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Dragon Ball

Fandom: Dragon Ball

Criado: 24/09/2026

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O Brilho Solar na Fortaleza dos Titãs

O rugido dos motores da nave da Corporação Cápsula diminuiu até se transformar em um zumbido suave, pousando com precisão milimétrica sobre a pista de mármore branco. A propriedade não era apenas uma casa; era uma gigantesca mansão encravada em um platô montanhoso, cercada por florestas verdes, cachoeiras cristalinas e um céu tão azul que parecia ter sido pintado à mão. Aquele retiro monumental fora projetado por Bulma com um único propósito: dar espaço suficiente para que dois dos seres mais poderosos do universo pudessem treinar, comer e descansar sem explodir a Capital do Oeste a cada cinco minutos.

No entanto, naquele dia em particular, o destino daquela fortaleza imponente não seria decidido por rajadas de energia ou treinos intensos, mas sim pelos passos saltitantes de uma jovem de espírito reluzente.

A rampa da nave tocou o chão com um estalo metálico, e de lá surgiu Trincy Arabis. Com duas malas de viagem cor-de-rosa cobertas de adesivos brilhantes e uma mochila em formato de estrela nas costas, ela parou no topo da escadaria, respirando fundo o ar fresco da montanha. Seus grandes olhos castanhos brilhavam com uma curiosidade insaciável, e um sorriso imenso, quase contagioso, iluminava seu rosto inteiro. Trincy era pura vivacidade; parecia carregar o próprio sol dentro do peito, incapaz de conter a animação que borbulhava em suas veias.

— Uau! Isso é muito maior do que as fotos! — exclamou a garota, rodopiando sobre os calcanhares antes de descer as escadas aos pulos.

No final da passarela, duas figuras conhecidas a aguardavam, formando o contraste mais cômico que a Terra já havia testemunhado. De um lado estava Son Goku, vestindo seu costumeiro dogi laranja com faixas azuis, exibindo um sorriso relaxado e acenando vigorosamente com o braço. Do outro lado, de braços cruzados sobre o peito e com uma carranca lendária talhada no rosto, estava o Príncipe dos Saiyajins. Vegeta trajava calças escuras e uma jaqueta de treino azul, a postura rígida como se estivesse diante de uma ameaça intergaláctica e não de uma jovem sorridente.

— Tio Goku! Tio Vegeta! — gritou Trincy, largando as malas na grama sem a menor cerimônia e correndo em disparada na direção dos dois.

— Trincy! Veja só como você cresceu! — comemorou Goku, rindo alto enquanto abria os braços para receber a jovem em um abraço de urso que a tirou do chão. — Seja muito bem-vinda! A Chi-Chi e a Bulma disseram que você chegaria cedo, mas eu quase perdi a hora porque estava pescando um peixe gigante ali no lago!

— Eu senti tanta saudade! — disse Trincy, rindo e se soltando do abraço para girar em direção ao outro Saiyajin. Sem pensar duas vezes, ela avançou contra Vegeta, envolvendo a cintura rígida do príncipe em um abraço caloroso. — E o senhor também, tio Vegeta! Continua com essa cara de bravo que eu adoro!

O corpo de Vegeta congelou instantaneamente. Uma veia pulsou em sua testa e seus olhos quase saltaram das órbitas pelo choque da audácia daquela garota.

— O que pensa que está fazendo, sua insolente?! — rosnou Vegeta, desvencilhando-se com um salto rápido para trás, as bochechas ligeiramente vermelhas de frustração. — Quantas vezes já mandei não me chamar dessa forma ridícula?! Eu sou o Príncipe dos Saiyajins! Não sou "tio" de ninguém, muito menos de uma fedelha barulhenta!

— Ah, tio Vegeta, você não engana ninguém! — rebateu Trincy, piscando um olho com uma gargalhada travessa. — Sei que você estava morrendo de vontade de me ver. Aposto que preparou o melhor quarto da casa só para mim!

Goku soltou uma gargalhada genuína, coçando a nuca.

— Pior que ele preparou mesmo, Trincy! Foi o Vegeta quem inspecionou os andares ontem, dizendo que não queria ninguém choramingando por causa de poeira ou barulho de treino.

— Cale a boca, Kakarotto! — explodiu Vegeta, apontando um dedo acusador para o rival. — Eu apenas garanti que a estrutura não fosse danificada pela presença de mais um ser humano frágil! E se você continuar rindo, vou mandar você e essas malas direto para a órbita do planeta!

Trincy bateu palmas de alegria, achando toda a cena incrivelmente divertida. Ela pegou suas malas do chão com uma facilidade surpreendente — afinal, conviver por perto com aqueles guerreiros a ensinara a ser forte e determinada — e olhou para a gigantesca porta de entrada da mansão.

— Bom, o que estamos esperando? Quero ver tudo! Onde eu coloco as minhas coisas? Tem comida pronta? A viagem me deu uma fome de outro mundo!

— Fome?! — Os olhos de Goku se iluminaram de imediato, e sua barriga roncou alto o bastante para ecoar pelas montanhas. — Agora você falou a minha língua! Os cozinheiros automatizados da Bulma já devem ter terminado o banquete da manhã! Vamos entrar!

Vegeta apenas bufou com desprezo, massageando as têmporas enquanto via os dois entrarem apressados na residência.

— Malditos sejam... — murmurou o príncipe para si mesmo, caminhando a passos pesados logo atrás. — Minha paz acabou para sempre.

O interior da mansão era deslumbrante. Tetos altos sustentados por colunas modernas, janelas de vidro maciço que iam do chão ao teto e permitiam a entrada da luz solar, móveis luxuosos e uma tecnologia invisível que mantinha a temperatura e o aroma do ambiente sempre perfeitos. Trincy andava em círculos pelo corredor principal, admirando cada quadro, cada escultura e até mesmo os pequenos robôs de limpeza que passavam deslizando pelo chão.

— Isso aqui parece um castelo de conto de fadas espacial! — comentou ela, saltitando até uma escada caracol que levava aos aposentos superiores.

— O seu quarto fica no final daquele corredor à direita — explicou Goku, indicando o mezanino. — Fica bem longe da câmara de gravidade, para que você possa dormir tranquila quando a gente estiver treinando. A Bulma colocou uma cama gigante que parece uma nuvem! Eu até tentei pular nela, mas a Chi-Chi me deu uma bronca por holograma...

— Eu vou adorar! — Trincy correu escada acima, deslizando pelo corrimão como se fosse uma pista de esqui antes de aterrissar graciosamente no andar de cima. — Vou deixar minhas coisas lá e já desço para comer! Não comam nada sem mim!

Quando o som da porta do quarto se fechou, Goku virou-se para Vegeta, que permanecia com os braços cruzados encostado na parede de entrada.

— Viu só, Vegeta? Eu não disse que seria divertido ter a Trincy por aqui? Ela traz uma energia tão boa!

— Divertido? Essa garota é uma tempestade de idiotice — respondeu Vegeta em tom ranzinza. — Ela não tem noção de perigo. Age como se fôssemos dois velhos comuns vivendo em uma casa de campo. Um único descuido durante nossos treinos e o ki residual pode pulverizá-la!

— Ora, você sabe muito bem que a gente tem controle total sobre o nosso ki — disse Goku com calma, sorrindo gentilmente. — E além do mais, ela confia na gente. A Trincy perdeu muita coisa no passado, Vegeta... Você sabe o quanto é importante ela ter um lugar onde se sinta segura, feliz e parte de uma família.

Vegeta desviou o olhar para uma das grandes janelas, observando a paisagem externa sem dizer uma palavra. Ele não admitiria em voz alta nem sob tortura, mas compreendia perfeitamente o significado de proteger aqueles que não podiam lutar. A bravura inocente de Trincy e a recusa dela em temê-lo de certa forma o desarmavam mais do que qualquer golpe de artes marciais.

Menos de dez minutos depois, Trincy reapareceu descendo as escadas. Havia trocado de roupa, vestindo agora um suéter amarelo vibrante e tênis confortáveis, com o cabelo preso em um rabo de cavalo alto que balançava com seus passos rápidos.

— Prontinho! O quarto é maravilhoso, mas meu estômago está reclamando há meia hora! — declarou ela, apontando para a barriga.

— Então vamos para o refeitório! — anunciou Goku, liderando o caminho como um general marchando para a glória.

A sala de jantar era dominada por uma mesa gigantesca que poderia facilmente acomodar trinta pessoas, e ela estava completamente coberta por travessas transbordando de comida. Havia montanhas de arroz, tigelas colossais de ramen fumegante, carnes assadas no ponto com molhos suculentos, pães dourados, saladas coloridas e dezenas de frutas exóticas.

Trincy parou diante da mesa, maravilhada.

— Puxa vida... Isso é um café da manhã ou o sustento de uma pequena cidade?

— Isso é o café da manhã Saiyajin — corrigiu Vegeta, sentando-se à ponta da mesa com elegância aristocrática, embora pegasse imediatamente um pedaço colossal de costela assada. — Coma rápido antes que o idiota do Kakarotto devore tudo, incluindo a toalha de mesa.

— Ei, eu não como toalha! — protestou Goku com a boca já cheia de bolinhos de carne, gesticulando com os pauzinhos. — Mas esse assado tá incrível! Pega logo esse prato, Trincy!

Trincy riu e sentou-se entre os dois guerreiros. Para a surpresa de Vegeta, ela não se intimidou nem um pouco com o banquete voraz dos Saiyajins. Serviu-se generosamente com arroz, carne e legumes, saboreando cada garfada com uma felicidade quase infantil.

— Hum! Isso está uma delícia! — elogiou ela, de olhos fechados. — Tio Vegeta, você devia comer mais dessa salada. Ouvi dizer que folhas verdes ajudam a diminuir as rugas da testa!

Vegeta quase engasgou com o pedaço de carne. Ele bateu com os nós dos dedos na mesa, encarando-a com os olhos faiscando.

— Como ousa falar sobre rugas na minha testa?! Eu estou no auge da minha forma física! A minha linhagem não envelhece como a dos vermes terrestres!

— Mas a sua expressão sempre parece que você chupou um limão azedo em jejum! — retrucou Trincy, rindo alto enquanto estendia uma tigela de frutas para ele. — Vamos, pega um morango! É docinho, combina com o seu coração no fundo!

Goku caiu na gargalhada, quase deixando cair uma tigela de sopa no colo.

— Ela pegou você em cheio, Vegeta! Coração de morango! Essa é muito boa!

— Kakarotto, se você não calar essa boca agora mesmo, eu juro que vou usar o Big Bang Attack na sua cara! — ameaçou Vegeta, embora, para o espanto silencioso de Goku, ele tenha estendido a mão enluvada e pegado o morango da tigela de Trincy, jogando-o na boca com um gesto rápido e irritado.

Trincy sorriu vitoriosa, seus olhos castanhos brilhando de satisfação. Ela adorava ver que, por trás de toda aquela imponência e orgulho inabalável, Vegeta tinha um senso de cuidado que ele tentava esconder a todo custo. E Goku, com sua pureza inata e alegria constante, transformava qualquer momento simples em uma verdadeira celebração.

Após devorarem quase toda a comida da mesa — uma façanha realizada em noventa por cento por Goku e Vegeta —, Trincy ajudou a colocar os pratos vazios na esteira automática de limpeza, cantarolando uma melodia animada.

— E agora, o que nós vamos fazer? — perguntou a jovem, limpando as mãos em um guardanapo. — Vocês vão treinar hoje? Eu posso assistir?

— Treinar é a nossa rotina diária — explicou Goku, esticando os braços para cima até que as articulações estalassem. — Mas a sala de gravidade é perigosa demais para você entrar, Trincy. A pressão lá dentro esmagaria uma pessoa normal em segundos.

— Eu sei, o tio Vegeta já me explicou isso um milhão de vezes por chamada de vídeo — disse Trincy, balançando a cabeça. — Mas vocês têm aquele quintal gigante lá fora! Vocês não podem treinar ao ar livre hoje? Prometo que fico bem longe, sentadinha na varanda com uma limonada só assistindo!

Vegeta limpou a boca com elegância, levantando-se da cadeira.

— Lá fora o vento pode carregar poeira e estragar a concentração. Mas... — Ele fez uma pausa, olhando de relance para os olhos brilhantes e esperançosos da garota. — Suponho que um treino leve de aquecimento no campo aberto não vá matar ninguém. Desde que você fique atrás da barreira de energia que a Bulma instalou no terraço.

— Eba! — Trincy pulou da cadeira, dando um beijo rápido na bochecha de Vegeta antes que ele pudesse reagir e esquivar-se. — Você é o melhor, tio Vegeta!

O príncipe deu dois passos trôpegos para trás, esfregando a bochecha com as costas da mão como se tivesse sido atingido por uma faísca elétrica.

— Pare com isso! Não me toque com essas mãos meladas de doce! — reclamou ele, virando as costas rapidamente e marchando em direção aos jardins externos para esconder o rubor evidente em seu rosto.

Goku apenas balançou a cabeça, rindo baixinho enquanto colocava a mão no ombro da sobrinha.

— Você tem um talento especial para amolecer a pedra que ele chama de coração, Trincy.

— Não é pedra, tio Goku — respondeu ela com um sorriso sábio e acolhedor. — É só um muro alto. Mas muros foram feitos para serem escalados, não é?

— É verdade! — concordou o guerreiro com um sorriso caloroso. — Vamos lá para fora. Vou mostrar como se faz um teletransporte sem tropeçar na grama!

Minutos depois, Trincy estava confortavelmente instalada em uma poltrona macia na varanda suspensa do segundo andar. Diante dela, um domo de energia translúcido garantia sua total segurança contra quaisquer rajadas de vento ou pedregulhos voadores. Em suas mãos, um copo de suco gelado; no rosto, uma expressão de puro deslumbramento.

No gramado imenso, centenas de metros abaixo, o ar começou a distorcer. Goku e Vegeta assumiram suas posturas de combate fundamentais. Em um piscar de olhos, sem qualquer aviso sonoro, os dois colidiram no centro do campo. O impacto gerou uma onda de choque que fez as árvores ao redor se curvarem, mas a barreira de Bulma absorveu o choque suavemente, tremeluzindo em tons dourados.

Eles se moviam tão rápido que pareciam desaparecer e reaparecer pelo céu como raios de sol e tempestade. Golpes precisos, bloqueios perfeitos e risadas desafiadoras de ambos os lados preenchiam o ar da montanha.

Trincy assistia a tudo com os olhos arregalados, o coração batendo forte no peito no mesmo ritmo daquela dança marcial. Ela não sentia medo; sentia admiração, orgulho e, acima de tudo, um profundo alívio. Sabia que ali, sob a proteção e a companhia daqueles dois seres tão diferentes, mas tão ligados pela honra e pela lealdade, ela finalmente tinha encontrado o seu verdadeiro lugar no mundo.

Quando o sol começou a se pôr no horizonte, tingindo o céu de tons alaranjados e violetas, os dois guerreiros cessaram os movimentos, caindo de pé sobre a grama com a respiração ofegante e sorrisos satisfeitos.

Lá em cima, Trincy debruçou-se sobre o parapeito de vidro, acenando freneticamente com os dois braços enquanto a brisa fresca da tarde soprava seus cabelos.

— Vocês foram incríveis! — gritou ela, sua voz ecoando alegremente por todo o vale. — Agora venham tomar banho que eu preparei sobremesa para todo mundo!

Goku olhou para cima, limpando o suor da testa com o antebraço, e riu com todo o coração.

— Sobremesa! Essa menina é mesmo um anjo, Vegeta!

Vegeta olhou para a jovem saltitante na varanda. Pela primeira vez naquele dia, a sombra de um pequeno e quase imperceptível sorriso desenhou-se no canto de seus lábios antes que ele cruzasse os braços e fechasse os olhos, aceitando sua nova realidade.

— Humph. Pelo menos ela sabe reconhecer os guerreiros mais fortes do universo — disse o príncipe, virando-se para entrar na mansão. — Vamos logo, Kakarotto. Não deixe a comida esfriar.

A mansão, antes um retiro frio e silencioso para dois lutadores obstinados, agora estava viva. Com Trincy Arabis sob aquele teto, cada dia prometia ser uma nova e barulhenta aventura, cheia de risos, banquetes intermináveis e uma felicidade tão brilhante quanto a luz do sol nas montanhas.

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