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Amor e rodas

Fandom: Formula 1

Criado: 23/09/2026

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Marcas de Pneu e Batom Vermelho

O paddock de Monza fervilhava com a energia elétrica que apenas o Grande Prêmio da Itália poderia proporcionar. O ar estava pesado com o cheiro de borracha queimada, combustível de alta octanagem e o perfume caro das celebridades que desfilavam pelo Paddock Club. Para Kimi Antonelli, aquele era o ápice de sua jovem carreira. O prodígio italiano, a nova grande aposta da Mercedes, estava em casa. Mas, para Karen, o cenário era um pouco mais complexo.

Sentada nos boxes da equipe, Karen cruzou suas longas pernas, atraindo olhares imediatos. Aos 22 anos, a modelo ítalo-brasileira era uma força da natureza. Sua pele negra retinta brilhava sob as luzes artificiais da garagem, realçada por um conjunto de linho branco que contrastava perfeitamente com sua beleza impactante. Nascida no Brasil, mas criada sob o sol da Toscana, ela carregava a mistura explosiva do carisma brasileiro com a elegância europeia.

Ela olhou para o monitor, vendo Kimi tirar o capacete após o treino classificatório. O rosto dele, ainda com marcas do esforço físico, apareceu no telão gigante. Imediatamente, um coro de gritos agudos ecoou das arquibancadas próximas.

— Ele está ficando popular demais — murmurou Karen para si mesma, ajustando os óculos escuros de uma grife francesa da qual era o rosto oficial.

Kimi e Karen namoravam desde que ele ainda corria de kart, muito antes dos contratos milionários e das capas de revista. Ela o vira crescer, literalmente e profissionalmente. Mas agora, com a confirmação de sua ascensão à Fórmula 1, o assédio havia atingido um nível estratosférico. Não eram apenas fãs de automobilismo; eram legiões de jovens que viam nele o novo "príncipe" das pistas.

— Karen, querida, você viu os comentários na última foto dele? — perguntou Giulia, uma das assessoras de imprensa da equipe, aproximando-se com um tablet.

Karen pegou o aparelho. A foto era um clique simples de Kimi saindo do carro, suado e com o cabelo bagunçado. A seção de comentários era um campo de guerra de corações, pedidos de casamento em cinco idiomas diferentes e declarações apaixonadas de adolescentes que nem sabiam o que era uma asa móvel.

— "Kimi, casa comigo", "O sol da Itália tem nome e sobrenome", "Solteiro?" — Karen leu em voz alta, com um sorriso de canto que não escondia a ponta de irritação. — Elas são rápidas, não são?

— Você sabe como é — disse Giulia, dando de ombros. — Ele é o momento.

— O momento é meu — Karen respondeu, devolvendo o tablet. — E eu vou lembrar isso a elas.

Ela pegou seu celular. Tirou uma foto rápida da própria mão, onde um anel de compromisso discreto, mas caríssimo, brilhava, com os boxes da Mercedes ao fundo. Postou nos Stories com a legenda: "Esperando meu campeão no lugar de sempre. 🇮🇹🇧🇷🏁 #TeamAntonelli". Em questão de segundos, as visualizações dispararam.

Minutos depois, Kimi entrou na garagem. Ele estava cercado por engenheiros, mas seus olhos azuis procuraram imediatamente a figura familiar no fundo do box. Ao vê-la, um sorriso genuíno, aquele que ele raramente mostrava para as câmeras, iluminou seu rosto.

— Você foi incrível, Kimi — disse um dos mecânicos, dando um tapinha em seu ombro.

— Obrigado, pessoal. O carro está perfeito — respondeu ele, antes de se desvencilhar do grupo e caminhar em direção a Karen.

Ele parou na frente dela, ignorando as câmeras de TV que tentavam captar cada movimento do novo astro.

— E então? — perguntou Kimi, a voz rouca pelo cansaço. — O que achou da última volta?

— Achei que você foi rápido demais — disse Karen, levantando-se e ajeitando a gola da camisa dele. — Como se estivesse fugindo de algo. Ou correndo para alguém.

Kimi riu, envolvendo a cintura dela com as mãos enluvadas.

— Eu sempre corro para você, Karen. Você sabe disso.

— Sei. Mas parece que metade das garotas na arquibancada B também acha que você corre para elas — ela comentou, arqueando uma sobrancelha.

Kimi revirou os olhos, mas o sorriso não desapareceu.

— Cúmes, Karen? Logo você, que tem outdoors espalhados por Milão inteira?

— Não é ciúme, Kimi. É demarcação de território — ela respondeu, aproximando-se o suficiente para que ele sentisse o perfume de baunilha e sândalo. — A diferença é que os homens que olham para os meus outdoors sabem que eu sou inalcançável. Essas meninas acham que você é um personagem de fanfic.

— Eu sou real — ele sussurrou, inclinando-se para beijá-la.

O beijo foi breve, mas possessivo o suficiente para ser captado por pelo menos três fotógrafos de agências internacionais. Karen fez questão de segurar o rosto dele por um segundo a mais, deixando uma leve marca de seu batom nude na bochecha do piloto.

— Vá trocar de roupa — disse ela, dando um tapinho no peito dele. — Temos aquele jantar da marca de relógios hoje à noite.

— Eu preferia ficar no hotel com você — confessou Kimi.

— Eu também. Mas o mundo quer ver o casal de ouro, então vamos dar ao mundo o que ele quer.

O jantar aconteceu em um palácio antigo nos arredores de Monza. Karen estava deslumbrante em um vestido de seda preta que abraçava suas curvas e uma fenda que parecia não ter fim. Kimi, de terno sob medida, parecia um modelo de passarela, embora se sentisse muito mais confortável em um macacão de corrida.

Assim que chegaram, foram cercados. Influenciadoras digitais e modelos europeias tentavam a todo custo conseguir a atenção de Kimi. Karen mantinha-se ao lado dele, uma mão possessiva descansando em seu braço, respondendo a perguntas em italiano fluente com a cadência suave do português brasileiro que ela nunca perdeu totalmente.

— Kimi, uma foto para o meu blog? — pediu uma jovem loira, vestindo um vestido curto demais para a ocasião. Ela se aproximou perigosamente do piloto, praticamente empurrando Karen para o lado. — Sou sua fã número um desde a Fórmula 4!

Kimi hesitou, olhando para Karen. Karen, por sua vez, deu um sorriso glacial, aquele que usava nas passarelas da Paris Fashion Week.

— Claro, querida — disse Karen, antes que Kimi pudesse responder. — Eu tiro para você. O ângulo do Kimi é melhor do lado esquerdo, confie em mim, eu o conheço de todos os ângulos possíveis.

A garota piscou, surpresa. Ela entregou o celular para Karen, que tirou a foto com uma eficiência profissional.

— Aqui está. Ficou ótima — Karen disse, devolvendo o aparelho. — Kimi, amor, o CEO da marca está nos chamando. Com licença.

Ela puxou Kimi para longe antes que a fã pudesse dizer "obrigada".

— "Todos os ângulos possíveis"? — Kimi perguntou, rindo baixo enquanto caminhavam para a área VIP. — Você foi má, Karen.

— Eu fui eficiente — ela corrigiu, pegando uma taça de champanhe de um garçom que passava. — Se eu não colocar limites, amanhã elas estarão tentando entrar no seu cockpit durante o pit stop.

— Você sabe que não precisa se preocupar. Eu nem vejo essas outras garotas.

— Eu sei que você não vê, Kimi. Você é focado demais, é por isso que eu te amo. Mas eu vejo. E eu gosto que elas saibam que, por trás desse piloto prodígio, existe uma mulher que não tem medo de acelerar também.

Kimi parou de andar e a puxou para um canto mais reservado, atrás de uma coluna de mármore. A música da festa estava abafada ali.

— Você é incrível — disse ele, olhando-a com uma intensidade que fazia as pernas de Karen fraquejarem. — A fama, a pressão... nada disso faz sentido se você não estiver no meu box.

— Eu sempre vou estar lá, Kimi — ela respondeu, a voz suavizando. — Mas prepare-se, porque eu acabei de postar a foto que tirei de você no espelho do elevador.

Kimi pegou o celular do bolso e abriu o Instagram. Lá estava: uma foto dele, de costas, terminando de abotoar a camisa, com Karen visível no reflexo do espelho, usando apenas o roupão do hotel e um olhar de pura satisfação. A legenda dizia apenas: "Privilégio de quem acorda com o pole position todos os dias. 🏁👑".

— Karen! — Kimi exclamou, embora estivesse rindo. — Minha equipe de relações públicas vai ter um ataque cardíaco.

— Deixe que tenham — ela disse, enlaçando o pescoço dele. — Eles são pagos para lidar com crises. Eu sou paga para ser bonita e para lembrar ao mundo que Kimi Antonelli já tem uma dona.

Kimi guardou o celular e a puxou para mais perto, selando seus lábios em um beijo que prometia muito mais do que apenas uma noite de gala.

— Você é terrível — ele murmurou contra os lábios dela.

— Eu sou brasileira, meu amor — ela sorriu, os olhos brilhando com triunfo. — A gente não brinca em serviço.

Naquela noite, a internet quebrou. As fãs suspiraram, as rivais invejaram, e os tabloides tiveram material para uma semana inteira. Mas, no silêncio do quarto de hotel, longe das câmeras e dos flashes, Karen sabia que não importava quantos milhões de seguidores Kimi tivesse. No final do dia, quando os motores silenciavam, era para os braços dela que ele voltava. E ela faria questão de que o mundo nunca esquecesse disso.

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