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entre irmaos

Fandom: bts army

Criado: 22/09/2026

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RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoPsicológicoEstudo de PersonagemDiscriminação
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O Perfume do Asfalto e o Frio do Mármore

A mansão da família Min, situada no topo das colinas de Gangnam, era um monumento ao silêncio e à eficiência. As paredes de mármore branco e os móveis de design minimalista refletiam perfeitamente a alma de seu único herdeiro. Min Yoongi, aos vinte e quatro anos, era o produto exato de uma linhagem de prestígio: sua mãe, a cirurgiã cardíaca mais requisitada da Coreia, e seu pai, um juiz do Supremo Tribunal cujas sentenças eram temidas por sua implacabilidade.

Yoongi herdara a frieza do bisturi e a rigidez da lei. Ele não via o mundo em cores, mas em hierarquias e utilidades. Por isso, quando a porta da biblioteca se abriu naquela tarde chuvosa, ele nem sequer desviou os olhos do seu tablet, onde analisava relatórios de ações.

— Yoongi, querido, você está em casa — a voz de sua mãe, a Dra. Min, soou melodiosa, mas carregada daquela autoridade habitual.

— Onde mais eu estaria? — respondeu ele, a voz rouca e desprovida de qualquer emoção.

— Quero que conheça alguém. — O Juiz Min deu um passo à frente, sua presença preenchendo o ambiente. — Este é Park Jimin. A partir de hoje, ele viverá conosco. Como seu irmão.

Yoongi finalmente ergueu o olhar. Seus olhos pequenos e afiados percorreram a figura que estava parada entre seus pais. O rapaz parecia pequeno, quase frágil, vestindo roupas que claramente não eram dele — um conjunto de linho caro que parecia sufocar sua postura encolhida. O rosto era bonito, de uma forma quase ofensiva para Yoongi, mas havia algo nas olheiras profundas e no modo como ele evitava o contato visual que gritava "rua".

Yoongi soltou um riso seco, fechando o tablet com um estalo.

— Irmão? — Yoongi se levantou, caminhando lentamente até o intruso. — Onde o encontraram? Em algum dos seus projetos de caridade para limpar a imagem pública do tribunal, pai? Ou foi um experimento da sua clínica, mãe?

— Yoongi, tenha modos — advertiu o pai, o tom de voz baixando perigosamente. — Jimin passou por dificuldades que você sequer consegue imaginar. O orfanato onde ele vivia fechou, e decidimos que era hora de retribuir à sociedade.

Yoongi parou a poucos centímetros de Jimin. Ele conseguia sentir o cheiro dele. Não era o perfume caro de sândalo que seu pai usava, nem o cheiro de antisséptico da mãe. Era um cheiro de chuva, de sabão barato e de algo mais... algo que Yoongi associou imediatamente às esquinas escuras de Itaewon.

— Ele fede a desespero — cuspiu Yoongi, olhando para Jimin com um desprezo que faria qualquer pessoa normal recuar. — O que você fazia para comer antes de meus pais decidirem brincar de salvadores, "irmãozinho"?

Jimin finalmente ergueu o rosto. Seus olhos estavam úmidos, mas havia uma faísca de resistência neles.

— Eu fazia o que era necessário para não morrer de fome — respondeu Jimin, a voz trêmula, mas audível.

Yoongi inclinou a cabeça, um sorriso cruel brincando nos lábios.

— Entendi. Vendia o que tinha de sobra, já que não tinha cérebro ou sobrenome. O mercado da carne é sempre o último recurso dos medíocres.

— Chega! — o Juiz Min bateu com a mão na mesa. — Jimin, venha. Vou mostrar seu quarto. Yoongi, espero que reflita sobre sua conduta.

O herdeiro dos Min apenas observou enquanto o estranho era conduzido para o andar de cima. Ele sentiu uma irritação visceral. A pureza de sua casa, de sua linhagem, estava sendo contaminada por alguém que conhecia o toque de estranhos por dinheiro.

Nos dias que se seguiram, Yoongi transformou a vida de Jimin em um inferno silencioso. Ele não gritava; o seu método era o da erosão.

Era o café da manhã, onde Yoongi fazia questão de comentar sobre a higiene de "certas pessoas".

— Cuidado para não manchar a porcelana, Jimin — disse Yoongi, sem tirar os olhos do jornal. — Esse conjunto custa mais do que você provavelmente ganhou em um ano inteiro de... trabalho noturno.

Jimin apertou os talheres, os nós dos dedos ficando brancos.

— Eu não pedi para estar aqui, Yoongi.

— Então por que não vai embora? — Yoongi finalmente o encarou, o olhar gélido como o inverno de Seul. — A porta está aberta. Ou será que o conforto do aquecimento central e a comida francesa superam o seu orgulho?

— Você não sabe nada sobre mim — sussurrou Jimin, levantando-se da mesa antes de terminar a refeição.

— Eu sei o suficiente — rebateu Yoongi para as costas do rapaz. — Eu sei o tipo de pessoa que você é. Um parasita que usa a beleza para conseguir o que quer.

Mas, apesar de suas palavras cruéis, Yoongi começou a notar coisas. Ele notava como Jimin acordava aos gritos no meio da noite, os pesadelos do orfanato e das ruas assombrando o corredor silencioso. Ele notava como Jimin lavava as mãos compulsivamente, como se tentasse remover camadas de uma pele que ele não queria mais habitar.

Uma semana após a chegada de Jimin, uma tempestade violenta atingiu a cidade. Yoongi estava em seu estúdio de música no subsolo, tentando compor algo que aliviasse a tensão estranha que sentia desde que Jimin entrara naquela casa. O som do piano era a única coisa que ele controlava totalmente.

De repente, a luz oscilou e se apagou. O gerador demoraria alguns segundos para entrar em ação. No silêncio súbito, Yoongi ouviu um som abafado vindo do canto da sala.

Ele pegou o celular, ligando a lanterna. O feixe de luz revelou Jimin encolhido contra a porta de vidro do estúdio. Ele estava tremendo violentamente, as mãos cobrindo os ouvidos.

— O que você está fazendo aqui? — perguntou Yoongi, a voz menos agressiva do que o normal, pega de surpresa pela vulnerabilidade alheia.

Jimin não respondeu. Ele estava em transe, murmurando palavras desconexas.

— Por favor... não agora... eu não quero... eu pago depois... por favor...

Yoongi sentiu um aperto estranho no peito. Ele reconheceu aquele estado. Não era manha, era um ataque de pânico. Ele se aproximou, hesitando por um momento antes de tocar o ombro de Jimin.

— Ei. Jimin. Acorde.

Ao toque, Jimin deu um solavanco e tentou se afastar, mas acabou batendo as costas na parede. A luz do celular de Yoongi iluminou o rosto do menor, coberto de lágrimas e suor frio.

— Não me toca! — gritou Jimin, a voz carregada de um pavor genuíno.

— Sou eu, Yoongi — disse ele, forçando a voz a ser firme, quase autoritária. — Você está na minha casa. Ninguém vai encostar em você.

Jimin pareceu focar os olhos em Yoongi. A respiração dele estava curta, entrecortada.

— Ele... ele ia... — Jimin soluçou, enterrando o rosto nas mãos. — O homem do orfanato... ele disse que se eu não fosse bonzinho, eu ia ficar no escuro com os ratos... e depois... depois na rua... eles só queriam o meu corpo... ninguém nunca queria a mim...

Yoongi sentiu a frieza que cultivara por anos rachar. Ele sempre se orgulhara de ser insensível, de não se deixar levar pelo drama humano. Mas ouvir a confissão crua daquele garoto que ele vinha humilhando sistematicamente o fez sentir uma náusea profunda — não de Jimin, mas de si mesmo.

Ele se sentou no chão, a uma distância segura, mantendo a luz do celular apontada para o teto para não ofuscar o outro.

— Eles eram lixo — disse Yoongi, a voz agora baixa e rouca. — E eu fui um idiota por usar isso contra você.

Jimin soluçou mais uma vez, abraçando os próprios joelhos.

— Por que você me odeia tanto? — perguntou ele, a voz pequena. — Eu só queria um lugar onde eu pudesse dormir sem ter medo de quem ia abrir a porta.

Yoongi olhou para as mãos de Jimin. Eram mãos pequenas, mas calejadas. Mãos de quem teve que lutar por cada centímetro de espaço no mundo.

— Eu não odeio você, Jimin — confessou Yoongi, e a verdade daquelas palavras o surpreendeu. — Eu odeio o fato de que você me faz sentir algo. Minha vida era perfeitamente organizada antes de você chegar com essa sua... essa sua humanidade exposta.

Jimin deu um riso fraco, ainda trêmulo.

— Você é muito estranho, Yoongi.

— E você é muito barulhento — rebateu ele, mas sem a malícia de antes. — Venha. O gerador não vai ligar sozinho, e eu não vou deixar você aqui no escuro.

Yoongi estendeu a mão. Por longos segundos, Jimin apenas olhou para ela, como se esperasse que fosse uma armadilha. Lentamente, ele colocou sua mão pequena na palma de Yoongi.

A pele de Jimin era quente, contrastando com o frio constante de Yoongi. Naquele toque, algo mudou. A barreira de mármore que Yoongi construiu ao redor de seu coração não desmoronou, mas a primeira rachadura profunda e irreparável apareceu.

Eles subiram as escadas em silêncio. Quando chegaram à porta do quarto de Jimin, o menor parou e olhou para Yoongi.

— Obrigado — disse Jimin. — Por não me deixar lá embaixo.

Yoongi deu de ombros, tentando recuperar sua máscara de indiferença, mas seus olhos o traíram.

— Durma, Jimin. Amanhã eu vou pedir para a governanta trocar suas roupas de cama. Aquele linho é horrível para a pele.

Jimin sorriu. Foi a primeira vez que Yoongi viu um sorriso verdadeiro nele, e o impacto foi como um soco no estômago.

— Boa noite, Yoongi-hyung.

Yoongi não respondeu ao "hyung", mas ficou parado no corredor até ouvir o som da tranca da porta de Jimin. Ele caminhou até seu próprio quarto, sentindo o peso do silêncio da mansão de uma forma diferente.

Ele se deitou, mas o sono não veio. Em sua mente, a imagem de Jimin encolhido no escuro se misturava com a sensação da mão dele na sua. Yoongi sempre fora o juiz e o cirurgião, analisando e descartando. Mas agora, pela primeira vez, ele se sentia como o réu.

Ele sabia que o caminho pela frente seria difícil. Ele ainda era o herdeiro frio, e Jimin ainda carregava as cicatrizes de um passado cruel. Mas, enquanto observava a chuva bater na janela, Yoongi percebeu que a frieza daquela casa nunca mais seria a mesma. O intruso não tinha apenas entrado em sua casa; ele tinha começado a ocupar os espaços vazios que Yoongi nem sabia que possuía.

E, pela primeira vez em sua vida, Min Yoongi não estava no controle de seus próprios sentimentos. Ele estava se apaixonando pelo garoto que ele jurou desprezar, e a percepção disso era mais assustadora e eletrizante do que qualquer sentença que seu pai pudesse proferir.

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