
entre mundos
Fandom: cortis(Martin, James, Juhoon, sean e keonho)
Criado: 27/09/2026
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Eco de um Acorde Solitário
A luz da manhã filtrava-se pelas janelas altas do Colégio Saint-Jude, iluminando as partículas de poeira que dançavam no ar denso dos corredores. Para a maioria dos alunos, aquele era apenas mais um dia de provas e aulas de matemática, mas para mim, Helena, cada passo naquele chão de linóleo era uma oportunidade de cruzar com o motivo dos meus suspiros mais profundos.
Eu apertava meus livros contra o peito enquanto caminhava em direção à sala do 1ºC. Meu coração, no entanto, parecia querer fugir para o andar de cima, onde as turmas do segundo ano tinham suas aulas. Mais especificamente, para a sala do 2ºA.
— Helena! Acorda para a vida, menina! — A voz de Luis me trouxe de volta à realidade. Ele caminhava ao meu lado com sua mochila pendurada em um ombro só, os cabelos pretos levemente bagunçados e aquele sorriso de quem sabia exatamente o que eu estava pensando.
— Eu estou acordada, Luis. Só estou... concentrada — respondi, sentindo minhas bochechas esquentarem.
— Concentrada no corredor do segundo ano, imagino — ele riu, ajeitando a franja que caía sobre seus olhos castanhos escuros. — Você sabe que o Keonho já deve estar na sala dele a essa hora, não sabe? Ele é pontual, Helena. Treinamento de idol dá nisso.
Eu suspirei, sem conseguir esconder o sorriso. Keonho. Só de ouvir o nome dele, meu estômago dava voltas. Eu já tinha um penhasco por ele muito antes da fama, quando ele era apenas o veterano talentoso que tocava violão no pátio. Mas depois que ele debutou no Cortis, as coisas mudaram. Ele não era apenas o garoto bonito da escola; ele era o meu "utt", o centro do meu universo musical e pessoal.
— Eu vi o teaser novo ontem à noite — confessei em um sussurro, como se fosse um segredo de estado. — Ele está incrível, Luis. A voz dele está mais madura, e o jeito que ele dança...
— Eu sei, eu sei. Ele me mostrou alguns passos na semana passada — Luis disse com naturalidade, o que me fez querer sacudi-lo de inveja. — Ele é meu melhor amigo, Helena. Se você quiser, eu posso...
— Não! — interrompi, quase gritando. Algumas pessoas no corredor olharam para nós. — Não ouse fazer nada. Eu morreria de vergonha. Todo mundo já sabe que eu gosto dele, não precisa tornar as coisas mais óbvias.
Luis deu de ombros, divertido.
— Como quiser. Mas ele não morde, sabia? O Keonho continua sendo o mesmo cara legal de sempre. A fama não subiu à cabeça dele.
Nós chegamos à porta da minha sala. Luis, sendo do segundo ano também, mas de uma turma diferente de Keonho, ainda tinha um lance de escadas para subir.
— Te vejo no intervalo? — perguntou ele.
— Com certeza. E tente não contar para ele que eu tenho um pôster novo dele no meu quarto — brinquei, embora fosse a mais pura verdade.
— Não prometo nada! — ele gritou enquanto subia os degraus dois a dois.
As primeiras aulas passaram como um borrão. Eu não conseguia focar em nada que não envolvesse as melodias do Cortis. Martin, James, Juhoon, Sean e, claro, Keonho. Eles eram o grupo do momento, e ter um deles estudando na mesma escola era um privilégio que metade das garotas da cidade invejava. Mas para mim, era uma tortura doce. Eu o via nos corredores, notava o cansaço em seus olhos por conta das noites mal dormidas na empresa de entretenimento, e sentia uma vontade enorme de apenas dizer "bom trabalho".
Quando o sinal do intervalo finalmente tocou, meu coração disparou. O pátio central era o ponto de encontro comum. Eu saí da sala tentando manter a compostura, ajeitando meu uniforme e conferindo meu reflexo rapidamente na tela do celular.
Caminhei até a nossa mesa de costume, sob a sombra de uma grande figueira. Luis já estava lá, mas ele não estava sozinho. Meu coração parou por um segundo e depois recomeçou a bater em um ritmo frenético.
Sentado ao lado de Luis, com um fone de ouvido pendurado no pescoço e um caderno de composições aberto, estava Keonho.
Ele usava o uniforme da escola de um jeito que parecia editorial de moda. A pele clara parecia brilhar sob a luz do sol, e seus olhos focados no caderno demonstravam a inteligência que eu tanto admirava. Ele estava tão concentrado que não notou minha aproximação.
— Olha só quem chegou — Luis anunciou, me dando um sorriso cúmplice que eu tive vontade de socar. — Senta aí, Helena.
Keonho levantou os olhos do caderno. Quando ele me viu, um sorriso gentil e genuíno surgiu em seus lábios.
— Oi, Helena — disse ele, a voz suave e melodiosa que eu ouvia repetidamente nos meus fones. — Como foi a aula de história? Ouvi dizer que o professor deu um teste surpresa.
Eu congelei por meio segundo antes de conseguir processar que ele sabia meu nome e o que eu estava fazendo.
— Ah... oi, Keonho. Foi... foi difícil. Acho que não fui muito bem na parte das revoluções — consegui dizer, sentando-me desajeitadamente na frente deles.
— Não se preocupe — ele fechou o caderno, dando-me total atenção. — Aquela matéria é chata mesmo. Se precisar de ajuda, o Luis sabe que eu sou bom em história. Posso te passar meus resumos do ano passado.
— Você faria isso? — perguntei, meus olhos provavelmente brilhando mais do que deveriam.
— Claro — ele riu, um som que parecia música clássica para meus ouvidos. — Amigos do Luis são meus amigos também. E eu sei que você tem apoiado muito o grupo. Eu vejo você nos comentários das nossas lives, sabia?
Senti meu rosto entrar em combustão.
— Você... você lê os comentários? — gaguejei.
— Leio sim. E o seu user é fácil de lembrar — ele piscou para mim. — Obrigado por ser tão carinhosa com a gente. Significa muito, especialmente agora que as coisas estão ficando intensas com o novo álbum.
Luis, percebendo meu estado de choque, resolveu intervir.
— O Keonho está exausto, Helena. O Sean e o Juhoon são exigentes demais nos ensaios. Ele veio para a escola hoje só para tentar relaxar um pouco.
— Imagino como deve ser difícil — eu disse, recuperando um pouco da voz. — Conciliar o debut com o último ano da escola... você é incrível, Keonho. De verdade.
Ele baixou o olhar por um momento, parecendo genuinamente tocado pelo elogio.
— Às vezes eu sinto que vou desmoronar — confessou ele em voz baixa, abrindo um lado da sua personalidade que eu raramente via nas câmeras. — Mas aí eu lembro por que comecei tudo isso. E ver pessoas como você, que gostam da nossa música de verdade, me dá forças.
O silêncio que se seguiu não foi desconfortável. Foi um momento de conexão real. Ali, ele não era o Keonho do Cortis, o ídolo intocável. Ele era apenas o garoto do 2ºA que sentia o peso do mundo nos ombros.
— Se você quiser... — comecei, hesitante — ...eu posso te trazer alguns lanches amanhã. Minha mãe faz uns biscoitos de aveia que são ótimos para dar energia. E eu prometo não falar de trabalho.
Keonho sorriu largo, e dessa vez seus olhos brilharam de um jeito diferente.
— Eu adoraria, Helena. Biscoitos de aveia parecem o paraíso agora.
— Viu só? — Luis interrompeu, batendo no ombro de Keonho. — Eu disse que ela era a melhor pessoa dessa escola.
— Com certeza é — concordou Keonho, mantendo o olhar fixo no meu por um segundo a mais do que o necessário.
O sinal tocou novamente, sinalizando o fim do intervalo. Eu me levantei, sentindo-me como se estivesse flutuando.
— Preciso ir para a aula de biologia — eu disse, tentando não parecer apressada demais para fugir daquela intensidade.
— A gente se vê por aí, Helena — disse Keonho, pegando seu violão que estava encostado no banco. — E não esquece dos biscoitos!
— Não vou esquecer! — respondi, já me afastando.
Enquanto eu caminhava de volta para a sala, Luis me alcançou por um momento, sussurrando no meu ouvido:
— Viu? O "utt" é humano. E acho que ele gostou de você tanto quanto você gosta dele.
Eu não respondi, mas o sorriso no meu rosto durou o resto do dia. A paixão que começou nos corredores e se intensificou com a música agora tinha um novo capítulo, escrito com biscoitos de aveia e olhares sinceros. Keonho era mais do que um ídolo; ele era o acorde que faltava na minha melodia diária.
Ao entrar na sala, abri meu caderno e, na última página, onde costumava desenhar corações e o nome dele, escrevi apenas uma frase: "Amanhã, biscoitos de aveia".
Eu mal podia esperar pelo próximo sinal. Pois no Saint-Jude, entre uma aula e outra, o amor tinha o ritmo perfeito de um comeback do Cortis, e eu estava pronta para ser a fã número um dessa história.
