
Halloween
Fandom: Bad Omens
Criado: 23/09/2026
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Teias, Ruivas e Outras Armadilhas
A iluminação em tons de roxo e laranja transformava a ampla sala de estar em um cenário saído diretamente de um filme de terror dos anos oitenta. Teias de aranha sintéticas cobriam as quinas dos amplificadores encostados nas paredes, caveiras de plástico seguravam copos descartáveis e a fumaça de gelo seco deslizava preguiçosamente pelo piso de madeira escura. Na casa espaçosa que Noah dividia com Nick Folio, Jolly e Vincent, a noite de Halloween havia começado com a promessa de descanso após semanas exaustivas na estrada.
Noah Sebastian estava encostado na ilha da cozinha, segurando um copo de água com gás e limão. Por mais festivo que o ambiente estivesse, sua garganta ainda exigia cuidados quase religiosos. Alto, com seus imponentes um metro e noventa e dois de ombros largos esculpidos pelo jiu-jitsu e musculação, ele chamava atenção mesmo que tentasse se camuflar nas sombras. O traje de Homem-Aranha que vestia era uma réplica profissional, moldada milimetricamente ao seu corpo, desenhando cada linha de suas costas musculosas e do peitoral definido. Ele havia deixado a máscara caída sobre os ombros, revelando o rosto de traços marcantes, os olhos castanhos levemente amendoados e a franja repartida ao meio que caía perfeitamente emoldurando as maçãs do rosto.
— Se você continuar me olhando desse jeito, Sebastian — uma voz feminina e aveludada soou logo atrás dele, fazendo os pelos de sua nuca se arreopiarem —, vou achar que seu sentido aranha está disparando por outros motivos.
Noah girou sobre os calcanhares e quase engasgou com a própria saliva.
Nina estava encostada no batente que dividia a cozinha da sala. Com seus um metro e cinquenta e cinco, o contraste de altura entre os dois sempre fora motivo de fascínio mútuo, mas naquela noite parecia quase criminoso. Ela personificava a Mary Jane Watson definitiva: uma camiseta branca justa com o clássico coração estilizado, um short jeans curto que valorizava suas coxas grossas e quadril largo, e as meias até o joelho que deixavam à mostra as tatuagens detalhadas em suas panturrilhas. O cabelo ruivo curto ressaltava seu pescoço delicado e a curva confiante de um sorriso que Noah conhecia muito bem — o sorriso de quem sabia exatamente o poder que exercia sobre ele.
— Meu sentido aranha entrou em curto-circuito no minuto em que você saiu do quarto — admitiu Noah, a voz grave carregada de uma timidez que ele só conseguia sentir na presença dela. — E você sabe que eu não consigo fingir costume quando você decide aparecer assim.
Nina deu três passos lentos em sua direção, os quadris balançando com uma naturalidade provocante que fez as mãos de Noah coçarem de vontade de envolvê-la pela cintura fina.
— Assim como? — ela murmurou, parando a centímetros dele e erguendo os olhos castanhos e vivos para encará-lo. — Achei que fôssemos um par temático respeitável. Você é o herói da vizinhança e eu sou apenas a garota em perigo.
Noah soltou uma risada rouca e balançou a cabeça devagar, os lábios grossos curvando-se com ironia.
— Você nunca foi a garota em perigo na sua vida, Nina. Se alguém precisa de resgate aqui, sou eu. E nós dois sabemos disso.
— Que bom que você não se esquece do seu lugar, Peter Parker — disse ela, esticando a mão pequena e cheia de anéis para ajeitar uma mecha rebelde da franja dele, seus dedos roçando deliberadamente a pele quente da testa do vocalista. — Admita, você só escolheu essa fantasia para ter uma desculpa para ser salvo mais tarde.
Antes que Noah pudesse responder à provocação à altura, uma gargalhada escandalosa cortou a música eletrônica que tocava no fundo. Nick Folio surgiu na cozinha usando uma fantasia espalhafatosa de zumbi dos anos setenta, acompanhado por Jolly, que usava uma capa de Drácula visivelmente amassada e segurava duas garrafas de cerveja.
— Vejam só se não é o casal do ano — brincou Nick, apoiando o cotovelo no ombro maciço de Noah, que mal se moveu com o peso do baterista. — Sebastian, cara, esse colã azul e vermelho não deixa absolutamente nada para a imaginação. Acho que até o Jolly estava encarando a sua bunda mais cedo.
— Não fale do que você não sabe, Nick — rebateu Jolly em seu inglês com sotaque sueco, dando um gole demorado na cerveja. — O tecido tem uma costura anatômica muito impressionante, só estava avaliando o trabalho do figurinista. Mas, honestamente, Nina roubou a cena faz tempo. Noah parece apenas um acessório decorativo do lado dela.
— Eu sou um acessório muito feliz, obrigado — respondeu Noah sem pestanejar, passando um braço tatuado por cima dos ombros de Nina e puxando-a contra o seu quadril.
Nina riu, recostando a cabeça no peito firme de Noah e apreciando o calor que emanava do tecido justo da fantasia dele. Havia uma segurança deliciosa na forma como Noah a segurava agora. Sem a rigidez territorial e raivosa de semanas atrás, quando o ciúme por Calum Hood quase havia arruinado tudo nos bastidores. Aquele capítulo estava encerrado. Noah não tentava mais provar nada para ninguém; ele apenas a adorava, de forma aberta e sem pudores, rendido à dinâmica que eles haviam construído entre quatro paredes e diante do mundo.
— Falando em acessórios — continuou Nick, apontando com a garrafa para a sala —, Vincent acabou de montar a mesa de beer pong e o pessoal está chamando o campeão de Smash Bros para ser humilhado. Nina, você empresta o Peter Parker por dez minutos ou ele precisa continuar colado na sua teia?
— Ele é livre para tentar a sorte — respondeu Nina, lançando uma piscadela travessa para Noah. — Mas se você perder feio, Sebastian, não venha procurar consolo nos meus braços. Só aceito vencedores no meu apartamento fictício de Nova York.
Noah franziu a testa em um fingimento de indignação que só serviu para deixá-lo adoravelmente desarmado.
— Isso soou como um desafio direto à minha honra geek. Jolly, segure meu copo. Eu vou limpar aquela mesa em cinco minutos.
— Estarei assistindo — disse Nina, dando um tapinha atrevido na coxa rígida dele antes de se afastar um passo. — Faça valer a pena, herói.
A disputa na mesa de beer pong transformou a sala em uma arena caótica de torcida e risadas. Amigos próximos da equipe técnica, parceiros de estúdio e algumas bandas amigas se amontoavam ao redor para ver Noah Sebastian, o vocalista impassível e enigmático de uma das maiores bandas da cena pesada, comemorar um arremesso perfeito de bolinha de pingue-pongue como se tivesse acabado de vencer o campeonato mundial de jiu-jitsu.
Nina observava tudo do sofá de veludo vermelho, bebendo uma taça de ponche artesanal. Seu olhar não desgrudava do namorado. Era fascinante como a aura imponente de palco de Noah se desfazia tão facilmente na intimidade. Ali, entre copos plásticos e brincadeiras idiotas com Jolly e Nick, ele era apenas o homem doce, tímido e absurdamente atraente por quem ela havia se apaixonado.
No entanto, o olhar de Noah encontrava o dela a cada rodada. Ele não desviava. Mesmo quando a sala inteira gritava após uma vitória sua sobre Nick, seus olhos amendoados miravam Nina com uma intensidade que fazia o sangue dela ferver sob a pele. Havia uma promessa crua e silenciosa na postura dele; a tensão sexual acumulada desde o episódio no camarim estava longe de se esgotar. Pelo contrário, apenas ganhava contornos mais refinados e perigosos.
Quando o jogo terminou com a equipe de Noah invicta, ele se recusou a iniciar uma nova rodada. Deixou as bolinhas sobre a mesa, ignorou os protestos fingidos dos companheiros de banda e caminhou diretamente até o sofá onde Nina estava sentada com as pernas cruzadas.
— Eu avisei que limparia a mesa — disse ele, parando diante dela e apoiando as mãos nos joelhos, curvando-se até que seu rosto ficasse na mesma altura do dela. A respiração dele estava levemente acelerada pelo calor da sala. — Onde está a minha recompensa, Mary Jane?
Nina arqueou uma sobrancelha perfeitamente desenhada, pousando a taça na mesinha de centro.
— Você quer uma medalha por acertar uma bolinha de plástico num copo de cerveja barata? Que baixos estão os seus padrões de heroísmo.
— Meus padrões não são baixos — retrucou Noah, a voz descendo uma oitava, tornando-se aquele sussurro rouco e vibrante que costumava fazer os joelhos dela fraquejarem no escuro. — Eu só quero o que é meu por direito. E estou começando a achar que você está usando esse short minúsculo só para testar minha sanidade na frente dos meus amigos.
— Talvez eu esteja — sussurrou ela, deslizando as unhas vermelhas pelo peitoral dele, sentindo o relevo da aranha estampada no tecido e o bater forte do coração de Noah sob a palma de sua mão. — E até agora você não parece estar lidando muito bem com o teste.
Noah fechou os olhos por um segundo, engolindo em seco com o contato.
— Nina... — avisou ele, num tom que misturava súplica e advertência. — Se continuarmos com isso aqui, Jolly vai fazer alguma piada de muito mau gosto sobre o Homem-Aranha precisar de um banho frio.
— Então por que você ainda está aqui parado, Sebastian? — ela desafiou, levantando-se devagar. O topo de sua cabeça mal chegava ao peito dele, mas a postura ereta e o queixo erguido deixavam evidente quem comandava o ritmo daquela dança.
Noah não esperou por um segundo convite. Ele segurou a mão de Nina, entrelaçando os dedos aos dela com uma firmeza possessiva, mas suave, e guiou-a para longe do burburinho da sala. Eles subiram as escadas em direção ao andar superior da casa, onde ficavam os quartos dos rapazes. O som da festa transformou-se em um eco abafado de risadas e batidas graves conforme o corredor silencioso os acolheu.
Assim que a porta do quarto de Noah se fechou atrás deles, ele a pressionou suavemente contra a madeira. Não com a agressividade insegura do passado, mas com a urgência devota de alguém que havia esperado a noite inteira por aquele exato instante.
Ele apoiou as duas mãos na porta, uma de cada lado da cabeça de Nina, cercando-a completamente com a largura de seus ombros.
— Você não tem piedade nenhuma de mim — murmurou Noah, encostando a testa na dela, os olhos semicerrados vasculhando cada detalhe do rosto de Nina sob a penumbra das luzes de led do quarto. — Aquele short devia ser proibido por lei.
— E você devia usar lycra mais vezes — respondeu Nina, deslizando as mãos pela cintura estreita dele até alcançar os glúteos firmes, arrancando um suspiro pesado do vocalista. — Realmente ressalta todo aquele tempo que você passa rolando no tatame.
Noah soltou uma risada baixa, os lábios roçando na bochecha macia dela antes de descerem para a curva do maxilar.
— Eu passei a semana inteira pensando em você, Nina. Toda vez que subia no palco, toda vez que terminava uma gravação... era a sua voz que eu queria ouvir.
Nina sentiu o coração apertar com a vulnerabilidade genuína que ele sempre demonstrava quando estavam a sós. Ela levou as mãos até o rosto dele, os polegares contornando as maçãs salientes e os lábios grossos que ela tanto adorava beijar.
— Eu sei, meu amor — disse ela com ternura, antes de puxá-lo para um beijo profundo e lento.
O beijo começou calmo, mas a combustão foi instantânea. Noah a puxou pela cintura com uma facilidade desconcertante, levantando-a ligeiramente do chão para que ela não precisasse ficar na ponta dos pés. Nina enlaçou as pernas ao redor dos quadris dele, enterrando os dedos nos cabelos castanhos da nuca de Noah, puxando levemente os fios conforme a língua dele invadia sua boca com um ritmo exigente e embriagador.
Ele caminhou com ela até a cama queen-size no centro do quarto, deitando-a com cuidado sobre os lençóis escuros antes de se posicionar entre suas coxas. O peso do corpo de Noah sobre o dela era reconfortante, sólido e absurdamente quente.
— Lembra daquela cena clássica do filme? — murmurou Nina entre beijos ofegantes, os lábios já inchados pela intensidade das carícias.
Noah ergueu o rosto, com um meio sorriso presunçoso que raramente aparecia em público.
— A do beijo na chuva, de cabeça para baixo?
— Exatamente — disse ela, puxando a máscara que ainda repousava no pescoço dele, puxando-a até cobrir metade do rosto de Noah, deixando apenas a boca carnuda e o queixo expostos. — Mas acho que nós podemos fazer uma versão muito mais interessante. Sem a chuva.
Noah soltou um gemido abafado contra a pele do pescoço de Nina quando as mãos dela deslizaram por baixo do tecido da blusa, encontrando sua pele quente e subindo pelas costelas tatuadas.
— Você manda, MJ — sussurrou ele, a voz rouca cheia de reverência. — Eu sou todo seu.
Naquela noite, sob as luzes fracas do quarto e com o eco distante de uma festa de Halloween que não importava mais a nenhum dos dois, Noah Sebastian provou não precisar de superpoderes para ser invencível. Ele só precisava da mulher que o olhava nos olhos, segura de si, ensinando-o a amar sem medo, sem correntes e com toda a paixão que duas pessoas livres podiam compartilhar.
