta na minha coleção. Entregue-se e talvez eu seja misericordioso.

— Nunca! — gritou Roxy, lançando um feixe de energia verde em direção ao bruxo.

O ataque foi rápido, mas Ogron moveu-se com a graça de um predador experiente. Ele ergueu a mão, absorvendo a magia de Roxy com a palma aberta, um sorriso convencido brincando em seus lábios maduros. O poder dela, puro e selvagem, fluiu para dentro dele, mas algo estava errado. Em vez da habitual satisfação fria, Ogron sentiu uma pontada aguda no peito, um calor estranho que não vinha da magia roubada, mas da conexão momentânea com a essência da garota.

Ele vacilou por um milésimo de segundo, e foi o suficiente. Um raio, atraído pela instabilidade mágica no beco, atingiu uma estrutura metálica acima deles. O metal rangente cedeu, despencando em direção a Ogron.

Roxy, movida por um instinto que desafiava toda a lógica e o ódio que sentia, não pensou. Ela não viu o bruxo cruel que queria arrancar suas asas; ela viu um ser vivo em perigo iminente.

— Cuidado! — gritou ela, lançando-se para frente.

Ela o empurrou com toda a força que lhe restava. O impacto jogou ambos no chão molhado, longe da trajetória dos escombros que se chocaram contra o concreto com um estrondo ensurdecedor. Por um momento, o silêncio reinou, quebrado apenas pelo som da chuva e pela respiração pesada de ambos.

Roxy estava caída sobre o peito de Ogron. Seus olhos roxos encontraram os azuis dele a uma distância perigosamente curta. Ela podia sentir o calor do corpo dele através das roupas úmidas, um contraste gritante com a aura gélida que ele costumava emanar. O coração dela martelava contra as costelas, e por um instante, a raiva deu lugar a uma confusão avassaladora. Por que ele parecia tão humano de perto? Por que o toque dele, mesmo acidental, não parecia a morte que ela esperava?

Ogron, por sua vez, estava paralisado. Ele, que vivera séculos manipulando a dor e o medo, sentia o peso leve da fada sobre si. O cheiro dela — algo que lembrava florestas e vida selvagem — invadiu seus sentidos, nublando seu julgamento. Ele deveria matá-la agora. Ela estava vulnerável, entregue. Mas suas mãos, em vez de buscarem o pescoço dela para drenar sua essência, permaneceram inertes ao lado do corpo.

— Por que você fez isso? — perguntou ele, a voz falhando levemente, perdendo a habitual autoridade.

Roxy se afastou bruscamente, levantando-se com dificuldade. Ela limpou a lama da saia, evitando olhar diretamente para ele.

— Eu não sei — respondeu ela, a voz baixa. — Eu apenas... eu não consigo ver ninguém sofrer, nem mesmo você.

Ogron levantou-se com uma elegância recuperada, mas seus olhos não tinham mais o brilho cruel de antes. Eles estavam nublados, perdidos em um labirinto de pensamentos que ele não conseguia organizar.

— Você é uma tola, Roxy — disse ele, embora o insulto soasse vazio. — Essa sua bondade será a sua ruína.

— Talvez — retrucou ela, recuperando a postura. — Mas prefiro morrer sendo quem eu sou do que viver como você, roubando o que não lhe pertence.

Ogron deu um passo à frente, e por um momento Roxy pensou que ele a atacaria. Ela preparou um escudo, mas ele apenas parou a poucos centímetros dela. Ele era muito mais alto, sua presença física era esmagadora, mas havia uma tensão diferente no ar. Não era o medo da batalha; era a eletricidade de algo desconhecido.

— Você é insignificante — murmurou ele, como se tentasse convencer a si mesmo. — Uma fada de linhagem fraca que mal sabe voar. O seu poder é a única coisa que me interessa.

— Então por que ainda está parado aí? — desafiou Roxy, sentindo um calor estranho subir pelo pescoço. — Por que não termina o que começou?

Ogron estreitou os olhos. Ele estendeu a mão e, por um segundo, Roxy achou que ele tocaria seu rosto. Seus dedos roçaram uma mecha de cabelo marsala, um gesto que começou com a intenção de ser violento, mas terminou em um toque quase hesitante.

— Porque você me confunde — admitiu ele, a voz rouca. — E eu detesto não ter o controle da situação.

Um trovão ecoou, iluminando o rosto de Ogron. Naquele breve clarão, Roxy viu algo que nunca imaginou encontrar no líder do Círculo Negro: uma dúvida profunda. E no fundo de sua própria alma, ela sentiu uma faísca de algo que a aterrorizava mais do que os bruxos. Não era ódio. Era uma curiosidade mórbida, uma atração inexplicável pelas sombras que ele carregava.

— Vá embora, Roxy — ordenou ele, virando as costas. — Antes que eu mude de ideia e decida que sua compaixão não vale o meu tempo.

— Ogron... — começou ela, mas as palavras morreram em sua garganta.

Ele não olhou para trás. Em um piscar de olhos, ele se dissolveu em uma névoa escura, desaparecendo na noite de Gardenia.

Roxy ficou sozinha no beco, a chuva agora diminuindo para uma garoa fina. Ela abraçou o próprio corpo, tremendo. O que havia sido aquilo? Ela deveria estar aliviada, deveria correr para as Winx e contar sobre o encontro. Mas seu coração ainda batia naquele ritmo estranho, e a imagem dos olhos azul-cinzentos de Ogron, por um momento despidos de maldade, estava gravada em sua mente.

Enquanto isso, em algum lugar nas sombras da cidade, Ogron observava o horizonte. Ele tocou a palma da mão que absorvera a magia de Roxy. O calor ainda estava lá, queimando sob sua pele imortal.

— Uma fada insignificante — repetiu ele para a escuridão, mas suas palavras soaram como uma mentira.

Ele era um caçador, um bruxo que viveu eras destruindo o que era belo. Mas, pela primeira vez em séculos, a presa não parecia apenas uma fonte de poder. Ela parecia um enigma que ele, desesperadamente e contra toda a sua natureza, desejava decifrar.

A batalha pelo poder da Terra continuaria, mas algo havia mudado. No choque entre a luz da última fada e a escuridão do bruxo eterno, uma nova e perigosa magia havia sido despertada — uma que nenhum deles estava preparado para enfrentar.

Roxy caminhou lentamente para fora do beco, o cabelo marsala escurecido pela água. Ela sabia que deveria odiá-lo com todas as suas forças. E ela odiava. Mas, sob o ódio, havia um eco de algo que ela não conseguia nomear, um sussurro que dizia que, naquela noite, o caçador e a fada haviam visto, por um breve instante, a alma um do outro.

E isso era o que mais a assustava.

— Isso não muda nada — sussurrou ela para o vento.

Mas, no fundo, ela sabia que tudo havia mudado. A coragem que sempre a definira agora teria que enfrentar um novo tipo de desafio: o conflito entre o dever e o coração que, traiçoeiramente, começava a bater por quem deveria ser seu maior inimigo.

Longe dali, no esconderijo do Círculo Negro, Ogron sentou-se em seu trono de sombras. Seus companheiros falavam sobre planos e conquistas, mas ele mal os ouvia. Ele apenas olhava para suas mãos, sentindo o resquício da magia de Roxy.

— Ogron? — chamou Anagan, notando o silêncio do líder. — Está tudo bem? Você parece... abalado.

Ogron ergueu o olhar, a máscara de frieza voltando ao lugar instantaneamente.

— Não seja ridículo — respondeu ele, a voz cortante como uma lâmina. — Estou apenas pensando na melhor forma de esmagar aquela fada de uma vez por todas.

Mas, pela primeira vez em sua longa vida de crueldade, Ogron soube que estava mentindo. E a mentira tinha o gosto doce e perigoso da magia de Roxy.

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