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Oliver x Miss bloomie

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 25/09/2026

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SombrioPsicológicoHorrorAngústiaDramaExperimentação HumanaSuspenseCenário Canônico
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Silêncio no Laboratório de Ciências

Os corredores monocromáticos da Paper School costumavam ressoar com o eco constante de passos apressados, risadas abafadas e o atrito suave de folhas de papel se chocando contra as paredes. No entanto, naquela tarde em particular, a ala reservada aos laboratórios estava envolta em uma quietude quase sepulcral.

Oliver caminhava com seu passo descontraído e arrogante de sempre, as solas de suas botas pretas estalando contra o piso quadriculado. Em uma das mãos, ele segurava um pedaço de sabonete com aroma de menta, do qual já havia arrancado uma mordida generosa, mastigando o bloco ceroso com a mesma naturalidade com que qualquer outro garoto mastigaria uma barra de chocolate açucarada. Seu longo cabelo branco, que descia até os tornozelos e balançava suavemente preso pelo laço preto, arrastava-se com elegância sutil. A mecha arrepiada no topo de sua cabeça parecia ter vida própria, balançando de um lado para o outro enquanto ele procurava uma distração.

O relógio em seu pulso direito indicava que o intervalo já havia começado há pelo menos quinze minutos. Oliver, Zip e Edward haviam combinado de pregar uma peça em alguns calouros no pátio inferior, mas o garoto dos óculos e invenções simplesmente havia evaporado. O último rumor nos corredores dizia que ele havia sido chamado para uma "conversa particular" sobre seu desempenho acadêmico.

Parando diante da imponente porta de madeira escura com uma placa de metal gravada com os dizeres Laboratório de Ciências, Oliver ergueu o punho. Seu braço esquerdo, que terminava em um lápis longo, pontiagudo e perigosamente afiado, repousou contra a lateral do corpo enquanto ele usava a mão direita para bater com força.

— Ei, Edward! — chamou Oliver, com um sorriso zombeteiro nos lábios e a voz carregada de ironia. — Abre essa droga logo! A Zip já conseguiu o balde de cola e a gente tá te esperando há um século!

Nenhuma resposta veio de dentro. Apenas o silêncio denso e pesado que parecia vazar pelas frestas da porta.

Oliver franziu a testa, a marca vermelha em formato de "A+" em sua franja destacando-se ainda mais contra o tom pálido de sua pele. Ele deu mais uma mordida no sabonete, sentindo as bolhas amargas estourarem em sua língua, e bateu três vezes com mais vigor.

— Qual é, cara! — gritou ele, encostando a testa na superfície fria da madeira. — A Miss Bloomie disse que queria falar com você, não que ia te dissecar! Se você estiver escondendo os projetos novos só pra não dividir, eu juro que vou rabiscar a sua cara enquanto você dorme!

Novamente, nada. O silêncio começou a parecer irritante, quase ofensivo para o ego de Oliver. Ninguém o deixava no vácuo daquele jeito, muito menos Edward.

Resmungando palavrões baixinhos, Oliver levou a mão à maçaneta metálica. Para sua surpresa, ela cedeu facilmente com um clique suave.

— Tô entrando, e é bom você estar vivo — murmurou ele, empurrando a porta.

Assim que cruzou o umbral, o ar condicionado do laboratório atingiu seu rosto com uma frieza cortante. O cheiro de álcool etílico, formol e poeira de giz dominava o ambiente, sufocando completamente o suave aroma de sabonete que o acompanhava. As bancadas de trabalho estavam organizadas de forma impecável, com béqueres e tubos de ensaio reluzindo sob a luz fraca das lâmpadas fluorescentes que zumbiam no teto.

Oliver deu dois passos lentos para dentro, seus olhos negros varrendo a sala.

— Edward...? — começou a chamar, mas as palavras simplesmente travaram no fundo de sua garganta.

Todo o ar zombeteiro, o sorriso sarcástico e a postura relaxada de Oliver desmoronaram no exato milésimo de segundo em que seu olhar pousou no centro da sala.

Em cima de uma das mesas de experimentação mais altas, bem iluminada pelo facho de uma lâmpada focal, Edward estava preso. Grossas cordas de náilon enrolavam-se firmemente ao redor de seu tronco, braços e pernas, prendendo-o sem piedade à estrutura pesada de metal. Mas o detalhe que fez o estômago de Oliver revirar em puro choque foi o rosto do amigo.

Uma mordaça pesada de tiras grossas de couro preto envolvia a cabeça de Edward, mantendo presa em sua boca uma grande bola de borracha amarela e brilhante. O dispositivo forçava seus maxilares a ficarem dolorosamente abertos, impedindo qualquer articulação de palavras coerentes, restando apenas um espaço mísero por onde sua respiração escapava de forma ofegante e entrecortada.

Ao notar a presença de Oliver na porta, Edward arregalou os olhos por trás das lentes dos óculos. O pavor estampado em sua expressão era absoluto. Ele começou a se sacudir desajeitadamente contra o tampo da mesa, soltando gemidos agudos e abafados que reverberavam pela sala vazia:

— Mmmff! Mmm-nnff! — gemia ele, as têmporas brilhando de suor, tentando desesperadamente alertar o amigo sobre algo.

Oliver deu um passo para trás, o queixo caído, os chifres pretos parecendo pesar o dobro sobre sua cabeça. Seu cérebro se recusava a processar a cena. O valentão temido da escola, aquele que adorava atormentar os mais fracos e destruir os trabalhos alheios, estava paralisado.

— O que... que diabos é isso...? — balbuciou Oliver, sentindo o pedaço de sabonete escorregar de seus dedos e cair no chão com um baque surdo.

Antes que ele pudesse dar outro passo em direção à saída, uma presença gélida surgiu repentinamente atrás de si. O ar às suas costas pareceu congelar.

Uma mão pálida, com dedos longos e unhas afiadas, pousou com uma lentidão calculada e pesada sobre o ombro direito de Oliver.

O garoto deu um pulo assustado, o coração disparando desgovernado contra a caixa torácica. Ele girou sobre os calcanhares de forma defensiva, erguendo o braço de lápis quase como uma adaga, com a ponta grafite voltada para frente.

— Fique longe! — exclamou ele com a voz falhando em um tom agudo que ele odiava admitir ter emitido.

Diante dele estava a professora.

Miss Bloomie estava tão impecável e aterrorizante quanto sempre. Seu cabelo preto e curto, cortado rente na altura dos ombros com a franja perfeitamente reta, emoldurava um rosto sereno, quase angelical, se não fosse pelo brilho sádico que dançava em seus olhos escuros. O chifre preto do lado esquerdo, consideravelmente maior e mais curvo do que o direito, projetava uma sombra ameaçadora sobre a parede. O laço branco prendia seu pequeno rabo de cavalo de maneira arrumada, e sua camisa preta de mangas compridas, com a gola branca e os dois botões frontais alinhados, não tinha um único vinco fora do lugar.

Ela nem sequer piscou para a ponta do lápis apontada em sua direção. Em vez disso, um sorriso fino, perverso e divertido curvou os cantos de seus lábios.

— Ora, ora... — disse Miss Bloomie, com uma voz aveludada, arrastada e cortante como vidro. — Veja só quem decidiu nos honrar com sua presença ilustre. O grande e temível Oliver.

Oliver engoliu em seco. Ele tentou manter a postura rígida, mas uma pontada de tremor percorria seus joelhos protegidos pelas meias compridas.

— O que você... o que você fez com ele?! — exigiu ele, tentando soar furioso, mas o desespero vazava por cada sílaba. — Solta o Edward agora, Miss Bloomie! Isso não faz sentido nenhum!

A professora deu um passo à frente, ignorando solenemente a ameaça da arma improvisada de Oliver. A diferença de postura e presença entre eles era tão esmagadora que Oliver se viu obrigado a recuar um passo, as costas colidindo contra o batente da porta que acabara de se fechar sozinha com um clique seco.

— Soltar? — Miss Bloomie inclinou levemente a cabeça para a esquerda, fingindo confusão. — Mas nós mal começamos a nossa aula de reforço, querido. Edward teve algumas notas deploráveis no último relatório de laboratório. E você bem sabe como eu prezo pela excelência acadêmica nesta instituição... Não sabe?

— Isso é loucura! — protestou Oliver, a respiração acelerando. Suas bochechas começaram a arder de pura frustração e impotência. — Ele não precisa dessa palhaçada! Nós estávamos no meio do intervalo!

— E você estava procurando por ele feito um cachorrinho perdido — zombou ela suavemente, dando mais um passo e reduzindo a distância entre eles a meros centímetros. — Olhe só para você, Oliver. Onde foi parar aquele sorriso debochado que você sempre exibe quando joga as coisas dos outros no lixo? Onde está toda aquela audácia?

Oliver cerrou os dentes, tremendo de raiva e de um medo visceral que ele se recusava a nomear.

— Não zomba de mim! — rosnou ele, o rosto agora profundamente avermelhado, uma mistura explosiva de ódio, humilhação e vergonha.

Miss Bloomie soltou uma risadinha baixa, um som melodioso e aterrorizante que ecoou pelo teto alto da sala. Ela estendeu a mão lentamente e, com a ponta do dedo indicador, tocou a bochecha corada do garoto, sentindo o calor emanando de sua pele envergonhada.

— Olhe como você fica adorável quando perde o controle — sussurrou ela, com a voz carregada de puro veneno maternal. — Uma criança mimada que acha que chifres pontudos e um lápis afiado a tornam dona da escola. Mas aqui dentro, no meu domínio... você não passa de um aluno medíocre precisando urgentemente de correção.

— Cala a boca! — gritou Oliver, empurrando a mão dela para longe com o antebraço direito. Seu relógio bateu contra a mesa lateral, fazendo um ruído metálico. — Cala essa boca desgraçada!

Atrás da professora, o barulho recomeçou. Edward, ao ver o amigo ser encurralado, entrou em um frenesi absoluto. O garoto debatia-se na mesa com toda a força que seus músculos conseguiam reunir. Seus sapatos batiam contra as pernas de ferro do móvel, produzindo pancadas estridentes:

Clang! Clang! Clang!

— Hmmmff! Mmm-ff-rrr! Oool-vrrr! — os sons que saíam ao redor da bola amarela eram carregados de desespero e agonia, saliva acumulando-se nas bordas da mordaça de couro enquanto seus olhos suplicavam por socorro.

Miss Bloomie nem sequer olhou para trás de imediato. Ela apenas fechou os olhos por um segundo, inclinando a cabeça como se estivesse apreciando a mais bela sinfonia clássica.

— Ouça isso, Oliver — disse ela, mantendo os olhos semicerrados e o sorriso intacto. — Ouça o esforço do seu amigo. Tão dedicado... tentando se comunicar, tentando salvar a própria pele. É quase comovente a maneira como vocês dois são tão patéticos sem a garota dos aviões de papel por perto para ajudar.

Oliver olhou além dos ombros da professora, vendo Edward lutar contra as cordas a ponto de a pele de seus pulsos começar a ficar vermelha e machucada. Uma onda de desespero sufocante tomou conta do garoto de cabelos brancos. Ele olhou para a própria mão de lápis, para a porta trancada e, finalmente, para a expressão fria e desafiadora de Miss Bloomie.

— Você não vai se safar dessa — ameaçou Oliver em um fio de voz, o peito subindo e descendo com força, lágrimas de pura raiva pinicando o canto de seus olhos, embora ele se recusasse veementemente a deixá-las cair.

— Eu já me safei, querido — respondeu Miss Bloomie, abrindo os olhos e encarando-o com uma intensidade mortal que fez a mecha arrepiada de Oliver murchar quase imperceptivelmente. — A única pergunta que resta para esta aula é: você vai se sentar ao lado dele por vontade própria... ou vou ter que ensinar a você como se aprende em silêncio?

Edward continuava a se debater contra a mesa, seus gemidos abafados preenchendo a tensão insuportável do laboratório, enquanto Miss Bloomie apenas esperava, paciente e implacável, pelo próximo movimento de sua mais nova cobaia.

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