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Gravida do drake

Fandom: Kabrinha/gustavo Henrique e karen

Criado: 24/09/2026

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RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoFatias de VidaRealismoCiúmesGravidez Não Planejada/Indesejada
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O Vestido Curto e a Gota d’Água

A luz do abajur no canto do quarto parecia zombar da solidão de Karen. Ela passou a mão pela barriga de seis meses, sentindo o pequeno Liam se mexer, um chute leve que, em outros tempos, seria motivo de risadas e carinhos trocados com Gustavo. Mas agora, o silêncio do apartamento era interrompido apenas pelo som das notificações do Instagram, que ela teimava em não olhar, mas acabava cedendo.

Duas semanas. Quatorze dias desde que a última briga, motivada por uma crise de ciúmes boba e potencializada pelos hormônios à flor da pele, terminou com Gustavo pegando uma mochila e saindo batendo a porta. Ele se refugiou na casa da mãe, mas, pelo que Karen via nos stories alheios, ele não estava exatamente de luto pelo relacionamento.

— Ele acha que a vida é um eterno feriado, Liam — sussurrou ela, sentindo os olhos arderem. — Acha que pode simplesmente voltar a ser o solteiro da rodinha enquanto eu carrego você e essa ansiedade sozinha.

Gustavo estava vivendo uma vida de solteiro de luxo. Baladas, resenhas com os amigos, sorrisos em fotos borradas. O que mais doía em Karen não era nem a distância, mas a dúvida. Ela não sabia se ele tinha ficado com alguém, e a incerteza era um veneno que corroía sua paciência. Se ele queria jogar o jogo da liberdade, ela mostraria que também sabia as regras, mesmo com uma barriga de seis meses que, para ela, só a deixava ainda mais poderosa.

Era sábado à noite. Karen se levantou com uma determinação que não sentia há dias. Ligou para sua melhor amiga, Bia, que atendeu no segundo toque.

— Bia, se arruma. A gente vai sair hoje.

— Amiga? Você tem certeza? — a voz de Bia era de surpresa. — Você está de seis meses, Karen. E o Gustavo...

— O Gustavo que se exploda — interrompeu Karen, abrindo o guarda-roupa. — Ele está por aí vivendo como se eu não existisse. Eu cansei de ficar em casa chorando e comendo sorvete. Quero música, quero gente e quero que ele veja o que está perdendo.

Karen vasculhou o armário até encontrar um vestido de seda preto, curto, que abraçava suas curvas e destacava a barriga de forma elegante e ousada. Ela se maquiou com cuidado, apostando em um batom vermelho marcante. Quando se olhou no espelho, não viu apenas uma grávida cansada; viu uma mulher que exigia respeito.

Duas horas depois, elas estavam no "Píer", um dos lugares mais badalados da cidade, onde Karen sabia, por fontes seguras (leia-se: o GPS social dos amigos em comum), que Gustavo estaria com a trupe dele.

O impacto da entrada de Karen foi imediato. O lugar estava cheio, a música alta vibrava no peito, e o contraste daquela mulher deslumbrante, grávida e decidida, atraía olhares por onde passava. Bia caminhava ao lado dela, sentindo a tensão no ar.

— Ali, Karen. Mesa da direita, perto do palco — sussurrou Bia.

Karen nem precisou procurar muito. Gustavo estava lá, com um copo na mão, rindo de algo que um amigo dizia. Ele parecia relaxado, a imagem perfeita do homem sem preocupações. Até que ele a viu.

O sorriso de Gustavo morreu instantaneamente. O copo quase escorregou de sua mão quando seus olhos percorreram Karen de cima a baixo, parando no vestido curto e na expressão desafiadora dela. Ele se levantou num salto, ignorando os protestos dos amigos, e atravessou a pista de dança como um furacão.

— Que porra é essa, Karen? — ele perguntou, a voz rouca tentando se sobrepor à música.

Karen nem piscou. Ela apenas ajeitou o cabelo, mantendo um sorriso cínico nos lábios.

— É uma noite de sábado, Gustavo. Achei que você reconheceria, já que passou as últimas duas semanas vivendo nelas.

— Você está grávida! — ele sibilou, aproximando-se mais, o cheiro de perfume e bebida misturados emanando dele. — O que você está fazendo aqui com esse vestido? Todo mundo está olhando para você!

— Deixa que olhem — rebateu ela, dando um passo à frente, ficando a centímetros do peito dele. — Você não parecia muito preocupado com quem estava olhando para você nas últimas fotos que postou. Ou com quem você estava dividindo a mesa.

— Eu estou na casa da minha mãe, Karen! — ele exclamou, gesticulando freneticamente. — Eu vim para cá para espairecer porque a gente não consegue passar dez minutos sem brigar!

— Você veio para cá para fingir que não tem um filho a caminho e uma mulher em casa — Karen disse, o tom de voz subindo, atraindo a atenção das mesas próximas. — Você agiu como se estivesse solteiro. Então, não venha querer me dar sermão sobre o comprimento do meu vestido ou sobre onde eu deveria estar.

Gustavo sentiu o sangue ferver. O ciúme, aquele mesmo sentimento que desencadeou a briga semanas atrás, agora queimava de forma diferente. Era a posse, o medo e, acima de tudo, a percepção de que ela não estava mais sob o seu controle emocional.

— Vamos embora daqui agora — ele disse, tentando pegar no braço dela, mas Karen se esquivou com agilidade.

— Eu não vou a lugar nenhum com você, Gustavo Henrique. Eu vim com a Bia e vou embora com a Bia.

— Karen, não me testa — ele rosnou, os olhos escuros de raiva. — Você está carregando o Liam. Esse lugar é barulhento, tem gente fumando, não é lugar para você.

— Engraçado você se preocupar com o Liam agora — ela riu, um som amargo que cortou Gustavo mais do que qualquer grito. — Passou duas semanas sem mandar uma mensagem para saber se eu tive desejos, se eu tive dor, se a consulta do pré-natal correu bem. Você abdicou do seu direito de se preocupar quando escolheu a vida de baladeiro em vez de ser homem para resolver as coisas em casa.

Gustavo ficou em silêncio por um momento, as palavras dela atingindo o alvo. Ele olhou em volta e viu os amigos observando, viu estranhos cochichando. A vergonha começou a substituir a raiva.

— Eu não fiquei com ninguém, Karen — ele disse, a voz subitamente baixa e vulnerável. — Eu juro por Deus. Eu só... eu não sabia como lidar com o fato de que tudo o que eu faço parece te irritar agora. Eu me senti sufocado.

— E a sua solução foi me deixar sufocando sozinha na nossa casa? — ela perguntou, sentindo uma lágrima teimosa escapar, que ela limpou rapidamente para não estragar a maquiagem. — Gravidez não é só barriga crescendo, Gustavo. São hormônios, é medo, é o corpo mudando. Eu precisava do meu parceiro, não de um menino que foge para a barra da saia da mãe na primeira dificuldade.

— Eu fui um idiota — ele admitiu, dando um passo para trás, passando a mão pelo rosto. — Mas esse vestido... Karen, você está linda, mas está me matando. Eu vejo esses caras te olhando e eu só quero quebrar a cara de cada um.

— Pois sinta o que eu senti vendo você cercado de mulheres nessas resenhas — Karen disse, firme. — O respeito é uma via de mão dupla. Você quis o espaço, você teve o espaço. Agora aguenta as consequências de ver que eu não sou um troféu que você deixa na prateleira e volta para buscar quando tem vontade.

Bia, que estava a uma distância segura, aproximou-se e tocou no ombro de Karen.

— Amiga, vamos para aquela área vip? O som está mais baixo lá.

— Vamos — disse Karen, sem desviar o olhar de Gustavo.

— Karen, espera! — Gustavo tentou segui-la, mas um segurança barrou sua passagem momentaneamente devido ao fluxo de pessoas.

Ele ficou ali, parado no meio da pista, vendo a mulher da sua vida, carregando seu filho, afastar-se com a cabeça erguida. O ciúme ainda queimava, mas a culpa era maior. Ele percebeu que, na tentativa de fugir das responsabilidades e das brigas, ele quase perdeu o que tinha de mais valioso.

Minutos depois, Karen estava sentada em um sofá de couro na área vip, bebendo uma água de coco. Por dentro, seu coração estava disparado. Ela não queria estar ali, na verdade. Suas costas doíam e ela só queria o seu pijama e o conforto da sua cama. Mas a lição precisava ser dada.

— Ele está vindo de novo — avisou Bia, apontando discretamente com a cabeça.

Gustavo apareceu, mas desta vez não havia raiva em seu rosto. Havia derrota. Ele se ajoelhou na frente de Karen, ignorando quem pudesse ver, e colocou a mão sobre a barriga dela. O pequeno Liam, como se reconhecesse o toque do pai, deu um chute forte bem onde a palma de Gustavo estava.

O toque fez os olhos de Gustavo se encherem de água.

— Me perdoa — ele sussurrou, a voz embargada. — Eu fui um moleque. Eu tive medo da mudança, tive medo de não ser um bom pai e acabei sendo um péssimo marido. Por favor, Karen... vamos para casa. Eu não quero mais passar nem um minuto longe de vocês.

Karen olhou para ele, vendo a sinceridade que faltava nas fotos de rede social. O orgulho dela ainda estava ferido, mas o amor pelo pai do seu filho falava mais alto.

— Você não vai voltar a ser o Gustavo das últimas duas semanas? — ela perguntou, a voz trêmula.

— Nunca mais — ele prometeu, beijando a mão dela. — Eu vou ser o homem que você e o Liam merecem. Eu vou lidar com os hormônios, com os desejos, com as brigas... eu só quero estar com você.

Karen suspirou, sentindo o peso das últimas duas semanas começar a evaporar.

— Tudo bem, Gustavo. Mas se você fugir de novo, não vai ter volta. E esse vestido? — ela deu um sorriso de lado. — Eu vou guardar. Para me lembrar de que, grávida ou não, eu ainda sou a mulher que te deixa louco.

Gustavo riu, um som aliviado, e a ajudou a se levantar com todo o cuidado do mundo.

— Acredite, eu nunca mais vou esquecer disso.

Eles saíram da balada juntos, sob os olhares de quem antes presenciava a briga. Gustavo não soltou a mão dela nem por um segundo, e Karen, apesar do cansaço, sentia que o equilíbrio da sua pequena família tinha sido finalmente restaurado. O jogo do troco tinha acabado, e o prêmio era o recomeço que ambos tanto precisavam.

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