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Fandom: Kardashian/jenner

Criado: 26/09/2026

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Passarela de Vidro e Corações de Gelo

O camarim do Victoria's Secret Fashion Show era um caos organizado de glitter, laquê e o cheiro inconfundível de perfumes caros misturados com ansiedade. Modelos de todos os cantos do mundo circulavam em seus icônicos roupões de seda rosa, mas, em um canto estratégico, a tensão era palpável o suficiente para cortar com uma tesoura de costura.

Karen ajustou o roupão sobre os ombros, evitando olhar para o espelho à sua frente. Sua pele negra clara brilhava sob as luzes fortes, e o novo tom de seu cabelo — um marsala profundo e intenso que ela adotara para a nova campanha da Valentino — caía em ondas perfeitas pelas suas costas. Ela era o momento. A "It Girl" ítalo-brasileira que todos queriam, a mulher que trazia o fogo do Brasil e a elegância de Milão em cada passo. Mas, naquele momento, ela só queria gritar.

Do outro lado da sala, Kendall Jenner ria de algo que Gigi Hadid dizia. Kendall estava impecável, como sempre, com sua beleza clássica e o olhar felino que a tornara uma das modelos mais bem pagas do mundo. Para o público, elas eram as "K-Squared", a dupla dinâmica, melhores amigas inseparáveis que dominavam as passarelas de Paris a Nova York. Para Karen, no entanto, Kendall era a mulher que, há três noites, não atendia suas chamadas de vídeo com a mesma frequência de antes.

O motivo? As fotos granuladas que inundaram o TMZ e o Daily Mail naquela manhã: Kendall saindo de um restaurante em Londres, escondida sob um boné, mas claramente acompanhada por Harry Styles.

Karen sentiu o sangue ferver. Não era apenas o ciúme; era o desrespeito. Elas tinham um acordo. O segredo era para proteção mútua, mas a lealdade deveria ser absoluta.

— Karen, querida, precisamos retocar esse batom — disse o maquiador, aproximando-se com um pincel.

— Agora não, Leo. Me dê cinco minutos — Karen respondeu, sua voz saindo mais ríspida do que pretendia.

Ela se levantou, a seda rosa roçando em suas pernas longas, e caminhou em direção ao espaço de Kendall. As outras modelos abriram caminho, sentindo a energia pesada que emanava da brasileira. Kendall a viu pelo reflexo do espelho e seu sorriso vacilou por um segundo antes de ela recuperar a máscara de modelo profissional.

— Karen! Você está incrível com esse cabelo, sério, a Valentino fez a escolha certa — Kendall disse, virando-se na cadeira com um sorriso que não chegava aos olhos.

Karen cruzou os braços, ignorando o elogio.

— Podemos conversar? A sós. Agora — disse Karen, em um tom que não admitia discussões.

Kendall olhou ao redor, percebendo os olhares curiosos de algumas assistentes.

— Claro. Vamos para o corredor dos fundos, está mais calmo lá.

As duas caminharam em silêncio até uma área de serviço isolada, longe do barulho das câmeras e da música alta. Assim que a porta pesada se fechou atrás delas, Karen explodiu.

— Londres, Kendall? Sério? — Karen começou, gesticulando com as mãos, o sotaque brasileiro ficando mais carregado pela raiva. — Eu pensei que o combinado era manter a discrição, não alimentar o circo com o seu ex-namorado astro do rock.

Kendall suspirou, passando a mão pelo cabelo escuro.

— Karen, por favor, não comece. Foi apenas um jantar. O marketing da minha família... você sabe como a Kris funciona. Precisávamos de um burburinho positivo antes do desfile.

— Ah, então agora eu sou "burburinho negativo"? — Karen deu um passo à frente, os olhos fixos nos de Kendall. — Nós estamos juntas há quase um ano, Kendall. Eu aguento as capas de revista, aguento os boatos, aguento até as suas irmãs perguntando quando você vai encontrar um "bom rapaz". Mas ver você saindo escondida com ele, enquanto me ignora no WhatsApp... isso é baixo, até para os padrões de Calabasas.

— Eu não te ignorei! Eu estava no avião, Karen! — Kendall rebateu, a voz subindo um tom. — E não aja como se você fosse uma santa. Vi as fotos da sua festa em Milão com aquele designer italiano. Vocês pareciam bem próximos.

— Ele é meu primo de segundo grau e você sabe disso! — Karen exclamou, incrédula. — Não tente inverter o jogo. Eu sou o rosto da Valentino agora, eu tenho contratos no Brasil que exigem que minha imagem seja limpa, e mesmo assim eu coloco você em primeiro lugar. Eu sou a "melhor amiga" que segura a sua mão quando as luzes se apagam, mas na frente das câmeras, eu sou invisível para você.

Kendall desviou o olhar, a culpa finalmente começando a transparecer em sua expressão polida.

— Você não é invisível, Karen. Você é a mulher mais incrível que eu já conheci. Mas você sabe o quão difícil é isso aqui. Minha vida é um reality show, literalmente. Se o mundo souber de nós, tudo muda.

— E daí que muda? — Karen perguntou, a voz agora mais baixa, carregada de mágoa. — O que você tem tanto medo de perder? Mais alguns seguidores? Outra capa da Vogue? Eu estou cansada de ser o seu segredo sujo, Kendall. Especialmente quando o seu "segredo público" envolve o Harry Styles.

O silêncio que se seguiu foi pesado. O som abafado da música do desfile começando a tocar no palco principal ecoava pelas paredes.

— O que você quer que eu faça? — perguntou Kendall, a voz trêmula.

— Eu quero que você decida — disse Karen, firme. — Hoje à noite, depois que as asas forem guardadas e a festa acabar, eu não vou para o hotel da equipe. Vou para o meu apartamento no Soho. Se você aparecer lá, saberemos que temos algo pelo qual lutar. Se você for para a festa pós-desfile com ele ou com qualquer outra pessoa para "fazer marketing", então terminamos.

— Karen, não faz assim... — Kendall tentou tocar o braço dela, mas a brasileira se esquivou.

— Temos um desfile para fazer, Jenner. Tente não tropeçar na passarela pensando no que você vai perder.

Karen se virou e saiu, deixando Kendall sozinha no corredor frio.

O desfile foi um borrão de luzes e aplausos. Karen abriu o segundo bloco com um conjunto de lingerie vermelho profundo que contrastava perfeitamente com seu cabelo marsala. Ela desfilou com uma fúria elegante, cada passo no ritmo da música, o rosto uma máscara de perfeição inabalável. Quando cruzou com Kendall na passarela durante o encerramento, a troca de olhares foi elétrica, capturada por centenas de lentes, mas ninguém ali sabia o que aquele contato visual realmente significava. Para a mídia, era a conexão de duas melhores amigas. Para elas, era um adeus ou um recomeço.

Após o desfile, o caos dos bastidores retornou. Karen trocou de roupa rapidamente, recusando-se a participar das entrevistas coletivas. Ela colocou um sobretudo preto, óculos escuros e saiu pelas portas dos fundos, escapando dos paparazzi que esperavam na entrada principal.

Em seu apartamento no Soho, o silêncio era um alívio. Karen serviu-se de uma taça de vinho tinto e sentou-se na janela, observando as luzes de Nova York. Ela checou o celular. Centenas de notificações. Fotos dela e de Kendall circulando com legendas como "Goals" e "Friendship". Ela sentiu vontade de rir.

Uma hora se passou. Depois duas.

Karen já estava pronta para ir para o quarto e trancar a porta para o mundo quando ouviu o som do interfone. Seu coração deu um salto, mas ela manteve a calma.

— Sim? — ela disse pelo aparelho.

— Sou eu. Por favor, abre.

Era a voz de Kendall. E ela parecia ter chorado.

Karen abriu a porta. Alguns minutos depois, Kendall entrou. Ela ainda estava com a maquiagem pesada do desfile, mas vestia apenas um moletom largo e calças de ioga, o cabelo preso em um coque desleixado. Ela não parecia a supermodelo intocável; parecia apenas uma garota exausta.

— Eu não fui para a festa — disse Kendall, assim que a porta se fechou. — Eu disse à Kris que estava passando mal. Desliguei meu celular.

Karen permaneceu encostada no balcão da cozinha, observando-a.

— E o Harry?

— Ele nunca foi nada além de um amigo e um favor para a assessoria, Karen. Eu juro. Eu me senti um lixo o dia todo vendo como você estava magoada. Eu não quero mais fazer isso. Não desse jeito.

Kendall caminhou até Karen, parando a poucos centímetros dela. O perfume de Kendall, uma mistura de jasmim e algo cítrico, envolveu os sentidos da brasileira.

— Eu tenho medo, sim — admitiu Kendall, a voz baixa. — Tenho medo de como o mundo vai tratar a gente. Mas tenho mais medo de te perder por ser uma covarde.

Karen suspirou, a raiva que a sustentara o dia todo começando a se dissipar, substituída por uma vulnerabilidade que só Kendall conseguia arrancar dela.

— Você me machucou, Ken. Ver aquelas fotos... parecia que eu não significava nada.

— Você significa tudo — Kendall disse, esticando a mão para acariciar o rosto de Karen, os dedos traçando a linha da mandíbula da modelo. — Você é a parte mais real da minha vida. Eu não quero mais que você seja apenas minha melhor amiga para o mundo.

— O que você está sugerindo? — Karen perguntou, arqueando uma sobrancelha, embora seu corpo já estivesse se inclinando em direção ao de Kendall.

— Que a gente comece a dar passos. Sem jantares forçados com ex-namorados. Talvez um jantar nosso, onde a gente não se esconda tanto. Eu não me importo se tirarem fotos, desde que seja com você.

Karen olhou nos olhos escuros de Kendall, procurando qualquer sinal de hesitação. Não encontrou nenhum. Ela puxou Kendall pelo colarinho do moletom, selando a distância entre elas em um beijo que misturava saudade, alívio e a promessa de uma luta que estava apenas começando.

— Se você me magoar de novo — murmurou Karen contra os lábios de Kendall —, eu juro que a Valentino não vai ser a única coisa que você vai perder. Eu sou brasileira, meu amor. A gente não brinca em serviço.

Kendall riu, um som leve e genuíno que não era ouvido em meses.

— Eu sei. E é exatamente por isso que eu estou aqui.

Naquela noite, as câmeras estavam desligadas, os assessores estavam em pânico com o desaparecimento da estrela principal, e o mundo continuava girando. Mas, dentro daquele apartamento no Soho, a passarela era outra, e o prêmio era muito mais valioso do que qualquer par de asas de anjo.

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