
Jealous
Fandom: Bad Omens
Criado: 26/09/2026
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O Efeito Dominó de um Dragão e uma Serpente
Os bastidores de um festival de metal são, geralmente, uma mistura caótica de cheiro de cerveja barata, fumaça de cigarro e a eletricidade nervosa que antecede o show. Para Nina Silva, no entanto, aquele ambiente era apenas o escritório barulhento de seu namorado. Ela caminhava pelos corredores estreitos com a confiança de quem sabia exatamente o poder que exercia, cada passo dado em seus saltos plataforma ecoando contra o piso de concreto.
Ela não via Noah Sebastian há três semanas. Três semanas de turnê, fusos horários trocados e saudades acumuladas. Ela queria fazer uma surpresa, mas a cena que encontrou ao abrir a porta do camarim improvisado fez seu sangue ferver mais rápido do que o solo de uma guitarra.
O espaço era apertado. Em um sofá de couro sintético desgastado, Noah estava sentado, parecendo um gigante gentil e levemente desconfortável. Ele vestia uma bermuda preta larga, um moletom da própria banda e a combinação infame de meias brancas com chinelos slider. Seus cabelos castanhos, no estilo curtain bangs, emolduravam o rosto de traços nipo-americanos que Nina tanto amava, mas no momento, ele estava cercado.
Um grupo de garotas estava ali, mas uma loira de pele excessivamente bronzeada, usando um vestido lilás curto e saltos agulha, chamava a atenção. Ela estava com o celular a centímetros do rosto de Noah, gravando tudo.
— Ai, meu Deus, Noah! Mostra de novo? — a garota pediu com uma voz melosa. — Eu sou obcecada pelo Itachi! Por favor, mostra a tatuagem da coxa para a câmera!
Nina parou na porta, invisível por um momento. Ela viu Noah soltar um suspiro tímido, mas, sendo o homem educado e reservado que era, ele cedeu. Ele puxou a barra da bermuda preta para cima, revelando a musculatura da coxa definida pelo jiu-jitsu e o rosto do personagem de Naruto tatuado ali.
— É essa aqui — disse Noah, a voz baixa e rouca, cobrindo o rosto com a mão logo em seguida quando a garota apontou a câmera para seus olhos. Ele odiava ser o centro das atenções daquela forma, especialmente quando parecia um espetáculo de zoológico.
Nina sentiu uma pontada de possessividade. Ela não era de fazer cenas, mas depois da última conversa sobre autonomia e respeito, ela decidiu que a melhor defesa era um ataque sensorial.
Ela entrou no recinto. O vestido preto de Nina era uma arma de destruição em massa: curto o suficiente para exibir as coxas grossas e decoradas com tatuagens, com um decote frontal que desafiava a gravidade e tiras finas que formavam um "X" nas suas costas totalmente nuas, onde um dragão japonês serpenteava de forma imponente.
Ignorando a garota loira, Nina caminhou até o sofá. Em vez de ir direto para Noah, ela se inclinou sobre a lateral do sofá para cumprimentar Jolly e Nick, que estavam sentados ao lado dele. Ao fazer isso, ela posicionou estrategicamente seu quadril e sua cintura fina a poucos centímetros do rosto de Noah. O perfume dela — uma mistura de baunilha e algo amadeirado — invadiu o espaço pessoal dele instantaneamente.
Noah travou. Ele reconheceria aquele cheiro em qualquer lugar do mundo. Seus olhos castanhos se arregalaram e ele esqueceu completamente a câmera da garota loira.
— Oi, meninos — Nina disse com um sorriso doce, a voz carregada de segundas intenções. — Sentiram minha falta?
— Nina? — Noah murmurou, a voz falhando levemente.
Ela se virou para ele, fingindo notar a falta de espaço no sofá. Sem pedir licença e com um sorriso angelical, ela simplesmente se sentou na coxa de Noah — exatamente em cima da tatuagem do Itachi que a outra garota estava filmando.
— Ei! — a loira exclamou, indignada, abaixando o celular. — Ele estava me mostrando a tatuagem!
Nina olhou para ela por cima do ombro, arqueando uma sobrancelha ruiva com um desdém elegante.
— Não, ele não estava — Nina respondeu educadamente, embora seus olhos brilhassem com desafio. — Ele estava sendo educado demais para dizer que está ocupado. Mas se você quer tanto ver tatuagens... — Nina cruzou as pernas, deixando o vestido subir um pouco mais, revelando a serpente e o floral que adornavam sua coxa. — Você quer ver a minha? Ela já está toda à mostra mesmo.
A garota loira ficou vermelha, balbuciou algo sobre "grosseria" e se afastou com as amigas.
Noah, por outro lado, parecia ter esquecido como se respira. Ele sentia o peso de Nina em sua perna, a pele quente das costas dela roçando em seu braço e o decote generoso bem diante de seus olhos. Ele tentou puxar o moletom para baixo, cobrindo o colo de forma desajeitada.
— Você... você está aqui — Noah gaguejou, a timidez lutando contra o desejo óbvio.
— Surpresa, amor — Nina sussurrou, aproximando o rosto do dele. — Gostou da recepção?
— Eu... eu preciso de quinze minutos para me arrumar — Noah disse, a voz subindo uma oitava. Ele estava visivelmente "animado" por debaixo da bermuda larga e tentava desesperadamente esconder o fato enquanto os outros membros da banda riam ao fundo.
— O Noah está precisando de um banho gelado antes do show! — Jolly gritou, arrancando gargalhadas da equipe técnica.
Mais tarde, na área VIP do festival, Nina estava encostada na grade. O Bad Omens estava no palco e a energia era surreal. Noah, agora transformado no frontman dominante que movia multidões, estava de regata preta, os braços tatuados brilhando de suor sob as luzes estroboscópicas.
Durante a performance de Deathrone, Noah caiu de joelhos no centro do palco, gritando o refrão com uma ferocidade que fazia o chão tremer. Nina, hipnotizada, levou a mão aos lábios, molhando-os com a língua de forma lenta, exatamente como Sabrina Carpenter fizera em um momento viral.
O que ela não percebeu foi que um fotógrafo do festival e vários fãs capturaram o momento exato.
No dia seguinte, a internet quebrou.
A foto de Nina Silva olhando para Noah no palco estava em todos os lugares. Os comentários no Twitter e no Instagram eram uma atração à parte:
"Ela está pensando nas atrocidades que vai fazer com ele no hotel, certeza."
"Gente, o Noah não vai andar por uma semana depois desse olhar da Nina."
"A leoa olhando a caça. Alguém chame os bombeiros!"
No ônibus da turnê, Folio lia os comentários em voz alta, rindo até perder o fôlego.
— Olha esse aqui, Noah: "Queria ser o Noah Sebastian só por cinco minutos para receber esse olhar" — Folio comentou, limpando uma lágrima de riso. — Cara, até eu queria estar no seu lugar agora.
Noah, que estava tomando um suco verde e tentando manter sua rotina saudável, ficou instantaneamente tenso, lançando um olhar de ciúmes para o baterista.
— Cuidado com o que deseja, Folio — Noah resmungou, embora um sorriso de canto de boca o traísse.
A noite no hotel, longe das câmeras e dos fãs, foi um contraste de intensidade e doçura. Noah, que no palco era um deus do metal, no quarto era apenas o homem de Nina.
Ele a tinha contra a porta assim que entraram, mas sua timidez inerente ainda aparecia nos momentos de maior afeto. Enquanto Nina o provocava, desfazendo os nós de seu vestido, Noah escondia o rosto no decote dela, aspirando seu perfume como se fosse oxigênio.
— Você me deixou louco naquele camarim — ele murmurou contra a pele dela, as mãos grandes e calejadas segurando a cintura fina de Nina com firmeza.
— Essa era a intenção — ela riu, puxando o cabelo curto dele para que ele a olhasse. — Você é meu, Sebastian. Não se esqueça disso.
— Nunca — ele respondeu, os olhos castanhos brilhando de devoção.
Mais tarde, ele ficou "babando" literalmente enquanto a observava tirar a maquiagem no espelho, o dragão nas costas dela parecendo ganhar vida sob a luz suave do abajur. Noah se aproximou por trás, enterrando o rosto em seu pescoço, agindo de forma quase manhosa, o que sempre fazia Nina derreter.
Algumas semanas depois, a banda lançou um novo vídeo no YouTube, um "Behind The Scenes" da turnê. O vídeo estava repleto de momentos fofos: Nina sentada no colo de Noah enquanto ele aquecia a voz, Noah dando beijos rápidos no topo da cabeça ruiva dela entre uma entrevista e outra, e até o momento em que ela o "marcou" no sofá do camarim.
Os fãs foram à loucura.
Mas o ápice foi uma entrevista recente para uma revista de cultura geek. O entrevistador, um homem jovem e charmoso, parecia ignorar metade das perguntas sobre o novo álbum para focar em como Nina era "uma presença magnética nos bastidores".
— Noah, todos vimos as fotos do festival. Sua namorada, Nina, tem um estilo incrível. O dragão nas costas dela é uma referência a Yakuza ou algo mais clássico? — o entrevistador perguntou, com um brilho nos olhos que Noah não gostou nem um pouco.
Noah ajeitou a postura, os ombros largos ocupando mais espaço na cadeira. Ele deu um sorriso forçado, mas seus olhos estavam sérios.
— É uma peça personalizada, inspirada em arte tradicional japonesa — Noah respondeu, a voz ficando um tom mais grave. — E sim, ela é incrível. Mas o foco aqui é a música, certo?
Jolly deu uma cotovelada em Nick, sussurrando:
— O dragão acordou. Noah está a um passo de morder esse cara.
O clima era leve e bem-humorado para quem via de fora, mas para Noah, Nina era seu santuário. E enquanto o mundo assistia, comentava e criava memes sobre o casal mais quente do metal atual, ele só conseguia pensar em quando seria o próximo show, apenas para poder vê-la na lateral do palco, molhando os lábios e lembrando-o de que, não importa quantos milhares de pessoas gritassem seu nome, ele sempre voltaria para casa para ela.
