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Rosas em Chamas

Fandom: One Piece

Criado: 24/09/2026

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Chamas Cor-de-Rosa e Aço Frio

O sol de Grand Line não tinha piedade, mas o Thousand Sunny cortava as ondas com uma elegância que quase fazia esquecer o perigo constante daquelas águas. No convés, a rotina era a de sempre: Luffy e Usopp travavam uma batalha épica contra um peixe imaginário (ou talvez fosse apenas a fome), Nami gritava ordens sobre a mudança repentina de pressão atmosférica, e Sanji deslizava pelo navio com bandejas de refrescos, girando como um redemoinho de galanteios.

Azumi estava encostada na amurada, observando o horizonte. Seus dedos brincavam com uma pequena mecha de seu cabelo, enquanto um sorriso de canto, quase predatório, surgia em seus lábios. Ela ainda achava surreal como sua vida mudara em questão de semanas.

Há pouco tempo, ela era apenas uma nômade, uma estrategista de aluguel que sobrevivia nas sombras das ilhas portuárias. O passado era um borrão de fumaça de canhão e o rosto gentil do homem que a criara — o único que a amou depois que seus pais a abandonaram no caos de uma guerra da Marinha. Ela ainda conseguia sentir o gosto amargo da Bara Bara no Mi: Modelo Roseus (a Fruta da Rosa), que comera por puro desespero e fome quando era criança, roubada de um marinheiro descuidado.

Agora, ela não era mais uma órfã faminta. Ela era a "Chama Rosa" dos Chapéus de Palha.

— Senhorita Azumi! — a voz de Sanji a tirou de seus devaneios. — Um coquetel de frutas silvestres, refrescante e doce como o seu sorriso!

— Obrigada, Sanji-kun. — Ela pegou a taça, seus dedos roçando propositalmente nos dele, apenas para ver o cozinheiro entrar em combustão de alegria. — Você sempre sabe exatamente do que eu preciso.

Ela deu um gole na bebida, sentindo o frescor descer pela garganta, mas seus olhos logo se desviaram para o pé do mastro principal. Lá estava ele.

Roronoa Zoro. O espadachim parecia estar em um coma profundo, com os braços cruzados e a cabeça pendida para o lado. Azumi arqueou uma sobrancelha. Aquele homem era um enigma de músculos e teimosia. Desde que ela subira a bordo, após guiá-los por um labirinto de becos flamejantes para escapar da Marinha, Zoro a olhava como se ela fosse uma bomba-relógio.

"Ele acha que eu sou só um rostinho bonito com um truque de luz", pensou ela, sentindo o calor familiar da Akuma no Mi vibrar sob sua pele.

Azumi caminhou em direção a ele, o quadril balançando com uma cadência calculada. Ela sabia o efeito que tinha, e adorava testar os limites da paciência do espadachim. Ela parou bem na frente dele, bloqueando o sol que batia em seu rosto.

Zoro abriu um olho. Apenas um. O cinza de sua pupila encontrou o olhar desafiador de Azumi.

— Está no meu sol, mulher — resmungou ele, a voz rouca de sono.

— O navio é grande, Marimo — retrucou ela, sentando-se no convés a poucos centímetros dele, cruzando as pernas de forma que o vestido se abrisse levemente. — Achei que precisasse de uma aula de estratégia. Você treina tanto, mas parece que esquece de exercitar o cérebro.

Zoro fechou o olho novamente, soltando um suspiro pesado.

— Não preciso de estratégias para cortar coisas.

— Precisa se quiser parar de se perder até no caminho para o banheiro — ela provocou, soltando uma risadinha baixa.

— Cala a boca — disse ele, sem abrir os olhos, mas Azumi notou a veia saltando levemente em sua têmpera.

Ela se inclinou para frente, diminuindo a distância entre eles. O cheiro de saquê e aço que emanava dele era estranhamente inebriante.

— Sabe, Roronoa... essa sua carranca não me assusta. Eu vi como você me olhou quando eu incendei aquele navio de guerra com minhas chamas rosa. Você ficou impressionado.

Zoro finalmente se sentou, ficando cara a cara com ela. A proximidade era tanta que ela podia ver as cicatrizes em seu peito, marcas de batalhas que ele usava como medalhas.

— Eu vi uma exibicionista que confia demais na própria sorte — ele disse, a voz baixa e perigosa. — Frutas do Diabo falham. O aço, não. Se você baixar a guarda por um segundo que seja, achando que é intocável, vai acabar morta.

Azumi sentiu um estalo de irritação, mas também algo mais. Um calor que não vinha de sua fruta. Ela estendeu a mão, e uma pequena chama rosa, vibrante e hipnótica, dançou na ponta de seus dedos.

— Minhas chamas não apenas queimam, Zoro. Elas cegam, elas confundem, elas destroem a vontade do inimigo. Eu sobrevivi sozinha por dois anos depois que meu mentor morreu. Eu não confio na sorte. Eu confio em mim.

— Então prove — desafiou ele, levantando-se em um movimento fluido.

Antes que ela pudesse responder, o grito de Nami ecoou do ninho do corvo.

— TERRA À VISTA! Mas... tem algo errado!

O clima no navio mudou instantaneamente. O Sunny se aproximava de uma ilha envolta em uma névoa arroxeada e densa. Não era uma névoa natural; tinha um cheiro metálico, de pólvora e sangue.

Azumi se levantou, seus olhos semicerrando enquanto ela analisava a silhueta da ilha.

— Luffy! — chamou ela, a voz agora firme e desprovida de flerte. — Não atraque no porto principal. Aquela névoa é um sinalizador de emboscada. Estão nos esperando.

Luffy, que já estava pronto para pular, parou e olhou para ela.

— É? Por que, Azumi?

— Vejam o padrão das ondas quebrando na costa — explicou ela, apontando para pontos específicos. — Elas estão batendo em algo submerso que não são recifes. São minas de contato ou redes de contenção. Se entrarmos por ali, o Sunny fica preso e seremos alvos fáceis para quem está escondido naquelas ruínas.

Nami pegou o binóculo e empalideceu.

— Ela tem razão! Tem sombras se movendo atrás dos pilares de pedra.

— Zoro, Sanji — continuou Azumi, assumindo o comando da tática sem hesitar —, vocês precisam ir por trás, pelo despenhasco leste. Eu vou criar uma cortina de fumaça rosa no porto para eles acharem que estamos atacando de frente. Franky, prepare o Coup de Burst para uma manobra lateral.

Zoro olhou para ela, a mão já no cabo da Wado Ichimonji. Ele não disse nada, mas houve um breve aceno de cabeça. Um reconhecimento silencioso de que, naquele momento, o cérebro dela era tão valioso quanto as espadas dele.

A operação começou como um relógio. Azumi saltou para a proa, seus braços se cruzando antes de serem lançados para frente.

— Rosé Inferno! — gritou ela.

Grandes labaredas de fogo rosa explodiram no ar, expandindo-se em uma nuvem densa e luminescente que cobriu toda a entrada do porto. Gritos de confusão vieram da névoa. Os inimigos, cegos pela beleza mortal das chamas de Azumi, começaram a atirar a esmo.

Enquanto o caos reinava, Zoro e Sanji flanqueavam a posição inimiga.

Horas depois, após uma batalha rápida e decisiva contra um grupo de caçadores de recompensas que tentavam montar uma armadilha, o bando estava de volta ao navio, carregando suprimentos e alguns tesouros recuperados.

A noite caiu sobre o mar, e o Sunny estava silencioso, exceto pelo som das ondas. Azumi estava novamente no convés, mas desta vez não estava provocando ninguém. Ela estava sentada em silêncio, olhando para as próprias mãos. A adrenalina havia baixado, e o cansaço trazia memórias que ela preferia manter trancadas: o som dos gritos em sua vila natal, o peso da solidão após a morte de seu salvador.

— O plano foi bom — uma voz profunda interrompeu seus pensamentos.

Ela olhou para cima. Zoro estava parado ali, limpando uma de suas espadas com um pano branco.

— Só "bom"? — ela tentou recuperar o tom sedutor, mas a voz saiu um pouco falha. — Achei que merecia um "brilhante".

Zoro caminhou até ela e se sentou ao seu lado, mas desta vez não havia a barreira de irritação de antes.

— Você se arriscou naquela cortina de fumaça. Se eles tivessem atiradores de elite com Haki, você estaria em apuros.

— Eu sabia o que estava fazendo, Cabeça de Grama.

— Eu sei que sabia — ele guardou a espada na bainha com um clique seco. — Mas não precisa fazer tudo sozinha. É para isso que serve um bando.

Azumi sentiu o coração falhar uma batida. Ela se virou para ele, os olhos brilhando sob a luz da lua.

— Você está preocupado comigo, Roronoa? Isso é quase um progresso.

Zoro bufou, desviando o olhar, mas não se afastou.

— Estou dizendo que não quero ter que carregar seu corpo se você fizer uma idiotice.

Azumi soltou uma risada baixa e se aproximou, deixando o ombro tocar o dele. O calor entre eles agora era inegável, uma tensão que pairava no ar como eletricidade antes de uma tempestade.

— Sabe... — sussurrou ela, aproximando os lábios do ouvido dele, sentindo-o enrijecer. — Para um homem que diz que o aço é tudo, você é muito quente, Zoro.

Ela soprou levemente em sua orelha, vendo um leve rubor subir pelo pescoço do espadachim. Ela se afastou um pouco, apenas o suficiente para olhar em seus olhos. O desafio estava lá, mas havia algo mais profundo agora. Uma curiosidade mútua, um reconhecimento de força.

Zoro a segurou pelo pulso, não com força, mas com uma firmeza que a fez arfar.

— Você gosta de brincar com fogo, Azumi.

— O fogo é meu elemento, querido — ela respondeu, a voz carregada de promessa. — E eu nunca me queimo.

Ela se soltou dele com um movimento ágil, levantando-se e caminhando em direção à cabine das mulheres. Antes de entrar, ela parou e olhou por cima do ombro, lançando-lhe um beijo no ar que se transformou em uma pequena pétala de fogo rosa que desapareceu antes de tocá-lo.

Zoro ficou no convés, sozinho na escuridão, sentindo o lugar onde ela o tocara formigar. Ele soltou um suspiro longo, encostando a cabeça no mastro.

— Mulher problemática... — resmungou, mas, pela primeira vez, havia um pequeno e raro sorriso em seu rosto.

A jornada pelos mares perigosos estava apenas começando, e a estratégia de Azumi havia apenas começado a desarmar a defesa mais difícil do navio: o coração do espadachim.

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