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On a Pedersen's leash

Fandom: LMSY

Criado: 23/09/2026

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RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoHistória DomésticaCrimeCiúmesNoir
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Entre o Sangue e a Seda

O cheiro de suor, ferro e poeira impregnava o ar do galpão subterrâneo. As luzes de neon piscavam ritmicamente, refletindo-se nas poças de água e sangue no chão de concreto. No centro do ringue improvisado, cercada por grades enferrujadas, Lookmhee Punyapat era a definição de uma tempestade contida. Seus 1,78m de altura pareciam dobrar de tamanho quando ela se movia; cada músculo sob a pele pálida estava tensionado, pronto para o abate.

Ela não lutava por dinheiro, embora ele viesse em abundância. Ela lutava pelo silêncio que a adrenalina trazia para sua mente barulhenta.

Do outro lado da grade, em uma área VIP protegida por seguranças armados, Sonya Pedersen observava. Seus dedos longos traçavam a borda de uma taça de cristal, mas seus olhos cor de mel nunca deixavam a figura de cabelos pretos que acabara de nocautear um oponente com o dobro de seu peso.

— Ela é magnífica, não é? — Sonya murmurou para si mesma, um sorriso brincando em seus lábios.

Para Sonya, filha do homem que controlava as sombras da cidade, tudo tinha um preço. E no momento em que viu Lookmhee pela primeira vez, ela decidiu que a lutadora seria sua aquisição mais preciosa.

Algumas semanas depois, o "acordo" foi selado. O pai de Sonya, a pedido da filha, comprou o contrato da arena, as dívidas de Lookmhee e, tecnicamente, a própria Lookmhee.

Agora, na mansão Pedersen, o silêncio era quebrado apenas pelo som dos passos pesados de Lookmhee. Ela usava uma regata preta que revelava as tatuagens em seus braços e o curativo no supercílio, herança da luta da noite anterior.

— Você está atrasada para o jantar — disse Sonya, sem tirar os olhos do livro que lia. Ela estava sentada em uma poltrona de veludo, a luz da luminária iluminando seus cabelos castanho-claros.

Lookmhee parou no meio da sala, as mãos nos bolsos da calça cargo. Sua expressão era de puro desprezo.

— Eu não sou seu cachorro, Sonya. Não venho quando você assobia.

Sonya fechou o livro com um estalo seco e levantou-se. Ela era mais baixa que Lookmhee, mas sua presença era igualmente dominante. Ela caminhou até a lutadora, parando a poucos centímetros de distância, sentindo o calor que emanava do corpo da outra.

— Tecnicamente, você é minha. Meu pai pagou uma fortuna para tirar você daquela lama — Sonya disse, sua voz era uma carícia perigosa. — Eu esperava um pouco mais de gratidão.

Lookmhee soltou uma risada curta e sarcástica, inclinando-se para frente para encarar Sonya nos olhos.

— Gratidão? Você me comprou como se eu fosse um móvel ou um animal de estimação. Você quer que eu balance o rabo? — Ela rosnou, a mandíbula travada. — Eu prefiro voltar para o ringue e ser espancada até a morte do que ser seu brinquedinho de luxo.

Sonya não recuou. Pelo contrário, ela estendeu a mão e tocou o rosto de Lookmhee, os dedos traçando a linha da mandíbula forte. Lookmhee se esquivou do toque como se tivesse sido queimada.

— Não me toque.

— Tão arisca — provocou Sonya, um brilho possessivo nos olhos. — Às vezes eu penso que uma coleira ficaria linda em você. Uma de couro legítimo, com o meu nome gravado. O que acha?

Os olhos de Lookmhee faiscaram de ódio. Ela agarrou o pulso de Sonya com força, a força de uma lutadora que não conhecia a própria potência.

— Tente colocar qualquer coisa no meu pescoço e eu garanto que você vai descobrir como é a sensação de ter a traqueia esmagada.

Sonya não demonstrou medo. Ela apenas sorriu, aproximando o rosto do de Lookmhee.

— Você tem um pavio tão curto, querida. É isso que eu mais amo em você. Essa vontade de morder a mão que te alimenta.

Lookmhee soltou o pulso de Sonya bruscamente e deu um passo para trás, bufando. Ela odiava como Sonya conseguia ler suas reações. Odiava mais ainda o fato de que, por trás de todo aquele luxo e arrogância, Sonya era observadora demais.

— Por que você faz isso? — perguntou Lookmhee, a voz agora mais baixa, carregada de frustração. — Você tem tudo. Tem dinheiro, poder, homens e mulheres aos seus pés. Por que perder tempo comigo? Eu sou rude, sou violenta e eu detesto você.

Sonya deu de ombros, caminhando até a mesa onde uma garrafa de vinho estava aberta.

— Porque você é a única coisa neste mundo que não finge gostar de mim por causa do meu sobrenome — Sonya serviu uma taça e a estendeu para Lookmhee. — E porque você é linda quando está tentando me matar com os olhos.

Lookmhee ignorou a taça.

— Eu vou sair com a moto. Preciso de ar.

— Você não vai a lugar nenhum — Sonya disse, o tom de voz mudando instantaneamente de provocador para autoritário. — Está chovendo e você ainda tem pontos no rosto.

— Você não manda em mim — Lookmhee rebateu, virando as costas.

Antes que pudesse dar o segundo passo, Sonya se moveu com uma agilidade que Lookmhee sempre subestimava. Ela se colocou na frente da porta, bloqueando a saída.

— Eu disse que você fica.

Lookmhee rosnou, a teimosia falando mais alto. Ela se aproximou, usando sua altura para tentar intimidar Sonya, mas a herdeira da máfia apenas inclinou a cabeça, desafiadora.

— Saia da frente, Sonya. Eu não quero te machucar.

— Ah, Lookmhee... — Sonya deu um passo à frente, colando seu corpo ao da lutadora. — Nós duas sabemos que você nunca me machucaria. Você pode ser rude, pode ser fria, mas você tem esse instinto protetor escondido sob toda essa armadura.

— Você não sabe nada sobre mim — Lookmhee murmurou, mas sua voz falhou levemente. A proximidade de Sonya, o perfume cítrico e caro que ela exalava, estava começando a nublar seus sentidos.

— Eu sei que você gosta de livros de história, embora finja que só se importa com motos — Sonya sussurrou, a mão subindo novamente, desta vez acariciando a nuca de Lookmhee. — Eu sei que você não sabe receber carinho porque acha que não merece. E eu sei que, agora mesmo, você está morrendo de vontade de me beijar ou de me quebrar ao meio.

Lookmhee sentiu o ciúme possessivo de Sonya vibrar no ar. Sonya não queria apenas sua presença; ela queria sua alma. E Lookmhee, orgulhosa e teimosa, sentia as defesas desmoronarem.

— Você é insuportável — Lookmhee disse, a voz rouca.

— E você é minha — Sonya rebateu.

O silêncio que se seguiu foi tenso, carregado de uma eletricidade que ameaçava explodir. Lookmhee observou os lábios de Sonya, a curva provocadora que ela tanto odiava e desejava. Sem aviso, a lutadora agarrou a cintura de Sonya e a prensou contra a porta.

Sonya soltou um arquejo de surpresa que rapidamente se transformou em um sorriso vitorioso.

— O que foi? — Sonya provocou. — O animal de estimação resolveu morder?

Lookmhee não respondeu com palavras. Ela inclinou a cabeça e capturou os lábios de Sonya em um beijo que era tudo menos delicado. Era uma colisão de dentes, línguas e uma fome acumulada de semanas de negação. Era caótico, violento e desesperado, exatamente como a relação das duas.

Sonya retribuiu com a mesma intensidade, suas mãos se enroscando nos cabelos pretos de Lookmhee, puxando-a para mais perto, querendo fundir seus corpos. Ela adorava a força de Lookmhee, a maneira como ela dominava o espaço, a urgência em seus movimentos.

Quando se separaram para buscar ar, Lookmhee encostou a testa na de Sonya, a respiração pesada.

— Eu ainda odeio você — Lookmhee sussurrou, embora suas mãos continuassem firmes na cintura de Sonya.

— Eu sei — Sonya sorriu, os olhos brilhando com uma mistura de triunfo e afeto. — Mas você vai ficar.

Lookmhee soltou um suspiro derrotado, a teimosia cedendo espaço para algo que ela ainda se recusava a chamar de amor.

— Só porque está chovendo.

Sonya riu, um som claro que ecoou pelo corredor luxuoso. Ela sabia que tinha vencido aquela rodada, mas com Lookmhee, a luta nunca terminava realmente. E era exatamente isso que a mantinha fascinada.

— Venha — Sonya disse, pegando a mão da lutadora e a puxando em direção ao sofá. — Vou ler para você. E depois, talvez eu deixe você me contar sobre a moto nova que você quer comprar.

Lookmhee revirou os olhos, mas não soltou a mão de Sonya. Ela se deixou ser conduzida, a observadora nata notando como os dedos de Sonya se encaixavam perfeitamente nos seus. Ela ainda se sentia como um animal enjaulado, mas, pela primeira vez, a jaula parecia um lugar onde ela poderia, quem sabe, encontrar um pouco de paz.

— Você é louca, Pedersen — murmurou Lookmhee, sentando-se ao lado dela.

— E você é teimosa, Punyapat — Sonya abriu o livro, encostando a cabeça no ombro da lutadora. — Acho que formamos um belo par.

Lookmhee não respondeu, mas quando Sonya começou a ler, ela fechou os olhos, permitindo-se, apenas por aquele momento, ser cuidada pela mulher que a comprou, mas que, sem que ela percebesse, também havia conquistado o seu respeito. E, talvez, algo muito mais perigoso que isso.

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