
A dama vermelha
Fandom: The stellar swordmaster
Criado: 25/09/2026
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O Reflexo da Esmeralda nos Olhos de um Espadachim
O salão de pedra da fortaleza estava preenchido pelo som de risadas metálicas e pelo tilintar de canecos. O ar carregava o cheiro de carne assada e fumaça de lareira, um contraste bem-vindo com o frio cortante que açoitava as muralhas do lado de fora. Vlad, sentado à mesa central, mantinha sua postura ereta, embora seus ombros estivessem um pouco mais relaxados do que o habitual.
Ao seu lado, Alicia, a jovem nobre de cabelos impecáveis e vestes de seda fina, sorria enquanto gesticulava. Ela era a imagem da sofisticação, uma presença que comandava atenção por onde passava.
— Você realmente deveria ter visto a cara do capitão quando você desarmou aquele mercenário com um movimento de pulso — disse Alicia, aproximando-se sutilmente de Vlad. — Foi a conversa do quartel por três dias inteiros.
Josef, que estava do outro lado da mesa, soltou uma gargalhada alta, dando um tapa nas costas de um dos companheiros de armas.
— E vejam só isso! — Josef apontou para o cinto de Vlad, onde um lenço de seda branca com o brasão da família de Alicia estava cuidadosamente amarrado. — O nosso grande mestre da espada finalmente aceitou um favor de uma dama! Vlad, meu caro, você está ficando mole ou a beleza da senhorita Alice finalmente perfurou essa sua armadura de gelo?
Os outros soldados acompanharam a brincadeira com assobios e comentários jocosos. Vlad apenas deu um meio sorriso, um gesto de cortesia que ele reservava para aqueles que respeitava. Ele não via malícia nas palavras de Josef, nem segundas intenções no gesto de Alicia. Para ele, o lenço era um símbolo de aliança, um item prático que ela insistira que ele carregasse.
— Alice é uma aliada valiosa e uma amiga — respondeu Vlad, com sua voz calma e profunda que sempre parecia silenciar o ambiente. — O lenço é um gesto de boa sorte, nada mais.
Alicia baixou os olhos, um brilho de esperança e frustração dançando em suas pupilas. Ela queria que fosse mais. Ela queria que aquele homem, que parecia uma montanha inabalável, olhasse para ela não como uma estrategista ou uma nobre, mas como alguém que ele desejasse proteger por amor.
— De qualquer forma, ele combina com você — murmurou ela, tocando levemente o braço de Vlad.
Vlad estava prestes a responder quando a pesada porta de carvalho no fundo do salão se abriu. O vento frio entrou, fazendo as chamas das tochas vacilarem, mas não foi o frio que fez o coração de Vlad errar uma batida.
Josef, com um sorriso conspiratório que explicava por que ele estivera tão inquieto durante toda a noite, levantou-se e fez um gesto dramático em direção à entrada.
Lá estava ela.
Jemina entrou no salão timidamente, guiada por um dos guardas que Josef havia subornado para buscá-la nos subúrbios. Ela não parecia a órfã com quem Vlad dividira pedaços de pão seco anos atrás. Ela vestia um vestido longo, em um tom de verde-escuro tão profundo que parecia capturar a essência de uma floresta antiga sob o luar. O tecido, um cetim nobre que brilhava suavemente a cada passo, abraçava sua silhueta com elegância, drapeando-se delicadamente sobre o colo.
Um xale transparente da mesma cor envolvia seus ombros, as mangas amplas flutuando como asas de uma borboleta noturna. A abertura discreta na saia revelava sua hesitação a cada passo, enquanto ela procurava por um rosto familiar em meio àquela multidão de guerreiros e nobres.
O silêncio caiu sobre a mesa. Alicia congelou, sua mão deslizando do braço de Vlad enquanto ela observava a recém-chegada. Ela reconheceu instantaneamente que aquela mulher, apesar da origem humilde, possuía algo que nenhuma linhagem nobre poderia comprar.
Vlad, o homem que nunca perdia a compostura, o espadachim que enfrentava exércitos sem piscar, simplesmente esqueceu como respirar. O mundo ao seu redor — as risadas, as provocações de Josef, a presença de Alicia, o peso da espada em suas costas — tudo desapareceu.
— Jemina? — O nome saiu como um sopro, mas logo se transformou em um grito de pura alegria que ninguém ali jamais esperaria ouvir dele. — Jemina!
Ele se levantou tão rápido que a cadeira quase tombou para trás. Vlad não caminhou; ele correu. Cruzou o salão com passos largos, ignorando os olhares chocados de seus companheiros e o rosto pálido de Alicia.
Quando ele a alcançou, Jemina mal teve tempo de processar a visão dele antes de ser erguida do chão. Vlad a envolveu pela cintura e a girou no ar, o vestido verde esmeralda flutuando em um redemoinho magnífico.
— Vlad! Pelos deuses, Vlad, me coloque no chão! — gritou ela, o rosto ficando vermelho como uma romã, metade de vergonha, metade de surpresa.
Ele não a soltou. Pelo contrário, apertou-a contra o peito, escondendo o rosto na curva do pescoço dela, sentindo o perfume familiar que o transportava de volta para casa, para o único lugar onde ele se sentia verdadeiramente seguro.
— Você está aqui... — sussurrou ele, a voz embargada por uma emoção que ele passara anos tentando esconder sob camadas de dever e aço. — Eu não consigo acreditar que você está aqui.
— Vlad, todo mundo está olhando! — Jemina protestou, embora suas mãos tivessem encontrado automaticamente os ombros dele, segurando-o com a mesma força. — Você enlouqueceu? Onde está o grande e sério espadachim que todos temem?
— Ele foi embora no momento em que te viu — respondeu ele, finalmente colocando-a no chão, mas mantendo as mãos firmes em sua cintura.
Jemina, recuperando o fôlego e a compostura, deu-lhe um soco leve no peito, embora seus olhos estivessem brilhando com lágrimas que ela se recusava a deixar cair.
— Você é um idiota — disse ela em voz baixa. — Me trazer aqui assim, com todas essas pessoas importantes... Olhe para mim, eu pareço uma árvore de natal com esse vestido que o Josef me obrigou a usar.
— Você está perfeita — interrompeu Vlad, seus olhos percorrendo o rosto dela com uma reverência que beirava o sagrado. — Você é a coisa mais bonita que já entrou nesta fortaleza, Jemina.
À mesa, o silêncio era absoluto. Josef sorria de orelha a orelha, orgulhoso de seu plano, enquanto os outros soldados trocavam olhares de puro espanto. Alicia, no entanto, sentia um peso frio no estômago. Ela viu a forma como Vlad olhava para Jemina — não era a admiração que ele tinha por ela, nem a lealdade que ele tinha pelos companheiros. Era uma entrega total. Era como se Jemina fosse o sol e Vlad fosse apenas um planeta girando irremediavelmente em sua órbita.
Vlad, percebendo que ainda estavam no centro das atenções, finalmente se virou para o grupo, mas não soltou a mão de Jemina. Ele a conduziu até a mesa com um orgulho que nunca demonstrara por suas próprias vitórias em batalha.
— Pessoal — começou Vlad, sua voz agora firme, mas com uma suavidade nova —, esta é Jemina. Ela é... a razão pela qual eu ainda estou aqui.
Jemina fez uma pequena reverência, ainda corada, o xale verde balançando suavemente.
— É um prazer conhecer todos vocês — disse ela, sua voz clara e gentil. — Vlad me contou muito sobre seus companheiros, embora tenha esquecido de mencionar que vocês eram tão barulhentos.
Josef soltou uma gargalhada, quebrando a tensão.
— Ora, é assim que celebramos a vida, senhorita! E Vlad precisa de um pouco de ruído para não virar uma estátua de gelo.
Alicia forçou um sorriso, levantando-se com a elegância que lhe era nata.
— Seja bem-vinda, Jemina. Sou Alicia. Vlad nos falou muito pouco sobre sua vida antes da ordem, mas vejo que ele guardou o melhor para si.
Jemina olhou para Alicia, notando o lenço no cinto de Vlad e a forma como a nobre se posicionava. Como alguém que cresceu nas ruas, Jemina sabia ler pessoas melhor do que qualquer general. Ela viu a dor escondida no sorriso de Alicia e, por um momento, sentiu uma pontada de simpatia. Mas então Vlad apertou sua mão sob a mesa, um gesto silencioso de reafirmação, e ela soube que não havia competição. Vlad já havia feito sua escolha há muito tempo, nas vielas escuras e nos dias de fome.
— Obrigada, senhorita Alicia — respondeu Jemina com sinceridade. — Fico feliz em saber que ele tem amigos tão... zelosos por perto.
A noite continuou, mas a dinâmica havia mudado completamente. Vlad, que antes apenas observava a conversa, agora estava engajado, seus olhos voltando-se constantemente para Jemina ao seu lado. Ele servia a comida para ela, inclinava-se para explicar quem era cada pessoa e, ocasionalmente, apenas ficava em silêncio, admirando como o verde do vestido realçava a vida nos olhos dela.
— Você não me disse que o Josef era tão doido — sussurrou Jemina para Vlad, enquanto o grandalhão tentava equilibrar uma colher no nariz para fazer os outros rirem.
— Eu tentei avisar — riu Vlad —, mas algumas coisas você precisa ver para acreditar.
— E aquela moça... a Alicia — Jemina continuou, baixando ainda mais o tom. — Ela gosta de você, Vlad. E não é do jeito que um soldado gosta de seu capitão.
Vlad olhou para Jemina, a seriedade voltando ao seu rosto por um momento. Ele pegou a mão dela e a levou aos lábios, beijando os nós dos dedos com uma ternura que fez o coração de Jemina disparar.
— Muitas pessoas gostam de muitas coisas, Jemina — disse ele. — Mas eu só pertenço a um lugar. E esse lugar é onde você estiver. Eu passei muito tempo achando que precisava carregar o peso do mundo sozinho para manter todos a salvo. Mas quando vejo você aqui, percebo que o mundo só vale a pena ser salvo se você estiver nele comigo.
Jemina sentiu o rosto esquentar novamente, mas desta vez não se afastou. Ela se inclinou, apoiando a cabeça no ombro dele, o tecido verde do seu xale misturando-se com o couro escuro da armadura de Vlad.
— Então é melhor você não se acostumar a girar as pessoas por aí na frente de todo mundo — brincou ela. — Eu ainda tenho um soco forte, sabia?
— Eu sei — Vlad sorriu, fechando os olhos e aproveitando o momento de paz. — E eu não mudaria nada em você.
Naquela noite, sob o teto de pedra da fortaleza, o espadachim estelar não era um herói de lendas ou um guerreiro implacável. Ele era apenas um homem que finalmente havia encontrado seu porto seguro, envolto em seda verde esmeralda e no calor de um amor que nem o tempo, nem a guerra, poderiam apagar. E enquanto as risadas continuavam ao redor deles, Vlad soube que, não importava o quão difícil fosse a jornada à frente, ele nunca mais precisaria caminhar sozinho.
