
Oliver x engel
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 28/09/2026
O Peso do Giz e do Silêncio
O ar no subsolo da Paper School era denso, carregado com o cheiro sufocante de mofo, poeira de giz e celulose envelhecida. Não havia a iluminação esterilizada das salas de aula, tampouco os risos debochados que costumavam ecoar pelos corredores durante os intervalos. Ali embaixo, o mundo parecia feito de sombras esquecidas e canos enferrujados que gotejavam com uma lentidão enlouquecedora.
Um estrondo quebrou a calmaria sombria quando a porta de madeira pesada foi escancarada, seguido pelo som seco de um corpo sendo lançado contra o chão de concreto irregular.
Oliver colidiu com uma pilha de caixas velhas de arquivo, espalhando folhas de rascunho amareladas pelo chão. Ele grunhiu de dor, apoiando-se desajeitadamente sobre o braço de lápis, cuja ponta afiada raspou contra o piso cinzento com um ruído estridente. A longa mecha arrepiada no topo de sua cabeça estava desordenada, e seus cabelos brancos, que chegavam à altura dos tornozelos, espalhavam-se como fios de seda suja ao redor de seu corpo.
— Mas que diabos pensa que está fazendo?! — esbravejou Oliver, a voz oscilando entre a fúria e uma pontada indisfarçável de susto.
Ele sacudiu a cabeça, ajeitando com raiva o laço preto que prendia seu rabo de cavalo baixo. A marca vermelha em forma de "A+" em sua franja quase parecia pulsar com o calor de sua indignação. Com os olhos fixos na escada, ele tentou se levantar, ajustando as bermudas brancas e sacudindo a poeira de sua camisa preta de gola. Seus chifres negros pareciam afiados sob a fraca luz que descia pelo vão da porta.
No topo dos degraus, uma silhueta familiar bloqueava a única saída.
Engel descia calmamente. Seus passos não tinham pressa, cadenciados pelo leve eco dos pequenos saltos de seus sapatos pretos no piso frio. Não havia mais nele o garoto doce, compreensivo e dedicado que passava os dias tentando apaziguar brigas ou proteger os alunos indefesos das travessuras cruéis da escola. O macacão preto e a camisa branca de gola polo com listras azuis e vermelhas estavam impecáveis, mas sua expressão carregava uma frieza assustadora. As duas penas, azul e vermelho-alaranjada, presas no lado direito de seus longos cabelos brancos e despenteados, balançavam sutilmente a cada movimento.
— Você achou que haveria risadas para sempre, Oliver? — perguntou Engel, a voz estranhamente suave, mansa, com um tom cortante que fez os pelos da nuca de Oliver se eriçarem.
— Do que você está falando, seu idiota? — Oliver tentou zombar, cruzando os braços e exibindo um meio-sorriso arrogante, embora seus olhos percorressem o porão em busca de uma rota de fuga. — Se isso é por causa daquela novata patética... ela não aguentou o tranco. Não é culpa minha se ela foi parar direto no quarto da ∆lice! Todo mundo sabe que ninguém entra lá. Ela era fraca, Engel. Apenas mais um pedaço de papel rasgado.
A menção casual ao massacre de Claire foi como uma faísca em um barril de pólvora, mas Engel não gritou. Ele sequer franziu a testa de imediato. Apenas parou a poucos centímetros de Oliver. A cauda branca e curta de Engel agitou-se uma única vez antes de imobilizar-se.
Num piscar de olhos, antes que Oliver pudesse erguer o braço esquerdo em forma de grafite para se defender, os braços totalmente negros de Engel avançaram com uma velocidade inumana. Quatro dedos pontiagudos e afiados como garras envolveram com firmeza o queixo de Oliver, erguendo seu rosto para cima com uma força implacável.
Oliver engoliu em seco, sentindo as pontas afiadas pressionarem sua pele pálida, quase perfurando a superfície delicada.
— Fraca? — sussurrou Engel, inclinando a cabeça para o lado. Seus olhos exibiam um brilho malicioso e distorcido, algo que Oliver jamais imaginara ver no protetor da escola. — Ela confiava em você. Confiava que haveria um limite. Mas você, Zip e Edward não têm limites, não é? Vocês só entendem quando o giz quebra na mão de vocês.
— Me solta! — Oliver rosnou, tentando puxar a cabeça para trás, mas os dedos negros de Engel eram como garras de ferro. — Você não é disso, Engel! Você é o garotinho bonzinho que ajuda todo mundo com a lição! O que você acha que vai conseguir com isso? Me bater? Acha que a professora Grace não vai notar?
Engel não respondeu à provocação infantil. Em vez disso, deu mais um passo à frente, encurtando perigosamente a distância entre eles. O espaço pessoal de Oliver evaporou-se por completo. Engel inclinou-se até que seus lábios estivessem a milímetros da orelha pontiaguda de Oliver, abaixo de seus chifres escuros.
— Eu não me importo mais com as regras — sussurrou Engel, sua respiração quente batendo diretamente contra a cartilagem sensível de Oliver. — E ninguém vem aqui embaixo procurar por você tão cedo. Você vai me ouvir, Oliver. Você vai sentir exatamente o desespero que ela sentiu antes da tinta secar.
O calor da respiração de Engel, combinado à proximidade sufocante e ao tom aveludado e venenoso, causou uma reação involuntária no corpo do valentão. Uma queimação súbita subiu pelo pescoço de Oliver, tingindo suas bochechas pálidas com um rubor carmesim intenso. Ele detestou aquilo instantaneamente; odiou sentir o próprio coração martelar contra as costelas diante do rapaz que costumava apenas empurrar pelos corredores.
— Sai... de perto de mim! — gritou Oliver, desconcertado e furioso, desferindo um empurrão desajeitado com seu antebraço de lápis.
Engel recuou apenas meio passo, esquivando-se do golpe com agilidade felina. O sorriso no rosto do garoto de penas se alargou, tornando-se ainda mais perverso ao notar a vermelhidão no rosto de seu prisioneiro.
— Tão valente quando está com seus amiguinhos rindo de quem não pode se defender — ironizou Engel, puxando bruscamente de trás de uma pilha de carteiras escolares uma corda amarela grossa, resistente e impecavelmente trançada. — Mas aqui, você é apenas um rascunho esperando para ser apagado.
— Fica longe! — Oliver tentou correr em direção aos degraus, mas tropeçou nos próprios cabelos longos na pressa do pânico.
Engel avançou com precisão cirúrgica. Com um movimento ágil, ele passou a perna por trás das botas pretas de Oliver, derrubando-o de costas contra o chão. Antes que Oliver pudesse se virar ou morder, Engel montou sobre seu tronco, imobilizando o quadril do valentão com o peso do próprio corpo.
— Para com isso, seu louco! — Oliver praguejou, debatendo-se furiosamente. Ele jogava os joelhos cobertos por meias brancas para cima, tentando acertar as costas de Engel, mas a firmeza de seu agressor era inabalável.
— Fique quieto — ordenou Engel em um tom gélido, segurando o pulso de carne de Oliver e forçando-o para cima, juntando-o ao pulso esquerdo que terminava na haste de madeira e grafite.
Com destreza metódica, os dedos negros de Engel começaram a enrolar a corda amarela ao redor de ambos os pulsos. Oliver xingou todos os nomes que conhecia, cravando as unhas curtas na manga listrada de Engel, mas a corda era apertada com nós duplos e implacáveis. Cada volta do material áspero prendia seus braços com mais firmeza, até que não houvesse qualquer margem para rotação ou soltura.
Engel esticou a ponta restante da corda amarela para o alto, prendendo-a em um gancho enferrujado fixado em uma viga mestra de sustentação do teto baixo do porão. Ele puxou a corda até que os braços de Oliver fossem forçados a se erguer bem acima de sua cabeça, deixando o rapaz sentado no chão em uma posição completamente vulnerável, com os ombros esticados e incapaz de usar a ponta afiada de seu braço esquerdo para qualquer defesa.
— Engel, eu juro que vou quebrar essa sua cara idiota! — gritou Oliver, ofegante, as bochechas ainda vermelhas de raiva, vergonha e choque. A mecha espetada em sua cabeça tremia com a violência de sua respiração desregulada. — Eu vou contar para o Edward e a Zip, nós vamos fazer você engolir cada pedaço daquelas penas ridículas!
— Eles não sabem onde você está — Engel respondeu tranquilamente, limpando um grão invisível de poeira do macacão preto. — E mesmo se soubessem... nenhum deles tem coragem de descer aqui.
Engel ajoelhou-se diante de Oliver novamente. De um dos bolsos profundos de seu macacão, ele retirou um objeto que fez os olhos de Oliver se arregalarem em puro pavor. Era uma mordaça de bola de borracha preta e densa, com tiras grossas de couro escuro e fivelas metálicas reluzentes.
— Não... espera! Não ouse! — Oliver tentou fechar a mandíbula com força, virando o rosto de um lado para o outro. — Nem pense nisso! Tira essa porcaria daqui!
— Você falou demais a vida inteira, Oliver — murmurou Engel, a voz carregada de um desprezo meticuloso. — Espalhou mentiras, guiou pessoas inocentes para a morte e riu enquanto elas sangravam. Acho justo que agora você fique em silêncio. Um silêncio bem longo e pesado.
Engel usou uma das mãos negras com dedos em garra para pressionar as laterais da mandíbula de Oliver com força exata, apertando as articulações temporomandibulares. A dor súbita fez os lábios de Oliver se entreabrirem em um reflexo involuntário. Sem perder um único segundo, Engel empurrou a bola de borracha para dentro da boca de Oliver, preenchendo sua cavidade oral por completo e forçando sua língua para baixo.
Os olhos de Oliver quase saltaram das órbitas. Um gemido abafado e desesperado escapou por suas narinas:
— Mmmffhh! Nnngh!
Rapidamente, com movimentos treinados e sem qualquer hesitação, Engel passou as tiras de couro ao redor da nuca de Oliver, logo abaixo do início de seus longos cabelos brancos, ajustando a fivela com um puxão firme e travando-a no furo mais apertado.
Oliver arregalou os olhos ainda mais ao notar o gosto amargo da borracha e o aperto sufocante que mantinha sua mandíbula travada, impedindo qualquer articulação de palavras compreensíveis. A sensação de impotência era esmagadora. Ele tentou cuspir o objeto, mas a correia de couro o mantinha firmemente no lugar. Gotas de suor frio começaram a escorrer por sua têmpora, e um rubor ainda mais profundo de pura humilhação tingiu todo o seu rosto até as pontas de suas orelhas.
— Muito melhor — Engel comentou, admirando seu trabalho com um olhar frio e satisfeito. Ele deu dois tapinhas leves e condescendentes na bochecha corada de Oliver. — Menos barulho. Mais honestidade.
Oliver debateu-se violentamente contra a viga, esticando os pulsos amarrados para o alto até que a corda amarela fizesse atrito ruidoso contra a madeira antiga. Ele puxava, jogava o corpo para a frente e chutava o ar com suas botas pretas, mas a corda não cedia um milímetro sequer, mantendo seus braços suspensos e imóveis.
— Mmmph! Gggrmmph! — ele protestava com raiva, o olhar fuzilando Engel com todo o ódio que conseguia reunir.
— Ainda está agitado? — Engel inclinou-se novamente, com um sorriso ladino nos lábios. — Acho que você ainda tem estímulos demais. Você adora olhar para as suas vítimas com aquele sorrisinho superior, não é? Vamos tirar isso de você também.
Das dobras de seu uniforme, Engel puxou uma tira larga de tecido negro, espessa e completamente opaca.
O terror de Oliver atingiu o ápice. Ele sacudiu a cabeça freneticamente, balançando os longos cabelos brancos e os chifres em um esforço desesperado para afastar o tecido de seu rosto. As tiras de couro da mordaça rangiam contra sua pele. Ele não queria a escuridão. Ficar amarrado e amordaçado já era humilhante o bastante, mas ser privado da visão diante daquele garoto irreconhecível o deixava em pânico puro.
Engel não se abalou. Com um movimento calmo, ele segurou um dos chifres negros de Oliver para estabilizar sua cabeça e passou a venda sobre seus olhos amendoados. O nó foi atado atrás de sua cabeça com força e precisão, mergulhando Oliver em uma escuridão absoluta e impenetrável.
O mundo visual de Oliver desapareceu num instante. Agora, tudo o que existia era o som das gotas caindo nos canos, o calor incômodo da mordaça de borracha empurrando sua língua, a queimação nas articulações de seus ombros esticados para cima e o eco suave dos passos de Engel ao seu redor.
— Hmmph! Nnn-nnn! — Oliver gemeu alto contra a mordaça, arqueando as costas e puxando a corda com toda a sua força, tentando encontrar apoio com as botas no chão escorregadio. Ele tremia dos pés à cabeça, desorientado pela escuridão súbita.
Engel começou a circular o corpo cativo de Oliver. Seus sapatos batiam levemente no chão com um ritmo lento, calculadamente sádico.
— Você está assustado, Oliver? — Engel sussurrou, sua voz agora parecendo vir de todos os cantos e de canto nenhum ao mesmo tempo.
Oliver sentiu um arrepio gélido descer por sua espinha quando sentiu a ponta afiada de uma das garras negras de Engel deslizar lentamente pelo contorno de sua mandíbula, contornando a tira de couro da mordaça e subindo até a base de seus chifres escuros. O toque era leve, quase uma carícia, mas carregava a promessa implícita de corte.
Oliver encolheu os ombros o máximo que as cordas permitiam, emitindo um som trêmulo e sufocado:
— Mmmgh...
— Você lembra do olhar da Claire? — Engel continuou, parando logo atrás dele. Oliver pôde sentir a presença física de Engel encostar suavemente em suas costas presas. — Ela olhou para a porta trancada daquele corredor e não havia luz para ela. Não havia ninguém para ouvir quando ela gritou o seu nome, pedindo ajuda. Você achou divertido, não achou? Comer sabão, tirar notas altas e destruir a vida dos outros como se tudo fosse uma grande piada de recreio.
Engel passou a mão de garras pelo rabo de cavalo longo de Oliver, puxando-o com uma leveza zombeteira que fez a cabeça do valentão tombar para trás.
— Mas agora a piada acabou — Engel sussurrou bem próximo à nuca descoberta de Oliver, soprando o ar morno sobre a pele arrepiada. — Agora você é quem está no escuro. E você vai ficar exatamente aqui, ouvindo o silêncio, até aprender o verdadeiro peso de uma vida que você apagou.
Oliver debateu-se com fúria redobrada, puxando os braços para cima até que as fibras da corda amarela queimassem a pele de seus pulsos. Ele chutava o chão, emitindo uma série contínua de grunhidos abafados e indignados pela mordaça de bola, o peito subindo e descendo com violência sob a camisa preta. As lágrimas de raiva e frustração começavam a umedecer a parte interna da venda escura.
Engel apenas deu um passo para trás, contemplando a cena com uma frieza inabalável. As penas em seu cabelo reluziam na penumbra tênue que entrava pelo topo da escada. Ele ajeitou o macacão, limpou as mãos afiadas uma na outra e deu meia-volta, subindo os degraus de madeira com passos calmos e deliberados.
O som da porta do porão se fechando com um estalo pesado e o giro metálico da chave na fechadura selaram o destino de Oliver.
Na escuridão total do subsolo, restou apenas o eco rítmico da água pingando, o estalar das cordas esticadas e os gemidos abafados de um valentão que, pela primeira vez na Paper School, descobriu o terror absoluto de estar completamente à mercê de quem ele costumava ignorar.
