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Hogwarts

Fandom: Original

Criado: 25/09/2026

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As Horas de Vidro Quebrado

O silêncio do quarto andar de Hogwarts nunca fora inteiramente confiável. À meia-noite, as paredes de pedra maciça pareciam respirar sob o peso de séculos de feitiços esquecidos, e o vento cortante de novembro uivava contra os vitrais góticos da Galeria dos Troféus Desfeitos. A névoa cinzenta rastejava do Lago Negro, infiltrando-se pelas seteiras estreitas como dedos espectrais.

Victor caminhava sem pressa, a varinha empunhada com uma elegância negligente. A ponta brilhava em um tom dourado e discreto de Lumos, apenas o suficiente para iluminar os retratos que dormiam em suas molduras douradas e oxidadas. Como monitor da Grifinória, o dever exigia que ele mantivesse a ordem, mas havia nele uma confiança calculada, quase irritante para qualquer um que tentasse pegá-lo desprevenido. Ele parou diante de um nicho vazio, inclinou a cabeça e sorriu de canto.

— Se pretendia me emboscar, Kael, sugiro que peça à madame Pince um manual sobre camuflagem. O rangido das suas botas de couro de dragão precede sua chegada em pelo menos dez passos.

Da penumbra que envolvia o arco de entrada da galeria, uma silhueta alta e impecavelmente alinhada se destacou. A túnica verde-escura de Kael não tinha uma única dobra amassada, e seu broche prateado de monitor reluzia contra o peito com frieza aristocrática.

— Minhas botas estão perfeitamente silenciosas, Victor — respondeu Kael, a voz soando como lâmina afiada deslizando sobre veludo. — Foi a sua imaginação hiperativa que criou passos fantasmas para justificar o fato de você estar fora do seu circuito de patrulha. A Ala Leste pertence à Sonserina esta noite.

— As regras dizem que os monitores devem cruzar os setores quando há anomalias no fluxo mágico do castelo — rebateu Victor, dando dois passos à frente, sem perder a postura relaxada e desafiadora. — Ou vai me dizer que você e sua adorável parceira não sentiram o cheiro de ozônio congelado vindo deste corredor?

— Não ouse me chamar de adorável, grifinório. Soa quase como um insulto vindo de alguém cuja gravata parece ter sido amarrada durante um terremoto.

A voz feminina surgiu de trás de uma tapeçaria que retratava uma caçada medieval. Sophia emergiu com a graça de uma pantera, sacudindo uma poeira imaginária das mangas de sua túnica. Os olhos escuros e altivos fitavam Victor com o desdém refinado que ela reservava para a maioria dos seres vivos.

— Sophia — Victor fez uma reverência teatral, inclinando levemente o tronco —, sua gentileza continua a aquecer as noites mais frias da Escócia.

— Poupe-me do seu charme ensaiado — Sophia revirou os olhos, aproximando-se de Kael. — Nós viemos porque as proteções do medalhão das masmorras vibraram há vinte minutos. Algo está drenando calor deste setor. E, para nossa profunda infelicidade, você já estava aqui para estragar o ambiente.

— Foco — cortou Kael, os olhos cinzentos varrendo o corredor escuro. Ele não se dava ao luxo de sorrir. — Há algo errado com o ar.

Não era apenas uma sensação térmica. Uma fina camada de geada negra espalhava-se pelo chão de pedra, ignorando as tochas encantadas presas às paredes. Mas o mais perturbador eram os padrões: o gelo não se formava em cristais aleatórios, e sim em linhas perfeitamente retas, desenhando círculos concêntricos e espirais angulares que convergiam para o centro do corredor, onde ficava o Grande Relógio de Pêndulo de Marfim.

— Isso não é um feitiço de resfriamento comum — disse uma voz suave e concentrada, que não pertencia a nenhum dos três monitores.

Atrás da base de uma estátua decapitada de um guerreiro medieval, ergueu-se Noah. O aluno da Corvinal estava ajoelhado, com um caderno de anotações coberto de diagramas nas mãos e a varinha presa de forma incomum entre os lábios enquanto examinava uma das linhas no chão. Seus cabelos estavam levemente desalinhados, mas seus olhos azuis-claros brilhavam com uma lucidez desconcertante.

Kael franziu o cenho imediatamente, a postura tornando-se ainda mais rígida.

— Corvinal. O que você está fazendo fora da cama a esta hora?

Noah tirou a varinha da boca, sem parecer nem um pouco intimidado pela autoridade combinada da Sonserina e da Grifinória. Ele apontou calmamente para o chão.

— Tecnicamente, estou estudando para o seminário de Runas Antigas. Na prática, estou tentando entender por que o chão está citando trechos de um dialeto proto-celta que não é usado há quatrocentos anos. Boa noite, Victor. Sophia, sua postura está impecável como sempre. Kael, você deveria relaxar os ombros, vai acabar com uma contratura muscular antes dos N.O.M.s.

Sophia arqueou uma sobrancelha, quase impressionada pela audácia despretensiosa do rapaz.

— Runas? No assoalho do quarto andar?

— Não apenas runas — Noah levantou-se, limpando os joelhos da calça com paciência. — É uma matriz de contenção. Vejam o intervalo entre as fissuras. O gelo está agindo como condutor térmico para prender algo... ou alguém.

Antes que qualquer um deles pudesse questionar Noah mais a fundo, um estrondo ecoou da curva do corredor, acompanhado pelo som metálico de armaduras caindo e um grito abafado de surpresa.

— Pelas barbas de Merlim, quem colocou um elmo medieval no meio do caminho?!

Uma figura desajeitada surgiu tropeçando nas próprias vestes amarelas e pretas. Josh tentou recuperar o equilíbrio, derrapou sobre a fina camada de geada negra e acabou deslizando de joelhos até parar exatamente no meio dos quatro estudantes, batendo com a cabeça de leve na base de madeira maciça do relógio de pêndulo.

Um silêncio constrangedor pairou sobre o corredor.

Josh piscou, olhou para cima, encarou Victor, Kael, Sophia e Noah e, com um sorriso sem graça, ergueu uma das mãos, que segurava uma maçã verde semi-mordida e uma colher de prata.

— Oi, pessoal. Vocês não viram um gato cinza com manchas laranjas passar por aqui, viram? Porque ele roubou minha torta de abóbora das cozinhas e eu acho que ele pertence ao zelador, o que significa que tecnicamente estou em uma missão de resgate de propriedade alimentar.

Kael levou dois dedos à têmpora, fechando os olhos por um segundo para não perder a compostura.

— Você invadiu as cozinhas, Josh? Outra vez?

— Não use a palavra "invadir", Kael, soa tão agressivo — Josh se levantou com dificuldade, esfregando o queixo e olhando ao redor. — Eu apenas fiz uma visita diplomática aos elfos domésticos. Eles adoram quando eu conto piadas sobre trasgos. Mas, caramba... por que está tão frio aqui? Alguém esqueceu de alimentar o fogo mágico ou o castelo finalmente decidiu se transformar em uma geladeira gigante?

— O castelo não é uma geladeira, seu idiota — retrucou Sophia, cruzando os braços e mantendo uma distância segura do lufano. — E se você der mais um passo em falso, vai quebrar o padrão rúnico que Noah acabou de identificar.

— Padrão o quê? — Josh olhou para baixo, levantando uma bota e observando a geada que começava a subir pela sola de seu sapato. — Ah. Isso parece perigoso. É perigoso? Victor, você tem cara de quem sabe se isso vai explodir.

Victor deu uma risada baixa, o tom relaxado contrastando com o olhar atento que mantinha sobre o relógio.

— Se explodir, Josh, prometo que serei o primeiro a avisar para você correr. Mas, por enquanto, sugiro que não se mexa.

— Ele não deveria nem estar aqui — Kael deu um passo à frente, a voz fria e disciplinadora. — Josh, dez pontos a menos para a Lufa-Lufa. E você, Noah, deveria saber que a biblioteca noturna exige uma autorização que o professor Flitwick certamente não assinou para esta galeria.

— Na verdade, ele assinou — Noah tirou um pedaço de pergaminho dobrado do bolso interno, estendendo-o com um sorriso calmo. — Para a seção restrita da torre norte. Este corredor é apenas o caminho geometricamente mais curto entre meu dormitório e a torre, considerando que a escadaria principal decidiu girar para o calabouço esta noite.

Sophia olhou para o pergaminho, depois para Noah, soltando um suspiro exasperado.

— Corvinais e suas desculpas meticulosamente estruturadas. Kael, esqueça a pontuação por um momento. Olhe para o pêndulo.

Os cinco voltaram a atenção para a imensa estrutura de madeira escura e marfim esculpido.

O pêndulo de latão, que há décadas oscilava no ritmo compassado e tranquilo do tempo de Hogwarts, havia parado completamente. Ele não estava suspenso no ar; estava travado no centro exato, vibrando com uma intensidade silenciosa. Por trás do vidro embaçado pela geada, os ponteiros do mostrador não avançavam. Eles giravam para trás.

Lenta, metódica e angustiantemente para trás.

— O tempo não volta sem um vira-tempo — sussurrou Josh, toda a tolice de repente evaporando de sua postura enquanto ele dava um passo involuntário para trás, colidindo com o ombro de Victor. — Volta?

— Não fisicamente — respondeu Noah, aproximando-se com cautela do vidro. Seus olhos rastreavam os números romanos entalhados. — Mas a ressonância de certos feitiços de confinamento pode distorcer a percepção temporal de um espaço fechado. Algo antigo foi quebrado hoje. Ou libertado.

— Quem quebraria uma proteção no quarto andar? — Victor perguntou, perdendo finalmente o ar provocador e assumindo a seriedade de quem compreendia o perigo real. Sua varinha subiu alguns centímetros, pronta para um feitiço de escudo. — Os alunos mais novos mal conseguem acertar um Alohomora.

— E os mais velhos não teriam poder suficiente sem disparar os alarmes dos diretores — completou Sophia, os dedos delgados envolvendo a própria varinha com precisão. — A menos que não tenha sido um aluno.

— Olhem para a base — disse Josh de repente.

Desta vez, não havia nenhuma piada em sua voz. Ele apontou para onde havia caído momentos antes, perto dos pés esculpidos em forma de garras de leão do móvel.

Ali, pingando de uma fenda microscópica na madeira centenária, caía uma substância espessa, prateada e fosforescente. Não era sangue, nem mercúrio. Parecia luz líquida condensada, e cada gota que atingia a geada no chão produzia um silvo baixo, emitindo uma fumaça fina que cheirava a ferro queimado e rosas murchas.

— Mercúrio estelar — Noah arregalou os olhos, um lampejo de puro fascínio e pavor cruzando suas feições. — Usado para selar câmaras secretas durante a fundação do castelo. Alguém tentou abrir o compartimento interno do relógio. E não faz muito tempo.

Kael ajoelhou-se a uma distância segura, puxando a varinha e murmurando um feitiço de detecção:

— Revelio Oculta.

Uma onda de luz azulada varreu a superfície da madeira. Por um instante, uma teia de símbolos complexos e cortantes ardeu em chamas fantasmagóricas no ar, revelando marcas de garras — ou de uma ferramenta de ferro bruto — forçando a fechadura mágica. Mas o feitiço de Kael desencadeou uma reação.

O pêndulo soltou um estalo ensurdecedor, como o estilhaçar de ossos secos. A geada negra no chão ergueu-se em espinhos afiados, avançando em linha reta em direção ao grupo.

— Para trás! — gritou Victor, reagindo por puro reflexo protetor. Ele puxou Josh pelo colarinho com a mão esquerda enquanto cortava o ar com a direita: — Protego Diabolica!

Não, não era um feitiço proibido, mas sim uma variação defensiva potente:

— Protego Totalum!

Uma barreira translúcida de ouro cintilante se ergueu bem a tempo de deter os espinhos de gelo que se chocaram contra ela, explodindo em poeira gélida. O impacto empurrou Victor meio passo para trás, a força mágica vibrando por seu braço.

— Ficou maluco?! — gritou Sophia, posicionando-se ao lado dele. Com um movimento elegante e fluido do pulso, ela conjurou uma serpente de chamas escarlates: — Incendio Flammae!

O fogo de Sophia não era selvagem; era cirúrgico. As chamas contornaram a barreira de Victor e lamberam o chão, derretendo a geada e forçando a substância prateada de volta para dentro das frestas do relógio.

Kael não perdeu tempo. Enquanto Victor segurava o escudo e Sophia controlava a temperatura, ele começou a recitar um contrafeitiço de selamento em latim arcaico, sua voz fria e firme cortando o tumulto com absoluta disciplina. A ponta de sua varinha desenhava runas no ar, que ele empurrava com a palma da mão livre em direção ao mecanismo do relógio.

— Noah! — chamou Kael, a respiração finalmente ficando pesada pelo esforço de conter a magia ancestral. — A sequência de fechamento! O dialeto celta!

Noah não hesitou. Ele não precisou consultar as notas. Com a mente funcionando em uma velocidade impressionante, ele ditou:

— Anam, cloch, tine! Inverta o fluxo na terceira engrenagem, Kael! Não ataque a magia, harmonize com ela, ou a caixa vai implodir!

Josh, ainda meio atordoado pelo puxão de Victor, olhou ao redor, viu a maçã em sua mão, olhou para o mecanismo exposto onde uma pequena engrenagem de prata girava loucamente fora do eixo e, sem pensar duas vezes, fez o que parecia a coisa mais absurdamente lógica para um lufano.

Ele arremessou a colher de prata que havia trazido da cozinha bem no meio de duas rodas dentadas secundárias que estavam prestes a travar o sistema de Noah.

CLAC.

A colher dobrou-se ao meio, mas bloqueou perfeitamente o dente quebrado que ameaçava destruir o feitiço de Kael.

— Mas o que você... — Sophia começou a gritar, furiosa com a intromissão.

— Deu tempo! — gritou Josh, apontando freneticamente. — O negócio ia emperrar!

Kael aproveitou a fração de segundo ganha pela idiotice genial de Josh e completou o encantamento:

— Consigillo!

Um clarão branco ofuscante iluminou todo o quarto andar. O estalo final soou como um trovão distante ecoando pelos corredores de pedra.

Depois, o silêncio retornou.

A geada negra transformou-se em poças de água comum, que evaporaram quase instantaneamente pelo calor residual do fogo de Sophia. O pêndulo parou de vibrar, voltando ao seu balanço natural, lento e ritmado. Tique. Taque. Tique. Taque.

Os ponteiros voltaram a marcar doze e vinte da madrugada.

Victor desfez o escudo, respirando fundo e passando a mão pelos cabelos castanhos, bagunçando-os ainda mais. Um sorriso tenso, mas genuinamente impressionado, surgiu em seus lábios enquanto olhava para os quatro ao seu redor.

— Bom trabalho de equipe para pessoas que supostamente se odeiam — comentou ele, lançando um olhar provocador para Kael.

Kael guardou a varinha dentro da manga com sua costumeira rigidez, embora uma gota de suor escorresse discretamente por sua têmpora.

— Nós não trabalhamos em equipe. Apenas impedimos que o castelo acordasse com a sua incompetência em lidar com anomalias territoriais.

— Minha incompetência? — Victor riu, cruzando os braços e dando um passo na direção do sonserino. — Fui eu quem ergueu o escudo antes que você virasse um espeto de gelo, Kael.

— E fui eu quem guiou o fluxo mágico — rebateu Sophia, aproximando-se com passos firmes, o olhar afiado fixo em Victor. — Se eu não tivesse queimado a geada na base, seu escudo teria rachado em três segundos, grifinório. Não assuma créditos que não lhe pertencem.

— Na verdade — interrompeu Noah, que já estava novamente agachado, examinando a colher de prata retorcida entre as engrenagens com um sorriso fascinado —, Josh foi quem evitou a sobrecarga mecânica. Uma solução surpreendentemente heterodoxa, devo admitir.

Josh inchou o peito, ajeitando as vestes amarelas com orgulho súbito.

— Eu sempre soube que os utensílios de mesa de Hogwarts tinham propriedades mágicas ocultas. Madame Pomfrey me disse uma vez que comer com prata afasta feitiços ruins, então pensei: por que não alimentar o relógio?

Sophia encarou Josh com uma mistura de repulsa e incredulidade.

— Você é um milagre estatístico da sobrevivência humana, Josh.

— Obrigado, Sophia! Sei que você me adora no fundo do seu coração de gelo.

— Cale a boca — respondeu ela, sem no entanto parecer verdadeiramente irritada.

Victor olhou para o relógio mais uma vez, sua expressão endurecendo ligeiramente. Ele se virou para Noah.

— O que estava tentando sair de lá, Noah?

Noah tocou suavemente na madeira, onde a rachadura agora estava selada por uma cicatriz fina e brilhante.

— Não estava tentando sair. Alguém estava tentando tirar algo que foi guardado aí dentro há muito tempo. Esse relógio não é apenas um marcador de horas. É uma das âncoras das fundações do castelo.

Kael franziu o cenho, trocando um olhar rápido e significativo com Sophia. A rivalidade entre as casas pareceu sumir por um instante sob o peso de uma constatação perturbadora.

— Se alguém dentro de Hogwarts está violando as âncoras — disse Kael em voz baixa —, a segurança do castelo não está apenas comprometida. Está sendo desmontada por dentro.

— Passos — alertou Josh de repente, os olhos arregalados enquanto apontava para o fim do corredor.

O eco pesado e inconfundível dos sapatos de Filch, acompanhado pelo miado rouco de Madame Nora, aproximava-se do terceiro lance de escadas.

— Monitores fora da cama é uma coisa — disse Victor rapidamente, seu habitual tom charmoso e conspiratório retornando. — Mas três casas diferentes reunidas em torno de um relógio arrombado com uma colher de prata da cozinha... acho que até a professora McGonagall teria dificuldade em perdoar.

— Não vou ser pega com vocês — Sophia declarou com altivez, já recuando para as sombras da tapeçaria. — Kael, vamos pelas masmorras.

— Espere — Kael parou, olhando para Victor e Noah. Por trás de sua frieza habitual, havia um cálculo tático. — Isto não acabou. Amanhã, na biblioteca. Seção de História Medieval, depois do jantar.

Victor assentiu, sustentando o olhar firme do sonserino com um sorriso desafiador.

— Estaremos lá. Tente não se atrasar para o nosso encontro, Kael.

Sophia soltou um som de desprezo misturado com riso contido antes de desaparecer na escuridão ao lado de Kael.

— Vamos, Josh, Noah — Victor puxou os dois rapazes para a passagem secreta atrás do guerreiro decapitado, fechando o painel de pedra no momento exato em que a lanterna amarelada de Filch projetou sombras grotescas no corredor vazio.

No escuro da passagem estreita que levava aos andares superiores, Josh sussurrou:

— Pessoal... isso significa que agora nós somos uma sociedade secreta? Porque se formos, eu acho que deveríamos ter capas personalizadas.

— Fique quieto, Josh — disseram Victor e Noah ao mesmo tempo, embora, na penumbra, ambos compartilhassem a certeza de que as noites em Hogwarts jamais voltariam a ser as mesmas.

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