
Reflexos de Obsidiana e Água Doce
O sol da tarde sobre as montanhas de Salt Lake City tinha uma tonalidade pálida, quase tímida, que contrastava com o ar gelado que cortava o rooftop do hotel. Nina Moretti, no entanto, sentia o rosto queimar, e não era por causa dos raios UV.
Ela estava parada à beira da piscina infinita, segurando as bordas de sua camiseta extragrande do Akira como se fosse um escudo medieval. Por baixo do tecido pesado, ela sentia a brisa atingir suas pernas e o contorno de seu biquíni fio dental preto — uma escolha que, naquele momento, parecia uma audácia excessiva até para alguém com sua autoconfiança.
— Nina, você vai entrar ou vai ficar aí mimetizando um hidrante? — A voz de Jolly, o guitarrista, ecoou acompanhada de uma risada enquanto ele boiava preguiçosamente.
— O hidrante está ótimo aqui, obrigada — retrucou ela, ajeitando os óculos escuros.
Ela sentiu o peso de vários olhares. Não era apenas a equipe técnica da banda espalhada pelas espreguiçadeiras; eram as mulheres do staff e até alguns hóspedes aleatórios que pareciam hipnotizados pela figura pequena, ruiva e intensamente tatuada que emanava uma energia magnética mesmo vestida como se fosse dormir.
Noah Sebastian emergiu da água como uma criatura mítica. O cabelo castanho, repartido ao meio, estava colado ao rosto, as mechas "curtain bangs" pingando sobre seus olhos amendoados. A água escorria pelos seus 1,92m de altura, delineando cada músculo esculpido pelo jiu-jitsu e cada traço de tinta que cobria seu peito e ombros largos. Ele parecia uma pintura viva de um guerreiro moderno, mas o olhar que ele direcionou a Nina era de pura e absoluta adoração.
— Nina, a água está perfeita — disse Noah, a voz grave vibrando mesmo à distância. — Vem.
— Eu passo, Sebastian. O ar está a dez graus e eu não tenho o seu isolamento térmico de gigante — ela respondeu, cruzando os braços sobre o peito.
Noah sorriu, um sorriso lento que raramente mostrava em público, mas que para Nina era o sinal de que ele estava tramando algo. Ele nadou até a borda, apoiando os braços tatuados no mármore úmido, ficando cara a cara com os tornozelos dela.
— Você está com medo? — ele provocou, arqueando uma sobrancelha.
— Eu não tenho medo. Eu tenho prudência geográfica. Eu e grandes massas de água não nos bicamos.
— Eu estou aqui — ele disse, o tom suavizando, tornando-se aquele Noah privado que só ela conhecia. — Eu nunca deixaria nada acontecer com você.
Antes que ela pudesse processar a doçura da frase, Noah agiu com a agilidade de um predador. Ele se impulsionou para fora, sentando-se na borda, e agarrou a barra da camiseta dela. Com um movimento rápido e uma risada contida, ele puxou a ponta do tecido, desequilibrando-a levemente.
— Noah! — Nina gritou, mas já era tarde.
Ele não a jogou na água — ele sabia que ela odiava surpresas molhadas —, mas ele a puxou para um abraço úmido, molhando a camiseta dela completamente até que o tecido branco se tornasse translúcido, colando-se às suas curvas.
— Agora você tem que tirar — ele sussurrou perto do ouvido dela, a voz carregada de uma possessividade travessa. — Está encharcada. Vai pegar um resfriado se não entrar na água aquecida.
Nina bufou, mas o calor que emanava do corpo dele era convidativo demais. Com os dedos trêmulos pela exposição, ela desabotoou o short jeans e o deixou cair. Em seguida, puxou a camiseta por cima da cabeça.
O silêncio no rooftop foi quase audível.
Nina Moretti era uma visão de contrastes. A pele alva, o cabelo ruivo curto e vibrante, e as curvas latinas que pareciam desafiar a gravidade. O top do biquíni mal continha o volume de seus seios, e a calcinha fio dental deixava à mostra o dragão que serpenteava por sua coxa e se perdia na curva generosa de seu glúteo.
Noah, que até então exibia um sorriso vitorioso, sentiu a mandíbula travar. Ele percebeu o movimento de cabeças ao redor. Jolly parou de nadar; duas assistentes de produção cochicharam, os olhos arregalados de admiração; até o segurança na porta do rooftop deu uma segunda olhada.
A possessividade de Noah rugiu em seu peito. Ele se levantou, bloqueando a visão de metade do deck com seu corpo massivo, e estendeu a mão para ela.
— Minha — ele murmurou, baixo o suficiente para que apenas ela ouvisse, antes de ajudá-la a descer os degraus da piscina.
— Você é um idiota manipulador — Nina resmungou, agarrando-se ao pescoço dele assim que sentiu a água bater na cintura. — Noah, eu estou falando sério, não solta.
— Eu te peguei, pequena. Respira.
Nina estava tensa. Para alguém tão dominante e segura em terra firme, a água era seu único ponto fraco. Ela se encolheu contra o peito dele, as pernas envolvendo a cintura larga de Noah instintivamente.
— Olha para mim — pediu ele, segurando o rosto dela com as mãos grandes, os polegares acariciando as bochechas coradas. — Esquece que tem mais gente aqui. Sou só eu.
— É difícil esquecer quando eu sinto que metade do estado de Utah está olhando para a minha bunda — ela brincou, embora o coração estivesse acelerado.
— Deixa eles olharem. Eles só podem olhar. Eu sou o único que toca — Noah disse, e havia uma escuridão quente em seus olhos castanhos que fez o medo da água ser substituído por um tipo diferente de vertigem.
Ele começou a caminhar lentamente para a parte mais profunda, mantendo-a flutuando, mas sempre ancorada ao seu corpo.
— Vamos tentar o básico? — sugeriu ele. — Você só precisa bater os pés. Eu seguro suas mãos.
— Noah, se você me soltar, eu juro que queimo todos os seus mangás do Naruto — ela ameaçou, os olhos arregalados.
Noah soltou uma gargalhada genuína, o som ecoando pelo rooftop.
— Que golpe baixo, Moretti! Certo, certo. Sem sacrifícios de Itachi hoje. Apenas confie em mim.
Ele a posicionou de bruços na água, mantendo as mãos firmes sob o abdômen dela, sustentando seu peso com uma facilidade desconcertante.
— Isso, bate os pés devagar. Isso mesmo.
Nina começou a se soltar. A sensação de flutuar, protegida pela força física de Noah, era estranhamente libertadora. Ela começou a rir quando a água espirrou no rosto dele.
— Viu? Você está nadando — ele incentivou, os olhos brilhando de orgulho. — Você é incrível em tudo o que faz, Nina. Por que a água seria diferente?
— Porque a água não tem chão, Sebastian! É uma questão de lógica!
Eles passaram a hora seguinte assim, em uma bolha particular. Noah agia como um porto seguro, movendo-se com ela pela piscina, ensinando-a a controlar a respiração. A dinâmica de poder habitual deles — onde Nina geralmente ditava o ritmo com sua atitude audaz — tinha se invertido. Ali, na vulnerabilidade dela, Noah florescia como o protetor, o guia.
De longe, a equipe observava a cena. Não era apenas a beleza física do casal que chamava a atenção, mas a ternura crua. O vocalista imponente, conhecido por suas performances viscerais e letras sombrias, estava ali, agindo como um instrutor paciente, olhando para a namorada como se ela fosse a única coisa sólida em um mundo líquido.
— Eles são irritantemente fofos — comentou uma das estilistas, suspirando. — Olha como ele segura ela. Parece que está carregando um diamante.
— Ou uma granada — Jolly riu, saindo da piscina. — Nina é os dois.
Eventualmente, o frio começou a vencer a temperatura da água. Noah ajudou Nina a sair, envolvendo-a imediatamente em uma toalha felpuda do hotel antes mesmo de pegar a sua. Ele a abraçou por trás, escondendo o rosto no pescoço dela, sentindo o cheiro de cloro e da pele quente dela.
— Você foi bem — ele sussurrou.
— Eu quase morri três vezes — ela exagerou, virando-se nos braços dele, o rosto iluminado pelo pôr do sol que agora pintava as montanhas de laranja e roxo.
— Eu nunca deixaria.
Nina sorriu, subindo na ponta dos pés para selar seus lábios nos dele. O beijo começou calmo, mas logo ganhou a intensidade que era marca registrada do casal. Noah a apertou contra si, ignorando o fato de que estavam em um local público, as mãos descendo para a curva de seus quadris, reivindicando cada centímetro de pele tatuada.
— Noah... — ela murmurou entre o beijo — as pessoas...
— Deixa eles olharem — ele repetiu, a voz rouca, afastando-se apenas o suficiente para olhá-la nos olhos. — Quero que todos saibam exatamente de quem você é. E que saibam que eu sou completamente seu.
Nina sentiu um arrepio que não tinha nada a ver com o vento frio. Ela sabia que, em poucas horas, fotos daquele momento estariam na internet. O "olhar de Nina" que viralizara dias antes agora seria substituído pelo "olhar de Noah" — um olhar de possessão, proteção e uma vulnerabilidade que ele só permitia que ela visse.
— Vamos para o quarto? — ela sugeriu, um brilho travesso voltando aos seus olhos. — Acho que ainda preciso de algumas "aulas particulares" de respiração.
Noah sorriu, aquele sorriso de lado que desarmava qualquer um.
— Acho que posso abrir um horário na minha agenda para isso.
Enquanto caminhavam de volta para o elevador, Noah manteve o braço firmemente em volta dos ombros dela, protegendo-a do mundo, enquanto Nina caminhava com a cabeça erguida, a pequena ruiva que tinha o gigante do metal na palma da mão, pronta para enfrentar qualquer oceano, desde que ele fosse o seu capitão.
