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Oliver x miss bloomie

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 24/09/2026

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DramaAngústiaSombrioPsicológicoHorrorCenário CanônicoEstudo de Personagem
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A Lição Particular de Miss Bloomie

Os corredores monocromáticos da Paper School pareciam mais silenciosos do que o habitual, imersos em uma névoa tênue de poeira de giz e o eco distante de passos apressados. Oliver caminhava com sua costumeira arrogância despretensiosa, com as mãos afundadas nos bolsos da bermuda branca, enquanto sua longa cabeleira alva, que quase beijava seus tornozelos, balançava suavemente ao ritmo de seus passos. O rabo de cavalo baixo, preso com um laço preto impecável, contrastava com a mecha espetada e teimosa no topo de sua cabeça, além do símbolo vermelho vívido de um "A+" desenhado no lado direito de seu cabelo, exibido com orgulho como um troféu ilegítimo.

Ele mastigava distraidamente um pequeno pedaço de sabonete de menta que havia surrupiado do banheiro dos professores minutos antes. O sabor ceroso e refrescante preenchia sua boca com pequenas bolhas invisíveis, algo que para qualquer outro estudante seria repulsivo, mas para ele era uma iguaria deliciosa e calmante. No entanto, mesmo com o doce gosto de soda e perfume em seu paladar, Oliver estava ficando entediado.

Zip havia desaparecido em direção à biblioteca para pregar peças nos alunos mais novos, e Edward, que supostamente deveria encontrá-los perto dos armários com algumas peças mecânicas que havia prometido, havia simplesmente sumido do mapa. O último boato que ouvira era que o rapaz genial de óculos tinha sido chamado às pressas pela professora de ciências.

Oliver parou diante da pesada porta de madeira da sala de ciências. A placa de metal exibia o nome entalhado com precisão cortante: Miss Bloomie.

Erguendo seu braço esquerdo — a ponta afiada e de grafite escuro de seu longo braço de lápis batendo firmemente contra a madeira maciça —, ele deu três batidas secas.

— Ei, Edward! — chamou Oliver em tom cantante e zombeteiro, batendo a sola de sua bota preta no chão quadriculado. — Anda logo, cara! A gente não tem o dia inteiro! Se você estiver desmontando os microscópios de novo, é melhor me deixar ver antes que ela pegue você!

O silêncio do outro lado da sala foi sua única resposta. Nem o som de vidros tilintando, nem passos, nem murmúrios. Oliver franziu a testa sob a franja e revirou os olhos bicolores, irritado com a falta de retorno.

Ele ergueu o punho direito, onde o relógio marcava o atraso intolerável, e desferiu uma pancada ainda mais forte contra a porta, fazendo a maçaneta tremer.

— Edward! Abre essa porcaria! — gritou ele, forçando uma risadinha debochada para mascarar a crescente impaciência. — A Miss Bloomie disse que queria falar com você, não foi? Se você não sair agora, vou mandar ela te passar um teste surpresa de dissecação!

Ainda nada. A quietude que emanava daquela sala era pesada demais, densa como tinta fresca derramada sobre papel sulfite. Cansado de esperar e impulsionado por sua costumeira audácia, Oliver girou a maçaneta de metal frio. Para sua surpresa, a porta não estava trancada; cedeu com um rangido arrastado e quase teatral, revelando a penumbra da sala de aula.

— Edward, seu covarde, eu juro que se você estiver se escondendo...

A frase morreu em sua garganta seca. Todo o sorriso presunçoso, sarcástico e provocador que costumava moldar o rosto pálido de Oliver desvaneceu-se em uma fração de segundo, transformando-se em uma máscara de puro choque e espanto estarrecido.

A sala de ciências estava imersa em meia-luz, iluminada apenas pelas frestas das cortinas e pela luz azulada dos béqueres cheios de substâncias químicas borbulhantes. No centro da sala, sobre uma das grandes mesas de laboratório de tampo escuro, não havia um experimento comum.

Havia uma pessoa.

Edward estava sentado ali, mas de uma maneira completamente humilhante e incapacitada. Suas pernas e braços estavam fortemente atados por grossas cordas de couro e náilon que o prendiam à estrutura pesada da bancada. Mas o detalhe que congelou o sangue de Oliver nas veias foi o que selava a boca de seu amigo: uma mordaça de bola de borracha amarela reluzente, mantida firmemente presa entre seus dentes por tiras de couro preto que se afivelavam na nuca.

— Mm-mmph?! — gemeu Edward no instante em que a luz do corredor cortou a escuridão da sala e revelou a silhueta de Oliver na soleira.

Os olhos de Edward, por trás das lentes tortas de seus óculos, dilataram-se em puro pavor e desespero. O peito do garoto subia e descia em um ritmo frenético de hiperventilação. Ele se debatia desesperadamente contra as amarras, fazendo o metal da mesa ranger, emitindo sons abafados de súplica, avisando com o olhar que aquilo era uma armadilha, implorando para que Oliver fugisse enquanto ainda podia.

— Mas que... diabos...? — balbuciou Oliver, dando um passo involuntário para dentro da sala. Seus chifres pretos pareceram latejar com o pico súbito de adrenalina. — Edward?! O que foi que ela...

Antes que ele pudesse dar outro passo ou levantar o braço de lápis para tentar soltar o amigo, um arrepio gélido subiu por sua espinha. O ar ao seu redor subitamente pareceu cheirar a produtos de esterilização e ferro fresco.

Uma mão pálida, fria como mármore e de unhas afiadas, pousou com delicadeza calculada sobre o ombro direito de Oliver.

O garoto deu um salto assustado, o coração disparando a ponto de ecoar em seus ouvidos. Cada músculo do seu corpo se retesou no mesmo instante em que ele virou o rosto para trás, encontrando um par de olhos penetrantes que o fitavam com diversão sádica a poucos centímetros de distância.

— Ora, ora... Que falta de educação entrar sem bater duas vezes com permissão, Oliver.

A voz era suave, sussurrada com uma cadência aveludada e perigosamente calma. Era Miss Bloomie.

A professora de ciências estava parada logo atrás dele, como uma sombra que havia se materializado do próprio chão. Seus cabelos pretos curtos na altura dos ombros, emoldurados pela franja perfeitamente reta e presos em um pequeno rabo de cavalo com um laço branco imaculado, mal se moviam. Acima de sua cabeça, os chifres pretos voltados estranhamente para o lado esquerdo — com o chifre esquerdo sendo visivelmente maior e mais ameaçador que o direito — pareciam apontar diretamente para ele como lanças prontas para perfurar papel. Sua camisa preta de mangas compridas, com a gola branca e dois botões alinhados com precisão cirúrgica, dava-lhe uma aura impecável de autoridade letal.

Oliver tentou recuar em um reflexo imediato de defesa, mas os dedos finos e rígidos de Bloomie apertaram ligeiramente a curva de seu ombro, cravando uma dor aguda através do tecido listrado de sua camisa. Ele congelou no lugar, tremendo levemente da cabeça aos pés.

— M-Miss Bloomie... — gaguejou Oliver, uma rara e vergonhosa fissura em sua atitude de valentão imbatível. O suor frio começou a escorrer por sua têmpora, bem ao lado da mecha vermelha com o "A+". — O que... o que significa isso aqui? O que a senhora fez com o Edward?!

Miss Bloomie soltou uma risadinha baixa e rouca, um som que fez os pelos da nuca de Oliver se eriçarem. Ela deu um passo lento ao redor do garoto albino, forçando-o a virar nos calcanhares enquanto ela se movia com a graça fluida de um predador de laboratório observando uma cobaia encurralada.

— Edward cometeu uma pequena infração durante a última aula — explicou ela serenamente, sem tirar os olhos do rosto lívido de Oliver. Seus dedos deslizaram suavemente da ponta da mesa até a fivela da mordaça de Edward, acariciando o couro negro enquanto o garoto amarrado choramingava em terror absoluto. — Ele achou que seria muito divertido tentar alterar as medidas dos meus reagentes químicos para causar uma pequena explosão no armário dos professores. Uma mente brilhante, admito... mas sem qualquer disciplina.

— Mmmnn! Mmph! — protestou Edward, sacudindo a cabeça e fitando Oliver com os olhos úmidos de agonia.

— E como eu sempre digo... — continuou Bloomie, sua voz descendo para um tom intimidador e pausado — ...estudantes que não sabem usar a boca para responder às perguntas científicas com respeito, talvez devessem ser poupados do fardo de falar por algum tempo. Não acha a cor amarela vibrante, Oliver? Combina perfeitamente com a falta de coragem dele.

A provocação chicoteou o orgulho de Oliver. Ele cerrou os punhos com força. O braço de grafite tremeu, pronto para agir por instinto, mas a razão lhe dizia que qualquer movimento brusco contra uma professora naquela escola terminaria em um banho de tinta e papel rasgado.

— Solta ele! — exigiu Oliver, tentando desesperadamente soar ameaçador, embora sua voz tenha falhado na última sílaba, ecoando uma ponta aguda de desespero. — A gente só veio... ele tinha coisas pra fazer comigo e com a Zip! A senhora não pode simplesmente amarrar um aluno na mesa e fingir que isso é uma aula!

Miss Bloomie parou bem diante dele. Sua postura ereta e a sombra projetada por seus chifres desiguais faziam-na parecer muito maior do que sua estatura sugeria. Um sorriso fino, afiado e provocante surgiu em seus lábios escuros.

— Ah, é mesmo? — murmurou ela, inclinando a cabeça levemente para o lado. — E quem vai me impedir? Você, rapazinho?

Ela deu um passo à frente, invadindo completamente o espaço pessoal de Oliver. A proximidade era avassaladora; ele conseguia sentir o aroma cortante de antisséptico misturado a algo doce e perigoso que emanava dela. Miss Bloomie ergueu a mão enluvada e, com a ponta de uma unha extremamente afiada, tocou levemente o queixo de Oliver, erguendo o rosto dele para que não pudesse desviar o olhar.

— Olhe para você... — sussurrou ela, com a voz carregada de uma zombaria quase íntima. — O grande Oliver. O garoto terrível que aterroriza os corredores, rabisca as mesas e empurra os calouros... Agora está aqui, com os joelhos batendo um contra o outro, tremendo como uma folha de papel prestes a ser rasgada ao meio.

— Eu não estou tremendo! — rosnou Oliver entre dentes cerrados, tentando manter a postura ereta, mas a vibração involuntária em seus ombros traía suas palavras.

— Está, sim. Eu sinto seus batimentos cardíacos daqui — provocou Bloomie, deslizando a ponta afiada do dedo pelo contorno do maxilar dele, subindo devagar até roçar a mecha espetada em sua cabeça, antes de passar perigosamente perto de seu chifre direito. — Que patético... Você é muito corajoso quando está jogando coisas nos outros ou mastigando seus pequenos pedaços de sabonete pelos cantos, não é? Mas quando fica frente a frente com uma punição real... você é apenas uma criança mimada.

O rosto de Oliver começou a queimar.

Não era apenas o terror genuíno de estar sob as garras da professora mais implacável do setor de exatas; era a humilhação escancarada, a forma como ela o tocava com desprezo zombeteiro e o fato inegável de que ela havia lido cada uma de suas fraquezas em meros segundos. Pior ainda: a respiração quente dela batendo contra a sua pele fria o fez perder completamente o equilíbrio mental.

Uma onda profunda e avermelhada de sangue subiu violentamente pelas bochechas pálidas de Oliver, tingindo seu rosto até a ponta de suas orelhas pontudas e a base de seus chifres escuros.

— Cale... cale a boca! — balbuciou ele, o tom oscilando entre a raiva sufocada e a mais pura vergonha. Seus olhos se arregalaram, e ele tentou virar a cabeça para longe do toque dela, mas a professora manteve a pressão milimétrica de sua unha, mantendo-o cativo no lugar.

— Ora, veja só... — disse Miss Bloomie, arregalando os olhos em uma expressão fingida de surpresa encantada, soltando uma risada cristalina e cruel. — Ele sabe ficar vermelho! Que adorável. Não achei que o valentão da turma tivesse tanta cor guardada nessas veias de papel.

Edward assistia à cena da mesa, seus murmúrios diminuindo para um engasgo incrédulo. Ver Oliver, o líder de suas pequenas tiranias cotidianas, encurralado, gaguejando e corando intensamente sob o escárnio da professora de ciências era algo que ele provavelmente jamais teria imaginado presenciar, se não estivesse ele próprio amarrado como um animal de corte.

— Pare de falar assim comigo! — Oliver gritou, a voz saindo mais esganiçada do que pretendia. Ele finalmente conseguiu dar um passo em falso para trás, tropeçando na própria bota e recuperando o equilíbrio no último segundo. — A senhora... a senhora é maluca! Eu vou chamar a Miss Circle!

O sorriso de Miss Bloomie apenas se alargou, tornando-se algo verdadeiramente predatório que revelava dentes perigosamente afiados. Ela não se moveu para segui-lo; apenas cruzou os braços sobre o peito, os botões brancos de sua camisa refletindo a luz fosca do laboratório.

— Vá em frente, querido — disse ela, com um tom de doce condescendência que fez o estômago de Oliver revirar em pânico. — Vá procurar a Miss Circle. Conte para ela que o Edward tirou nota zero no teste de comportamento e que você invadiu meu laboratório sem permissão. Tenho certeza absoluta de que ela vai adorar ajudar a corrigir os dois... com aquele belo compasso gigante dela.

O nome da professora de matemática agiu como um balde de água gelada na pouca rebeldia que ainda restava em Oliver. Uma imagem nítida da gigantesca silhueta de Miss Circle devorando alunos reprovados pelos corredores passou pela sua mente, e seu rubor foi momentaneamente engolido por uma nova onda de palidez cinzenta.

Ele olhou desesperadamente para Edward. O garoto amordaçado sacudiu a cabeça repetidamente, os olhos cheios de lágrimas de aflição, soltando grunhidos que claramente significavam: "Não faça isso, seu idiota! Dá o fora daqui!"

Oliver engoliu em seco, sentindo o gosto amargo do sabonete que havia descido errado por sua garganta. Ele apertou a mão direita em torno do braço de grafite, suas pernas ainda trêmulas sob as meias brancas.

— Eu... eu não terminei com isso — tentou dizer Oliver, num último e patético esforço para salvar qualquer resquício de sua dignidade infantil. Seus olhos faiscavam de raiva impotente enquanto seu rosto voltava a arder de vergonha sob o olhar penetrante de Bloomie.

Miss Bloomie deu dois passos calmos em direção à mesa onde Edward permanecia preso, puxando com um estalo a tira de couro da mordaça amarela para testar a firmeza, arrancando mais um gemido assustado do prisioneiro. Ela então virou o rosto para Oliver uma última vez, piscando um dos olhos com pura malícia.

— A aula termina em dez minutos, Oliver — sussurrou a professora, sua voz soando como o arranhar de uma lâmina em uma lousa. — Se eu fosse você, sairia agora antes que eu decida que esta mesa tem espaço suficiente para dois encrenqueiros. Tenho uma mordaça vermelha no armário que combinaria maravilhosamente bem com esse seu rostinho corado.

O sangue de Oliver pareceu ferver e congelar ao mesmo tempo. Incapaz de formular mais uma única sílaba, humilhado, aterrorizado e com o coração batendo descompassado no peito, o valentão da Paper School deu meia-volta e disparou pela porta aberta do laboratório, seus passos ecoando freneticamente pelo corredor vazio, enquanto a risada baixa e triunfante de Miss Bloomie preenchia a sala de ciências como uma melodia fúnebre.

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