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A surpresa

Fandom: The stellar swordmaster

Criado: 25/09/2026

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RomanceFantasiaDramaDor/ConfortoFofuraHistória DomésticaCiúmesEstudo de Personagem
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O Reflexo de Esmeralda no Olhar do Espadachim

A penumbra da sala de reuniões no castelo dos Bayezid era dissipada pelo crepitar reconfortante das lareiras e pelo brilho das taças de vinho. O clima, após meses de tensões e batalhas sangrentas contra criaturas que desafiavam a lógica, era de uma rara e preciosa leveza. Vlad, com seus cabelos dourados agora mais longos e bem cuidados, reluzindo sob a luz das velas, mantinha-se em silêncio. Seus olhos azuis, outrora endurecidos pela miséria dos subúrbios, pareciam mais suaves, embora ele ainda mantivesse aquela postura de quem está sempre pronto para desembainhar a espada.

Ao redor da mesa redonda, as figuras que moldaram sua trajetória compartilhavam risadas. Josef Bayezid, o senhor que lhe dera uma chance quando o mundo lhe dava as costas, observava o jovem espadachim com um olhar paternal.

— Sabe, Vlad — começou Josef, ajustando sua túnica —, eu fico feliz que tenhamos vencido, mas você está com uma aparência deplorável de cansaço. Olhe para essas olheiras. Você não está se cuidando direito.

Jager Lamund, o mestre de espada de Vlad, soltou uma gargalhada rouca enquanto limpava uma mancha imaginária em sua caneca.

— O rapaz só pensa em treinar e cortar cabeças de monstros, Milorde. Se deixarmos, ele esquece até de comer.

Vlad, que naquele momento estava mais interessado em um pedaço de pão do que na conversa, apenas deu de ombros, sem desviar o olhar do prato. Ele era um homem de poucas palavras quando o assunto era seu próprio bem-estar. Para ele, a sobrevivência sempre fora uma questão de disciplina, não de conforto.

— Não se preocupem — interveio Rutiger Bayezid, o companheiro de caça a dragões de Vlad, com um sorriso enigmático que fez Goethe e Potree Canore trocarem olhares curiosos. — Eu já previ que isso aconteceria. Na verdade, já tomei providências para resolver esse "desleixo" do nosso herói. Em breve, vocês vão descobrir.

Goethe, sempre astuto, inclinou-se para frente com um brilho malicioso nos olhos.

— Ora, Rutiger, não me diga que finalmente arranjou uma pretendente para o nosso bloco de gelo dourado? — brincou o mercenário.

— Uma dama seria exatamente o que ele precisa para amolecer esse coração de aço — completou Potree, rindo e batendo no ombro de Vlad.

O comentário, porém, não foi bem recebido por todos. Lady Alicia, sentada à direita de Josef, sentiu um aperto familiar no peito. Seus olhos, que sempre buscavam os de Vlad com uma admiração que beirava a devoção, escureceram. Ela, uma nobre de linhagem impecável, havia feito inúmeros convites, oferecido presentes e demonstrado seu interesse de forma clara, mas Vlad sempre a tratara com uma cortesia distante, uma gratidão que nunca se transformava em paixão.

Alicia lançou um olhar mortal para Potree, o que fez o guerreiro pigarrear e desviar o foco imediatamente. Vlad, por sua vez, continuava mastigando seu pão, alheio ao drama silencioso que se desenrolava ao seu lado. Ele respeitava Alicia, protegeria a vida dela com sua própria espada, mas seu coração era uma fortaleza cujas chaves não pertenciam àquela corte.

— A surpresa chegou — anunciou Rutiger, levantando-se subitamente e olhando em direção às grandes portas de carvalho do salão.

Vlad finalmente parou de comer. Ele olhou para Rutiger com uma sobrancelha arqueada, desconfiado. O que o Bayezid estaria tramando? Um novo mestre? Uma nova armadura?

As portas se abriram com um rangido suave.

O tempo pareceu desacelerar. O falatório dos cavaleiros cessou, e até mesmo o estalar da lenha na lareira pareceu perder o som.

Uma figura feminina cruzou o umbral. Ela vestia um vestido longo, de um verde-escuro profundo, uma cor de esmeralda que parecia capturar toda a luz do ambiente. O tecido, um veludo leve que fluía como água, abraçava sua silhueta esguia e delicada. O decote drapeado caía suavemente sobre seu colo, e as mangas amplas de um xale transparente conferiam-lhe uma aura quase etérea, como uma ninfa da floresta que decidira visitar o mundo dos homens.

Mas não era o vestido que prendia a atenção de Vlad. Eram os cabelos vermelhos curtos, que emolduravam um rosto de traços suaves e decididos. Eram aqueles olhos vermelhos, vivos e atentos, que ele conhecia desde que as ruas eram seu único lar.

— Zemina? — O nome escapou dos lábios de Vlad como uma prece sussurrada.

A jovem estava visivelmente corada. Ela não estava acostumada com a opulência dos castelos, muito menos com o olhar atento de tantos guerreiros lendários e nobres influentes. Ela apertou as mãos nervosamente diante do corpo, sentindo o peso do silêncio.

Para Vlad, porém, o mundo ao redor simplesmente deixou de existir. Josef, Alicia, o mestre Jager... todos se tornaram borrões indistintos.

— Zemina! — Ele gritou, desta vez com toda a força de seus pulmões, uma explosão de emoção que ninguém ali jamais vira o "espadachim de gelo" demonstrar.

Ele se levantou com tanta pressa que sua cadeira tombou para trás. Em poucos passos, ele atravessou o salão, ignorando o protocolo, a dignidade e a presença de seu senhor. Ele a alcançou e, antes que ela pudesse dizer uma palavra, ele a envolveu em seus braços, tirando-a do chão.

— Vlad! O que você está fazendo? — exclamou ela, a voz abafada pelo peito dele, enquanto ele a girava no ar.

— Você está aqui! Você realmente está aqui! — Vlad ria, um som raro e cristalino que chocou a todos na sala. — Como? Quando? Por que não me avisou?

— Vlad, me coloque no chão! — Zemina protestou, o rosto agora da cor de seus cabelos, enquanto desferia soquinhos inúteis nos ombros largos e atléticos dele. — Estão todos olhando! Que vergonha!

Vlad nem sequer sentiu os golpes. Ele a colocou no chão, mas não a soltou. Suas mãos grandes e calejadas pelo cabo da espada agora seguravam o rosto dela com uma delicadeza infinita. Ele roçou o rosto nos cabelos dela, aspirando o perfume que o transportava de volta para os dias em que não tinham nada, mas tinham um ao outro.

— Você está linda — sussurrou ele, os olhos azuis brilhando com uma intensidade que Alicia nunca tinha sido capaz de despertar. — Esse verde... combina com você.

— Rutiger mandou me buscar — disse ela, tentando recuperar o fôlego e a compostura, embora seus olhos vermelhos traíssem uma ternura profunda. — Ele disse que você estava se esquecendo de como ser humano. Pelo visto, ele tinha razão.

Na mesa, o silêncio era absoluto. Josef Bayezid tinha um sorriso de canto nos lábios, satisfeito por ver seu pupilo finalmente em paz. Rutiger cruzou os braços, orgulhoso de seu plano. Goethe e Potree trocavam olhares de puro espanto; nunca imaginaram que o homem que enfrentava dragões sem piscar pudesse se transformar em um rapaz tão vulnerável e devoto.

Alicia, no entanto, sentia como se o chão tivesse desaparecido sob seus pés. Ela olhava para Zemina — uma mulher de aparência simples, sem títulos, sem joias caras, vestindo um traje que, embora bonito, não carregava o brasão de nenhuma casa nobre. E, no entanto, aquela mulher tinha o que Alicia jamais conseguiria: a alma de Vlad. O modo como ele a segurava, como se ela fosse o único pilar que sustentava o universo dele, dizia tudo. A escolha de Vlad fora feita muito antes de ele se tornar um herói.

— Então essa é a famosa Zemina — comentou Jager em voz baixa para Josef. — Agora eu entendo por que nenhuma outra mulher jamais teve chance.

Vlad finalmente pareceu se lembrar de que não estavam sozinhos. Ele se virou, ainda mantendo um braço protetor ao redor da cintura de Zemina, como se temesse que ela pudesse desaparecer se ele a soltasse.

— Milorde — disse ele, olhando para Josef, mas sem qualquer sinal de arrependimento pelo comportamento impulsivo —, esta é Zemina. Ela é... ela é a razão de eu estar aqui hoje.

Zemina fez uma reverência desajeitada, mas graciosa à sua maneira.

— É uma honra conhecê-los — disse ela, sua voz firme apesar do nervosismo. — Peço desculpas pela... recepção calorosa do Vlad. Ele às vezes esquece os modos quando está cansado.

— Não peça desculpas, minha jovem — respondeu Josef com um gesto amigável. — Na verdade, acho que é a primeira vez que vejo Vlad realmente acordado desde que a guerra começou. Sente-se conosco. Rutiger, providencie um lugar para nossa convidada de honra.

Enquanto se acomodavam, Vlad não se sentou em seu lugar original. Ele puxou uma cadeira para o lado de Zemina, ignorando completamente o fato de que agora estava mais longe de Alicia e mais perto de sua "raiz". Durante todo o jantar, ele não parou de fazer perguntas: como estava a viagem? Como estavam as pessoas nos subúrbios? Ela estava se alimentando bem?

— Vlad, coma o seu próprio jantar — disse Zemina, rindo baixinho enquanto colocava uma porção de carne no prato dele. — Eu estou bem. Eu prometi que esperaria por você, não prometi?

— Eu sei — respondeu ele, a voz baixando para um tom que só ela podia ouvir. — Mas eu não quero mais que você espere de longe. Eu disse que não queria mais andar sozinho, Zemina. Eu quis dizer isso.

Zemina olhou para ele, e por um momento, toda a nobreza e os guerreiros ao redor sumiram. Ela viu o menino franzino que ela protegeu, o jovem que treinou até as mãos sangrarem e o homem que agora carregava o destino de muitos em seus ombros.

— Você nunca esteve sozinho, seu bobo — disse ela, tocando suavemente a mão dele sobre a mesa. — Eu sempre estive com você. Só que agora, o mundo inteiro sabe disso.

Vlad sorriu, um sorriso verdadeiro que iluminou seu rosto nobre. Ele não se importava com a fama, com o ouro ou com o prestígio que sua espada lhe trouxera. Naquele momento, cercado por seus aliados e com a mão de Zemina entre as suas, o mestre da espada estelar finalmente sentiu que tinha conquistado o seu maior tesouro.

Alicia observava de longe, a taça de vinho intocada. Ela viu a forma como Vlad olhava para Zemina e compreendeu, com uma pontada de tristeza, mas também de respeito, que há laços que nem o tempo, nem a distância, nem a diferença de classes podem romper. Vlad era um homem íntegro, justo e leal; e sua lealdade mais profunda sempre pertenceria àquela que o amou quando ele não era ninguém.

A noite continuou com histórias e brindes, mas para Vlad e Zemina, era apenas o começo de um novo capítulo. Um capítulo onde o herói não precisava mais carregar o peso do mundo sozinho, pois tinha encontrado seu porto seguro nos olhos vermelhos daquela que sempre fora sua casa.

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