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Fandom: fórmula 1

Criado: 27/09/2026

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Entre o Foco e o Fogo

O paddock de Monza estava mergulhado naquele calor abafado de final de tarde, um mormaço que parecia intensificar o cheiro de borracha queimada e combustível que Alicia Garcia tanto amava. Ela segurava sua câmera Canon com firmeza, os dedos ágeis ajustando o foco enquanto fingia estar concentrada em capturar a estética dos motorhomes da McLaren. Na verdade, seu foco estava alguns passos à frente.

Lando Norris caminhava com aquela leveza que lhe era peculiar, o uniforme da equipe ajustado ao corpo, os cabelos levemente bagunçados pelo uso recente do capacete. Para o mundo, ele era o prodígio da Fórmula 1, o piloto carismático de olhos azuis penetrantes. Para Alicia, ele era o homem que, na noite anterior, havia dividido uma pizza com ela no chão do hotel, rindo de piadas internas e prometendo que, um dia, eles não precisariam mais andar com dois metros de distância em público.

Já faziam seis meses. Seis meses de beijos roubados nos fundos das garagens, de hotéis reservados com nomes diferentes e de uma cumplicidade silenciosa que Alicia valorizava mais do que qualquer manchete de jornal. Ela era tímida por natureza; a ideia de ter sua vida escrutinada pelos tabloides britânicos a apavorava. E Lando, por mais que fosse uma figura pública, protegia aquele relacionamento como se fosse seu troféu mais valioso.

— Você está muito lenta hoje, Garcia — Lando disse, olhando por cima do ombro com um sorriso travesso, a voz alta o suficiente apenas para soar como uma interação profissional entre piloto e fotógrafa.

Alicia sentiu o rosto esquentar, as bochechas ficando levemente rosadas sob as mechas loiras de seu cabelo.

— Estou apenas garantindo que o ângulo favoreça sua falta de postura, Norris — rebateu ela, a voz suave, mas carregada de um carinho que ela esperava que ninguém notasse.

Eles continuaram caminhando em direção à saída do paddock, onde uma multidão de fãs se aglomerava contra as grades de metal, clamando por atenção. O som era ensurdecedor: gritos de "Lando!", papéis sendo agitados e celulares estendidos no ar.

Lando, sempre atencioso e incapaz de ignorar o carinho do público, desacelerou o passo.

— Vou parar um pouco — sussurrou ele para Alicia, que apenas assentiu, recuando um passo para lhe dar espaço, mas permanecendo perto o suficiente para não perdê-lo de vista.

Ela começou a fotografar a interação. Era uma parte do trabalho que ela gostava: capturar a humanidade por trás da viseira. Lando se aproximou da grade, pegando canetas e autografando bonés, camisetas e até capas de celular. Ele sorria, os olhos azuis brilhando com uma gentileza que sempre fazia o coração de Alicia errar a batida.

— Lando! Uma foto, por favor! — gritou uma garota loira, visivelmente animada.

Lando se inclinou para a selfie, e foi então que o caos silencioso começou.

Alicia, observando tudo através da lente de sua câmera, viu o movimento antes mesmo de Lando reagir. Um grupo de três mulheres estava encostado na grade, empurrando-se para chegar mais perto. Enquanto Lando terminava de assinar um cartaz para um garotinho, uma das mulheres — vestindo uma camisa curta e com um olhar predatório — esticou o braço por entre as barras de metal.

O que aconteceu a seguir fez o sangue de Alicia congelar.

A mão da mulher não foi para o braço de Lando, nem para o seu ombro. Com uma ousadia que beirava a agressão, ela enfiou a mão por dentro do cós da calça do uniforme de Lando, descendo rapidamente e apertando seu membro por cima da cueca, iniciando um movimento de massagem rápido e possessivo.

Lando deu um solavanco para trás, os olhos arregalados em choque puro. O sorriso desapareceu instantaneamente de seu rosto, substituído por uma expressão de confusão e desconforto profundo. Ele tropeçou nos próprios pés enquanto se afastava da grade, as mãos subindo instintivamente para a cintura.

A mulher, longe de parecer arrependida, soltou uma risada estridente e vitoriosa, olhando para as amigas.

— Meu Deus, Lando! — exclamou ela, sem qualquer pudor. — Eu só queria confirmar se o seu pau era tão grande quanto parecia naquele vídeo do treino. E olha... eu não fiquei decepcionada.

O comentário foi seguido por risadinhas do grupo dela, enquanto o restante dos fãs ao redor parecia dividido entre o choque e a indiferença.

Alicia sentiu uma onda de calor subir pelo seu pescoço, mas não era o calor de Monza. Era uma mistura explosiva de choque, proteção e um ciúme avassalador que ela raramente deixava transparecer. Ver outra mulher tocar o homem que ela amava daquela forma — de uma forma que deveria ser privada, sagrada e, acima de tudo, consensual — fez seu estômago revirar.

Lando parecia paralisado por alguns segundos, a respiração curta. Ele olhou para Alicia, e o pedido de socorro em seus olhos azuis foi o que a trouxe de volta à realidade.

Ela não pensou. A timidez que geralmente a definia foi engolida por uma necessidade feroz de tirá-lo dali. Alicia deu um passo à frente, guardando a câmera na bolsa lateral com um movimento brusco.

— Com licença — disse Alicia, a voz firme e fria, dirigindo-se à multidão enquanto se colocava entre Lando e a grade. — O tempo acabou. Ele tem uma reunião técnica agora.

Ela não esperou por uma resposta. Alicia tocou o braço de Lando — um toque possessivo que ela nunca se permitia em público — e o guiou para longe da grade, em direção à área restrita da McLaren.

Lando a seguiu em silêncio, ainda processando a violação. Só quando entraram no pequeno escritório privativo que ele usava para trocar de roupa, longe dos olhos de qualquer pessoa, foi que o silêncio se tornou pesado.

Lando sentou-se no banco de madeira, passando as mãos pelo rosto.

— Que porra foi aquela? — sussurrou ele, a voz trêmula.

Alicia estava parada perto da porta, os braços cruzados, o peito subindo e descendo com força. O ciúme ainda queimava, uma sensação amarga na garganta.

— Foi nojento, Lando. Foi um desrespeito absurdo — disse ela, tentando manter a voz sob controle, embora o tom fosse cortante.

Lando levantou os olhos, percebendo a tensão na postura dela.

— Alicia... eu sinto muito. Eu nem vi a mão dela vindo, eu estava olhando para o garoto do outro lado...

— Eu sei que você não teve culpa — interrompeu ela, dando um passo em direção a ele. — Mas ouvir ela dizer aquilo... ver ela tocar em você como se você fosse um pedaço de carne, um objeto para satisfazer a curiosidade dela...

Ela parou, os olhos verdes brilhando com lágrimas de raiva.

— Eu estou com ciúmes, Lando. Estou com um ciúmes que me deixa doente, porque eu queria ter gritado com ela. Eu queria ter dito que ela não tem o direito de encostar em você, porque você é meu.

Lando se levantou lentamente e caminhou até ela. Ele era geralmente o mais brincalhão, o mais leve, mas naquele momento, ele viu a vulnerabilidade da namorada. Ele envolveu a cintura de Alicia com os braços, puxando-a para perto, ignorando o fato de que ainda estavam em um ambiente de trabalho, mesmo que escondidos.

— Ei — murmurou ele, encostando a testa na dela. — Eu sou seu. Só seu. Aquilo foi... foi horrível. Eu me senti invadido.

Alicia relaxou o corpo contra o dele, escondendo o rosto no pescoço do piloto. O cheiro dele — uma mistura de suor leve, perfume caro e adrenalina — começou a acalmá-la.

— Eu odeio que as pessoas achem que podem fazer tudo só porque você é famoso — disse ela, a voz abafada. — E eu odeio ainda mais ter que ficar assistindo sem poder dizer nada.

Lando a apertou mais forte, uma de suas mãos subindo para acariciar os cabelos loiros de Alicia. Ele era um homem carinhoso por natureza, e ver Alicia tão abalada despertava nele um instinto de proteção que ele raramente precisava usar.

— Você me tirou de lá — disse ele suavemente. — Você me salvou daquela situação. Não importa o que ela disse ou o que ela tentou fazer. O que ela sentiu foi um pedaço de tecido e uma audácia idiota. O que você tem... bem, você tem tudo.

Ele se afastou um pouco, o suficiente para olhar nos olhos verdes dela. Um pequeno sorriso de canto surgiu em seus lábios, tentando aliviar o clima.

— E para constar — disse ele, baixando o tom de voz para um sussurro cúmplice —, a opinião dela não conta. A única pessoa que eu quero que confirme qualquer coisa sobre o meu corpo é você. Todas as noites, se você quiser.

Alicia soltou uma risada fraca, o ciúme começando a ser substituído pelo calor do afeto dele.

— Você é um idiota, Norris.

— Mas eu sou o seu idiota — rebateu ele, inclinando-se para beijá-la.

O beijo começou lento, um pedido de desculpas silencioso e uma reafirmação de posse. Mas, à medida que a adrenalina do incidente na grade se dissipava, o desejo tomava conta. Alicia passou as mãos pelos ombros de Lando, sentindo a musculatura firme sob o uniforme. Ela o apertou, um gesto que refletia o ciúme que ainda restava, uma necessidade de marcar seu território.

Lando gemeu baixo contra os lábios dela, as mãos descendo para as coxas de Alicia e a içando para cima da mesa de metal que ocupava o canto da sala. A câmera dela, esquecida na bolsa, estava jogada em uma cadeira próxima, mas Alicia não se importava mais com fotos ou com o mundo exterior.

— Alicia — ele respirou o nome dela contra sua pele, beijando a curva de seu pescoço. — Eu odeio que isso tenha te deixado triste.

— Não estou mais triste — murmurou ela, puxando-o para mais perto, as pernas envolvendo a cintura dele. — Só estou... possessiva.

Lando soltou uma risada rouca, os olhos azuis brilhando com uma intensidade que Alicia conhecia bem.

— Eu gosto de você possessiva. É um lado seu que eu não vejo com frequência.

— Não se acostume — avisou ela, embora suas mãos estivessem ocupadas desfazendo o zíper do uniforme dele. — Mas hoje... hoje eu preciso ter certeza de que você se lembra de quem você é.

Lando parou por um segundo, olhando para ela com uma seriedade profunda, o carinho transbordando em seu rosto.

— Eu nunca esqueço, Alicia. Eu posso ser o Lando Norris para aquelas pessoas na grade, mas aqui dentro, com você... eu sou apenas o homem que é completamente louco pela fotógrafa loira que se esconde atrás das lentes.

Ele voltou a beijá-la, desta vez com mais urgência. A frustração do incidente lá fora se transformou em uma paixão crua dentro daquelas quatro paredes. Alicia sentia o coração dele batendo contra o seu, um ritmo frenético que combinava com o dela.

— Alicia? — chamou ele entre beijos.

— Sim?

— A gente devia trancar a porta — ele sugeriu com um sorriso travesso.

Alicia sorriu de volta, o ciúme finalmente evaporando por completo, substituído pela certeza de que, não importava quantas mãos tentassem alcançá-lo, Lando sempre voltaria para o único lugar onde ele realmente se sentia em casa: nos braços dela.

— Eu já tranquei quando entramos — respondeu ela, puxando-o para outro beijo.

Naquele pequeno espaço, entre o caos da Fórmula 1 e a pressão da fama, eles encontraram sua própria paz. Lando era carinhoso, Alicia era sua, e o resto do mundo era apenas um borrão fora de foco.

Algum tempo depois, enquanto Alicia ajeitava o cabelo diante do pequeno espelho da sala e Lando terminava de se recompor, ele se aproximou por trás, envolvendo-a em um abraço e apoiando o queixo em seu ombro.

— Você está bem agora? — perguntou ele, a voz suave, a preocupação genuína ainda presente.

Alicia olhou para o reflexo deles. Ela viu a mulher loira de olhos verdes que, por um momento, perdeu a calma, e o piloto de olhos azuis que a trouxe de volta.

— Estou — disse ela, virando-se nos braços dele. — Mas se aquela mulher aparecer de novo, eu não garanto que vou ser tão profissional.

Lando riu, dando um beijo na ponta do nariz dela.

— Eu acho que ela aprendeu a lição. O olhar que você deu para ela... eu fiquei com um pouco de medo, para ser sincero.

— Bom — Alicia sorriu, pegando sua câmera. — É bom que saibam que eu mordo.

— Oh, eu sei muito bem disso — brincou Lando, abrindo a porta e verificando se o corredor estava vazio.

Eles saíram da sala um após o outro, mantendo a distância profissional necessária, mas com um segredo compartilhado brilhando em seus olhos. O paddock de Monza continuava agitado, mas para Alicia e Lando, o ruído era apenas um detalhe. Eles tinham o seu próprio mundo, escondido em plena vista, protegido pelo amor e, ocasionalmente, por um pouco de ciúme saudável.

Enquanto caminhavam em direção ao estacionamento, Lando parou para atender mais um grupo de fãs, mas desta vez, ele manteve uma distância segura, sua mão esquerda discretamente ajustando o relógio, um sinal que só Alicia conhecia: "Estou pensando em você".

Alicia levantou a câmera e tirou uma foto. O foco estava perfeito. A luz era ideal. E o homem no centro da imagem era, sem dúvida alguma, inteiramente dela.

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