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Gastando em dolar

Fandom: Jay park

Criado: 25/09/2026

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RomanceFatias de VidaHumorHistória DomésticaRealismo
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Cartão de Crédito e Outros Pecados Capitais

O sol de Milão filtrava-se através das janelas altas da suíte presidencial do Hotel Principe di Savoia, iluminando as pilhas de sacolas de grife que pareciam se multiplicar sozinhas sobre o tapete persa. Karen, a personificação da elegância com sua mistura genética brasileira e italiana, observava o caos luxuoso com um sorriso satisfeito. Sua pele morena, levemente dourada pelo sol da Toscana da semana anterior, contrastava perfeitamente com o vestido de seda crua que ela usava.

Ao seu lado, a mãe de Jay Park — uma mulher que Karen passara a amar como uma segunda mãe — segurava um par de escarpins de sola vermelha como se fossem um troféu sagrado.

— Minha querida, Jaebeom vai ter um ataque cardíaco quando vir a fatura — comentou a sogra, embora seus olhos brilhassem com uma diversão travessa que explicava muito sobre a personalidade do filho.

Karen riu, jogando os cabelos escuros para trás dos ombros magros.

— Deixe que ele tenha, Mama. Ele sempre reclama que eu só uso roupas de permuta, que minha imagem é "patrocinada". Hoje eu decidi que queria a sensação real. O peso do cartão de crédito, o cheiro de couro novo que eu mesma paguei... bem, que ele pagou, mas que eu escolhi sem ter que marcar ninguém no Instagram depois.

— Você tem razão — concordou a senhora Park, guardando o sapato na caixa. — Ele trabalha demais. Aquele selo, as turnês, as bebidas... Alguém precisa equilibrar a balança da economia.

O som da porta da suíte sendo aberta com uma força desnecessária interrompeu o momento de cumplicidade. Park Jaebeom, ou simplesmente Jay Park para o resto do mundo, entrou no recinto com o celular em uma mão e um semblante que oscilava entre a descrença e o puro pânico. Ele não estava usando as correntes de ouro habituais; parecia apenas um homem jovem, exausto e muito, muito confuso.

Ele parou no meio da sala, olhando para o mar de logotipos: Gucci, Prada, Versace, Bottega Veneta e uma quantidade alarmante de sacolas da Hermès.

— O que é isso? — perguntou ele, a voz falhando levemente enquanto olhava para Karen. — Karen, o meu telefone não parou de vibrar por três horas. Eu achei que tivessem clonado meu cartão na dark web. Eu estava prestes a ligar para o banco e cancelar tudo!

Karen levantou-se graciosamente, caminhando até o noivo com a leveza de quem desfila em Paris. Ela passou os braços pelo pescoço dele, ignorando a tensão nos ombros do rapper.

— Oi, meu amor. Você chegou cedo.

— Cedo? — Jay soltou uma risada seca, afastando-se o suficiente para olhar nos olhos dela. — Eu recebi notificações de compras que somam o valor de um apartamento em Seul, Karen! Em uma tarde! E por que minha mãe está segurando três bolsas diferentes?

A sogra de Karen pigarreou, tentando esconder o sorriso.

— Jaebeom, não seja rude. Karen estava apenas me ajudando a renovar o guarda-roupa para o casamento. E compramos presentes para seus primos, para suas tias e para os vizinhos da vovó.

— Para os vizinhos da vovó? — Jay passou a mão pelo cabelo, visivelmente irritado. — Karen, isso é loucura. Isso é perda de controle total. Nós viemos para Milão para descansar antes da turnê, não para abrir uma filial da Galeria Vittorio Emanuele dentro do nosso quarto!

Karen cruzou os braços, mantendo a postura impecável que a tornara uma das modelos mais requisitadas da Europa.

— Jaebeom, escute. Eu passo o ano inteiro sendo a "Karen da marca X" ou a "Karen da marca Y". Eu não queria uma bolsa de graça hoje. Eu queria entrar em uma loja, apontar para o que eu gostasse e sentir que eu, a sua noiva, estava gastando o dinheiro do meu futuro marido porque eu posso. E porque sua mãe merecia um dia de rainha.

— Existe uma diferença entre um dia de rainha e um saque saqueador ao Império Romano! — exclamou Jay, gesticulando para as sacolas. — Isso é compulsão, Karen! Você nem tem braços suficientes para carregar tudo isso. É irracional. É... é um absurdo!

— Ah, então agora você é o bastião da racionalidade? — Karen rebateu, o tom de voz subindo um oitavo, revelando o temperamento brasileiro que Jay tanto amava e temia. — Você, que comprou um carro esportivo novo no mês passado só porque a cor combinava com o seu tênis favorito? Você, que gasta milhares em correntes que pesam mais que o meu corpo?

— Isso é investimento na minha imagem! — Jay retrucou, embora o argumento soasse fraco até para ele.

— E isso aqui é investimento na minha felicidade e na da sua mãe! — Karen apontou para uma sacola específica da Chanel. — Aliás, aquele relógio de ouro que você queria? Eu comprei. É o seu presente de noivado antecipado. Com o seu próprio dinheiro, claro, para garantir que você não reclame da procedência.

Jay Park piscou, processando a informação. Ele olhou para a sacola, depois para a mãe, que apenas deu de ombros e começou a tirar um chapéu de sol elegante de uma caixa redonda.

— Você é impossível — murmurou ele, sentando-se na beira da cama e enterrando o rosto nas mãos. — Eu trabalho como um louco, Karen. Eu não me importo de gastar com você, você sabe disso. Mas isso... isso parece um episódio de um reality show sobre acumuladores de luxo.

Karen aproximou-se lentamente, sentando-se ao lado dele. Ela tocou seu rosto, forçando-o a olhar para ela. A beleza dela era quase ofensiva naquele momento — os olhos amendoados brilhando com uma mistura de triunfo e carinho.

— Amor, olhe para mim. Nós estamos em Milão. Somos jovens, somos bem-sucedidos e estamos noivos. Qual é o problema de um dia de excessos? Amanhã voltamos para a dieta, para os contratos e para a vida chata de ser perfeito. Hoje, eu só queria ser a mulher rica e fútil que gasta o dinheiro do noivo rapper. Não é esse o clichê que todos esperam de nós?

Jay olhou para ela, o canto da boca começando a ceder a um sorriso involuntário.

— Você não é fútil. Você é a mulher mais inteligente que eu conheço, o que torna esse seu "teatro de compradora compulsiva" ainda mais irritante porque eu sei que você fez isso de propósito para me provocar.

— Talvez um pouco — admitiu ela, dando um beijo rápido na ponta do nariz dele. — Mas admita, a expressão no seu rosto quando entrou aqui valeu cada euro.

— Não valeu, não! — Jay levantou-se, recuperando um pouco da sua postura de CEO. — E agora? O que vamos fazer com tudo isso? Não cabe no jato, Karen. Vamos ter que fretar um avião de carga só para os seus sapatos.

— Não seja exagerado — disse a mãe de Jay, levantando-se também. — Já organizei com o concierge. Eles vão enviar tudo diretamente para Seul e para a nossa casa em Seattle.

Jay olhou para a mãe, chocado.

— Você também, mãe? Você está incentivando isso?

— Meu filho, se você não gastar com a sua mulher e com a sua mãe, vai gastar com o quê? Com mais uma gravadora que só te dá dor de cabeça? — A senhora Park deu um tapinha no rosto do filho. — Agora, pare de reclamar e vá se trocar. Karen reservou uma mesa no Da Giacomo e, pelo que entendi, o jantar também não vai ser barato.

Jay soltou um suspiro longo, derrotado pela aliança entre as duas mulheres mais importantes de sua vida. Ele olhou para Karen, que já estava examinando um novo par de brincos de diamante diante do espelho.

— Eu vou ficar pobre — resmungou ele, embora já estivesse puxando Karen pela cintura para um abraço.

— Você nunca vai ficar pobre, Jaebeom — sussurrou ela contra o pescoço dele, o perfume de baunilha e luxo o embriagando. — Mas se ficar, eu ainda tenho todos esses diamantes que podemos penhorar. Viu? Eu pensei em tudo. É um plano de previdência.

— Você é louca — ele disse, finalmente rindo e beijando-a com vontade. — Completamente louca.

— E você me ama exatamente por isso — rebateu Karen, sorrindo contra os lábios dele.

— Amo. Mas amanhã, eu vou esconder todos os seus cartões.

— Tente a sorte, Sr. Park. Eu decorei os números de todos eles.

Jay Park balançou a cabeça, rendido. Em Milão, sob o céu italiano e cercado por pilhas de seda e couro, ele entendeu que, por mais que fosse o chefe em seus negócios, naquele relacionamento, Karen sempre teria a última palavra — e o último lançamento da temporada.

— Tudo bem, você venceu — disse ele, rendendo-se. — Mas se eu vir mais uma sacola laranja da Hermès nesta suíte, eu juro que peço asilo político na embaixada coreana.

Karen riu, o som ecoando pelo quarto luxuoso.

— Tarde demais, querido. Eu vi um conjunto de malas no corredor que combinaria perfeitamente com a nossa próxima viagem.

— Karen!

— Brincadeira! — Ela disse, embora o brilho em seus olhos sugerisse que, talvez, não fosse brincadeira nenhuma.

— Vamos logo jantar — Jay disse, empurrando-a levemente em direção ao closet. — Antes que as lojas fechem e você decida que precisa de um lustre novo para o teto do hotel.

E assim, entre risadas e uma conta bancária consideravelmente mais leve, o casal mais cobiçado do entretenimento seguiu sua noite em Milão, provando que, para Karen, a beleza não era apenas genética, era um estilo de vida que Jay Park teria o prazer — e o custo — de sustentar para sempre.

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