
nova hashira
Fandom: demonslayer
Criado: 22/09/2026
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O Eco do Vendaval
O ar da propriedade Ubuyashiki sempre fora conhecido por sua serenidade quase sagrada. As folhas de glicínia pendiam em cachos suaves, balançando de leve sob uma brisa cálida de fim de tarde, e as pedras brancas do jardim pareciam imaculadas. Para Sanemi Shinazugawa, no entanto, aquele silêncio nunca trazia paz duradoura; era apenas o breve intervalo entre os massacres.
Ele permanecia de pé, de braços cruzados, o uniforme desabotoado revelando o peito talhado por dezenas de cicatrizes irregulares. Seus olhos injetados fitavam o cascalho como se quisessem incinerar as pedras. Havia sido convocado para uma reunião de emergência com os demais Hashiras. Não era o encontro semestral habitual. Oyakata-sama havia solicitado a presença de todos por um único motivo: uma vaga aberta fora preenchida. Um caçador havia cumprido os requisitos extremos para ascender ao ápice do Esquadrão.
— Alguém tem ideia de quem conseguiu a proeza? — perguntou Tengen Uzui, apoiando uma das mãos na cintura larga, as joias de sua bandana brilhando à luz do sol. — Disseram que foi um massacre extravagante no norte. Uma das Luas Inferiores foi despedaçada antes mesmo de conseguir usar o Kekkijutsu completo.
— Não importa quem seja — resmungou Sanemi, a voz rouca e áspera como lixa sobre ferro. — Se for apenas mais um fracote que teve sorte, vai morrer na primeira missão de verdade contra uma Lua Superior. É sempre a mesma perda de tempo.
— Ora, Shinazugawa-san, você deveria ser mais otimista — interveio Shinobu Kocho com seu sorriso habitual e gélido, as mãos pousadas sobre as mangas largas do haori em padrão de borboleta. — Matar uma Lua Inferior sozinho não é uma questão de sorte. Exige disciplina, velocidade e um coração preparado para a crueldade. Deveríamos comemorar a chegada de mais uma lâmina afiada ao nosso lado.
— Um guerreiro valoroso que dedica a alma à proteção dos inocentes é sempre bem-vindo! — bradou Kyojuro Rengoku, com a postura ereta e os olhos ardendo em determinação inabalável. — Seja quem for, seu espírito queima com intensidade!
Giyuu Tomioka permaneceu afastado, isolado sob a sombra de um bordo, sem emitir som algum. Gyomei Himejima orava baixinho, passando as grandes contas de seu colar pelas mãos calejadas enquanto lágrimas grossas rolavam por suas bochechas cegas. Mitsuri Kanroji olhava para os lados com curiosidade inocente, torcendo para que a pessoa fosse simpática.
Sanemi soltou um estalo com a língua, irritado com o falatório. Mas antes que pudesse mandar todos calarem a boca, o farfalhar das folhagens na entrada do pátio anunciou passos pesados.
Não eram passos delicados de um espadachim furtivo. Eram firmes, agressivos, arrastando ligeiramente as sandálias zori no cascalho, como os passos de uma fera que delimitava território com a própria presença.
Sanemi franziu o cenho. O cheiro que o vento trouxe o paralisou por uma fração de segundo.
Era um cheiro metálico, forte, inconfundível. Sangue raro. O mesmo sangue amaldiçoado e potente que corria em suas próprias veias, acompanhado de um rastro sufocante de cinzas e ozônio.
A figura finalmente cruzou o portão de madeira.
O choque que percorreu o pátio foi quase tangível. Vários dos Hashiras viraram a cabeça, arregalando os olhos em silêncio.
Era uma jovem mulher, mas chamá-la de delicada seria uma ofensa imperdoável à sua aura letal. Os cabelos eram de um branco prateado selvagem, cortados de maneira irregular e espetados em pontas agudas que chicoteavam ao redor de seu rosto. Sua pele clara ostentava a mesma tapeçaria de violência que a de Sanemi: uma cicatriz horizontal cruzava a ponte de seu nariz, outra descia da têmpora até a mandíbula, e seus antebraços estavam cobertos por cortes antigos e recentes. O uniforme dos caçadores estava com os botões superiores abertos, expondo a clavícula e parte do peito marcado por cicatrizes de garras de demônio. Por cima, ela usava um haori curto, rasgado nas pontas, de um verde musgo desbotado pelo sol e pelo sangue seco.
Os olhos dela — grandes, violetas, arregalados e transbordando um ódio indomável — varreram os presentes até travarem imediatamente em Sanemi.
O tempo pareceu congelar para o Hashira do Vento. Sua respiração falhou. As mãos, que repousavam cruzadas, caíram ao lado do corpo, os nós dos dedos empalidecendo enquanto ele cerrava os punhos com tanta força que as unhas furaram a pele.
— Você... — murmurou Sanemi, a voz saindo em um sussurro estrangulado antes de explodir em um rugido que fez os pássaros voarem das árvores. — O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI, SUA MALDITA?!
Yushina não hesitou. Ela não recuou um único milímetro diante da fúria do homem. Pelo contrário: seus lábios se curvaram em um sorriso desdenhoso e brutal, mostrando dentes afiados enquanto ela caminhava direto na direção dele.
— Cala essa boca suja, Sanemi — retrucou ela, a voz rasgada, carregando o mesmo timbre ríspido e cortante do irmão. — Eu não vim aqui para ouvir os seus latidos.
— Yushina! — Sanemi avançou dois passos largos, a poeira subindo sob suas botas. Ele parou a menos de um metro dela, as veias de sua testa pulsando com violência. — Eu mandei você sumir! Eu disse para você viver uma vida normal, longe dessa podridão! O que pensa que é isso na sua cintura?! Por que você está carregando uma Nichirin?!
— Porque eu uso para arrancar a cabeça de demônios imundos, seu idiota cego! — gritou ela de volta, inclinando o tronco para a frente, encarando-o olho no olho, sem piscar. A diferença de altura pouco importava; a ferocidade de Yushina preenchia o espaço com uma intensidade esmagadora. — Você achou mesmo que podia simplesmente me trancar no passado e fingir que eu não existia? Achou que só você tinha o direito de odiar?!
— Você deveria ter ficado segura! — Sanemi cuspiu as palavras, agarrando a gola do haori dela com uma das mãos, puxando-a para perto. — Você é a droga da minha irmã! Você sobreviveu àquela noite! Seu trabalho era viver, casar, envelhecer e morrer em uma cama como uma pessoa decente! Não se tornar um maldito pedaço de carne para demônio mastigar!
Os outros Hashiras observavam a cena atônitos. Tengen quase levou a mão à empunhadura de suas espadas, surpreso com a revelação do parentesco, enquanto Mitsuri cobria a boca com as duas mãos, horrorizada com a violência da discussão.
— Eles são... irmãos? — murmurou a Hashira do Amor, os olhos arregalados. — Eles são iguaizinhos...
— Que turbulência lamentável — sussurrou Gyomei, juntando as palmas das mãos em prece. — Duas almas dilaceradas pelo mesmo luto.
Yushina não tentou se soltar da mão de Sanemi na sua gola. Em vez disso, ela ergueu a própria mão calejada e segurou o pulso do irmão com uma força surpreendente, cravando as unhas na pele dele.
— Solta de mim antes que eu quebre seus dedos, Sanemi — disse ela, a voz baixando para um tom perigosamente calmo, quase sibilante. — Viver uma vida normal? Depois do que a nossa mãe fez? Depois de ver os nossos irmãos mais novos serem rasgados em pedaços na nossa frente? Você acha que sobrou alguma coisa normal dentro de mim?! A única coisa que resta no meu peito é o mesmo veneno que queima no seu!
— Eu não me importo com o que você sente! — vociferou Sanemi, chacoalhando-a com desespero mal disfarçado sob a raiva. — Eu vou quebrar as suas pernas se for preciso! Eu vou quebrar as suas duas pernas agora mesmo e te arrastar para longe desse lugar! Você não vai lutar! Você não é uma Hashira, você é só uma tola teimosa que logo vai virar comida de demônio!
— Tenta a sorte, seu desgraçado! — rugiu Yushina.
A pressão atmosférica ao redor deles mudou subitamente. Duas rajadas invisíveis de vento cortante começaram a chicotear a grama ao redor de seus pés, soltando farpas das tábuas do corredor da mansão. Ambos dominavam a Respiração do Vento; ambos carregavam a tempestade no sangue. O ar tornou-se rarefeito e perigoso, com o som agudo de lâminas invisíveis se chocando no ar.
— Parem com isso imediatamente — soou uma voz suave, vinda de dentro da residência.
A presença era tão pura e pacificadora que agiu como um balde de água fria sobre uma fogueira ardente.
Sanemi congelou. Yushina piscou, a respiração entrecortada, os olhos ainda chispando em direção ao irmão. Lentamente, a porta de correr se abriu, revelando Kagaya Ubuyashiki, apoiado com delicadeza por suas duas filhas pequenas. As marcas roxas da maldição cobriam mais da metade de seu rosto, mas o sorriso em seus lábios permanecia imutável, repleto de compaixão infinita.
No mesmo segundo, o instinto falou mais alto. Sanemi soltou a gola de Yushina e, em um movimento fluido e respeitoso, ajoelhou-se sobre o cascalho, baixando a cabeça quase até o chão.
— Bom dia, Oyakata-sama — disse Sanemi, a voz subitamente domada, embora a tensão ainda fizesse seus músculos tremerem. — Peço perdão pela minha conduta indecorosa diante de sua presença.
Yushina hesitou por apenas meio segundo. Ela olhou para Sanemi ajoelhado, depois para a figura frágil e majestosa do mestre dos caçadores. Engolindo o próprio orgulho em chamas, ela deu um passo ao lado e ajoelhou-se também, apoiando as duas mãos espalmadas nas pedras brancas e inclinando a fronte.
— Bom dia, mestre — disse ela, mantendo o tom firme, mas contendo a fúria.
— Sejam bem-vindos, meus queridos filhos — falou Kagaya, a voz ressoando com a doçura de um sino celestial. — É um belo dia, não é mesmo? O céu parece tão limpo hoje. Fico feliz em ver todos reunidos.
Os Hashiras responderam em uníssono, curvando-se em união e reverência absoluta.
— Hoje — continuou Oyakata-sama —, nos reunimos para acolher um novo pilar. Yushina Shinazugawa enfrentou sozinha uma das Luas Inferiores nas montanhas cobertas de névoa de Nagano. O demônio a encurralou em uma vila indefesa, mas ela não recuou. Ela não apenas protegeu todas as vinte e sete vidas humanas daquele vilarejo, como decapitou o inimigo usando a precisão de sua própria variação da Respiração do Vento. Sua força, coragem e determinação a qualificam sem sombra de dúvidas para carregar o título de Hashira.
Sanemi trincou os dentes com tanta força no chão que temeu que eles se quebrassem. Cada elogio de Ubuyashiki era como uma adaga cravada em seu peito. Proteger vinte e sete pessoas? Enfrentar uma Lua sozinha? Ela estava se jogando de cabeça no abismo. Ela estava fazendo exatamente o que ele passara anos tentando evitar que Genya e ela fizessem.
— A partir de hoje — declarou Kagaya —, ela é a Hashira do Vendaval. Espero que todos a recebam não apenas como uma colega de armas, mas como parte de nossa família.
— Com todo o respeito, Oyakata-sama! — Sanemi não aguentou. Ele ergueu o rosto, com as veias do pescoço saltadas. — Essa decisão... essa garota não entende a gravidade do que está fazendo! Ela não tem o estofo psicológico para suportar o que nós enfrentamos! Deixe-me mandá-la embora! Ela não pode ser um pilar!
Kagaya virou o rosto sem visão na direção de Sanemi. A serenidade em sua expressão não vacilou.
— Sanemi, meu querido filho — disse o homem, com uma brandura que desarmava qualquer tentativa de motim —, a força de Yushina foi forjada na mesma dor que a sua. Negar a ela o direito de lutar pelo que acredita seria negar a própria existência de sua vontade. Ela escolheu empunhar a espada. Ela sobreviveu ao inferno para chegar até aqui. Assim como você, ela carrega o fardo da perda, mas escolheu transformá-lo em uma lâmina para defender os fracos. Como eu poderia fechar as portas para um coração tão nobre e valente?
As palavras do mestre pesaram como montanhas sobre os ombros de Sanemi. Ele abriu a boca para contestar, mas nenhum som saiu. Ele respeitava Oyakata-sama mais do que a sua própria vida. Jamais desobedeceria a uma ordem direta dele.
Ao seu lado, Yushina ergueu a cabeça. Ela não olhou para Sanemi com superioridade ou deboche. Seus olhos roxos estavam fixos em Kagaya, brilhando com uma lealdade feroz.
— Eu juro pela minha vida e pela minha lâmina, Oyakata-sama — disse ela, a voz vibrando de convicção crua —, que nenhum demônio cruzará meu caminho e sairá vivo. Eu rasgarei cada um deles até que Muzan Kibutsuji seja reduzido a cinzas.
— Eu sei que sim, Yushina — respondeu Kagaya, sorrindo docemente. — Conto com a sua força. Que os ventos soprem a favor de todos nós.
A reunião formal não se estendeu por muito mais tempo. Kagaya passou orientações gerais sobre os movimentos recentes dos demônios e, após suas bênçãos habituais, retirou-se com as filhas para os aposentos internos da mansão.
No momento em que a porta de correr se fechou, a atmosfera pacífica evaporou.
Sanemi levantou-se de um salto, ignorando completamente os outros Hashiras que começavam a se dispersar. Shinobu tentou se aproximar de Yushina para cumprimentá-la formalmente, mas parou no meio do caminho ao perceber a tensão estática que faiscava entre os dois irmãos. Rengoku acenou vigorosamente com a cabeça, aprovando a postura da nova Hashira, enquanto Tengen apenas riu baixinho, murmurando algo sobre "uma família de selvagens extravagantes".
Yushina pôs-se de pé, batendo a poeira das pernas da calça larga do uniforme. Ela ajeitou a bainha da espada na cintura e começou a caminhar em direção à saída do pátio, ignorando deliberadamente o homem que a fitava como se quisesse despedaçá-la.
— Ei — rosnou Sanemi, seguindo-a a passos duros.
Ela continuou andando.
— Eu estou falando com você, Yushina!
Sanemi esticou o braço e agarrou o ombro dela para forçá-la a parar. No mesmo milissegundo, Yushina girou o corpo com uma velocidade aterradora, desferindo um soco direto contra o queixo do irmão.
Sanemi previu o golpe e ergueu o antebraço, bloqueando o impacto. O estalo seco do choque ressoou pelo bosque adjacente à mansão, e a onda de choque levantou as folhas secas em um círculo perfeito ao redor dos dois.
— Não encosta a mão em mim se não quiser lutar até a morte — sibilou ela, os dentes cerrados, o punho ainda pressionado contra o braço bloqueador dele.
— Por que caralhos você fez isso?! — gritou Sanemi, finalmente deixando escapar o pânico visceral que mascarava sob o ódio. — Você e o Genya... Vocês dois são a desgraça da minha vida! Eu fiz tudo para proteger vocês! Eu manchei as minhas mãos com o sangue da nossa própria mãe para que vocês dois pudessem ter uma vida humana! E agora... olhe para você! Olhe para a porcaria do seu corpo cheio de cicatrizes! Você acha bonito parecer um monstro como eu?!
O golpe verbal atingiu Yushina, mas ela não recuou. Seus olhos se estreitaram, marejando de pura raiva.
— Você acha que eu queria ser assim?! — gritou ela de volta, empurrando o braço dele para longe. — Você me mandou para a casa daqueles parentes distantes, me trancou lá como se eu fosse uma boneca de porcelana! 'Fique aí, Yushina, seja boazinha, Sanemi vai resolver tudo'. Você é um arrogante egoísta! Você não foi o único que sangrou naquela noite! Você não foi o único que sentiu o cheiro da carne deles sendo rasgada!
Ela deu um passo à frente, encurralando o irmão contra o tronco de uma árvore centenária.
— Todas as noites em que eu fechava os olhos — continuou ela, a voz trêmula de ódio —, eu ouvia os gritos do Shuya, do Hiroshi, da Teiko... Eu via o sangue da mãe nas minhas mãos! Você achou mesmo que bordar panos e varrer chão ia limpar isso da minha mente?! O único momento em que os gritos calam na minha cabeça é quando a minha Nichirin corta a garganta de um demônio! Se eu tenho que ser um monstro para não enlouquecer, então que seja!
Sanemi sentiu o peito arder. Ele conhecia aquela dor. Ele vivia exatamente naquele inferno, todos os dias, a cada segundo de sua existência. Mas vê-la abraçar aquele mesmo abismo era insuportável.
— Se você morrer... — a voz de Sanemi falhou por um breve instante, algo tão raro que quase pareceu uma ilusão do vento. Ele desviou o olhar, encarando a folhagem escura acima deles. — Se você morrer na minha frente em um campo de batalha, eu nunca vou te perdoar.
— Não precisa perdoar — rebateu Yushina secamente. Ela cruzou os braços, adotando a mesmíssima postura defensiva e hostil que ele costumava usar. — Eu não vim aqui para ser salva por você, Sanemi. E nem vim para salvar a sua pele. Eu vim para matar demônios até que não reste mais nenhum neste mundo podre. Se eu morrer, apenas pise por cima do meu cadáver e corte a cabeça do desgraçado que me matou.
Sanemi olhou para ela. Realmente, não havia diferença. Ela tinha o mesmo queixo empinado, o mesmo olhar faiscante, a mesma alma dilacerada e reconstruída à base de ferro fundido e cinzas. Ele percebeu, com um desespero resignado, que nada no mundo faria Yushina recuar. Ela era tão Shinazugawa quanto ele. Tão teimosa quanto ele. Tão perigosa quanto o próprio vendaval.
Ele soltou um longo suspiro, passando a mão cicatrizada pelos cabelos prateados, despenteando-os ainda mais.
— Qual é a sua forma? — perguntou ele de repente, o tom voltando a ser ríspido, mas sem a intenção assassina de antes.
Yushina franziu a testa, surpresa pela mudança repentina de assunto.
— O quê?
— A sua Respiração — repetiu ele com irritação. — Oyakata-sama disse que é uma variação do Vento. Quem foi o seu treinador desgraçado? Que formas você usa?
Ela hesitou por um momento, mas um brilho feroz de orgulho surgiu em seu olhar ferido.
— Aprendi a base com um velho cultivador nas montanhas do oeste, mas o estilo dele era lento demais. Eu adaptei. Mudei os ângulos dos cortes para serem mais rápidos e cruéis. Chamo de Respiração do Vendaval. Tem seis formas. Todas focadas em estraçalhar a carne antes que o inimigo consiga regenerar.
Sanemi deu um meio sorriso torto e zombeteiro, o primeiro em anos que não era carregado apenas de maldade pura.
— Seis formas? Patético. A Respiração do Vento original tem nove, e cada uma delas é dez vezes mais letal do que qualquer coisa que você inventou naquele fim de mundo.
— Quer apostar, seu bastardo? — Yushina deu um passo em direção a ele, a mão voltando a repousar sobre o cabo de sua espada, que brilhava em um tom verde-escuro sob a luz filtrada da copa das árvores. — Vamos até a clareira de treinamento agora. Eu te mostro se as minhas formas são fracas.
— Não me faça rir, pirralha — rosnou Sanemi, virando as costas e começando a andar na direção das trilhas que levavam aos campos de treino do esquadrão. — Se você quer quebrar os dentes no seu primeiro dia como Hashira, o problema é seu. Mas não espere que eu pegue leve com você só porque saiu da mesma barriga que eu.
— Se você pegar leve comigo — respondeu Yushina, seguindo logo atrás de suas passadas largas com a mesma postura imponente e ameaçadora —, eu corto fora o resto da sua orelha.
Dois ventos violentos, nascidos da mesma tempestade de sangue e tragédia, caminhavam lado a lado pelo chão sagrado do Esquadrão de Caçadores de Demônios. Nenhum dos dois jamais confessaria, mas no silêncio daquela tarde ensolarada, a certeza de que não estavam mais completamente sozinhos no inferno tornou a lâmina de ambos um pouco mais leve para o combate inevitável que o futuro reservava.
