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Abbie !!:3

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 26/09/2026

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Fios Dourados e Lágrimas no Papel

O som rítmico e estridente de metal arranhando contra o chão de ladrilhos ainda ecoava nos ouvidos de Abbie como uma sentença irrevogável de morte. Era o compasso gigante. Aquela lâmina pontiaguda, afiada e manchada de grafite que pertencia à professora mais temida da Paper School: Miss Circle.

Abbie corria como se sua própria alma estivesse sendo puxada para fora do corpo. Seus pulmões de papel pareciam queimar, expandindo-se e contraindo-se em espasmos dolorosos. O garoto tinha cabelos pretos que batiam na altura dos ombros, cuidadosamente arranjados em um pequeno coque no topo da cabeça que imitava com perfeição o caule e a folha verdejante de uma maçã — a fruta que ele tanto amava, mas que agora parecia uma lembrança distante de tempos mais calmos. Sua respiração vinha em golfadas curtas, audíveis e entrecortadas.

O teste de geometria havia sido um desastre absoluto. Uma letra vermelha e garrafal, um "F" desenhado com a precisão cruel de um carrasco, brilhava em sua mente. Ele sabia exatamente o que acontecia com quem tirava notas baixas naquela escola. Ele vira os restos. Ouvira os gritos abafados nos corredores escuros. Não havia segunda chamada na matéria de Miss Circle. Havia apenas punição corporal em seu nível mais sangrento e definitivo.

Ele vestia sua habitual camisa branca de mangas curtas com colarinho engomado, sobreposta por um colete preto sem costuras que lembrava um smoking infantil, e a gravata preta permanecia enfiada ordenadamente por dentro do cós de sua bermuda branca. Suas meias brancas estavam manchadas pela poeira do chão onde quase escorregara várias vezes durante a fuga, e os sapatos pretos batiam contra o piso com estalos frenéticos. Gotas espessas de suor frio escorriam por suas têmporas, misturando-se às lágrimas abundantes que já brotavam em seus olhos, transformando suas pequenas pupilas pretas em fendas ainda mais estreitas, trêmulas pelo puro pânico.

— Por favor... por favor, não... — sussurrou ele para si mesmo, tropeçando nos próprios pés antes de recuperar o equilíbrio num tranco desajeitado. — Eu só queria ir para casa... eu só queria comer uma maçã e esquecer isso...

Ele virou à esquerda em um corredor aparentemente deserto, onde os armários de papelão pareciam se curvar sob uma penumbra opressiva. O silêncio que se seguiu foi quase ensurdecedor. Não havia o arranhar da lâmina. Não havia a risada sádica da professora. Será que ele havia conseguido despistá-la? Será que as pernas longas e monstruosas de Miss Circle haviam seguido pela direção da biblioteca?

Abbie encostou as costas em uma fileira de armários, apoiando as mãos nos joelhos e arquejando. Ele olhou para os dois lados, o coração batendo com tanta força contra as costelas que ele temia que o som entregasse sua posição. Cada músculo do seu corpo franzino tremia. A sensação de alívio durou apenas meio segundo, evaporando antes mesmo que ele pudesse recuperar o fôlego por completo.

Um brilho anômalo, quente e estranho surgiu do nada. Naquela escola bidimensional, monocromática e regida por tons frios e pretos, a luz era de um dourado reluzente, quase líquido.

Abbie piscou, as lágrimas distorcendo a visão.

Antes que ele pudesse raciocinar ou dar um único passo para trás, fios grossos e reluzentes brotaram do chão e do ar, movendo-se com a velocidade de serpentes famintas. Uma corda dourada e brilhante chicoteou no ar com um zumbido sibilante, envolvendo seus pulsos juntos com uma precisão cirúrgica. Em uma fração de segundo, a corda se esticou em direção ao teto, puxando os braços de Abbie para cima em um puxão súbito e violento.

— Ah! — gritou ele, pego totalmente desprevenido.

Seus ombros estalaram quando seus pulsos foram tracionados acima da cabeça. Quase simultaneamente, outras cordas douradas surgiram da base dos armários, deslizando pelo chão como raízes metálicas vivas. Elas deram voltas apertadas ao redor de seus tornozelos, colando seus pés um ao outro e travando suas pernas em uma rigidez inescapável.

Abbie perdeu o ponto de apoio e se viu suspenso pelas cordas douradas, esticado entre o teto e o chão, imobilizado rente aos armários metálicos.

— O que é isso?! — Ele começou a se debater loucamente, os sapatos batendo no metal oco. — Miss Circle?! É você?! Me solta! Por favor, eu prometo que estudo! Eu faço a prova de novo!

O terror dele se multiplicou por dez. Na mente ingênua e aterrorizada do garoto, aquilo só podia ser mais um truque sádico da professora gigante de matemática. Talvez ela estivesse usando algum compasso mágico ou uma nova forma de tortura antes de desferir o golpe fatal. Ele imaginava a silhueta colossal de Miss Circle surgindo na esquina a qualquer segundo, pronta para perfurá-lo de cima a baixo.

Mas a punição que se seguiu não veio na forma de ferro afiado.

O ar diante de seu rosto distorceu-se novamente com faíscas douradas. De um pequeno vórtice luminoso, materializou-se um objeto que fez o sangue de Abbie gelar de um jeito totalmente diferente. Não era uma faca, nem uma régua afiada.

Era uma mordaça. Grossas tiras de couro preto e fivelas prateadas sustentavam uma bola vermelha de borracha sólida e brilhante, do tamanho exato de uma maçã pequena.

— Não! Sai! — berrou Abbie, sacudindo a cabeça de um lado para o outro em desespero total. — Não coloca isso em mim! Socor—

O couro e a borracha avançaram contra ele como se fossem guiados por mãos invisíveis. Com uma força implacável, a bola vermelha foi pressionada contra seus lábios. Abbie tentou trancar os dentes, resistindo com toda a força que tinha no maxilar, mas a esfera dura forçou passagem, empurrando sua língua para o fundo e preenchendo completamente o interior de sua boca.

As tiras de couro deslizaram ao redor de sua cabeça, enroscando-se em seus cabelos pretos na altura dos ombros e contornando a base de seu coque temático de maçã. As fivelas se fecharam com cliques secos e definitivos na parte de trás de sua nuca, ajustando-se com aperto extremo. A tira superior, passando logo acima das orelhas, mantinha o aparato firmemente ancorado, enquanto uma correia cruzava sua têmpora, impedindo qualquer movimento mandibular que pudesse afrouxar o aperto.

O choque foi imediato. A boca de Abbie foi mantida escancarada ao redor da esfera vermelha, esticando as comissuras de seus lábios além do ponto de conforto.

— Mmmph! Hnnngh! — Os sons que saíram de sua garganta eram abafados, irreconhecíveis e infantis.

O pânico cego assumiu o controle. Ele não conseguia fechar a boca. Seus dentes da frente estavam cravados firmemente na superfície lisa e resistente da borracha vermelha, sem conseguir furá-la. A língua, imobilizada para baixo, não conseguia formar uma única sílaba inteligível. Instantaneamente, seu reflexo biológico começou a produzir saliva em excesso devido ao corpo estranho invadindo sua cavidade oral.

Sem conseguir engolir direito e com o rosto inclinado levemente pelo puxão das cordas nos pulsos, a saliva começou a escorrer. Fios grossos e límpidos de saliva quente escapavam pelos cantos esticados de sua boca, deslizando pelo queixo trêmulo, pingando na gola de sua camisa branca e manchando o tecido impecável com marcas úmidas e vergonhosas.

— Mmm-phhh! Hmph! — Ele tentou puxar os braços, mas os nós dourados eram implacáveis. Quanto mais ele puxava, mais as cordas pareciam queimar sua pele de papel, emitindo um brilho fosforescente que zombava de sua fraqueza.

Ele começou a se debater com todas as forças que lhe restavam. Suas pernas, amarradas juntas pelos tornozelos, chutavam o ar e batiam contra os armários, criando um estrondo metálico que ecoava pelo corredor silencioso. Seu torso se contorcia, o colete sem costura esticando sob a tensão de seus músculos enrijecidos.

Abbie olhava para os lados com as pupilas em fenda completamente dilatadas pelo medo. Ele queria gritar socorro. Precisava que alguém o ouvisse. Lana? Engel? Claire? Qualquer um! Qualquer aluno que não estivesse tentando assassiná-lo serviria. Se alguém passasse ali e o desamarrasse, ele ainda teria uma chance de fugir da escola antes que o sinal tocasse e as portas fossem trancadas para sempre.

Ele reuniu todo o ar que seus pulmões podiam segurar e forçou a garganta:

— HHHO-CO-HHO! — O som saiu apenas como um rugido sufocado e gorgolejante. — MMMPH! AYU-HHH!

Ninguém respondeu. Suas tentativas de pedir socorro e ajuda eram completamente inúteis. A bola de mordaça abafava noventa por cento de sua voz, transformando o que deveria ser um pedido desesperado em gemidos patéticos e úmidos que mal viajavam alguns metros pelo ar frio da Paper School.

As lágrimas finalmente transbordaram de vez, lavando o rosto suado do garoto. Ele chorava de desespero genuíno. A humilhação de estar preso como um animal, babando incontrolavelmente sobre a própria roupa enquanto uma bola vermelha forçava seu maxilar a ponto de causar cãibras nos músculos da mandíbula, misturava-se a uma raiva impotente. Ele estava com raiva de si mesmo por ter errado aquelas malditas questões de matemática. Estava com raiva de Miss Circle por persegui-lo. E estava furioso com aquela força bizarra e inexplicável que conjurara cordas douradas e couro para deixá-lo indefeso em uma bandeja de prata.

— Nnngh! Mmmph-aah! — Ele rosnou contra a mordaça, cerrando ainda mais os dentes contra a borracha até que suas gengivas doessem.

Ele sacudiu a cabeça freneticamente, tentando esfregar a nuca contra os armários de metal para desatar as fivelas de couro. O único resultado foi arranhar sua própria pele e bagunçar a folha verde de papel presa ao seu coque. A correia não cedeu nem um único milímetro. A fivela parecia travada magicamente, sólida como rocha.

E então, o pior aconteceu.

Ao longe, no final do longo corredor escuro, um som reverberou.

Clack.

Scriiiiitch.

O barulho pesado e metálico de uma ponta de compasso raspando o linóleo. Passos lentos, agigantados e calmos.

Abbie paralisou instantaneamente. Todo o sangue do seu rosto sumiu. Seus olhos se arregalaram a um ponto quase desumano, as pequenas fendas pretas vibrando com terror absoluto.

Miss Circle não havia ido para a biblioteca. Ela estava ali. Estava farejando o corredor. E o pior: o barulho que ele fizera ao se debater e chutar os armários provavelmente a atraíra diretamente para a sua posição.

— Onde você se escondeu, minha maçãzinha? — A voz da professora ressoou pelo corredor, gutural, distorcida e carregada de uma doçura predatória que fez os pelos da nuca de Abbie se arrepiarem. — Você não pode fugir da geometria para sempre... nós ainda precisamos corrigir a sua prova...

Abbie entrou em uma convulsão de pânico silencioso. Ele parou de chutar imediatamente, com medo do som denunciar sua localização exata, mas seu corpo não conseguia parar de tremer. Preso daquela forma, ele era um alvo perfeito. Não havia como esquivar, não havia como correr, não havia como rastejar para baixo de uma mesa. Ele estava empalado no ar pelas cordas douradas, com os braços esticados para cima como uma oferenda sacrifical, e sua boca amordaçada garantia que ele sequer pudesse implorar por misericórdia.

— Mmm... mmm! — Ele ganiu muito baixo, lágrimas quentes escorrendo sem parar pelas bochechas pálidas, caindo sobre as tiras pretas de couro que brilhavam com o excesso de saliva.

Ele puxou as cordas douradas com um último resquício de adrenalina pura, usando todo o peso de seu pequeno corpo para tentar arrebentar os fios reluzentes. As fibras de ouro nem sequer se curvaram. Apenas afundaram mais fundo em seus pulsos de papel, marcando-os com linhas avermelhadas de pressão.

A sombra gigantesca e pontiaguda de Miss Circle começou a se projetar na parede oposta da esquina do corredor. O desenho de seus chifres escuros, seus cabelos pontudos e a silhueta monstruosa de sua arma cresciam a cada passo que a professora dava em direção a ele.

Abbie fechou os olhos com força, mordendo a bola vermelha até o limite suportável da mandíbula, o peito arfando enquanto a saliva quente ensopava a gola de seu colete. Totalmente imobilizado, amordaçado e entregue à própria sorte, o garoto de cabelos pretos só conseguia chorar em um silêncio sufocado, esperando pelo momento em que a lâmina viraria a esquina e encontraria seu prêmio indefeso.

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