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Meu rafe

Fandom: Outer banks

Criado: 25/09/2026

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RomanceDramaAngústiaSombrioCiúmesCenário CanônicoAbuso de ÁlcoolEstudo de Personagem
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Sombras na Areia

A maresia de Outer Banks sempre teve um cheiro específico: uma mistura de sal, madeira molhada e a promessa de problemas. Para Karen Maybank, esse cheiro agora vinha acompanhado do perfume caro e amadeirado de Rafe Cameron. Era uma combinação perigosa, como misturar gasolina e fogo em um barril de pólvora prestes a explodir.

Karen se olhou no espelho do quarto bagunçado que dividia a atenção com as coisas de JJ. Seus cabelos cacheados e volumosos, uma herança da mãe que a diferenciava do loiro rebelde do irmão, estavam presos em um coque alto e propositalmente desfeito. Ela usava um top de crochê e um short jeans desfiado. Visual padrão de Pogue, mas seus olhos entregavam uma ansiedade que não pertencia àquela casta.

— Karen! Vamos logo, a fogueira já deve estar do tamanho de um prédio! — o grito de JJ veio do andar de baixo, seguido pelo som de uma buzina impaciente.

— Já vou, JJ! — ela gritou de volta, sentindo o celular vibrar no bolso.

Era uma mensagem de Rafe. Apenas três palavras que fizeram seu estômago dar um nó: "Não apareça lá."

Ela ignorou. Rafe não mandava nela, embora o modo como ele a olhava quando estavam sozinhos fizesse seu coração vacilar. O relacionamento deles era um segredo guardado a sete chaves. Ninguém entenderia. Os Pogues odiavam os Kooks, e Rafe Cameron era o príncipe instável da Figure Eight. JJ provavelmente tentaria matar Rafe se soubesse que ele andava tocando na sua irmã, e Ward Cameron certamente deserdaria o filho por se envolver com uma Maybank.

A festa na praia estava a todo vapor quando eles chegaram. O som da música abafava o quebrar das ondas e o brilho das chamas iluminava os rostos suados e risonhos. Kie, a melhor amiga de Karen e a única que sabia de toda a confusão amorosa, aproximou-se com duas cervejas quentes.

— Você veio — sussurrou Kie, entregando a bebida. — Ele está aqui. E está com uma cara péssima.

Karen olhou por cima do ombro da amiga. Do outro lado da fogueira, na área onde os Kooks costumavam se aglomerar mesmo em festas "mistas", Rafe estava encostado em um jipe. Ele usava uma camisa polo clara que parecia brilhar sob a lua, contrastando com a escuridão de seu semblante. Quando seus olhos encontraram os de Karen, ele não sorriu. Ele apenas apertou a mandíbula e desviou o olhar.

— Ele me disse para não vir — Karen comentou, tomando um gole da cerveja.

— E desde quando você ouve o que um Cameron diz? — Kie arqueou a sobrancelha.

— Exatamente.

A noite avançou e o álcool começou a soltar as inibições de todos. Karen tentou se divertir, dançando com Kie e rindo das piadas sem graça de Pope. Mas ela sentia o peso do olhar de Rafe em suas costas como se fosse uma brasa quente.

Em determinado momento, John B e JJ se aproximaram com Topper e alguns outros garotos. A trégua era frágil, sustentada apenas pelo espírito da festa.

— Ei, Karen! — Topper exclamou, aproximando-se com um sorriso largo. — Não sabia que a irmã do JJ tinha crescido tanto. Você está incrível.

Karen riu, sentindo o perigo no ar. Ela sabia que Rafe estava assistindo.

— Cuidado, Topper — disse JJ, passando o braço pelo ombro da irmã de forma protetora. — Ela é muita areia para o seu caminhãozinho de Kook.

— Ah, qual é, JJ? Só estou admirando a vista — Topper brincou, colocando a mão no ombro de Karen por um segundo a mais do que o necessário. — Quer dançar, Karen?

Karen sentiu um calafrio. Ela olhou de relance para o jipe e viu que Rafe não estava mais encostado nele. Ele caminhava em direção ao grupo, a passos largos e decididos.

— Ela não quer dançar, Topper — a voz de Rafe cortou o ar como uma navalha.

O grupo silenciou. JJ se empertigou imediatamente, o instinto de briga aflorando.

— E o que você tem a ver com isso, Cameron? — JJ perguntou, dando um passo à frente.

Rafe ignorou JJ completamente. Seus olhos azuis, injetados e intensos, estavam fixos em Karen. Havia uma possessividade crua ali que a fez tremer.

— Eu disse para você ficar em casa — Rafe disse, a voz baixa e perigosa, ignorando todos ao redor.

— Você não me diz o que fazer, Rafe — Karen respondeu, tentando manter a voz firme, embora seu coração estivesse martelando contra as costelas.

— O que está acontecendo aqui? — John B interveio, sentindo a tensão elétrica.

— O que está acontecendo é que o seu amigo Kook está incomodando a minha irmã — JJ rosnou, fechando os punhos.

Rafe soltou uma risada seca, desprovida de qualquer humor. Ele deu mais um passo, entrando no espaço pessoal de Karen.

— Incomodando? — Rafe olhou para JJ com desdém. — Você não tem ideia do que está acontecendo, Maybank.

— Rafe, para — Karen pediu, tocando levemente no braço dele.

Foi um erro. O toque, embora sutil, foi uma confirmação silenciosa para quem estivesse prestando atenção. JJ olhou da mão da irmã para o rosto de Rafe, e sua expressão mudou de confusão para uma fúria cega.

— Tira a mão dele, Karen — JJ ordenou, a voz trêmula de raiva. — Por que você está tocando nele?

— JJ, por favor, vamos embora — Karen tentou puxar o irmão, mas Rafe a segurou pelo outro braço.

— Ela não vai a lugar nenhum com você — Rafe sibilou. O ciúme, alimentado por horas vendo-a rir com outros e pelo álcool que ele consumira, tinha obliterado qualquer senso de cautela. — Ela é minha.

O silêncio que se seguiu foi absoluto, quebrado apenas pelo estalar da madeira na fogueira. Kie levou a mão à boca. John B e Pope trocaram olhares de puro choque.

JJ não pensou. Ele avançou contra Rafe com um grito, e em segundos os dois estavam rolando na areia.

— Parem! — Karen gritou, tentando se enfiar entre eles, mas John B a segurou.

— Deixa eles, Karen! Vai sobrar para você! — John B exclamou.

A briga foi feia e rápida. Outros Pogues e Kooks se envolveram, transformando a festa em um caos de socos e gritos. Rafe lutava com uma ferocidade maníaca, seus olhos focados apenas em destruir qualquer um que estivesse no caminho.

— Chega! — o grito de Karen ecoou, e por um milagre, a confusão se dispersou o suficiente para que Topper e Kelce segurassem Rafe, enquanto John B e Pope puxavam JJ.

Rafe tinha um corte no lábio e o nariz sangrando, mas seu olhar ainda estava cravado em Karen. JJ estava arfando, o rosto vermelho de indignação e traição.

— É verdade? — JJ perguntou, a voz falhando. — Você e esse... esse lixo?

Karen olhou para o irmão, depois para o homem que amava em segredo. As lágrimas começaram a descer por seu rosto.

— JJ, eu...

— Não precisa dizer nada — JJ cuspiu no chão. — Você é uma traidora.

Ele se virou e saiu caminhando pela escuridão da praia, seguido pelos outros Pogues. Kie olhou para Karen com tristeza antes de seguir o grupo. Karen ficou parada, sozinha no meio do círculo de curiosos que começava a se dispersar.

Rafe se soltou dos amigos e caminhou até ela. Ele tentou tocar o rosto dela, mas Karen recuou.

— Você está louco? — ela sussurrou, a voz embargada. — Você arruinou tudo! Meu irmão me odeia agora!

— Ele não merece você — Rafe respondeu, a voz carregada de uma obsessão sombria. — Ninguém merece. Eu avisei para não vir. Eu não consigo ver você com eles, Karen. Eu não consigo ver ninguém tocando no que é meu.

— Eu não sou sua, Rafe! Eu não sou um objeto que você guarda em uma caixa! — ela gritou, batendo no peito dele.

Rafe a segurou pelos pulsos, puxando-a para perto. O cheiro de sangue e mar misturava-se ao perfume dele.

— Você é — ele afirmou, encostando a testa na dela. — E agora todo mundo sabe. Não há mais esconderijos, Karen. Só resta nós dois.

Karen fechou os olhos, sentindo o calor do corpo dele e a frieza de suas palavras. O segredo havia morrido na areia de Outer Banks, e ela sabia que, a partir daquela noite, nada voltaria a ser como antes. Ela estava ligada a um monstro, e o pior de tudo era que, mesmo com o coração partido pelo irmão, ela não conseguia se soltar.

— Eu te odeio — ela sussurrou contra os lábios dele.

— Eu sei — Rafe respondeu antes de beijá-la com uma urgência desesperada. — Mas você me ama. E isso é tudo o que importa.

Ao longe, as luzes da polícia começavam a piscar, refletindo nas ondas escuras. O mundo de Karen Maybank tinha acabado de colidir com o de Rafe Cameron de forma definitiva, e os destroços seriam impossíveis de recolher.

— Vamos sair daqui — Rafe disse, puxando-a em direção ao jipe.

Karen olhou uma última vez para a escuridão onde seu irmão desaparecera. Ela sentia que estava deixando sua alma naquela praia, mas quando Rafe apertou sua mão, ela o seguiu. O caos era o único lar que eles conheciam agora.

Dentro do carro, o silêncio era pesado. Rafe dirigia com uma mão no volante e a outra apertando a coxa de Karen, como se temesse que ela fosse evaporar se ele a soltasse.

— Por que você fez aquilo? — Karen perguntou finalmente, olhando pela janela as árvores passando como vultos. — O Topper é seu amigo. O JJ é meu irmão.

— Amigos não olham para você daquele jeito — Rafe rebateu, os nós dos dedos brancos no volante. — E seu irmão... ele nunca vai entender o que a gente tem. Ele acha que você é a irmãzinha perfeita que precisa ser protegida dos caras como eu.

— E ele está errado? — Karen virou-se para ele, os olhos brilhando com as lágrimas remanescentes. — Olhe para você, Rafe. Você acabou de começar uma guerra.

Rafe parou o carro abruptamente no acostamento de uma estrada deserta cercada por pântanos. Ele desligou o motor e o silêncio da noite caiu sobre eles, interrompido apenas pelo som dos grilos.

— Eu faria de novo — ele disse, virando-se para ela. A luz do luar entrava pelo para-brisa, esculpindo as linhas duras de seu rosto. — Eu faria qualquer coisa para garantir que ninguém mais te toque. Você não entende, Karen? Eu não tenho nada. Meu pai, aquela casa... é tudo um teatro. Você é a única coisa real que eu tenho.

Karen sentiu um aperto no peito. A vulnerabilidade de Rafe era sua arma mais perigosa. Ela sabia que ele era instável, sabia que ele tinha feito coisas terríveis, mas quando ele falava assim, ela se sentia a única pessoa no mundo capaz de salvá-lo. Era uma mentira perigosa que ela contava a si mesma todas as noites.

— Você não pode me possuir, Rafe — ela disse baixinho, embora sua mão estivesse subindo para acariciar o rosto dele, contornando o corte no lábio.

— Eu já possuo — ele murmurou, fechando os olhos ao toque dela. — E você me possui. Estamos afundando juntos, Karen Maybank.

Ele a puxou para um beijo que tinha gosto de desespero e promessas quebradas. Karen se entregou, sabendo que no dia seguinte teria que enfrentar a fúria de JJ, o desprezo dos Pogues e a realidade de ser a namorada do Kook mais perigoso da ilha.

Mas ali, na penumbra do jipe, cercada pelo cheiro de maresia e perigo, ela se permitiu esquecer o mundo exterior. Se o mundo ia queimar por causa deles, ela pelo menos queria estar nos braços do incêndio.

— O que vamos fazer agora? — ela perguntou entre beijos.

Rafe sorriu, um sorriso sombrio que não chegava aos olhos, mas que carregava uma determinação absoluta.

— Agora? Agora nós mostramos a eles que não nos importamos com as regras deles.

Ele ligou o carro e acelerou, deixando para trás a praia, a fogueira e a inocência que Karen tentara preservar. Em Outer Banks, as linhas entre o certo e o errado eram tão fluidas quanto a maré, e Karen acabara de mergulhar nas águas mais profundas e escuras de todas. Ela era uma Maybank, ele era um Cameron, e a guerra estava apenas começando.

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