
Pregnant?
Fandom: Bad Omens
Criado: 26/09/2026
Tags
Ecos de Silêncio e Batimentos Cardíacos
O zumbido residual dos amplificadores ainda vibrava nos ossos de Nina Moretti enquanto ela descia as escadas do palco secundário do festival. O sol de fim de tarde de Ohio era implacável, uma massa de calor úmido que parecia sugar o oxigênio de seus pulmões. Ela tinha acabado de entregar um set visceral com a Viper’s Tongue, mas, no momento em que seus pés tocaram o chão de asfalto dos bastidores, o mundo inclinou-se.
As vozes da sua equipe tornaram-se abafadas, como se estivessem sob a água. O rosto de Noah, estampado em um telão distante onde o Bad Omens iniciava sua passagem de som, foi a última coisa que ela viu antes de a escuridão subir pelos seus pés. O impacto do corpo pequeno de 1,55m contra o chão foi seco, e o grito de seu empresário foi a última nota daquela sinfonia.
Duas horas depois, o cheiro de antisséptico substituía o de suor e cerveja. Nina abriu os olhos na claridade estéril de um quarto de hospital. A dor latejante na nuca, onde o galo se formava, era secundária ao vazio que sentia no estômago.
— Você nos deu um susto, Moretti. — O médico, um homem de meia-idade com olheiras profundas, entrou no quarto segurando um prontuário. — A queda foi feia, mas a tomografia não mostrou nada grave na cabeça.
— Foi só o calor — murmurou Nina, a voz rouca. — Eu não bebi água o suficiente.
— Bem, o calor ajudou — o médico ajustou os óculos —, mas a causa da sua queda de pressão é um pouco mais... biológica. Fizemos um exame de sangue de rotina antes de qualquer medicação pesada. Parabéns, Nina. Você está com cerca de oito semanas de gestação.
O silêncio que se seguiu foi absoluto. Nina, a mulher que dominava palcos e silenciava fãs invasivas com um olhar, sentiu-se subitamente minúscula. Grávida. De Noah. Do homem que era a definição de intensidade e que, por trás da fachada de rockstar de 1,92m, carregava traumas que ele raramente nomeava.
A porta do quarto foi escancarada. Noah Sebastian entrou como um furacão, ainda vestindo as roupas pretas do show, o cabelo castanho bagunçado e o rosto pálido de terror puro. Ele ignorou o médico, ajoelhando-se ao lado da cama e envolvendo a mão de Nina entre as suas, que estavam frias e trêmulas.
— Nina... meu Deus, Nina. Me disseram que você desmaiou, que bateu a cabeça. Eu ia parar o show, eu juro por tudo que... — Ele parou, os olhos castanhos de traços asiáticos percorrendo cada centímetro do rosto dela. — Você está bem?
Nina olhou para o médico, que assentiu silenciosamente e saiu do quarto, fechando a porta. Ela voltou o olhar para Noah. Ele parecia tão vulnerável ali, o gigante que movia multidões reduzido a um homem desesperado por sua segurança.
— Noah, eu estou bem. O galo vai passar. — Ela hesitou, puxando a mão dele para que ele se sentasse na beirada da cama. — Mas aconteceu uma coisa.
— O quê? Eles acharam algo errado? — A voz dele subiu uma oitava, o pânico voltando.
— Não errado. Só... inesperado. — Ela respirou fundo, guiando a mão tatuada dele até o seu ventre ainda plano. — Eu não caí só por causa do calor. Eu caí porque tem uma terceira pessoa aqui com a gente agora.
Noah ficou imóvel. O tempo pareceu congelar. Ele olhou para a própria mão sobre a barriga dela, depois para os olhos verdes de Nina.
— Você está dizendo que... — Ele engoliu em seco, a maçã de adão se movendo bruscamente. — Um bebê?
— Um bebê, Noah.
Ele não sorriu de imediato. Em vez disso, Noah escondeu o rosto na curva do pescoço de Nina e soltou um suspiro longo, que tremeu no final. Nina sentiu a umidade nas suas clavículas. Ele estava chorando.
— Eu estou apavorado — confessou ele contra a pele dela. — Mas eu nunca quis tanto uma coisa na minha vida.
Os meses que se seguiram foram um exercício de equilíbrio entre o caos público e o segredo sagrado. O lançamento de "Impose", o feat que uniu as vozes de Noah e Nina, explodiu nas paradas, alimentando ainda mais a obsessão da mídia pelo casal. Mas, longe das câmeras, a vida girava em torno de vitaminas pré-natais, ultrassons e a escolha de nomes.
Eles decidiram por Amelia. Um nome que soava suave, um contraste com a distorção das guitarras que ambos amavam.
A revelação para a "família" da estrada foi cinematográfica. Noah alugou uma sala de cinema em Los Angeles para a equipe do Bad Omens e da Viper’s Tongue, sob o pretexto de assistirem ao final de uma série geek que todos acompanhavam. Quando as luzes se apagaram, não foi o logo da produtora que apareceu, mas sim o vídeo do ultrassom de 20 semanas, com o som rítmico e galopante do coração de Amelia.
Jolly e Nick gritaram tanto que quase foram expulsos pelo gerente do cinema. Os pais de Nina choraram. A única nota dissonante foi a ligação para a mãe de Noah. O relacionamento era distante, marcado por ausências e feridas antigas. A conversa foi curta, formal, deixando Noah com um olhar distante por horas, perdido em pensamentos sobre o que significa ser um pai quando você não teve um exemplo para seguir.
Essa insegurança explodiu em uma madrugada chuvosa, três meses antes do nascimento. Nina acordou com o lado da cama vazio. Ela encontrou Noah na cozinha, sentado no chão, com a cabeça entre os joelhos. Ele estava tendo uma crise de ansiedade, a respiração curta e errática.
— Noah! — Ela se sentou ao lado dele, ou pelo menos tentou, com a barriga de seis meses dificultando os movimentos. — Respira comigo. O que foi?
— Eu não vou saber fazer isso, Nina — ele disse, a voz quebrada, os olhos vermelhos. — Meu pai foi embora antes mesmo de eu aprender a falar o nome dele. Como eu vou ensinar ela a ser uma pessoa boa? Como eu vou saber ficar, se eu só conheço o abandono?
Nina pegou a mão dele e a colocou sobre a lateral de sua barriga. Como se sentisse a angústia do pai, Amelia deu um chute forte, bem contra a palma de Noah.
— Você não é ele, Noah. — O tom de Nina era firme, o mesmo tom que ela usava para dominar multidões. — Você é o homem que cuida da sua banda há dez anos. O homem que não dorme se um de seus amigos estiver mal. Você já é um pai para essa música e para esses caras. Para ela... você vai ser o mundo inteiro. E eu não vou a lugar nenhum para deixar você fugir.
Noah olhou para a barriga dela, o chute se repetindo. Um pequeno sorriso, triste mas esperançoso, surgiu em seus lábios.
— Ela é forte como você — murmurou ele, beijando o topo da cabeça de Nina.
O último show da turnê do Bad Omens antes do hiato foi em um estádio lotado. A tensão no ar era elétrica. Os fãs sabiam que algo estava diferente; Nina não tinha sido vista em público há semanas, e Noah parecia radiante e protetor no palco.
No meio do set, as luzes se apagaram, deixando apenas um spot central.
— Esta noite é especial por muitos motivos — disse Noah ao microfone, sua voz ecoando para 50 mil pessoas. — Mas, principalmente, porque eu quero chamar ao palco as duas pessoas mais importantes da minha vida.
Nina entrou lateralmente. Ela usava um vestido de malha preta justo, que não deixava dúvidas: a barriga de seis meses estava ali, redonda e proeminente. O estádio explodiu em um som que não era apenas um grito, era um rugido de surpresa e alegria.
Noah caminhou até ela, o rosto iluminado por um orgulho que nenhuma premiação jamais lhe dera. Ele cantou "Impose" olhando nos olhos dela, e, no refrão final, ele se ajoelhou, encostando a testa na barriga de Nina enquanto terminava a nota alta. A foto daquele momento — o vocalista mais cobiçado do metal, rendido diante da vida que sua mulher carregava — quebrou a internet em minutos.
Oito meses depois.
A conferência de imprensa era transmitida ao vivo via Twitch e YouTube. Noah e os membros da banda estavam sentados em um sofá longo, respondendo perguntas sobre o novo álbum que estavam compondo durante o hiato.
— Noah, como tem sido a transição para a paternidade? — perguntou um jornalista via chat. — Isso mudou a forma como você escreve?
— Completamente — respondeu Noah, agora com o cabelo um pouco mais comprido, parecendo mais relaxado do que nunca. — Amelia trouxe uma cor para a música que eu não sabia que existia. Ela é...
Um barulho de batidas rápidas no piso de madeira interrompeu a fala. Nina apareceu no fundo do enquadramento, tentando capturar um pequeno borrão de energia. Amelia, agora com quase um ano, escapara do cercadinho. Ela tinha os cabelos ruivos da mãe e os olhos expressivos do pai.
— Papá! — gritou a menina, correndo em direção às pernas de Noah.
Nina parou, ofegante, rindo para a câmera.
— Desculpem, pessoal. Ela é uma artista da fuga.
Noah não hesitou. Ele inclinou-se e pegou a filha no colo, sentando-a em sua coxa larga. Amelia imediatamente agarrou o microfone do pai, tentando mordê-lo.
— Acho que temos uma nova vocalista — brincou Jolly, enquanto os fãs no chat surtavam com a cena doméstica.
Noah olhou para Nina, que estava encostada no batente da porta, observando-os com aquele olhar de "leoa" que ele tanto amava. Ele estendeu a mão para ela, puxando-a para perto.
— Sabe — disse Noah, voltando-se para a câmera, mas olhando para Nina —, eu passei muito tempo da minha vida tentando construir algo que durasse. Bandas, discos, turnês. Mas só quando eu vi a Nina segurando a Amelia pela primeira vez é que eu entendi o que é um legado de verdade.
Nina sorriu, inclinando-se para beijar a têmpora dele.
— E é por isso que vamos oficializar as coisas — continuou Noah, surpreendendo até os companheiros de banda. — O hiato vai durar um pouco mais. Temos um casamento para planejar e uma pequena rebelde para criar.
Naquela noite, após as câmeras serem desligadas e Amelia finalmente dormir, Noah e Nina ficaram na varanda da casa nova. Ele a abraçou por trás, os 1,92m de altura envolvendo-a completamente, os braços tatuados fechando-se ao redor da cintura dela.
— Você está feliz? — perguntou ele, a voz baixa, vibrando contra as costas dela.
Nina virou-se no abraço, passando os braços pelo pescoço dele, sentindo a força dos ombros largos de Noah.
— Eu sou a mulher do vocalista mais gato do mundo, tenho uma filha incrível e acabei de anunciar que vou casar com o meu melhor amigo. — Ela sorriu, puxando-o para um beijo que ainda tinha a mesma voltagem daquela primeira noite no hotel. — Eu diria que estamos indo muito bem, Sebastian.
Noah sorriu entre o beijo, o homem reservado e tímido agora transformado pelo amor e pela família, mas ainda com aquele fogo predatório nos olhos que só Nina conseguia despertar. O mundo lá fora podia continuar gritando, mas ali, naquele abraço, o silêncio era perfeito.
