
Oliver!!:3
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 26/09/2026
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Uma Lição Fora do Currículo
Os corredores monocromáticos da Paper School estavam estranhamente silenciosos durante aquele intervalo de aula. Para qualquer aluno comum, aquele vazio seria um sinal aterrorizante de que professoras vorazes e impiedosas como Miss Circle ou Miss Bloomie poderiam estar à espreita, com suas garras afiadas e compassos gigantes prontos para punir quem tirasse notas baixas. Mas para Oliver, aquele corredor era apenas o seu território particular, onde ele ditava as regras do caos e da diversão.
Oliver caminhava com passos despreocupados, com as mãos enfiadas nos bolsos de sua bermuda branca impecável. Seus longos cabelos brancos, que desciam como uma cascata de papel até a altura dos tornozelos, balançavam suavemente a cada movimento, presos na ponta por um laço preto perfeitamente amarrado. No topo da cabeça, a mecha rebelde e espetada apontava para o teto, balançando em sincronia com o seu andar arrogante, flanqueada por dois chifres pretos pontiagudos. A marca vermelha brilhante em formato de "A+" estampada no lado direito de sua franja parecia reluzir com orgulho vaidoso. Ele sabia que era o favorito, sabia que era intocável e, acima de tudo, adorava perturbar quem cruzasse seu caminho.
No lugar de seu antebraço esquerdo, o lápis cinzento e afiado balançava levemente, sua grafite pronta tanto para rabiscar provas alheias quanto para cutucar alunos indefesos até fazê-los chorar. Contudo, naquele momento exato, a atenção de Oliver não estava focada em pregar peças. Ele estava ocupado com seu lanche favorito.
Ele segurava com a mão direita uma barra fresca e retangular de sabonete azul translúcido, que emanava um aroma penetrante de menta e lavanda. Com um sorriso malicioso e pontiagudo nos lábios, Oliver levou a barra à boca e desferiu uma mordida firme.
O som crocante ecoou pelo corredor vazio, seguido pela textura cremosa que ele mastigava com extremo prazer, saboreando as bolhas amargas e perfumadas que estouravam em sua língua como se fosse a iguaria mais fina do mundo. Ele engoliu o pedaço, soltando um pequeno suspiro de satisfação, enquanto pequenas bolhas de espuma se formavam nos cantos de seus lábios pretos e brancos.
— Nada melhor que um sabonete de primeira qualidade para clarear as ideias — murmurou ele para si mesmo, observando os números de seu relógio de pulso. Ele ainda tinha alguns minutos antes de se encontrar com Zip e Edward para planejar a próxima pegadinha contra Claire ou Engel.
Oliver deu mais um passo e levantou o sabonete para dar outra mordida, quando de repente um chiado suave de sola de sapato arrastando no piso de ladrilho chamou sua atenção. Antes que ele pudesse virar a cabeça e usar a ponta de grafite de seu braço como defesa, uma sombra rápida surgiu por trás de um dos armários de aço.
O movimento foi calculado e cirúrgico.
Uma pontada aguda e fria perfurou a lateral direita de seu pescoço, bem abaixo da linha da mandíbula. Oliver estremeceu com o impacto repentino, arregalando os olhos em choque puro. Antes que pudesse soltar um grito ou desferir um golpe às cegas com o lápis, uma mão enluvada e firme cobriu com força a sua boca, pressionando seus lábios contra a barra de sabonete que quase caiu no chão.
— Shhh... calminha aí, amigão — sussurrou uma voz inconfundível, abafada mas transbordando de deboche logo ao pé de seu ouvido.
Era Edward.
Oliver reconheceu a risadinha sarcástica instantaneamente. A raiva ferveu em suas veias como tinta quente. Como Edward ousava tocá-lo daquele jeito? Eles eram amigos, comparsas de vandalismo e caos! Oliver tentou cravar o braço de lápis para trás, buscando perfurar as costelas do inventor, mas o líquido que havia sido injetado pela seringa já começava a se espalhar por sua corrente sanguínea a uma velocidade assustadora.
Seus músculos, antes ágeis e cheios de energia, amoleceram como papel molhado. A barra de sabonete escorregou de seus dedos dormentes, batendo no chão com um baque surdo e rolando para o lado.
— Que foi, Oliver? Não gostou da surpresa? — Edward continuou a provocar em um tom meloso e zombeteiro, inclinando a cabeça para observar a expressão enfurecida do albino se desmanchar. — Você fica muito barulhento quando está acordado, sabia? Eu precisava de um pouco de cooperação científica para o meu novo projeto.
Oliver tentou morder os dedos que tapavam sua boca, emitindo rosnados furiosos através da pele de Edward, mas sua mandíbula perdeu a força quase de imediato. A visão começou a girar em círculos concêntricos de preto e branco, distorcendo as portas dos armários e o teto do corredor. Seus chifres pareceram pesar toneladas, e suas pálpebras tornaram-se chumbo. O ódio estampado em seu rosto deu lugar a uma expressão de completa impotência quando o mundo ao seu redor simplesmente se apagou na escuridão.
Edward apenas riu baixinho enquanto o corpo esguio do líder do trio desabava completamente desfalecido em seus braços.
A consciência retornou para Oliver de maneira lenta, dolorosa e gélida.
A primeira sensação que registrou foi o toque congelante de uma superfície dura de metal contra as suas costas. O ar ao seu redor cheirava a ferro, óleo de engrenagem, poeira de giz e produtos químicos voláteis — o aroma característico da oficina subterrânea e laboratório clandestino de Edward.
Oliver piscou, tentando clarear a visão embaçada. A luz amarelada de uma lâmpada fluorescente nua oscilava logo acima de sua cabeça, zumbindo de forma irritante. Ele tentou levantar a mão direita para proteger os olhos, mas não conseguiu mover nem um centímetro.
Um pânico genuíno misturado a uma fúria incandescente começou a borbulhar em seu peito.
Oliver tentou arquear o tronco, mas cordas grossas e ásperas prendiam firmemente seu peito, cintura e pernas contra uma mesa de exame de metal inclinada. Suas meias brancas estavam esticadas e imóveis, seus braços puxados para trás e amarrados com nós firmes e precisos rente à estrutura de ferro. Até mesmo seu braço de lápis havia sido imobilizado por uma braçadeira de couro reforçada, impedindo-o de usar a ponta de grafite para rasgar qualquer amarração.
Pior do que a falta de movimento, no entanto, era a sensação sufocante em seu rosto.
Sua boca estava dolorosamente escancarada, travada por uma mordaça de bola de borracha vermelha e brilhante que pressionava sua língua para baixo. Tiras de couro preto grosso contornavam suas bochechas, passando por baixo de seus cabelos brancos e fiveladas com firmeza na parte de trás de sua cabeça, logo abaixo da base de seus chifres. O gosto da borracha sintética era amargo, totalmente o oposto do sabonete perfumado que ele estava comendo antes. Devido à posição forçada de sua mandíbula e à impossibilidade de engolir adequadamente, uma fina linha de saliva brilhante escorria pelo canto de sua boca, descendo pelo queixo e pingando na gola de sua camisa preta com listras brancas.
Ele estava pateticamente preso, indefeso e babando como um novato em apuros.
— Hm... vejo que a Bela Adormecida finalmente resolveu dar o ar da graça — ecoou uma voz familiar vinda da penumbra do laboratório.
Passos lentos e ritmados se aproximaram. Edward emergiu das sombras, vestindo seu habitual jaleco improvisado e óculos de proteção sobre a testa. Ele segurava uma prancheta em uma das mãos e uma ferramenta de metal na outra, exibindo um sorriso largo, triunfante e descaradamente zombeteiro.
Edward parou bem ao lado da mesa de metal, cruzando os braços e analisando seu trabalho com a satisfação de um artista contemplando uma obra-prima. Ele inclinou a cabeça para o lado, observando os olhos vermelhos e furiosos de Oliver arderem de ódio.
Com um gesto deliberadamente lento e petulante, Edward estendeu o indicador da mão direita e deu dois toques secos na esfera vermelha que preenchia a boca de Oliver.
Tock. Tock.
A provocação foi o estopim.
Oliver começou a se debater loucamente contra as tiras de couro e as cordas de contenção. A mesa de metal rangeu contra o chão de concreto, e seus chifres balançavam para os lados enquanto ele tentava desesperadamente se soltar. Seus olhos se arregalaram com veias saltadas pela pura raiva.
— Mmmph! Nnn-ghhh! Mmm-rrr-ff! — protestou Oliver, com os sons saindo completamente distorcidos e abafados pela bola de borracha, enquanto mais saliva escorria por seu queixo tenso. Ele encarava Edward como se quisesse desintegrá-lo com a força do pensamento.
Edward deu um passo para trás teatralmente, fingindo estar alarmado, antes de cair em uma gargalhada genuína e estridente que ecoou por todo o cômodo.
— Uau, quanta agressividade, amigão! — disse Edward, balançando a cabeça em reprovação fictícia. — É essa a gratidão que recebo por ter te resgatado daquele corredor sem graça?
Oliver rosnou alto, puxando os pulsos amarrados atrás das costas com tanta força que as cordas rangeram.
— Hrr-mmmph! Gggrr-nnn-ff! — gemeu ele, fuzilando o colega com o olhar. Seus cabelos brancos, geralmente arrumados com esmero, estavam agora espalhados pela superfície de metal, com a mecha espetada tremendo de fúria.
Edward suspirou, aproximou-se novamente e levou o dedo indicador aos próprios lábios, inclinando o corpo sobre a mesa para ficar a poucos centímetros do rosto de Oliver.
— Shhh... — murmurou Edward, com um sorriso de canto provocador. — Silêncio no laboratório, Oliver. Você sabe muito bem que ruídos excessivos atrapalham a precisão dos meus instrumentos de medição.
Oliver trincou os dentes contra a borracha da mordaça, tentando cuspir a esfera para fora, mas as tiras de couro traseiras estavam tão bem ajustadas que apenas puxavam a bola mais fundo contra sua garganta a cada tentativa.
— Hmmm-ff! — Oliver emitiu um som gutural de impaciência, levantando a cabeça o máximo que podia para tentar acertar uma cabeçada no nariz de Edward com um de seus chifres pontiagudos.
Edward, prevendo o movimento com facilidade, apenas deu um passo ágil para trás, rindo ainda mais alto da tentativa frustrada do albino.
— Opa! Cuidado com esses chifres, valentão — zombou Edward, guardando a ferramenta no bolso do jaleco e pegando um pano limpo de uma bancada próxima. — Você pode ser o terror das crianças do primeiro ano com esse seu braço de grafite pontiagudo e esse olhar de superioridade, mas aqui embaixo? Na minha oficina? Você é só um modelo anatômico muito bem comportado.
Edward estendeu a mão com o pano e, com uma delicadeza fingida e humilhante, limpou o rastro de saliva que escorria pelo queixo de Oliver.
— Olha só para você... babando desse jeito na sua camisa nova. O que a Zip diria se te visse assim, hein? O grande Oliver, o mestre das pegadinhas de Paper School, reduzido a um enfeite de bancada que nem consegue falar uma frase completa.
Oliver se contorceu, tentando desviar o rosto do toque do pano, mas a mesa inclinada limitava seus movimentos. Ele respirava com dificuldade pelo nariz, o peito subindo e descendo rapidamente sob a camisa preta apertada pelas cordas.
— Mmph-nnn-ff! Lll-mmm-ff! — tentava falar Oliver, cujas palavras podiam ser facilmente traduzidas mentalmente como: "Eu vou quebrar todos os seus dentes assim que eu sair daqui!"
— "O que foi que você disse?" — Edward perguntou, colocando a mão em concha atrás da orelha como se estivesse genuinamente se esforçando para decodificar os grunhidos. — "Edward, você é o gênio mais incrível dessa escola e eu te perdoo por ter me dopado com tranquilizante para cavalos"? Ah, muito obrigado, Oliver! Vindo de você, isso significa muito.
Oliver fechou os olhos por um segundo, tentando não explodir de raiva, antes de encará-lo novamente com um olhar que prometia morte e destruição.
— Sabe de uma coisa? — continuou Edward, caminhando ao redor da mesa com passos lentos, tamborilando os dedos no tampo de metal. — Essa bola vermelha combina surpreendentemente bem com aquela sua marquinha de 'A+' no cabelo. Cria um contraste visual bem interessante. Talvez eu devesse sugerir à Miss Circle que todos os alunos com notas altas usem uma dessas para manter o silêncio durante as aulas.
Edward parou perto do braço esquerdo de Oliver, examinando a ponta do lápis imobilizada pela braçadeira de couro. Ele puxou uma pequena lixa de unha de dentro do bolso e passou suavemente na ponta de grafite, soltando uma fina poeira escura.
— Além disso, sua ponta estava ficando meio arredondada. Considere isso uma manutenção gratuita de cortesia da casa.
Oliver puxou o braço com força renovada, mas a estrutura era rígida demais. O som de seu desespero misturado com cólera ecoava abafado pela mordaça:
— Nnngh! Mmmph-rrr-aaah!
Edward largou a lixa e deu uma leve batidinha na testa de Oliver, bem no meio dos seus chifres, rindo da fúria impotente do albino.
— Relaxe, amigão. É apenas um teste de estresse dos meus novos equipamentos de contenção. Se as cordas aguentarem um valentão hiperativo e alimentado a base de sabonete de menta como você por duas horas inteiras, eu sei que o protótipo está pronto para o mercado.
Edward virou-se para a bancada principal, puxando uma cadeira giratória e sentando-se com a prancheta no colo. Ele pegou uma caneta, clicou a ponta e começou a rabiscar anotações, sem tirar o sorriso cínico do rosto.
— Fique à vontade para continuar se debatendo — disse Edward, sem sequer olhar para trás. — Isso ajuda a registrar os limites de tensão da borracha e do couro. Mas tente não babar muito no chão, tá legal? Dá um trabalho danado para limpar depois.
Preso à mesa fria, sem conseguir articular uma única palavra coerente e completamente à mercê do próprio amigo traíra, Oliver jurou a si mesmo, em meio a grunhidos abafados e ranger de dentes, que assim que aquelas cordas se soltassem, Edward iria engolir três barras inteiras de sabonete — e sem direito a um copo d'água para ajudar a descer.
